Capítulo 2

4346 Palavras
Dois anos depois... Ally… Dois anos se passaram depois que Vithor foi embora, a última notícia que eu tive dele e que estava noivo, e essa notícia fez com que nossos filhos nascessem prematuros, nossos gêmeos, Katie e Vithor Jr. Nossa filha era linda e tinha os olhos do pai, já nosso filho eu somente podia imaginar como ele era. Ele foi roubado na maternidade, depois de um longo mês vivendo dentro do hospital, meus dois bebês ganharam alta, mas quando fui buscar os dois tive a triste notícia de que meu pequeno bebe fora roubado por umas das enfermeiras. Até hoje busco informações dele, se está vivo, como está, quando me lembro disso meu coração se parte em um milhão de pedaços, me pergunto se seria diferente se Vithor estivesse conosco. Acordo dos meus pensamentos com uma vozinha gritando, era Katie que acordou chorando e novamente chamando pelo pai. - Katie, meu amor, porque está chorando? Pergunto para a minha pequena que chora sentada no berço. - Papai. Disse ela esticando os bracinhos para que eu a pegasse. - Eu sei que quer seu pai meu amor, mas mamãe não tem como trazer ele aqui. Disse embalando ela em meu colo, ela tinha quase um ano e meio, mas era muito esperta. Desde que nascera, Katie sabia que Vithor era seu pai, eu nunca pensei em esconder isso dela e nunca quis. Por mais irônico que seja, a primeira palavra de minha filha foi "Papa" e não Mamãe. E há algumas noites Katie tem acordado chamando por ele, isso me entristecia, era algo que nem eu, nem Gus conseguimos suprir, a necessidade que ela tinha de ter o pai por perto. Durante a gravidez abri um restaurante em Porto Alegre e que hoje é considerado um dos mais movimentados da cidade. E não sei se a vida gosta de brincar comigo, mas me apaixonei por Gus, que hoje trabalha comigo e somos namorados. Coloquei Katie adormecida em seu berço novamente e me deitei em minha cama, admirando a bela aliança que Gus havia me dado um dia antes, na frente de todos, era o pedido oficial de namoro. Quando acordei pela manhã, vi minha pequena ainda dormindo no berço pela baba eletrônica, fui para o meu guarda roupa e troquei minha roupa por uma mais formal, hoje pela manhã encontraria com meu advogado para saber como estava o processo do hospital. Arrumei tudo o que Katie precisava na bolsa dela e arrumei minha bolsa, como não podia ficar com ela hoje pela manhã a deixaria com Dona Liz que não perdia uma oportunidade de ficar com a neta. Acordei minha pequena e a levei ainda de pijama para o carro e assim irmos para a casa da avó, Gus morava com a mãe ainda, e isso era motivo de piada para mim. Chegamos e Dona Liz abriu a porta e o cheirinho de café estava delicioso. - Oi, minha linda. Disse ela pegando Katie do meu colo. - Bom dia Dona Liz. Disse entrando e fechando a porta. - Como você está querida? Perguntou ela enquanto íamos para a cozinha. -Katie acordou chamando por Vithor de novo. Disse quando vi Gus na cozinha. - Oi amor. Disse ele vindo me dar um beijo. - Oi. Disse o abraçando, era estranho estar com ele. - É tão bom ver vocês juntos. Disse Liz colocando Katie na cadeirinha de alimentação, ela apoiou meu namoro com Gus depois de ver o quanto eu sofri por Vithor. - Como minhas meninas passaram a noite? Perguntou Gus sentando ao meu lado na mesa. - Dormi muito m*l, e Katie chamou pelo papai de novo. Disse dando alguns pedaços de morango para Katie. - Ansiosa com o encontro do advogado hoje? Perguntou Gus segurando minha mão. - Sim, preciso de respostas, já se passou muito tempo Gus. Disse tomando meu café. - Eu sei, ah fiz as panquecas prediletas para a minha mocinha favorita. Disse olhando para minha filha que lhe retribuiu com um lindo sorriso. - Eu pego. Disse me levantando e indo até a bancada onde duas panquecas de ursinho esperavam para serem devoradas por Katie. - Vai para o restaurante hoje? Perguntou Gus. - Vou sim, tenho que terminar o cardápio de sobremesas daquele casamento, faltam quinze dias. Disse olhando para ele. - Ah sim, daquele casamento que a noiva quer tudo com chocolate. Disse Gus rindo. - Esse mesmo, aquela mulher vai me deixar maluca. Disse tomando mais um pouco de meu café, Gus era responsável pelas entradas e pratos principais, já eu havia me especializado nas sobremesas. - Eu sei que está sendo muito difícil fechar um cardápio, mas relaxe. Disse ele. Gus, eu tento, mas cada coisa que apresento não é o suficiente para ela, sabe que gosto de me organizar cedo, e se continuarmos assim, ela vai decidir o cardápio um dia antes do casamento. Disse olhando para ele. - Ah meu bem, logo ela decide, e você não tem que fazer algo com frutas vermelhas porque noivo pediu? Perguntou ele curioso. - Sim, vou sugerir aos dois um mini bombom de geleia de frutas vermelhas, com uma ganache de chocolate meio amargo junto, e por cima do bombom um detalhe de chantilly. Disse imaginando o prato em minha cabeça. - Parece delicioso, como você pode ser tão criativa para sobremesas? Perguntou ele sorrindo. - É um dom. Disse retribuindo o sorriso, mas ele sumiu rapidamente quando escutei uma voz familiar na sala, nesse momento Katie fez uma gracinha com sua panqueca e eu acabei rindo de seu sorriso. Vithor… Voltar para casa significava abandonar tudo o que eu havia conquistado em NY, mas era o meu planejamento, terminar a residência e voltar para Porto Alegre, a única coisa que eu não havia planejado era que estaria noivo e que Suzana viria comigo, esperava terminar o noivado e retomar de onde havia parado com Ally. Desde que eu havia ido embora não soubera mais nada dela, quando eu fui para NY me desliguei dela por completo, não perguntava dela para ninguém, e quando me interessei em saber dela descobri que ela havia me bloqueado em qualquer rede social, a única coisa que minha mãe deixou escapar era que ela estava morando em Porto Alegre e que havia aberto um restaurante com meu irmão Gus. Desde que pousamos em Porto Alegre, não via a hora de rever a Ally, sei que a ignorei por dois anos, e o sentimento foi recíproco, mas hoje me bateu uma saudade dela, do tempo em que éramos melhores amigos. Sei que depois que dormimos juntos as coisas mudaram principalmente comigo, comecei a vê-la de modo diferente, mas Gus me encorajou a seguir minha vida, me avisando que isso estragaria nossa amizade de anos. Porém depois que tomei a decisão de ir pros EUA, decidi que iria tentar esquecer dela, após alguns meses fazendo a residência de medicina acabei me apaixonando por uma de minhas colegas, mas sempre pensava em Ally, e por muitas vezes deixei claro para Suzana que eu ainda amava uma pessoa no Brasil. Do aeroporto fomos direto para a casa de minha mãe, nós passaríamos algum tempo com ela até encontrarmos um apartamento e um lugar para abrir meu consultório, Suzana não exercia a profissão de médica apenas vivia às custas da empresa do pai, chegamos a casa de minha mãe e ela não havia mudado absolutamente nada, estava tudo como eu me lembrava. - Oi mãe. Disse quando minha mãe abriu a porta. - Vithor, você veio de surpresa. Disse ela um pouco nervosa. - Algum problema? Nossa que cheirinho gostoso de café, senti saudades de casa. Disse quando entrei. - Você deve ser a Suzana, certo? Perguntou minha mãe abraçando minha noiva. Quando escuto uma risada feminina muito familiar vindo da cozinha. - Eu preciso que você tenha calma, você terá uma surpresa. Disse minha mãe quando disparei em direção a cozinha. - Ally. Disse quando vi minha melhor amiga em pé, segurando uma xícara de café. - Vithor. Disse ela, parecia muito nervosa em me ver. - Eu não acredito, morri de saudades de você. Disse abraçando ela, notei que ela não retribuiu o abraço, mas era normal eu havia sumido de sua vida. - Ah, você é a Ally que ele tanto fala. Disse Suzana quando me afastei de Ally, notei que ela tinha uma aliança na mão e que havia uma menina sentada em um cadeirão. - Você casou? Perguntei notando a presença de Gus na cozinha e uma aliança na sua mão também, Gus e Ally se entreolharam e aquilo me deixou nervoso. - Estou namorando com Gus e essa é nossa filha Katie. Disse ela pousando a xícara na bancada. - Uau, a julgar pelo tamanho dela, vocês m*l esperaram eu chegar nos EUA. Disse olhando para Ally. - Vou tirar Katie daqui, vocês precisam conversar. Disse minha mãe pegando a menina, que quando passou por mim disse declaradamente a palavra papai e apontou para mim. - Eu disse “Nossa filha”, Vithor. Disse Ally apontando para mim e ela. - Como assim filha de vocês? Perguntou Suzana. - Eu e seu querido noivo transamos antes dele ir para os EUA sem dar explicação nenhuma para mim. Disse Ally para Suzana. - Então, porque não contou a ele, tenho certeza de que essa menininha não é filha de Vithor. Disse Suzana provocando - -- Ally, conhecendo ela deveria estar com vontade estrangular minha noiva naquele momento. - Sim ela é filha de Vithor, não sou uma v***a que dorme com qualquer um, e a julgar pela sua cara você é exatamente assim. Disse Ally que como eu previa deu uma resposta a altura de Suzana. - Ela não pode ser minha filha. Disse exasperado. - Ela é sua filha, ela tem os seus olhos. Disse Ally olhando fixamente para mim. - Ah, eu duvido. Disse sentando em uma cadeira, minha vontade era a de socar a cara de Gus. - Pois, duvide então, tenho compromisso, faça as contas e venha falar comigo depois, oito meses de gestação mais a idade de Katie que é um ano e quatro meses. Disse ela. - Precisamos conversar agora. Disse olhando fixamente para ela. - Eu tenho um encontro com meu advogado, Gus te encontro no restaurante. Disse ela dando um beijo em Gus e saindo. - Vithor, a filha é de vocês, fiquei ao lado de Ally, mas começamos a pouco tempo a namorar. Disse Gus. - Se você soubesse a vontade que eu estou de socar a sua cara agora ficaria de boca fechada. Disse olhando para Gus. - Vithor quem a ignorou foi você, ela ia lhe contar sobre a gravidez. Disse Gus levantando da cadeira. - Quando? Me prove Gus que a menina não é sua filha. Disse revoltado - No dia em que você contou que estava noivo dessa daí ela iria contar, eu fiquei ao lado de Ally depois que você foi embora, abrimos um restaurante juntos, mas somente a um tempo atrás começamos a namorar, então dá um tempo, - - - Katie é sua filha, aliás foi por sua causa que Ally teve os bebês prematuros. Disse Gus e saiu da cozinha. - Você me induziu a deixar ela aqui porque você queria que ela ficasse com você. Disse, mas ele já não me escutava mais. Ok, eu havia escutado errado ou ele disse “os bebês”, eram gêmeos, mas onde estava o outro. Suzana apenas escutava quieta em um canto, e sim, fazendo as contas realmente a data batia com a minha ida, eu precisava conversar com Ally e rápido. Escutei Ally saindo, quando fomos para a sala vi Gus com a menina, Katie era muito parecida com a mãe, somente os olhos, que eram parecidos com os meus, Ally falou a verdade Katie era mesmo minha filha, mas houve tantas chances porque ela não me contara, se teve tantas oportunidades, sai dos meus pensamentos quando escutamos um barulho de batida de carro. Meu instinto médico me fez correr para fora da casa, acidentes eram sempre muito complicados, como não era muito longe resolvi que iria até o local para ver se podia ajudar em algo, quando cheguei mais perto dos carros, vi Ally dentro do carro que estava de rodas para cima, ela sangrava muito na cabeça. Eu não podia acreditar que aquilo estava acontecendo, não agora que eu havia descoberto sobre nossa filha e que iria tentar reconstruir nossa amizade, entrei com cuidado dentro do carro e vi o corte em sua cabeça, era profundo, toquei seu pescoço e sua pulsação era fraca, a ambulância devia vir rapido, se não ela morreria. Ver Ally sangrando daquele jeito me deixou em pânico, como aquilo havia acontecido, num minuto ela estava comigo e em outro estava envolvida em um acidente de carro. Queria arrancar ela de dentro daquele carro, mas a primeira coisa que aprendi na medicina é que não se mexe em uma vítima de acidente sem uma ambulância junto. - Moço eu chamei uma ambulância. Disse uma menina quando sai de dentro do carro. - Muito obrigado. Disse, torcendo para que a ambulância chegasse de uma vez, eu não podia perder ela, não me perdoaria. - Vithor, o que houve? Perguntou Gus chegando ao meu lado. - Ela bateu a cabeça e está sangrando muito. Disse para ele. - Ally. Disse Gus nervoso querendo tocar nela. - Gus não, você não pode, ela tem que ficar imóvel. Disse contendo meu irmão. - Ela está morrendo, posso perder ela. Disse ele nervoso. - Me escute, sou médico e sei o que estou falando. Disse puxando meu irmão para longe. - Vithor, ela, você sabe… Disse ele sentando na calçada e chorando. - Olha Gus pra mim também está difícil, eu ainda amo ela, então dá um tempo. Disse e me sentei ao lado dele, mamãe e - Suzana apenas observavam de longe. - Se amasse mesmo teria voltado, mas preferiu seguir sua vida. Disse ele. - Seguir minha vida não, tentar manter nossa amizade, pois você me induziu a tomar essa decisão. Quando a ambulância chegou, colocaram ela em uma maca e foram para o hospital, mesmo sendo médico e acostumado com casos deste tipo eu estava sem reação alguma. Acompanhei ela na ambulância, eu era médico e podia ajudar, mas quando chegamos no hospital fiquei apenas como acompanhante. Gus havia ligado e disse que mamãe já estava a caminho com ele, Katie e Suzana, m***a me esqueci dela, fiquei tao concentrado em Ally, que Suzana evaporou da minha mente. - Filho, como ela está? Perguntou sentando ao meu lado com a menina em seu colo. - Não sei, ela está na sala de cirurgia. Disse passando a mão no cabelo. - Vithor, não minta, ok? Disse Gus andando de uma lado para o outro. - Eu realmente não sei, apenas que ela teve uma pancada f**a na cabeça, depois que chegamos aqui ela entrou e eu fiquei. Disse para Gus. - Você disse que amava ela Vithor? Você está noivo! Disse Gus, Suzana não ficou nada contente com o que ele falou e me puxou para um canto. - É sério? PORQUE ME TROUXE JUNTO ENTÃO. Disse Suzana berrando. - Olha estamos em um hospital, e sim amo ela, e isso não era segredo para você. Disse e avistei o médico vindo, infelizmente a cara dele não era das melhores. - Vithor? Perguntou o Doutor. - Sim, sou eu. Disse chegando perto. - A cirurgia foi um sucesso e conseguimos com que o sangramento do cérebro parasse, mas ela está em coma. Disse o médico e eu senti que não tinha mais chão. - Mas por quanto tempo? Perguntei enquanto minha mãe chorava. - Não sabemos, a cirurgia foi fácil, mas a pancada foi muito f**a, agora é aguardar. Disse o médico saindo. - A culpa é sua. Disse Gus olhando para mim. - Por que minha Gus? O que eu tenho haver? Perguntei. - Gus, se acalme, não vamos conseguir ver ela hoje, todos estamos cansados, preciso ir na casa de Ally pegar algumas coisas de Katie, Vithor você me leva? Perguntou minha mãe. - Eu levo. Disse Gus. - Não Gus, lembra o que Ally falou? Se acontecesse algo com ela. Perguntou minha mãe com Katie no colo. - Sim, que Vithor deveria ficar com Katie, mas isso foi antes de… Ele nem completou a frase. - De vocês namorarem? Perguntei, quando Suzana chegou ao meu lado. - Sim, ela é minha namorada. Disse ele. - Meninos não é hora, nem lugar, preciso que Vithor me leve até a casa dela e ponto final. Disse minha mãe. - Vithor, amor, vou ter que voltar, papai passou m*l, me querem lá, além disso, você tem pendências aqui. Disse apontando para Katie. - Então eu levo a sua noiva para o aeroporto, encontro vocês à noite. Disse Gus saindo com Suzana que apenas me deu um beijo. Saímos do hospital e fomos a casa de Ally, por sorte minha mãe tinha a cópia da chave, ela me disse que sim Katie era minha filha, tanto que no táxi veio para o meu colo. Chegamos e eu desci com a menina, minha mãe foi na frente, ela entrou abriu a porta, Katie desceu do meu colo saltitante e feliz por estar em casa. Me sentei no sofá da sala atordoado, eu não sabia o que fazer e isso me apavorava, minha melhor amiga não poderia morrer, não agora que eu tinha voltado para ficar. Era estranho estar na casa dela, sempre falamos disso, da mudança para Porto Alegre, do apartamento, e na última vez em que a vi, tínhamos planos de morar juntos, mas o medo que as coisas pudessem dar errado e estragar nossa amizade de anos foi maior. Olhando pela sala vi uma foto nossa, m***a, me lembrava desse dia, era a formatura da faculdade, a felicidade estampada em seus olhos, me levantei e segurei a foto em minhas mãos, no canto havia uma estante com várias fotos, minhas e dela juntos, de Katie, dela grávida, e o pior uma foto dela e do meu irmão abrindo o restaurante. - Ally adora essa foto. Disse minha mãe. - Tanto faz. Disse colocando a foto novamente no lugar, pelo o que me lembro da minha melhor amiga ela detestava que tirasse as coisas do lugar e não as colocasse novamente. - Katie quer ficar aqui, ela tem o seu gênio, sabia? Disse minha mãe e eu apenas sorri. - Ainda não tenho certeza de que ela é minha filha. Disse sentando no sofá de novo. - Ah filho, faça-me o favor né, claro que Katie é sua filha, Gus e Ally estão juntos a uns seis meses, queria que ela esperasse por você o resto da vida? Disse minha mãe sentando ao meu lado. - Mas se ela me amasse mesmo, mãe ela sabia que Gus queria ela, não lembra das vezes que a Ally dormia lá em casa? Perguntei, eu podia parecer uma criança mimada, mas eu tinha meus argumentos. - Eu sei, Ally aguentou muita coisa Vithor, tem umas coisas que você precisa saber, mas eu só vou te contar a primeira, você é o guardião legal de Katie na ausência dela, não eu, nem Gus, nem Bryan ou Bia que são padrinhos dela, mas você, o pai dela. Disse minha mãe me entregando um papel. - Ótimo, mas eu não sei cuidar de criança. Disse quando Katie apareceu me chamando. - Meu filho, tenho que ir para casa, fique aqui com ela. Disse minha mãe, e não tive tempo para retrucar ou algo do tipo, ela já havia ido embora. Fui com Katie onde ela queria ir, ela me levou ao seu quarto, todo cor-de-rosa, cheio de brinquedos, Ally organizava muito bem as coisas, dei uma olhada pelas as gavetas para procurar fraldas e lenços, algumas coisas eu entendia, aliás era formado em pediatria, podia ao menos tentar. A bebê me convidou para sentar ao lado dela no chão e brincar de pintar com ela. Fiquei por alguns minutos sentado com Katie, até ela se dispersar e eu voltar a olhar pelo quarto, achei uma pasta com a documentação de Katie. Olhei sua carteirinha de vacinação, tudo em dia, o peso do nascimento, quantos centímetros, Katie nascera prematura em uma cesária de emergência, fiquei me perguntando o porquê, mas decidi que olharia o resto da casa, depois pensaria naquilo. Fui para o quarto de Ally, tudo completamente arrumado, um livro em cima do bidê ao lado da cama, o guarda roupa, era difícil ver aquilo tudo sem ela junto, sentei em sua cama e o cheirinho do perfume dela emanou das cobertas, pelo o que eu estava vendo dormiria aqui hoje. Era estranho estar aqui, se ela queria que eu ficasse com Katie, o apartamento dela, porque me tratar daquele jeito, nossa filha, as palavras ecoavam em minha mente, decidi que abriria a janela da sacada do quarto e novamente ela estava presente ali, nos vários vasos de suculentas espalhados pelo parapeito. Escutei uma vozinha de longe berrando e fui correndo ver o que era. - Papa. Disse ela olhando para mim. - Está com fome? Perguntei pegando ela no colo. - Papa. Katie disse passando a mão na barriga e aquilo me fez sorrir. - Vamos ver o que eu consigo fazer. Peguei ela no colo e fui para a cozinha. Não podia deixar de notar o quanto Ally era organizada em relação a sua cozinha, sendo organizada assim ela deveria ter algo congelado para Katie comer, um prato, um copo e uma colher deveriam estar em algum lugar por aqui, como estava perdido liguei para minha mãe. Ligação on - Mãe, Katie está com fome, eu lhe disse que não sabia cuidar de criança. Disse olhando para Katie sentada na bancada. - Vá na geladeira, Ally sempre tem comida congelada para Katie, um pote chega. Disse ela. - Espere aí. Disse colocando Katie no chão e olhando o freezer, realmente havia uma dezena de potes de comida congelada. - Achou? Perguntou ela. - Achei sim, muito obrigado, o resto eu me viro. Disse para ela que descongelar comida era fácil. - Vithor, Bryan está levando a bolsa dela, tem o prato predileto e o copo, já devem estar chegando. Disse ela. - Certo, eu espero um pouco. Mas só me explique uma coisa porque eu tenho que ficar aqui? Perguntei observando Katie olhar as fotos na estante. - Você vai descobrir, beijos filho. Disse ela. - Tá bom. Beijos. Disse e desliguei o telefone, tirei dois potes um para mim e outro para Katie. Ligação off Coloquei os potes em cima da pia e me sentei no sofá para observar Katie que agora brincava entretida com um livro infantil, lembrei que tínhamos que lavar as mãos antes de almoçar, trabalhei em um hospital e sabia como as coisas podiam ser cheias de germes e bactérias. Peguei uma Katie brava por ter tirado ela de sua brincadeira e a levei para o banheiro, lá tinha uma escada para que ela pudesse lavar as mãos sozinha, Ally tentou criar ela com o máximo de independência possível, e isso me deixava orgulhoso. - Agá. Ela disse e começou a rir e logo depois comecei a rir com ela. - Vithor? Escutei meu irmão gritar na sala. - No banheiro. Gritei. - Oi cunhado. Disse Bia na porta. - Oi Bia, quanto tempo. Será que pode me ajudar? Disse tentando secar as mãos de Katie. - Claro, deixe que eu termino aqui e vá lá e fale com o Bryan. Disse ela ficando com Katie. Saí do banheiro e fui em direção a sala. - Oi Vithor, que saudade em maninho. Disse Bryan me abraçando. - Oi mano, também senti saudades. Disse quando ele me soltou. - Aqui está a bolsa de Katie. Disse Bryan me entregando a bolsa cor-de-rosa. - Obrigado, Bryan, seja sincero, porque eu tenho que ficar aqui? Perguntei, essa dúvida não saia da minha cabeça. - Você vai entender, se acalme. Disse ele sentando no sofá. - Olha quem está cheirosinha. Disse Bia vindo com Katie no colo. - Oi linda do dindo. Disse Bryan pegando a menina. - Se vocês sao os padrinhos dela, porque ela não fica com vocês. Disse sentando ao lado deles - Sim, somos padrinhos da Katie, mas não somos os pais. Disse Bryan. - Ainda estou na dúvida se ela realmente é minha filha. Disse vendo Bia colocar Katie no cadeirão, e colocar a comida para esquentar no microondas. - Como ela está Vithor? Perguntou Bia. - Ainda não sabemos, mas a cirurgia foi um sucesso. Disse quando Bia deu a comida de Katie e ela começou a comer. - Logo ela estará conosco, Ally é muito forte e já passou por várias coisas. Disse Bryan. - Papa. Disse Katie comendo sua comida. - Vocês estão me deixando cada vez mais confuso. Disse para os dois. - Tenha calma Vithor. Disse Bryan, indo se sentar na mesa perto de Katie. - Vamos, meu amor? Perguntou Bia para meu irmão. - Vamos, cuide dela Vithor. Disse Bryan, quando saíram do apartamento. Logo após o almoço Katie quis dormir, coloquei no berço e dentro de alguns minutos ela adormeceu agarrada em um bichinho de pelúcia, depois fui para a cozinha e esquentei meu almoço, mas m*l consegui comer, meu estômago ainda embrulhava pensando em Ally. Depois de comer algumas garfadas coloquei as louças na pia e fui me deitar um pouco, limparia a pia depois. Deitar na cama dela era muito estranho, mas ela não tinha quarto de visitas e aqui ficaria mais fácil de ouvir Katie chorar, resolvi que guardaria o livro dentro da gaveta do bidê, não queria desmarcar onde ela estivesse lendo. Quando abri a gaveta, vi um álbum de fotografias e decidi abrir para ver as fotos, na primeira página havia fotos minhas e de Ally e uma carta, cujo meu nome estava escrito nela
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