Capítulo 111 GABRIEL NARRANDO O quarto era pequeno demais pra tanta coisa passando dentro da minha cabeça. Era um quarto de pensão barata. Cama de solteiro rangendo, ventilador velho fazendo mais barulho do que vento, uma janela pequena com cortina fina que não escondia nada de verdade. Cheiro de remédio, pomada pra dor muscular e umidade. Eu ainda sentia o corpo inteiro reclamando cada vez que respirava mais fundo. As costelas doíam. O maxilar ainda estava sensível. As costas pareciam ter passado por um atropelamento. Mas a dor física não era nada. Nada mesmo. A dor real vinha de outro lugar. Analu. O nome dela martelava na minha cabeça desde o segundo em que acordei naquele chão imundo, jogado como lixo depois de ter apanhado sem nem entender direito o porquê. Desde que percebi

