Capítulo 23 MAYA NARRANDO O som da porta se fechando atrás de nós pareceu o veredito final de uma sentença que eu não cometi. Entramos na minha casa, mas o ambiente não era mais meu. O ar estava pesado com o cheiro de uísque, cigarro e o perfume amargo do Cairo, que parecia dominar cada centímetro quadrado dessa sala pequena. Eu parei perto da mesa, sentindo meus dedos formigarem de puro pavor e adrenalina. Ele estava parado na minha frente, essa montanha de músculos e fúria contida, me olhando como se eu fosse um quebra-cabeça que ele estava prestes a martelar até encaixar. — Por que você está fazendo isso, Cairo? — Minha voz saiu trêmula, mas eu forcei cada palavra a sair. — Eu nunca te fiz nada. Eu trabalho direito, eu nunca desviei um centavo, eu nunca falei de você pra ninguém. Po

