CAPÍTULO 4

1600 Palavras
MARHI Eu vejo Sebastian ficar de pé, aplaudindo o elenco da peça, aquilo me faz encarar a mulher lá no palco, os olhos me remetem a ele, os cabelos escuros e alguns traços do rosto, dou um sorriso, fico um segundo encarando, ela tem algo mais que familiar pra mim. - Isso foi ótimo, não digo pela minha irmã - Ele se senta, suspirando fundo. - Deus, nunca pensei que diria isso, mas forem os 50 minutos mais bem assistidos de uma peça! Por um segundo não sabia se ele tinha gostado pelo tom humorado e irônico ou a coisa de se identificar, mesmo que indiretamente. A peça era jogo rápido, a mulher começa a perder o casamento, depois que o marido a deixar, depois casa, filhos, tudo dela se vai, ela se torna alguém não tão viva, move-se para ficar de pé, mas não para viver, no auge ela encontra uma terapeuta, que no fim era apenas a consciência dela conversando com ela, enquanto ela estava em uma camas de hospital, acordando e tendo uma experiência que a faz cair na realidade, fazendo ela rir de chorar, no ápice e no fim. Havia sido magnífica em um tom contemporâneo, agora entendo a referência dele falar que foi recomendada para ele, poderia ser que agora Sebastian que tinha que achar a graça de novo, isso me faz refletir: qual o tamanho de uma traição ou o impacto dela? Me vejo na mesma coisa de quando criança, a queda de uma pessoa por outra. Nunca consegui me colocar no lugar do meu pai por ter sido traido e deixado pela minha mãe, agora me vejo não conseguindo me colocar no lugar de Sebastian, mas fazendo o que eu fiz com meu pai, estar ali, não se abandona cachorro perdido, dizia minha avó. - Jurava que aquilo era realmente um terapeuta, não a consciência dela. - Marhi se você achou isso, eu achei que iria rolar um romance, entende? Mas não, era ela mesma caramba - Ele se move. - Vem, quero te apresentar Maya, podemos dar os parabéns juntos, depois precisamos conversar longe daqui - Pego minha bolsa com os girassóis e me movo, ele vai pelo corredor lateral e eu o sigo, entrando por uma porta, caminhando dentro de um corredor, pessoas andando e sorrindo agitadas, me fazendo ter uma sensação de familiaridade com o agito. - Isso está cheio. - Os bastidores, meu querido - Dou risada, vendo ele parar em uma placa e encarar os nomes. - Ela está no Q2, vamos - Sebastian pega minha mão e vai me puxando, quando entramos no lugar eu paro na porta com ele. - Maya? - A menina se vira, está ainda com as vestes do terapeuta, com a barba e a cartola. - Demorou duas semanas pra me ver? - Ela se aproxima. - Estava ocupado e você sabe, você foi incrível, incrível e incrível. - Eu sei, eu sei e eu sei, somos os melhores, sem o pessoal isso aqui não saia nunca, estamos felizes com as críticas e elogios - Ela faz uma carreta. - Embora eu mandei um tijolo para um crítico, já que não posso tacar nele. - Não pode agredir ninguém Maya, é errado! - Machucar e a palavra certa - Não seguro o riso. - Essa é sua amiga? - Sim, sim, essa é Marhi - Eu ergo a mão e ela me cumprimenta. - Você é alta. - Já me disseram isso. - Ela é modelo - Sebastian faz uma pausa. - Marhi essa é Maya, minha irmã. - Muito prazer - Ela dá uma risadinha. - Você não faz ideia de como é bom saber que ele está acompanhado. - Maya... - Depois de um ano a gente espera que ele apresente alguém, certo? - Maya?! - Meu nome, Sebastian. - Não começa. - Não comecei nada - A garota olha para um relógio e volta a nos encarar. - Mamãe iria vir, viu ela ou... - Não, eu não vi, devem estar por aí - Sebastian se move, vai até a menina e beija a testa dela. - Parabéns, você foi ótima. - Obrigado por vir. - Eu sei o que você e ela tentaram fazer. - Pare de ser duro, já passou, esquece isso tudo - O tom dela mexe comigo, e de preocupação, vejo os olhos encontrarem o meu. Isso me faz refletir se tinha algo a ver com o homem de mais cedo, com a mãe dele. - Se magoar ele eu vou atrás de você, se está aqui tem um motivo pra ele, significa algo loirinha, ele é meu irmão, meu único irmão. - Maya, pelo amor de Deus - Fico rindo, vendo o que Sebastian falava. - Vai pro inferno cara, eu estou cuidando de você, c*****o, só deixa - Como ele disse, ela tinha uma boca de caminhoneiro, mas via sensibilidade nela. - Me desculpe se estou sendo inconveniente, esse cara aqui está dando trabalho pra família faz um tempinho. - Olha quem fala. - Quer discutir isso aqui, Sebastian? Quer mesmo discutir trabalho pra família, Sebastian? - Ele balanca a cabeça. - Preciso ir, não vou prolongar assunto. - Marhi, veja, isso tem medo de mim, viu? - Não tenho medo de você, nunca tive e nunca terei. - Certo, tudo bem, vou fingir que acredito. - Devia se preocupar mais com você é aquele seu amorzinho. - Nicolau e muito mais que isso, estamos quase anunciando o noivado. - Você está noiva? - A menina ergue a mão, mostrando o anel. - Faz cinco meses, ainda estamos esperando a hora certa pra contar, mas estamos pensando no melhor momento. - Parabéns. - Obrigada, você é meu irmão estão namorando desde quando? - Somos amigos. - Somos amigos - Falamos juntos, nos encarando, rindo um do outro. - Amigos, eu também tenho um amigo pra ver daqui a pouco, se tudo der certo ver a noite inteira - Vejo a malícia. - Tenho que ir, só passei para dar os parabéns. - Foi maravilhoso a peça. - No próximo semestre vamos apresentar outra, está convidada se gostou dessa, se tiver rede pode postar que esteve aqui, agradecemos a visibilidade master! - Farei o que eu puder. - Bem, dei os parabéns, apresentei Marhi, estou esquecendo algo? - Não, só está faltando mamãe e... - Certo, certo, nos vemos depois? - Ele carimba a bochecha dela e ri. - Seu animal, não faz isso! - Saímos das mesmas bolas, queridinha - Sebastian se aproxima de mim, pegando meu braço e passando por baixo do seu. - Você não disse isso. - Disse sim, agora tenho que ir, tenho que terminar de resolver as coisas. - Tchau - Me despeço. - Curtam a noite de vocês, fiquem bem - Ela se mexe. - Ligo pra você irmão, quero notícias da bola de pelo! Ele apenas acena, antes de se mover, só consigo falar algo quando saímos do corredor para as saídas, no hall eu paro no pôster de entrada, com a foto da peça, puxo o celular e entrego pra Sebastian. - O que é isso? - Uma foto. - Pra que? - A melhor forma de agradecer a arte e divulgando e participado, meu querido, agora e com você - Me aproximo, dou um sorriso, erguendo a mão e fazendo um sinal positivo. Sebastian me encara, fica parado, mas se movimenta para a foto, quando tira ele sorri. - Bonita pra c****e - Ele se aproxima. - Da uma olhada. - Confio nos seus dotes - Ele gargalha. - Certo, certo, logo vai ver que isso não é assim - Eu abro a galeria e vejo as duas fotos batidas, depois abro direto para postagem, mando um alô para uma das meninas que cuidam dela e aviso sobre a postagem. - Você tem que avisar? - Sim, isso é trabalho também - Eu digito rápido, por um segundo, antes de postar, eu escolho mais uma foto, as dos girassóis, um sorriso me invade. - Você realmente gostou, Marhi? - Ergo o olhar, não preciso falar nada, ele pega a mensagem. - Que bom. - Eu gosto de flores Sebastian, ainda mais quando tem um sentido - Eu envio as fotos, espero dois segundos, depois está no ar. - Espere - Sebastian encara a tela do aparelho. - Não sabia que tinha tanta gente assim. - Faço o meu melhor, você devia ter um Insta, para suas fotos, seu trabalho pode ser valorizado. - Eu tenho, mas só tenho 4 seguidore, muito né? - Dou risada. - Está desativada, desde muito tempo. - Gostaria de ver suas fotos. - Minhas? Tenho uma ótima - Balanço a cabeça. - Desprovido de roupas? - Sim, de vergonha também - O barulho do telefone dele ecoa quando chegamos na calçada, ele puxa o aparelho, olha o número e vê desconhecido. - Não vai atender? - Desconhecido, esse pessoal é um saco. Vai ver e anúncio. - Atende - Ele faz isso. - Alô - Ele ergue a mão ao mesmo tempo que fala, parando um táxi. - Sim, ele mesmo - Sebastian abre a porta para que eu entre. - Sou o responsável - Ele para de falar do nade, fica parado. - O que? - Ergo o olhar para ele, uma palidez vai tomando conta do seu rosto aos pouco. - Não, isso é brincadeira. - Sebastian? - Ele me encara. - Isso não pode acontecer - Dispara, eu sinto algo r**m, com o olhar dele e a expressão. - Estou chegando o mais rápido que puder.
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