Capítulo 101 GABRIEL NARRANDO Eu acordei sem saber onde eu tava. Primeiro veio o som. Um zumbido distante, como se alguém tivesse ligado uma televisão velha dentro da minha cabeça. Depois veio a dor. Não uma dor específica, era tudo doendo ao mesmo tempo. Cabeça, costelas, braço, perna. Meu corpo inteiro parecia ter passado por um moedor e sido montado errado depois. Tentei me mexer. Arrependi na mesma hora. Um gemido escapou da minha garganta antes que eu conseguisse segurar. Minha boca tava seca, o gosto metálico de sangue ainda grudado na língua. Pisquei algumas vezes, tentando focar, tentando entender. Escuro. Frio. Cheiro de umidade e sujeira. — Onde… — tentei falar, mas a voz saiu fraca demais. A última coisa que eu lembrava era o restaurante. O jantar. A confusão. Os tiro

