Assim que termina a ligação com Kat, Brad entra em seu carro e vai para a empresa.
Desde que voltou para sua terra, não se encontrou com o pai. Portanto, foi direto até a sala dele. Cumprimentou com a cabeça um ou outro funcionário pelo caminho.
— Ei, pai — Brad dá três batidas na porta e entra.
— Olá, filho, que bom que chegou. Temos uma reunião em 15 minutos, mas quero falar com você antes, sobre o assunto que será abordado.
— Certo, pode falar — Brad se senta diante dele.
— Bom, você sabe que todo meu legado deverá passar para você futuramente.
— Sim, como único herdeiro.
— Contudo, você precisa estar casado para que isso aconteça — ele recosta em sua cadeira. — Sabe como são as regras da máfia.
— Eu sei, mas ainda não preciso me casar com uma pessoa qualquer, você me prometeu que me deixaria encontrar alguém que eu amasse.
— E isso já faz dois anos — sua fala é ríspida. — Até hoje você nunca apresentou uma namorada sequer. Você sabe como esse nosso mundo é perigoso, posso morrer a qualquer instante. O império que construí não pode simplesmente acabar por irresponsabilidade sua.
Brad sente uma fisgada no peito.
— Olha aqui, pai: eu não vou me casar agora. E acontece que tenho sim uma namorada, que amo muito, por sinal.
O homem estreita os olhos como se tivesse escutado a mentira mais deslavada do mundo.
— Bom — ele age como se procurasse as palavras na boca. — Então me apresenta ela.
— As coisas são um pouco complicadas, mas estamos resolvendo tudo — justifica Brad rapidamente. — Me dá mais 1 ano.
— Quem é ela? A garota sabe sobre a máfia? Me diz algo para que eu possa usar.
— Esse é o problema, você não pode falar para ninguém, porque nenhuma pessoa pode saber que estou namorando com ela. Só o que posso dizer é que a pessoa está bem longe daqui e que, sim, ela sabe sobre a máfia. Sabe que sou um herdeiro. Isso é o que basta por enquanto. Enfim, me deixe abrir a filial no Rio, como estava programado. Depois, se eu não resolver com ela, prometo ficar noivo com quem você achar melhor.
— Você sabe que se você ficar noivo precisa se casar — ele aponta para o filho como se erguesse uma arma. — Uma promessa de casamento em nosso mundo é lei.
— Por isso estou te pedindo para esperar, não quero fazer ninguém sofrer. Fora que se eu me noivar com quem o senhor escolher, tenho certeza de que não serei fiel, porque vou continuar com o amor da minha vida. Se eu me casar, não encostarei um dedo na Fulana, então você não terá netos. A única que merece que eu seja fiel é a pessoa que finalmente encontrei.
O velho balança a cabeça e rosna feito um cão.
— Você me coloca em cada situação — resmunga.
— Por que está dizendo isso? Só falta me dizer que a reunião era para selar meu noivado.
— Praticamente.
— Ah, não… — Brad passa as mãos no rosto sem acreditar.
Os dois seguem para a sala de reunião. Quando chega lá, Brad se depara com um senhor que na certa tinha a mesma idade de seu pai, uns 47 anos. Ao seu lado, vê uma jovem n***a com um corpo alto e muito bonito. Ao mapeá-la, o rapaz confessa para si que, se não tivesse Kat, ela seria um alvo certo.
— Bom dia, senhor Jafari, senhorita Anika – cumprimenta Brandon as pessoas presentes.
— Bom dia, Brandon, esse é o seu filho? – pergunta Jafari.
— Sim, este é Brad.
— Sejam bem vindos – responde Brad de maneira formal.
Claro, apesar de estar puto da vida, tem educação. E por ser mafioso, tinha que saber controlar seus impulsos e emoções.
— Bom, esta é Anika Jafari, minha filha, princesa da África e herdeira da máfia Africana.
— Olá – ela diz com sensualidade e oferece a mão para que Brad a cumprimente.
Para cortar o m*l pela raiz, Brad não pega em sua mão, o que faz a moça ficar meio perdida. O pai dela, vendo tal situação, fala com um tom de voz um pouco mais grave.
— Não sou de rodeios, então vamos lá. — Jafari olha para Brandon. — Ele concordou com o casamento?
— Não, eu não concordei, eu não me casarei com sua filha. Olha, nada contra você ou Jafari, mas meu pai fez tudo isso sem me falar e eu já tenho namorada. O Sr. Brandon me deixou escolher minha futura esposa, temos um acordo, apenas não sabia que havia uma pressa nessa situação toda.
Brandon pigarreia, desconfortável.
— Bom, Jafari, eu e Brad temos um acordo e eu não sabia do namoro dele, então peço desculpas por isso não dar certo. Dei a ele o prazo de um ano para se resolver e preparar a namorada para um noivado. Caso eles não se casem, Brad vai se casar com quem eu estipular.
— Certo — Jafari respira fundo pelo nariz, visivelmente insatisfeito. Encara o filho de Brandon com os olhos apertados. — Nos vemos daqui há um ano.
— Provavelmente não — Brad se adianta. — Eu amo minha namorada, só não quero expor ela ainda. Mas assim que eu resolver o que tenho para resolver, nos casaremos. Então recomendo que já procure outro noivo para sua filha. Com licença. Ah, pai! Volto para o Brasil hoje, já iniciarei as obras do hotel, quero ficar o mais longe possível daqui.
— Quando eu chegar em casa conversamos.
— Não estarei lá — Brad dá de ombros. — Até.
Ele sai batendo a porta com força. Sua raiva era tanta que subiu para os olhos em questão de instantes. A vontade de se derramar ali, se torna ainda maior quando ele pega o celular e olha para a foto de Kat. Ele nem percebe quando uma lágrima escorre.
Respirando fundo, o rapaz entra no carro e vai para casa fazer as malas. Paralelo a isso, fica em ligação, para ordenar que arrumem o jatinho.
Por outro lado, quando está quase pronto para partir, Brad resolve esperar o retorno do pai antes de ir para o Rio. De repente temeu que ele o seguisse e então descobrisse Kat.
— Brad, como você sai assim? — esbraveja Brandon, quando chega. — Você tem noção de quem são eles?
Brad, que havia se sentado no sofá, se ergue para encarar o pai.
— Esse é um problema em que você mesmo se meteu. Se tirasse um minuto do seu dia para saber como seu filho está, me ligaria. E se fizesse isso, saberia o quanto eu estava feliz. Consequentemente teria ciência da minha namorada. — Ele passa nervoso as mãos nos cabelos. — Eu só esperei você chegar para te avisar que volto apenas daqui há um mês. Já irei entrar em contato com a empresa que fará o projeto para abrirmos uma filial no Rio de Janeiro, para facilitar a administração dos hotéis que iremos construir no Brasil. Pode deixar que vou mandar tudo por e-mail, inclusive as autorizações que eu precisar.
— Brad, não vá hoje, temos que conversar.
— Eu tenho apenas 365 dias para resolver um problema que não sei como solucionar e como não posso confiar no meu próprio pai, tenho que resolver sozinho. Então não vou perder tempo aqui. Sinto muito.
— Ah! — Brandon ergue as mãos para o céu, raivoso. — Quer saber?! Faça o que quiser!
O homem sobe as escadas e a batida na porta indicava que se trancou no quarto. Brad o ignora por completo. Sai com as malas e, em poucos minutos, já atravessava a pista de pouso.