Heloísa
Ele realmente disse sim?
Atrapalho-me com as chaves, as mãos trêmulas enquanto tento destrancar a porta do meu apartamento, situado logo acima da Elegance. Estou perfeitamente ciente da presença de Damian atrás de mim — sua colônia sutil, mas inebriante, preenche o ar apertado da escada como um lembrete constante da sua proximidade.
— Pode entrar — digo, esforçando-me para manter a voz firme enquanto abro a porta.
O apartamento é pequeno, pouco mais de cinquenta e seis metros quadrados. O cômodo principal serve como sala de estar, sala de jantar e meu quarto — tudo em um. O sofá-cama onde durmo ainda está aberto desde a manhã, os lençóis amassados, denunciando a pressa do nosso dia. O quarto da Sophia, que antes era a suíte principal, está ao lado, com a porta coberta de adesivos infantis e desenhos coloridos.
A cozinha fica num canto modesto, a louça do café da manhã ainda na pia. Meu rosto queima. Droga. Eu deveria ter lavado tudo antes de sair.
Sinais da nossa vida estão por toda parte: a lancheira da Sophia largada numa cadeira, meu kit de costura aberto na mesa de centro, livros e revistas espalhados sem ordem. Observo o rosto de Damian, nervosa, enquanto ele absorve o ambiente. O que será que está pensando desse espaço apertado e caótico? Um homem como ele, acostumado ao luxo, certamente acha isso lamentável.
Mas, para minha surpresa, Damian não parece incomodado. Seus olhos vagam com curiosidade sincera, absorvendo cada detalhe. Ele para diante de uma foto emoldurada na parede — eu e Sophia na praia, há alguns verões, ambas sorrindo largamente, os cabelos bagunçados pelo vento.
— É um lugar acolhedor — diz ele, virando-se para mim com um sorriso.
— Obrigada — respondo automaticamente, embora esteja certa de que ele está apenas sendo educado. Não há como ele achar que esse apartamento apertado e bagunçado é "acolhedor".
Sentindo-me subitamente constrangida, aponto na direção da cozinha.
— Quer um café?
Assim que as palavras saem, me encolho por dentro. Café? Nós acabamos de tomar um no restaurante enquanto a Sophia devorava o tiramisù. Meu Deus, eu sou péssima com isso.
Mas Damian apenas sorri, caloroso.
— Um café seria ótimo. Obrigado.
Sinto seu olhar em mim enquanto me dirijo à cozinha. Cada imperfeição do apartamento parece gritar: o papel de parede descascando, a mancha de umidade no teto, o carpete gasto. E ainda assim, quando olho para ele, tudo o que vejo em seus olhos é ternura… e algo mais. Admiração?
Meu coração dispara. Tento me concentrar na cafeteira, mas meus pensamentos estão desordenados. Damian está aqui. No meu apartamento minúsculo. E de alguma forma — incrivelmente — ele parece genuinamente presente, como se esse momento fosse importante para ele também.
Mexo na borra de café, as mãos ainda trêmulas, e então ouço seus passos se aproximando. Um arrepio me percorre a espinha. Antes que eu possa me virar, sinto sua respiração quente roçar minha nuca.
— Helô — ele murmura, a voz baixa e íntima.
Minhas mãos congelam na cafeteira quando seus lábios tocam minha pele, despertando em mim um choque de calor e desejo. Será que isso está mesmo acontecendo? Meu coração martela no peito enquanto os beijos de Damian descem pela minha nuca, sua língua traçando um caminho pelo meu ombro, me saboreando como se não houvesse amanhã.
Solto um gemido baixo, involuntário, e me apoio no balcão, a cabeça inclinada para trás, oferecendo-lhe mais. O calor do seu corpo encosta no meu, suas mãos firmes repousam nos meus quadris, segurando-me com um carinho possessivo que me faz queimar por dentro.
Nunca pensei que fosse me sentir segura de novo. Não com um homem. Não depois de tudo que eu vivi com a pai de sophia. Mas então vieram os olhos verdes de Damian, fixos em mim como se fossem a única coisa real num mundo que insiste em me despedaçar.
Ele me olha como quem promete silêncio, refúgio… e fogo.
E hoje, essa promessa queima viva na minha pele.
Estamos no quarto, e tudo ao redor parece distante. A única coisa que importa é o calor das mãos dele em minha cintura, a firmeza com que ele me segura, como se dissesse sem palavras: “ninguém vai te machucar enquanto eu estiver aqui.”
— Você tem certeza, Helô? — ele pergunta, os olhos fixos nos meus. Tão verdes, tão intensos que me atravessam.
Assinto. Meu corpo já respondeu antes da cabeça.
Eu o quero. Porque ele me vê. Porque ele me respeita até na forma como me deseja.
Porque, com ele, não há medo — só vontade.
Damian se aproxima devagar, mas seus dedos são decididos. Ele me beija com uma mistura de ternura e urgência que me desmonta. A barba dele raspa de leve na minha pele, me fazendo arfar, me lembrando que estou viva. A sensação é crua. Real.
Seus dedos tatuados desenham caminhos em minhas costas nuas, me puxando para mais perto, colando nossos corpos como se ele precisasse me fundir ao dele pra ter certeza de que estou segura.
— Eu quero você, Helô… do meu jeito, com calma. Você merece isso. — ele sussurra, e cada palavra é uma carícia.
Deito sob ele sem medo. E pela primeira vez, em muito tempo, me deixo tocar sem me encolher.
Damian me beija entre os s***s, no ventre, como se cada parte do meu corpo merecesse atenção. Ele me ama com os olhos, com a boca, com as mãos.
Seus movimentos são firmes, mas cheios de cuidado. Ele me toma como se o mundo fosse acabar e só restaremos nós dois. E talvez seja isso mesmo.
Enquanto ele se move dentro de mim, enquanto sussurra meu nome como uma oração, sinto algo desatar dentro do meu peito. Um nó que venho carregando há anos. E choro — não de dor, mas de alívio. De amor. De libertação.
Ele para por um instante, a testa colada na minha.
— Tá tudo bem, Helô. Chora comigo. Eu te seguro.
E ele segura. Com o corpo. Com o coração. Com o amor silencioso que cresce entre os destroços do que Giovanni tentou destruir.
Naquela noite, não fizemos apenas um sexo ardente.
Naquela noite, eu renasci nos braços de Damian.
E então… tudo desaparece — as preocupações, a bagunça, a vergonha. Só há ele. Só há nós.