Capítulo 117 ANALU NARRANDO Quando a porta do quarto bateu atrás do Guepardo, eu soube que tinha ido longe demais. Não porque eu tivesse medo dele. Não era isso. Era aquela sensação pesada no peito, como se eu tivesse puxado uma corda esticada demais e agora ela estivesse prestes a arrebentar e eu estivesse no meio. Fiquei alguns segundos sentada na cama, imóvel, tentando organizar a respiração. O quarto parecia maior sem ele aqui, silencioso demais, opressor demais. O enjoo veio de novo, forte, subindo do estômago para a garganta como uma onda que eu já reconhecia. Levei a mão à boca, fechei os olhos e respirei fundo, mas não adiantou. Meu corpo estava estranho há dias, talvez semanas. E agora o medo tinha nome. — Não… — murmurei para mim mesma. — Não pode ser isso. Andei devagar, se

