A manhã em Brasília era seca e impessoal. O mármore do Congresso Nacional refletia uma luz fria que parecia querer despir a alma de quem passava por aqueles corredores. Eu estava vestida com um terno branco impecável, o colar de ônix da minha mãe pesando no pescoço como um amuleto. Ao meu lado, uma equipe de advogados de elite, financiados pelos fundos suíços, formava uma barreira humana. O depoimento na CPI foi um campo de batalha intelectual. Senadores tentaram me acuir, me chamando de "a porta-voz do crime", mas para cada ataque, eu tinha um documento, uma gravação ou um fato irrefutável extraído do diário da minha mãe. — O Estado não quer justiça, senhores — eu disse, encarando as câmeras. — O Estado quer o controle do lucro que a milícia gera. Meu marido e eu não criamos a violência

