Vegas on
O amanhecer m*l despontava no horizonte quando Vegas saiu da casa, sentindo o ar frio da manhã tocar sua pele. Seus passos eram firmes, determinados, como se cada movimento carregasse o peso das decisões que viriam a seguir. A ligação sobre o ataque ao armazém ainda ecoava em sua mente, e ele sabia que essa não era apenas mais uma tentativa fúil do Nabin. Era uma declaração de guerra.
Ao entrar no carro, olhou pelo retrovisor e viu Pete observando-o da porta do quarto. Seu olhar era carregado de preocupação, mas Vegas não podia se dar ao luxo de hesitar agora. Não quando tanto estava em jogo. Ligou o motor e partiu rumo ao armazém.
Quando chegou, seus homens já estavam reunidos. O local exalava cheiro de queimado e pólvora, evidências do confronto da noite anterior. Havia buracos de bala nas paredes, caixotes destruídos, e pelo chão, manchas escuras denunciavam o sangue derramado.
— Quantos perdemos? — Vegas perguntou, a voz firme, mas sem pressa.
— Três homens. Outros cinco estão feridos, mas vão sobreviver. — Respondeu um de seus capangas, o rosto sério.
Vegas passou a mão pelo cabelo, respirando fundo. Seu olhar se moveu pelo local, absorvendo a destruição que Nabin havia deixado para trás. Ele apertou os punhos, contendo a raiva crescente dentro de si.
— Isso foi um aviso. Nabin quer testar nossos limites. Mas ele cometeu um erro. — Ele olhou para cada homem ao redor. — Se ele quer guerra, ele vai ter guerra. Mas faremos do nosso jeito. Vamos dar o troco onde ele menos espera.
O silêncio que seguiu sua declaração foi cortante. Todos ali sabiam o que isso significava. Nenhum deles temia confronto, mas Vegas era um estrategista. Ele não agiria por impulso.
Ele deu alguns passos pelo armazém, avaliando o ambiente com um olhar crítico. Não bastava revidar; era preciso destruir Nabin de dentro para fora. Vegas sabia que o inimigo confiava em sua rede de contatos e no fluxo de dinheiro que o mantinha no poder.
— Quero informações sobre os fornecedores dele. Cada rota, cada local de armazenamento. Vamos cortar o fornecimento antes de atacarmos diretamente. E quero a segurança reforçada nos nossos pontos principais. Ele não vai nos pegar desprevenidos de novo.
Um dos capangas pigarreou antes de falar.
— Senhor, nossos informantes dizem que Nabin tem recebido carregamentos de armas do leste europeu. Se fecharmos essa rota, ele ficará vulnerável.
Vegas sorriu de forma fria, seus olhos brilhando com uma determinação perigosa.
— Ótimo. Então é isso que faremos. Vamos cortar as pernas dele antes que tenha chance de correr.
Ele se virou para seus homens, seu tom de voz ainda mais afiado.
— Nabin é um rato que se esconde atrás de dinheiro e alianças fracas. Se destruímos sua fonte de renda, os aliados dele vão cair fora, e ele vai estar sozinho. E quando isso acontecer, eu mesmo vou cuidar dele.
O grupo assentiu, cientes de que aquele era o início do fim para Nabin.
Vegas cruzou os braços e respirou fundo. Pete estaria esperando por ele em casa, e parte de si sabia que, quanto mais fundo mergulhasse nessa guerra, mais distante ficaria da vida que ele e Pete poderiam ter juntos. Mas essa era a vida que ele escolheu. E até que Nabin estivesse fora do caminho, não haveria espaço para hesitação.
Horas depois, Vegas reuniu seus homens mais leais em um galpão afastado, longe de olhares indesejados. O local era escuro, iluminado apenas por algumas lâmpadas velhas penduradas no teto. O cheiro de óleo e metal impregnava o ar, misturando-se com a tensão que pairava sobre todos.
— O objetivo é simples — Vegas começou. — Os fornecedores de Nabin precisam cortar laços com ele. Sem suprimentos, sem armas, sem dinheiro, ele não tem poder. — Ele olhou ao redor. — Temos contatos prontos para negociar com eles no lugar dele. Vamos oferecer um acordo melhor. E se recusarem… bem, não haverá segundas chances.
Um dos homens assentiu. — Já temos dois fornecedores interessados em ouvir nossa proposta. Mas alguns podem se recusar a mudar de lado por medo de represálias.
Vegas sorriu de forma sombria. — Então vamos dar a eles um motivo maior para temer a gente do que temem Nabin. Quero que todos os fornecedores recebam um recado claro: quem estiver com ele, cai junto. Quem mudar de lado, prospera. E quem insistir em ficar do lado dele... vai morrer.
Os homens se entreolharam e assentiram, compreendendo a gravidade da situação.
— Espalhem a palavra — Vegas ordenou. — Se em três dias os fornecedores dele não mudarem de lado, eles não vão ter a chance de mudar depois.
A guerra contra Nabin estava apenas começando, e Vegas faria tudo para vencê-la.
Depois de um dia inteiro lidando com estratégias, Vegas voltou para casa. Ele entrou silenciosamente, encontrando Pete sentado no sofá, olhando para a tela da televisão sem realmente prestar atenção.
— Precisamos conversar. — Vegas disse, indo direto ao ponto.
Pete suspirou, sabendo que aquele momento chegaria. Ele desligou a televisão e olhou para Vegas.
— Sobre o meu pai, né? — sua voz era um sussurro.
— Sim. — Vegas se sentou ao lado dele. — Pete, seu pai não é quem você pensava que era. Ele não só mentiu para você, ele machucou muitas pessoas. E agora, ele quer me destruir, e isso inclui qualquer pessoa que esteja ao meu lado. Você precisa entender que essa guerra vai acabar de um jeito ou de outro. E eu preciso saber de que lado você está.
Pete abaixou a cabeça, respirando fundo. — Eu... eu não sei o que fazer, Vegas. Ele é meu pai. Por mais que eu saiba o que ele fez, ainda me custa aceitar que a pessoa que me criou é um monstro.
Vegas segurou o queixo de Pete, fazendo-o olhar diretamente para ele. — Eu entendo, Pete. Mas me escute bem. Se você continuar se prendendo a essa ilusão, ele vai usar isso contra você. Nabin não pensa duas vezes antes de destruir quem fica no caminho dele. E agora, você está no meio disso.
— O que você quer que eu faça? — Pete perguntou, sua voz tremendo levemente.
— Quero que enxergue a verdade. Quero que escolha um lado antes que seja tarde demais. — Vegas se inclinou para mais perto. — Eu não vou deixar nada acontecer com você. Mas se você hesitar... pode ser fatal.
Pete passou a mão pelo rosto, tentando processar tudo. Ele sabia que Vegas estava certo. Mas fazer essa escolha significava enterrar qualquer lembrança boa que tinha de seu pai. E isso doía mais do que ele poderia admitir.
— Eu preciso de tempo. — Ele disse finalmente.
Vegas suspirou, assentindo. — Entendo. Mas Pete... o tempo está se esgotando.
Eles ficaram em silêncio, ambos sabendo que a próxima decisão de Pete mudaria tudo para sempre.
Eu estou com você. — Sua voz era firme, sem hesitação. — Nabin me enganou a vida inteira. Eu não posso mais fechar os olhos para o que ele é. Eu quero ajudar a acabar com isso.
Vegas analisou o rosto de Pete por um instante, buscando qualquer sinal de dúvida. Mas tudo que encontrou foi determinação.
— Então é hora de agir. — Vegas disse, um sorriso satisfeito se formando em seu rosto.