Capítulo 100 GEIZA NARRANDO Sair do postinho foi como sair de um lugar pesado demais até pra mim. O ar do lado de fora parecia diferente, mais frio, mais denso. Aquele tipo de silêncio que não é paz, é aviso. O morro nunca fica quieto assim à toa. Sempre tem som, música, conversa, moto subindo, gente rindo alto. Mas essa noite tava estranha. Comecei a descer devagar, com a cabeça cheia demais pra prestar atenção em qualquer coisa ao redor. Às vezes a gente toma decisões no impulso. Às vezes a gente acha que tá sendo forte, quando na verdade só tá fugindo. E às vezes a conta chega. Eu pensava nisso enquanto caminhava. Pensava em tudo que tinha acontecido nas últimas horas. No baile. No camarote. Na Nalanda desacordada. No olhar dela quando me acusou. No jeito que o Pardal ficou dif

