Capítulo 67 ANALU NARRANDO Minha mãe ainda estava parada na porta do meu quarto, segurando a maçaneta como se fosse um apoio para não desmaiar. O olhar dela queimava na minha pele. Queimava nas marcas. Me encarando como se eu fosse outro ser humano. — Analu… quem fez isso em você? — a voz dela saiu rouca, quebrada, quase infantil. Minha garganta fechou na hora. Meu corpo travou inteiro. Eu não conseguia formar palavras. Eu não conseguia pensar. Eu só conseguia sentir o calor do toque do Guepardo ainda preso no meu pescoço, como se a pele lembrasse dele antes de eu lembrar de mim mesma. Minha mãe deu dois passos, aproximou a mão do meu rosto, mas parou no ar, hesitando, como se tivesse medo de confirmar. — Filha… isso aqui é… — ela tocou devagar na lateral do meu pescoço — …isso

