Capítulo 5: Mala de viagem

1461 Palavras
Naquela tarde, Alfa Denis voltou para outra reunião. Laurel conseguia adivinhar sobre o que estavam conversando, mas desta vez Alfa Denis era quem tinha linhas na testa enquanto sua expressão se tornava ainda mais séria entre as sobrancelhas. Quando Laurel trouxe café, Ana pegou a xícara sem cerimônia e 'sem querer' derramou o café quente nas costas da mão de Laurel. Laurel chiou e imediatamente se afastou. Alfa Denis percebeu Laurel e seus olhos brilharam. Assim que ela saiu, ele ficou entusiasmado enquanto propunha outra ideia. Depois que Alfa Denis saiu, Laurel foi chamada por Ana à noite. Ana parecia estar de bom humor, o que assustou Laurel em certa medida. Na maioria das vezes, quando Ana estava feliz, significava que algo ia dar errado na vida de Laurel. "Sim?" Laurel ficou em frente a Ana com as mãos postas à frente e a cabeça levemente baixa. Ana a analisou de cima a baixo antes de falar: "Tenho um trabalho importante para você. Você não pode dizer não." O coração de Laurel apertou. Ela estava inexplicavelmente com medo do que Ana iria dizer em seguida. E como esperado, algo realmente ia dar errado em sua vida. "Alfa Denis assumiu recentemente a posição de Alfa, e é extremamente importante construir relações com outros grupos poderosos ao redor do mundo", Ana começou. "Para ter uma melhor relação com a Alcateia da Lua Carmesim, ele quer enviar uma fêmea como 'esposa' para o Alfa. Ele queria inicialmente enviar Ashley como a potencial esposa, porque ela tem a aparência e personalidade perfeitas." "No entanto, como você sabe, Ashley recusou." Ana tinha um sorriso satisfeito nos lábios enquanto continuava, "Felizmente, Alfa Denis lhe deu a oportunidade de desempenhar esse papel importante." Os olhos de Laurel se arregalaram de choque. O quê? Papel importante? "Você será enviada à Alcateia da Lua Carmesim amanhã mesmo. Você fará tudo o que estiver ao seu alcance para se dar bem com o Alfa de lá e ajudará Alfa Denis a construir boas relações com eles. Você fará tudo o que ele pedir." Laurel não conseguia acreditar no que ouvia. Casar com um Alfa? O mesmo Alfa que era chamado de fera por todos? Laurel sentiu como se estivesse sendo jogada de um inferno para outro. Não bastava torturá-la aqui, agora eles queriam empurrá-la para alguém para fazer isso por eles. Mas Laurel não tinha escolha. Ana deixou claro antecipadamente que ela estava sendo informada, não era uma pergunta. Laurel teve que concordar. Não, não importava se ela concordava ou não. Estava decidido. Laurel partiria já no dia seguinte. Nem deram tempo para ela se preparar. O papel que seria de Ashley foi passado para ela porque Ashley não o queria. Aquela única conversa com Alfa Denis virou a vida de Laurel de cabeça para baixo. Ana ordenou diretamente que ela arrumasse o que quisesse levar consigo. Laurel não pôde dizer nada. Ela voltou silenciosamente para o sótão e começou a dobrar as poucas roupas que tinha. Enquanto fazia isso, ela não conseguia aceitar o quão azarada ela era. Justamente quando Laurel achava que nada poderia ficar pior do que onde ela estava atualmente, a vida tinha uma maneira criativa de provar que ela estava errada. Seu companheiro a rejeitou e isso foi revelado para toda a alcateia, e como se isso não fosse suficiente, nos próximos dias ela estaria pronta para ser enviada para algum lugar desconhecido para ser a grande e má Alfa mundialmente famosa. Era uma piada c***l, mas uma realidade infeliz para Laurel. Laurel continuou fazendo suas tarefas como sempre fez. Dessa vez, ela conseguiu ouvir os gritos animados de Ashley quando Ana lhe disse que ela não precisaria mais ir para a Lua Carmesim. Ela também disse que Laurel iria para o lugar dela. Ashley ficou surpresa; Laurel podia dizer pelo silêncio que seguiu os gritos animados. Laurel abaixou a cabeça e continuou mexendo a panela de ensopado. Provavelmente, aquele seria o último jantar que ela faria para aquela família. Depois disso, talvez ela faria para outra pessoa, ou se de alguma forma a deixasse com raiva o suficiente, ela não seria mais capaz de fazer nada. Em um pequeno canto do coração de Laurel, ela desejava estar morta. Naquela noite, Laurel não teve coragem de comer. Ela pegou um pedaço de pão duro e deitou em sua cama dura. A lua da noite era como um coma prateado no céu. Será que ela era muito tímida para me encarar? Laurel pensou enquanto olhava para a lua escondida. Aquela noite, Laurel não conseguiu dormir. Um motivo era que ela estava muito nervosa para dormir, e o segundo é que ela teve um convidado inesperado em seu quarto. Ninguém menos que Max. No meio da noite, o jovem alto, que quase nunca falava com Laurel, entrou sorrateiramente em seu quarto. Laurel estava bem acordada nesse momento e nem mesmo fingiu estar dormindo. Quando a porta se abriu, ela se sentou com vigilância. O quarto estava escuro e Laurel não conseguia ver quem era. Pensando que poderia ser Ashley ou Ana procurando descontar suas emoções nela novamente, o corpo de Laurel se contraiu e sua nuca encolheu de medo. No entanto, a porta não se abriu completamente. Um leve som de batida assustou Laurel. Logo após esse som, a porta se fechou lentamente. Laurel desceu cuidadosamente da cama e acendeu as luzes. As luzes no sótão eram fracas e não eram suficientes para iluminar tudo no meio da noite. Mas era o suficiente para mostrar o que estava perto da porta. Era uma mochila de tamanho médio. A mesma que Laurel frequentemente via Max carregando para seus treinos de basquete. Até tinha o cheiro dele impregnado nela. Por que Max viria ao quarto dela como um ladrão no meio da noite para deixar algo? O que tinha na mochila? Laurel estava curiosa, mas também cautelosa. Max nunca foi diretamente abusivo com ela e às vezes até a ajudava com Ana e Ashley. Um pouco de confiança ainda vivia em Laurel quando se tratava de Max. Ajoelhada no chão, ela abriu cuidadosamente o zíper e olhou para dentro. Seu peito ficou pesado quando descobriu o que tinha lá dentro. Havia vestidos e alguns moletons. Laurel nem precisou experimentar os moletons para saber que eram grandes e que pertenciam a Max. Quanto aos vestidos? Eles eram extremamente familiares, pois eram os que ela viu Ashley usar no passado. Recentemente, ela não vinha usando porque dizia que estavam muito velhos. Enquanto Laurel se maravilhava com o fato de Max ter entregado suas roupas velhas e de Ashley para ela no meio da noite, um pedaço de papel caiu do bolso de um dos moletons pretos. Nele estavam escritos uma sequência de números e abaixo dos números havia uma mensagem. Meu número. Ligue se precisar de algo. O gesto alcançou a parte mais profunda do coração. Foi reconfortante e acolhedor o suficiente para Laurel não poder mais conter suas lágrimas. Ela sentou-se no chão, segurando o moletom, e chorou nele. Era reconfortante saber que ainda havia alguém lá fora que responderia quando ela chamasse por ajuda. Embora Max nunca fosse um ajudante ativo em relação às suas vidas diárias, ainda era reconfortante porque agora ela estava indo para um lugar estranho onde sua vida e morte eram incertas. Pelo menos aqui ela não precisaria se preocupar com sua vida. Na Alcateia Carmesim, ela não poderia ter certeza. Na manhã seguinte, Laurel acordou como de costume, fez o café da manhã e depois arrumou tudo como fazia todos os dias. Ela se sentiu estranhamente leve de manhã comparado à noite anterior. Chorar realmente ajudou a controlar suas emoções. Depois que todos tomaram o café da manhã, Alfa Denis chegou para informá-los que o carro que levaria Laurel para a Alcateia Carmesim havia chegado. Alfa Denis foi generoso nesse aspecto, pois ele providenciou para que seu motorista pessoal a levasse até o destino. Laurel subiu as escadas e pegou uma mochila com ela. Ela tinha uma quantidade miserável de roupas consigo, então transferiu tudo para a mochila. Além das roupas, ela também tinha uma única foto de sua mãe que sua avó deixou para ela. No momento em que Ashley viu a mochila, ela apontou para o rosto de Laurel e disse: "Você roubou isso de Max!" Max revirou os olhos e disse: "Eu ia jogá-la fora porque está velha. Eu dei para ela." "Por que deu para ela?" Ashley fez uma careta de nojo. "Algo que jogamos fora ainda é bom demais para ela!" Ana provavelmente não estava com vontade de discutir com Ashley, então ela simplesmente deu uma desculpa: "Ela está indo para a Alcateia da Lua Carmesim. Ela não pode ir com uma bolsa rasgada, certo? O carro está aqui. Vamos."
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