Ashley não tinha mais intenção de se esconder. Ela empurrou Laurel para o centro do local até que todos os olhares estivessem nelas, e sussurros começaram a se espalhar pelo ar.
"O que aconteceu dessa vez?"
"Essa garota deve ter feito algo de novo."
"Ela sempre foi azarada. A mãe dela não morreu quando ela nasceu?"
"Agora ela ainda está tentando causar problemas para sua família."
"Hoje é o dia do Alfa. Ela não deveria fazer isso."
"Pessoas como ela não se importam."
Laurel tropeçou no chão de mármore. Seu corpo bateu no chão duro, e um gemido escapou de seus lábios. Sob sua pele, só havia ossos. Doeu muito ao bater em uma superfície dura.
Ana e seu marido, Harris, se abriram caminho pela multidão para dar uma olhada na situação. A multidão tinha se reunido para assistir ao espetáculo e nenhum deles tinha intenção de impedir as duas irmãs. Até Harris e Ana ficaram de lado e deixaram Ashley fazer o que quisesse.
Ashely ficou de pé, altiva, em frente a Laurel caída.
"Você não tem vergonha?!" Ashley exclamou alto o suficiente para todos ouvirem.
"Eu não queria..." Laurel tentou se defender, mas Ashley não a deixou terminar.
"Justin já deixou claro que ele não tem absolutamente nenhum interesse em você!" Ashely gritou.
Os sussurros cresceram mais uma vez.
Justin ficou atrás de Ashley e não contradisse, então todos chegaram a suas próprias conclusões com essa única frase. O que Ashely disse em seguida só aumentou a excitação da multidão.
"Você era a companheira dele! Mas ele te rejeitou no momento em que te viu! Você não tem vergonha de se apegar a ele?!" Ashley sorriu enquanto continuava a expor as feridas em seu coração. "Deixe-me te lembrar que Justin te rejeitou em minutos depois de saber que você era sua companheira. Ele não te quer. Então por que você está sendo tão sem vergonha?"
Laurel perdeu toda sua força. Ela não queria mais se levantar. Neste momento, com todos os olhos sobre ela, ela podia quase sentir o desprezo nesses olhares. Se fosse possível, ela queria partir a terra e se refugiar nela.
A dor mais profunda em seu coração estava exposta para todos verem e rirem.
Certamente, ninguém tinha algo bom para dizer sobre o fato de Laurel ter sido rejeitada.
"Ela foi rejeitada?"
"O que mais você esperava?"
"Quem, em sã consciência, iria querê-la?"
"Justin é popular e bonito. Até sua carreira está decolando jovem. Não faz sentido para ele aceitar alguém como ela. Ela é uma velha aproveitando-se de grama nova!"
Ashley tinha um sorriso triunfante no rosto. Laurel escondeu o rosto abaixando a cabeça até quase tocar o chão. Os cabelos na altura dos ombros ajudaram a esconder o rubor de vergonha em seu rosto.
A pequena multidão atraiu a atenção do novo Alfa. A multidão se abriu para lhe dar passagem. Ao ver Laurel no chão e todos sussurrando, uma carranca desagradável se formou em sua testa.
Era um dia muito especial para o Alfa Denis. Era oficialmente o primeiro dia dele como o Alfa e já estava sendo provado que ele não era bom em lidar com sua alcateia.
"O que está acontecendo aqui?" Ele olhou severamente para a multidão e disse: "Não criem confusão."
"Sim, Alfa!"
"Sim!"
A multidão se dispersou imediatamente. Ashely já tinha alcançado seu objetivo, então não havia mais nada para ela fazer. Ela segurou a mão de Justin e voltou para o lado de seus pais. Laurel levantou levemente a cabeça para ver Ashley apresentando entusiasmada Justin para Ana e seu pai.
Eles pareciam ter esquecido dela. Com um suspiro, Laurel se levantou do chão, a humilhação ainda queimando em seu rosto.
Era a primeira vez que Laurel era tratada assim na frente de estranhos. Até então, qualquer coisa que fosse feita contra ela ficava dentro das paredes de sua casa.
Hoje, Laurel descobriu que o resto da alcateia também se alegrava em ver seu sofrimento. Ninguém se adiantou para falar por ela e, em vez disso, tinham suas próprias opiniões contra ela. Que vida ridícula Laurel estava vivendo.
Laurel não estava mais com vontade de comer. Ela se dirigiu ao banheiro e ficou em uma cabine por um longo tempo. Ninguém viria procurá-la de qualquer forma. Não fazia sentido aparecer na frente de pessoas que não queriam vê-la.
Durante o tempo que passou trancada na cabine, Laurel ouviu algumas pessoas chegando e saindo.
Algumas delas estavam discutindo o que aconteceu com ela e dando seus próprios comentários sobre isso. Era seguro dizer que nenhum desses comentários a fazia se sentir melhor.
Quando Laurel saiu da cabine, sua família não estava em lugar algum. Reunindo coragem, ela perguntou a uma pessoa nova se havia visto sua família.
"Harris e Ana já foram embora."
O coração de Laurel afundou.
Eles a deixaram para trás.
Ou provavelmente, nem mesmo queriam levá-la depois da cena embaraçosa com ela.
Laurel agradeceu à pessoa e saiu do local. Não ficava muito longe de casa, mas ainda era o suficiente para não poder voltar a pé.
No entanto, já estava tarde e Laurel não tinha dinheiro algum com ela. No final das contas, ela caminhou quase uma hora de volta para casa. As luzes estavam apagadas e a porta estava trancada.
A testa pressionada contra a porta da frente, Laurel não conseguia impedir que as lágrimas escorressem. Embora soubesse que não deveria desistir, havia dias em que era realmente difícil continuar vivendo. Ela não conseguia ver sentido em continuar com uma vida assim.
Naquela noite, Laurel ficou do lado de fora, no frio. Ela não conseguia dormir ao relento, então a noite toda passou com ela olhando para o céu, tentando encontrar estrelas no vazio.
Essa situação não seria tão r**m se Laurel tivesse a capacidade de se transformar. Ela não sentiria tanto frio nem precisaria caminhar tanto.
Agora seus pés doíam e o frio estava deixando seus dedos dormentes. No frio cortante, Laurel foi dominada pelo cansaço e logo adormeceu.
Quando a manhã chegou, Laurel foi acordada pela porta se abrindo atrás dela. Ela caiu para trás sem resistência e a cabeça bateu no chão sólido.
Ela acordou sentindo dor — nada novo.
Laurel nem teve tempo de questionar nada quando um par de pernas passou por ela. Ela levantou a cabeça, apenas para ver as costas de seu pai. Ele entrou no carro e partiu no momento em que ela compreendeu o que havia acontecido.
Ao olhar para o céu, ainda era amanhecer e ele já tinha ido embora. Ele realmente voltou apenas para a celebração do Alfa e nada mais.
No entanto, não havia tempo para pensar nessas coisas. Laurel rapidamente entrou e trocou de roupa, depois começou a trabalhar.
Por passar a noite inteira fora, Laurel estava com o nariz entupido e os olhos inchados. Sua cabeça doía como se estivesse sendo constantemente martelada.
Além de se sentir doente, seu corpo doía por ficar sentada a noite inteira. Sem mencionar suas pernas, que doíam por caminhar mais de uma hora.
Ainda assim, não adiantava reclamar ou parar. O que precisava ser feito ainda foi feito no tempo certo. Na verdade, Laurel terminou tudo mais rápido para ter tempo de tomar algum remédio para seu resfriado e descansar um pouco.
O resfriado não era nada. Laurel poderia curá-lo como costumava fazer com seus ferimentos. Mas ela não queria desperdiçar suas poucas forças em algo que poderia ser curado com fatores externos.
Ferimentos geralmente levam dias para curar. Laurel estava confiante de que um paracetamol era o suficiente para se recuperar do resfriado.
Laurel acabou dormindo a tarde inteira e ficou aliviada por ter terminado todo o trabalho antes de descansar. Quando desceu novamente, a primeira coisa que notou foi uma pessoa a mais na sala de estar. Não era ninguém menos que o novo Alfa.
O Alfa Denis estava conversando com Ana sobre algo, e Ana não parecia feliz com isso. Aconteceu de a chegada de Laurel distrair os dois.
Ana ordenou que ela fizesse um café para o Alfa Denis. Era apenas um disfarce para fazê-la sair sem criar uma cena na frente do Alfa Denis. Se fosse em outro momento, Ana certamente teria jogado algo nela, considerando o quão brava ela parecia.
Laurel imediatamente fez duas xícaras de café e as serviu com alguns lanches que tinham em casa. Ela só ouviu uma pequena parte da conversa.
"Não vai afetá-la muito. Ashley não terá problemas em se adaptar ao novo estilo de vida. Já ouvi dizer que ele é muito bom.”
"Sinto muito por te interromper. Não quero ser desrespeitosa, Alfa Denis, mas isso é sobre a vida da minha filha. Como você pode dizer que isso não a afetará? Não posso deixá-la fora do meu campo de visão nem por um dia, e você quer que eu a mande para um lugar desconhecido para se casar com alguém”
Laurel não conseguia ouvir a coisa toda porque já estava na cozinha e as vozes não eram altas o suficiente para serem ouvidas de lá. Ela se apoiou na bancada e começou a fazer o jantar.
Ela estava um pouco distraída enquanto cozinhava por causa do que ouviu. O Alfa Denis provavelmente propôs algum tipo de casamento para Ashley e estava sendo fortemente resistido pela mãe protetora Ana.
Não era surpresa. Afinal, Laurel foi enviada como guarda com Ashley em uma saída noturna. Não era estranho se Ana se recusasse a permitir que Ashley fosse casada sem ter ideia disso.
Não tinha nada a ver com ela, pensou Laurel, e se concentrou em seu trabalho.
Depois que o jantar foi servido, Laurel estava lavando a louça quando ouviu uma confusão na mesa de jantar. Ela apenas colocou a cabeça para fora da cozinha para observar secretamente enquanto Ashley gritava o mais alto que podia.
Max desviou de um saleiro que foi lançado com audácia. Ana parecia impotente diante da birra de sua filha.
Ashley continuava gritando: "Não! Eu não concordo! Faça o que for preciso para rejeitá-lo! Eu não estou disposta! Eu amo Justin, e vou me casar com ele! E não com qualquer outra pessoa, e definitivamente não com um homem que todo mundo considera uma fera!"
Ana esfregou as têmporas e disse calmamente: "Sente-se e vamos conversar sobre isso. Eu não disse sim.”
"Não tem sim!" Ashley exclamou.
"Sim, eu entendo. Eu irei firmemente rejeitar a oferta dele amanhã.”
Ashley ficou apenas minimamente satisfeita com o compromisso de sua mãe.
Laurel de repente ficou curiosa sobre a pessoa com quem Ashley deveria se casar. Uma fera? Que tipo de pessoa você teria que ser para ser chamado de fera por muitas pessoas? Ele tratava os outros m*l ou matava indiscriminadamente?
Não era da conta dela.
Laurel passou a noite sem ter que sofrer nenhuma lesão. Ana estava preocupada o suficiente em rejeitar a proposta do Alfa Denis e não deixou passar a chance de desabafar. Laurel exibia um lábio machucado e uma bochecha inchada enquanto lavava a louça após o café da manhã.