O Veneno da Boa Educação

1150 Palavras

A casa dos Ferraz não era só de mármore, ouro e silêncio caro. Era também feita de palavras polidas com gosto de veneno, de sorrisos que escondiam lâminas. Lara começava a perceber que ali, o perigo não vinha com gritos, mas com gentileza. Naquela manhã de sábado, o café estava mais silencioso do que o habitual. Helena lia o jornal com os olhos trêmulos, Edmundo estava ausente — provavelmente no quarto, cuidando da dor insistente nas pernas. Inácio não havia aparecido, e Lara sabia que isso só deixava o ambiente mais sufocante. Solange Ferraz repousava sua xícara de porcelana no pires com a delicadeza de quem escolhe as palavras como munição. — Lara, querida... — disse ela com uma voz tão suave quanto falsa. — Não quer sentar-se conosco? Afinal, já é praticamente uma da família. Beatri

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