Solange Ferraz estava sentada no sofá de veludo da sala principal, vestindo um robe de seda dourado que reluzia sob a luz fraca do abajur. Seus dedos longos tamborilavam o braço da poltrona, enquanto o olhar vagava por entre os candelabros e retratos da família. A mansão parecia silenciosa demais naquela manhã, como se pressentisse o que estava por vir. Quando Inácio entrou na sala, ela forçou um sorriso. — Bom dia, meu filho... — disse com voz suave, quase frágil. Ele não respondeu de imediato. Parou diante dela, as mãos nos bolsos da calça social, os olhos semicerrados. — A Lara sumiu. Não deixou nenhum sinal. Solange fingiu surpresa. — Sumiu? Como assim? — ela levou uma das mãos ao peito, teatralmente — Você acha que... que aconteceu alguma coisa com ela? Inácio se sentou de fren

