O vento cortava o jardim da mansão Ferraz como navalha. Era como se a própria natureza estivesse em desacordo com o que se desenrolava ali dentro. Lara cruzou o corredor central com passos apressados, as mãos suadas, o estômago revirado. A última conversa com Edmundo ainda ecoava em sua cabeça, como um sussurro que não queria se calar: "Você não precisa ter medo de ser quem é." Mas quem ela era, afinal? Naquele mesmo dia, Solange a havia chamado para uma conversa no escritório. A mulher estava impecável como sempre — cabelos presos em coque, joias discretas, perfume caro. E com o mesmo olhar de aço que podia quebrar qualquer tentativa de afeto. — Sente-se, Lara — disse com a calma de uma predadora prestes a dar o bote. — Eu andei pesquisando sobre você. E encontrei... algumas informaç

