CARLINHOS - INTERROGATÓRIO

1305 Palavras

O galpão do morro estava tomado por um silêncio estranho naquela noite. O tipo de silêncio que vinha antes da tempestade, quando até o vento parecia ter medo de soprar. Lá dentro, os homens do Comando se reuniam em volta de uma mesa pesada, iluminada só por uma lâmpada pendurada no fio. O ar tinha cheiro de ferrugem e fumaça de cigarro. No canto, amarrado numa cadeira, estava Carlinhos — o rosto inchado, o olho roxo, e o sangue seco escorrendo do canto da boca. Parecia um cachorro acuado, mas ainda tentava sustentar um ar de valentia. Caveira, de braços cruzados, observava em silêncio. O olhar frio, sem pressa. Ao lado dele, Baianinho afiava uma faca sobre um pano, só pra aumentar o clima. Nando Fiel fumava, encostado na parede. Magrão e Bico faziam a guarda da porta. Espectro chegou po

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