Capítulo 112 GEIZA NARRANDO Mais uma vez eu estou indo ver o Gabriel, antes de ir para o morro vender meus doces, ontem ele estava estranho, eu senti nas palavras dele, eu saí e deixei ele sozinho, mas fiquei pensativa. Eu sempre apareço quando alguém precisa. Esse é o problema. Desde que me entendo por gente, aprendi a ser útil. A chegar com o remédio quando ninguém mais aparece. A emprestar dinheiro quando todo mundo some. A ouvir sem julgar. A acolher. A ajudar. E foi exatamente assim que eu cheguei de novo nesse quarto simples onde o Gabriel estava escondido, se recuperando, juntando os pedaços do próprio corpo e do orgulho ferido. Só que ajudar não significa contar tudo. Nunca significou. Eu também não sou madre Teresa de Calcutá. Eu bati na porta do mesmo jeito de sempre. Du

