Capítulo 27 CICATRIZ NARRANDO O silêncio do meu escritório não é como o silêncio do morro do Cairo. Lá, o silêncio é medo. Aqui, o silêncio é respeito. Eu estava sentado na minha poltrona de couro, girando uma moeda de ouro entre os dedos, observando o movimento dos meus homens através da janela blindada. O Rio de Janeiro lá embaixo parecia um tabuleiro, e eu estava jogando a partida da minha vida. Mas para dar o xeque-mate no Cairo, eu precisava de algo que o dinheiro não compra e o fuzil não conquista. Eu precisava de uma rachadura na armadura dele. Cairo sempre foi um problema. Um animal raivoso, possessivo, que controla aquele morro como se fosse um deus de barro. Ele nunca teve ponto fraco. Mulher para ele sempre foi carne, nada mais. Dinheiro ele tem de sobra. Família? A única q

