Capítulo 4- Sonho

1828 Palavras
Após o jantar Ana começou assistir novela com sua avó quando sua amiga Beatriz ligou, ela foi para sala de estar e as duas ficaram falando por horas, estava deitada no sofá ouvindo a amiga falar do crush, depois reclamou dos pais e de outra amiga que tinha um namorado i****a que a tratava m*l. -Você viu o f*******:?- perguntou a amiga. -Não... estou me dando férias das redes sociais- Ana pensou que o ex namorado havia postado algo, mas não queria ver. -Queria eu conseguir fazer isso... -Realmente acho que estou bem sem elas. -Como está seu avô? -Bem, por enquanto não houve melhoras...está da mesma forma. -Nossa, mas ele é homem forte, quer dizer a primeira vez que vi ele ficou chocada, e eu te achava alta , acho que tem muitas chances. -Você que não cresceu. -Já ouviu que os melhores perfumes vêm em pequenos frascos!- Ana já tinha escutado a frase milhares de vezes, na verdade Beatriz estava na média da altura das brasileiras 1,62 cm, Ana que era um pouco mais alta com 1,74 cm. As duas conversaram por mais um tempo e se despediram, Beatriz era sua melhor amiga desde o primeiro ano do ensino médio, as duas tinham personalidades diferentes mas pareciam se completar, Ana olhou para o relógio de bronze na estante, já passava da meia noite, estava levantando do sofá quando ouviu algo, olhou para os lados procurando de onde vinha o barulho, se aproximou das janelas e ouviu novamente, parecia uma voz, mas estava muito baixa, mas parecia que vinha do lado de fora, Ana pensou que deveria ser apenas um animal e virou de costas, mas quando começou a andar ouviu novamente e agora pareceu entendeu uma palavra, ela voltou e virou a chave, abriu a porta. Olhou para fora, apenas uma estrada de terra que vinha da entrada até a frente da casa e circulava a fonte de água, a luz da varanda iluminava até a fonte, Ana não via nada estranho e não ouvia mais nada, Ana andou pela varanda como não viu nada voltou para dentro, quando entrou na sala viu Mélia na sala, ela uma mulher baixa, em seus 30 e poucos, tinha cabelo preto na altura dos ombros, usava um xale de tricô bege nos ombros. -Oi, tudo bem Ana?- perguntou Mélia. -Sim, achei que tinha escutado algo, deve ser uma coruja. -Deve, tem muitas pela região, a casa também é antiga não é mesmo?- disse Mélia. As duas se despediram, Mélia foi para cozinha disse que faria um chá e Ana foi para seu quarto, Ana antes de deitar notou algo, quando viu Mélia, ela estava com os braços cruzados e os olhos arregalados, parecia assustada, por um instante Ana imaginou se ela também não havia escutado algo estranho, para ir para cozinha ela não precisava passar pela sala de estar, era na direção contrária. Não teve sonhos durante a noite, mas acordou cedo, ficou lendo e navegando pela internet até próximo das 8:00 horas da manhã quando sentiu fome, desceu e para surpresa avó já estava acordada, Ana passou ver o avô, Elena havia acabado de chegar, ela e Mélia conversavam, Ana as convidou para tomar café da manhã. -Como foi a noite Mélia?- disse Elena rindo e pegando uma torrada. -Por Deus Elena. -O que aconteceu?- perguntou Ana vendo Mélia quase engasgando com o chá. -Aconteceu alguma coisa com Lorenzo?- perguntou a avó. -Não nada Dona Lurdes.- respondeu Mélia, a avó fez expressão de desânimo e foi até a dispensa. -Ela tem medo de ficar nos plantões da noite.- respondeu Elena. - Sério?- respondeu Ana rindo. -Uma casa desse tamanho com só nós? Já trabalhei em fazenda e sítios, estou acostumada, mas sempre a família era grande sabe, toda hora tinha alguém, ou eram os empregados, as crianças, os donos ou parentes. Agora aqui, a casa está vazia, e ainda fazem esses barulhos à noite... -Que barulho? – perguntou Ana. -Encanamento essas coisas, a Mélia que se assusta com tudo.- disse Elena que obviamente não tinha medo. - Não sei o que é, mas escuto barulho vindo do andar de cima e embaixo. – Mélia disse esfregando os braços. -Pode ser o encanamento mesmo viu, o banheiro do meu corredor estava com problemas até o dia que cheguei. – disse Ana, lembrando que quando está no banheiro pode  escutar água nos canos. -Eu disse.- disse Elena. As três comeram juntas, a avó que já havia tomado seu café da manhã estava na bancada com vários ingredientes, Ana se ofereceu para ajudá-la e ela começaram a fazer pães caseiros, logo Beto, Igor chegaram, estavam com roupas de trabalhos e foram cuidar da reforma da chácara. Ana ajudou na organização da cozinha quando colocaram os pães no forno, depois falou com sua mãe por telefone e saiu para o quintal, Igor estava carregando o  cortador de grama e colocando na picape do tio, ele acenou e Ana se aproximou. -Oi -Oi, vai cortar grama? -Dá entrada até aqui. -Sério? Não é muito longe? - Acho que dá menos que um quilômetro, quando éramos criança conseguimos correr dela até aqui.- comentou Igor. -Não me lembro muito bem. -Eu sempre chegava primeiro, você era a segunda e minha irmã ficava brava com a gente porque não conseguia nos alcançar por ser menor. -Sua irmã, Sofia? -Você se lembra? -Mais ou menos, quantos anos ela tem agora?- perguntou Ana se esforçando para lembrar da amiga de infância. Igor olhou para ela com uma expressão confusa e por alguns segundos ficou com a boca aberta como se fosse falar algo, até que finalmente falou. -Ela teria 17, teria feito mês passado. -Teria?- perguntou Ana confusa. -Ela faleceu há dez anos atrás. Ana ficou chocada por um momento. -Como? -Bem, foi afogamento, acho que você não irá se lembrar, mas nadavam no lago no sítio dos meus tios, o sítio fica atrás do pomar da chácara, bem ela ficou desaparecida alguns dias até que encontraram o corpo já estava descendo o rio em outra propriedade alguns quilômetros de distância. -Meus pêsames.- disse Ana. -Obrigado, faz um tempo já, minha mãe ainda não consegue lidar, mas está bem melhor do que na época. Ana não sabia o que falar, não imaginava que a conversa seguiria para esse rumo. Eles se despiram e Igor foi de caminhonete levar o cortador para a entrada. Ana andou pela propriedade, ainda estava um pouco chocada que a garotinha que ela pensava lembrar em seus sonhos havia morrido. Ficou chateada de não conseguir lembrar-se dela, não entendia o porque, mesmo após o acidente as lembranças de sua infância ficaram intactas, mas não se lembrava da garotinha com que apostava corrida e brincava de bonecas, até mesmo Igor não aparecia em suas lembranças. Suas únicas lembranças da chácara eram com seus avós, na verdade quem mais via em suas lembranças era o avô, lembrava de fazer as coisas com seu avô, pescar com ele, passear nas cidades próximas, ajudar a cuidar do jardim e reformar as casas que os avôs tinham na cidade e que alugavam, desenhava nas paredes antes de ele pintar, entregava os pregos para ele, depois tomavam sorvete na praça. Sentiu-se triste pelo estado em que o avô estava, o médico foi durante a tarde e examinou o avô, aplicou alguns medicamentos e orientou Elena, Ana entrou no quarto dele, a cama estava próxima a janela, ele estava sem a coberta para tomar sol, Ana suspirou e mesmo não sendo religiosa pediu por seu avô. Estava desanimada e foi para o seu quarto no fim da tarde, estava em sua cama mexendo no smartphone quando sentiu-se sonolenta, estava correndo, havia árvores para todos os lados, sentia-se aflita, estava descalça e usava um vestido branco, ela pisou em um galho e espinhos entraram em seu pé, ela caiu, mas tirou os espinhos, travou os dentes para não fazer barulho, ela continuou agora mancando até que viu o asfalto e sentiu-se aliviada, lágrimas corriam por seu rosto que estava sujo e arranhado, ela acenava para os carros até que um carro parou, ela entrou pedi para levar ela até a delegacia, Ana não conseguia ver o rosto, a voz parecia jovem, o homem perguntava o que havia acontecido, mas logo o carro entra em uma estrada de terra, Ana senti que começa a chorar e implora por favor, quando o carro para alguém abre a porta e a puxa pelo cabelo. Ana acordou suando, senta-se na cama tremendo, sente dificuldade em respirar, o ar parece não entrar como se fosse algo sólido, ela tenta se acalmar deitando novamente, coloca mão em cima da barriga, pensa nos pais, nos amigos e a imagem de seu ex-namorado sorrindo parece em sua mente, ela sente-se um pouco triste, mas percebe que se acalmou. Ana decide tomar um banho morno para relaxar do pesadelo, enquanto penteva o cabelo no quarto escuta sua avó batendo na porta. -O jantar está pronto. -Estou indo já. -Estava dormindo até agora? -Sim, acordei faz pouco tempo, tive um sonho péssimo.- Se estivesse em sua casa era para sua mãe que ela falaria. -Com que sonhou? -Eu estava fugindo no meio de floresta eu acho, acho que tinha sido sequestrada. -Meu bem, que horror, mas você é uma moça calma, inteligente, responsável, ninguém iria querer fazer m*l para você.- disse avó, ela usava um avental cor de rosa. -Obrigada vó- disse Ana entendendo a tentativa de elogio da avó, e seguiu avó para o jantar, mas quando descia as escadas colocou o cabelo úmido para frente, e lembrou de algo, no sonho o cabelo que caia em seu rosto era loiro muito claro e lisos, Ana tinha cabelos castanhos e com cachos, então se lembrou de quando caiu no sonho, suas pernas eram muito finas e claras, seus braços também parecia finos e sua mão delicada, Ana tinha porte atlético, era alta e com coxa grossa. Ana pensou que o corpo não era o seu no sonho, também percebeu que não tinha controle por suas ações no sonho e nem do que fugia. Após o jantar ficou conversando com avó e foram assistir a novela juntas, após o pesadelo Ana não queria ficar sozinha, mas avó dormia cedo e Ana foi para seu quarto e conversou com seus amigos por mensagem, eles estavam planejando uma festa pelo grupo em um aplicativo de conversas, eles cobravam a presença de Ana, quando falou que não voltaria até o final do mês, eles acabaram contando que planejavam celebrar o aniversário dela no final de semana, Ana ficou feliz, não esperava, e mandou várias mensagens agradecendo os amigos. Estava um pouco sonolenta e começou a se aconchegar no travesseiro para dormir quando recebeu uma mensagem, sabia que os amigos poderiam conversar por toda a madrugada, mas resolveu checar, quando olhou viu o nome Igor Bernardi, ele apenas havia enviado um “oi, tudo bem?”, Ana respondeu e acabou dormindo enquanto conversava com ele. 
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