Capítulo 33 CAIRO NARRANDO O ronco do motor da minha caminhonete era o único som que me mantinha ancorado na realidade enquanto eu cruzava a barreira da divisa. Os soldados de plantão bateram continência, mas o olhar deles era de medo, não só de respeito. Eles sabiam que o homem que estava voltando não era o mesmo que saiu daqui há três dias. Eu me sentia como uma carcaça vazia, movida apenas por um resto de ódio e pela necessidade visceral de não ser o otáriö da história. Passei direto pelo caminho que levava ao barraco da Maya. Meu peito deu um estalo, um aperto sufocante que quase me fez girar o volante, mas eu segurei a direção com tanta força que os nós dos meus dedos ficaram brancos. Eu não ia até lá. Não agora. Eu não podia olhar para aquele rosto, para aqueles olhos castanhos

