A noite caiu como um véu pesado sobre a fazenda. Do lado de fora, a mansidão das árvores contrastava com a tensão que crescia entre as paredes da casa principal. Marta não dormia. Havia dias que não conseguia. O peso da mentira, da omissão, da inveja que alimentou e agora corroía por dentro, tornou-se insuportável. Ela viu Alana passar pelos corredores com o olhar morto e os ombros curvados. Viu os olhos de Augusto queimarem com uma mistura de desejo e domínio doentio. E viu a si mesma no espelho — cúmplice, silenciosa, suja por dentro. Naquela noite, a coragem venceu o medo. Rosália preparava um chá na cozinha quando Marta entrou, tremendo. — Preciso falar com você… agora. Mas tem que me prometer que vai me ouvir até o fim. Rosália virou-se, assustada com a palidez da moça.

