A madrugada estava fria, envolta em uma neblina densa que descia das montanhas e abraçava o Rio de Janeiro com um hálito gélido. O Cemitério São João Batista, na Zona Sul, parecia um labirinto de mármore e sombras. Para qualquer outra pessoa, aquele lugar representava o fim; para nós, era o único caminho para um novo começo. Guilherme dirigia o SUV blindado com os faróis apagados, usando apenas a luz da lua e a visão periférica de quem estava acostumado a caçar na escuridão. No banco de trás, o Cobra — meu pai — revisava o fuzil. Ele insistira em vir. "É o túmulo da mulher da minha vida, Liz. Ninguém abre aquele jazigo sem que eu esteja presente", dissera ele, com uma voz que não aceitava contestação. — O Ricardo está lá na frente — sussurrei, apontando para a silhueta do contador espera

