capítulo 05

2266 Palavras
James. O portal sumiu. Ai meu Deus! O que eu vou fazer agora?! Os meus pais? Meu avô? Minha vida!? Caio de joelhos, sem me importar com as pedras os arbustos espinhosos arranhando minhas pernas, não tô aí pra isso. - c-como eu vou pra c-casa agora??- digo para mim mesmo, já sentindo meus olhos pinicarem com as lágrimas que começam à escorrem pelas minhas bochechas. Abraço os joelhos e apoio minha cabeça neles, então deixo as lágrimas escorrerem, não ligando se tem um humano logo ali me vendo desabar. - você tem certeza que era aqui??- o humano diz, ainda com certo receio se deve ou não se aproximar de mim. - t-tenho sim.- respondo. Não preciso nem olhar para minha esquerda para saber que foi bem ali que eu me esborrachei no chão depois que pulei do portal e desci ladeira abaixo. MALDITO PORTAL!! MALDITA IDEIA!! Onde eu estava com a cabeça? - e agora??- ele diz, parecendo um pouco frustrado. - vo-você pode ir embora. Eu vou ficar aqui.- digo, levantando a cabeça para encara-lo. - você acha o... Portal vai aparecer de novo?- quando o humano fala “portal”, é meio como se ele ainda não acreditasse completamente no que eu digo. Tento me acalmar e lembrar o que eu sei sobre os portais. A maioria deles são instáveis, e desaparecem do mesmo jeito que aparecem. Eles podem levar alguém para qualquer lugar desse e do outro mundo. COMO EU PUDE NÃO LBRAR DISSO ANTES DE FAZER ESSA...LOUCURA?! - talvez...- ou assim espero. Mas ise isso acontecer, pode levar dias, ou até... - vai escurecer logo, e eu tenho que voltar para casa.- Caleb diz. - foi bom te conhecer Caleb.- digo encarando-o, antes de voltar à encarar o vazio, que meia hora antes era onde estava o portal. - você vai ficar a noite inteira aí?? - vou.- falo simplesmente. - m-mas aqui fica super frio de noite.- ele coloca as mãos nas costas, como se estivesse nervoso ou apreensivo. - eu dou um jeito.- minto, já que o frio é praticamente a coisa que eu mais odeio, e sem luz então... Ele confirma levemente com a cabeça, antes de falar. - bom... Acho que isso é um adeus. - sim. Foi bom te conhecer huma... Hã... Caleb.- corrijo-me, antes de voltar à encarar o local onde o portal estava, como medo de que ele apareça por uma fração de segundo e eu não veja. “Ele não vai mais aparecer” uma vozinha irritante praticamente grita na minha mente, tentando tirar o pouco de esperança que me resta. Caleb assente novamente, antes de começar à descer a encosta, com cuidado para não se rasgar nos espinhos ou escorregar. Pisco algumas vezes, tentando afastar as lágrimas. Olho para meu próprio corpo, que estão cheio de terra e arranhões novos. Os pelos da minha cauda estão emaranhados, e embora não consiga ver, sei que meus cabelos também estão assim, ou até pior. - hã...- começa alguém, fazendo-me olhar na direção da encosta e dá de cara com Caleb, que esta parado à poucos metros, me encarando. - ah. V-você ainda não foi.- constato o óbvio. - ahn... V-você vai ficar aí no frio, sem água ou comida??- diz ele, me fazendo assentir vagarosamente, sem vontade de falar. - quer ir passar a noite lá em casa??- a pergunta sai dos seus lábios, embora ele pareça meio inseguro com isso. - a-acho melhor não. Eu preciso ficar aqui e esperar o portal aparecer.- falo, sentindo vergonha e raiva de mim mesmo toda vez que lembro da burrice que eu fiz. - m-mas... Talvez ele não aparece hoje. Amanhã você vem aqui e ver.- termina ele, fazendo eu pensar na ideia. Aposto que meu Vô vai ficar desesperado quando eu não voltar para casa. A tristeza em mim fica maior só de imaginar ele desesperado atrás de mim naquele pomar... Mas não posso ficar a noite aqui. Meus lábios estão secos, indicando que meu corpo já está desidratando. E já está ficando frio. Mas será que posso confiar nele? Um humano?? Tudo que me contaram sobre eles é que são traiçoeiros e não se importam em passar por cima dos outros para conseguirem o que querem. Encaro seus olhos castanhos, enquanto ele se aproxima de mim e estende a mão. - hum... Okay.- respondo, estendo a mão para segurar a sua. Ele me puxa para cima e me põe em pé logo em seguida. Encaro-o novamente, e por algum motivo, acho que posso confiar nele. (****) - eu só vou pegar as minhas coisas, para depois irmos.- diz Caleb assim que chegamos onde ele havia montado acampamento. Ele caminha até a barraca e tira uma mochila de lá, antes de começar à desarma-la. - quer ajuda??- pergunto meio sem jeito, enquanto olho distraído para suas costas. - não precisa.- diz ele, antes de desmontar a barraca com uma agilidade incrível, como se ele fizesse isso várias vezes. - quer que eu leve isso?- aponto para a barraca perfeitamente enrolada na sua mão esquerda. - se você insiste.- ele diz, antes de colocar a mochila nas costas e caminhar até mim, estendendo a barraca para mim. - a cidade fica um pouco longe daqui, e se não começarmos à andar logo, iremos chegar bem tarde.- Caleb diz, já começando à andar por uma trilha, que ele parece conhecer muito bem. - obrigado por me abrigar, enquanto eu não volto para casa. -agradeço, enquanto caminho ao seu lado. Nós temos o mesmo tamanho e estatura. - tubo bem. Mas você vai precisar disso aqui.- ele tira a mochila das costas e tira um boné dela. Então ele me dá. - acho que ninguém entenderia se um garoto com orelhas como as suas aparece.- termina Caleb. Coloco o boné na cabeça e assanho ainda mais meus cabelos, cobrindo qualquer indício das orelhas. Ele lança um olhar para minha cauda, um pedido silencioso para que eu à esconda também. Levanto um pouco da camisa e enfio minha cauda dentro dela, me deixando como um humano. Um humano sujo e esfarrapado, mas um humano. - ainda tem os olhos.- complementa ele, me fazendo franzir a testa. - o que tem eles??- questino, levando a mão até meu rosto. - não sei o que você sabe sobre os humanos... Mas nós não temos essas pupilas verticais. - ah.- digo, focando meus olhos nos seus só pra ter certeza. Sim, olhos castanhos e pupilas redondas.- mas não preciso esconder isso, vai ser só uma noite.- completo. - okay.- diz ele, voltando a olhar para frente. (****) Depois de caminharmos durante uma eternidade, saímos da floresta e chegamos à uma cidadezinha. A lua já está bem alta no céu, indicando que já são umas sete horas da noite, e umas onze horas da manhã no meu mundo, e meu vô já deve ter ido me procurar... O aperto no meu coração indica que eu preciso parar de pensar nisso. Vai ficar tudo bem. Afirmo para mim mesmo em silêncio. Vai ficar tudo bem. Tem que ficar. - vamos por esse beco aqui, assim ninguém vai te ver.- Caleb fala pela primeira vez nas últimas duas horas. Ele vira à esquina e entra no espaço vazio entre dois prédios velhos. Faço que sim, mesmo que ele não possa ver, então o sigo, enquanto observo cada detalhe dessa cidade, que não é um dos lugares mais bonitos que eu já vi. Não chega nem perto. O asfalto da rua tem alguns buracos, que indicam o quanto ele é velho e desgastado. Os prédios e casas são m*l pintados e tem paredes sujas. Em cada esquina dessa cidade tem vários sacos de lixo, ou apenas só o lixo espalhado por aí. - minha mãe é meio... Raivosa. Então você vai ter que entrar escondido.- ele diz, virando para me encarar, fazendo com que eu tenha uma visão completa de seu rosto banhado pela luz da lua. - hum... Okay.- murmuro de volta, antes de sentir uma onda de frio me envolver, fazendo os pelos da minha nuca se eriçarem. - não gosta de frio?- ele pergunta enquanto anda, me lançando um olhar uma vez ou outra. - não. Eu poderia usar meu dom, mas isso seria meio perigoso.- digo calmamente, imaginando eu queimando tudo aqui sem querer, inclusive ele. - dom?- questiona ele, assim que saímos do beco e começamos à andar por outra rua, igualmente suja e velha. - eu posso controlar o fogo e a luz... Mas como não sei fazer direito, é melhor não arriscar.- respondo, enquanto fico atento à sua reação. Ele abre e fecha a boca algumas vezes, antes de falar. - a-ah.- confirma, mais para ele mesmo do que para mim. - fica tranquilo, eu não vou sair queimando tudo. Na verdade, eu quase não uso meu dom.- tento tranquiliza-lo, imaginando que ele possa está pensando que eu fique descontrolado ou sei lá... Ele assente uma vez, antes de par em frente à uma casa, sem jardim e com sacos de lixo na frente, como todas as outras. - eu moro aqui. Você espera aqui fora enquanto eu entro e vejo se a barra tá limpa.- diz ele, antes de caminhar até a porta e entrar na casa, me deixando plantado aqui fora. Caminho até os degraus da entrada e sento lá, então fico olhando para a rua velha e deserta à frente. Concentro-me para ouvir o que está acontecendo dentro de casa, mas com minhas orelhas sufocadas dentro desse boné e pelos meus próprios cabelos, não ouço quase nada, só a voz de uma mulher, que parece está reclamando com alguém, ou melhor, com Caleb... A porta é bruscamente aberta atrás de mim, me fazendo dá um pulo com o susto. Olho para a porta e vejo Caleb. - entra rápido, enquanto ela tá no quarto.- diz ele, me fazendo caminhar até a porta e entrar. Olho para seu rosto e vejo a marca avermelhada e. Sua bochecha. - o que aconteceu com seu rosto?- digo, apontando para sua bochecha, enquanto ele fecha a porta e caminha apressadamente pelo corredor, cuja as paredes estão revestidas com um papel de parede velho. Ele sinaliza para que eu o siga, antes de responder. - eu bati com o rosto na porta do quarto.- fala ele, embora os cinco dedos perfeitamente desenhados na sua bochecha provem o contrário. - o-onde sua mãe está?- pergunto. - ela está no quarto dela trocando de roupa. Vai passar a noite fora.- murmura baixinho. O cheiro de cigarro e álcool já diz tudo. Caleb abre a porta de um quarto no fim do corredor. - esse é meu quarto. Você não pode fazer barulho okay? Se não eka vai descobrir.- ele indica para que eu entre no quarto, e, depois que eu faço isso, ele entra e fecha a porta. - okay.- digo, enquanto observo o quarto. Ele é pequeno, mas parece ser a parte mais aconchegante dessa casa. Tem uma cama de solteiro perfeitamente arrumada, um guarda-roupas e um escrivaninha de madeira, com vários livros em cima. Além de ter o próprio banheiro. - nós temos que esperar ela sair, para podermos comer alguma coisa na cozinha.- ele sussurra baixinho, antes de caminhar até a cama e se sentar. Fico meio sem jeito, plantado ali todo sujo e com as roupas rasgadas, sem saber o que fazer. - você...- começo, mas uma batida alta e ensurdecedora na porta me faz parar, além de dá um pulo. - com quem você tá conversando garoto?!?- uma voz feminina fala do outro lado da porta, enquanto ela continua batendo na porta trancada. - e-eu tava... Lendo.- mente ele, olhando com um certo nervosismo para a porta, em que sua mãe continua batendo. - ABRE ESSA PORTA SEU MERDINHA!!- o grito me assusta e me faz querer sumir dali. Como uma mãe pode tratar seu filho assim...? Nem imagino o que essa maluca faria se entrasse aqui e visse “uma coisa” como eu aqui dentro. Caleb me lança um olhar suplicante, então ele aponta para a cama, um pedido silencioso para que eu me esconda. Vou até lá rapidamente, mas em passo silenciosos, antes de me abaixar e engatinhar para debaixo da cama. - EU NÃO VOU PEDIR OUTRA VEZ CALEB!!- ela grita novamente, então ele corre até ela e abre a porta, fazendo com que ela entre no quarto como um furacão logo em seguida. - POR QUÊ DEMOU TANTO?!- o grito é seguido e um barulho agudo, que eu acho que foi um t**a, já que Caleb cambaleou para trás. - e-eu já ia to-tomar banho.- ele gagueja, colocando uma distância segura entre eles. - não me interessa o que você faz ou deixa de fazer seu i****a!! Eu vou sair e volto amanhã.- a mãe dele diz com a voz transbordando de raiva e amargura. Então ela caminha até o guarda-roupas dele, o abre e começa à revirar nas coisas. - m-mãe, esse dinheiro é m-meu.- ele diz, com certo receio (medo). - EU TE DEI COMIDA E CASA DURANTE 17 ANOS, ENTÃO ESSE DINHEIRO É MEU!!- ela grita, antes de sair do quarto e bater a porta com tanta força que faz um calafrio subir pela minha espinha. Caleb caminha bem devagar e senta na cama, em cima de mim. Mesmo só conseguindo ver seus pés, posso apostar que ele está encarando a porta, mas estranhamente calmo, como se a atitude da sua mãe acontecesse diariamente. Depois de alguns minutos em silêncio, ele finalmente fala. - p-pode sair, James.
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