Capítulo 61 GEIZA NARRANDO Eu saí do esconderijo com as pernas tremendo. Não pelo tiroteio, nem pelos vapores, nem pelo cheiro de sangue impregnado nas paredes, era por dentro que eu tava despencando. Um desmoronamento silencioso. Um nó na garganta que parecia não ter fim. O ar da rua bateu no meu rosto como um tapa. Forte, frio. Quase doloroso. Era como se o mundo estivesse seguindo normalmente enquanto meu peito ainda tava preso naquela sala apertada onde Pardal tava deitado e onde eu percebi, de forma mais clara do que eu gostaria, que eu nunca fui realmente vista por ele. A verdade é que doeu. Doeu feio. Mas também era culpa minha. Não dele. Pardal nunca me prometeu nada. Nunca disse que gostava de mim. Nunca inventou histórias. Nunca me iludiu. Eu fui a burrä. Eu fui

