CAPÍTULO 3

2222 Palavras
SEBASTIAN Marhi é versátil em qualquer ocasião, acabo de comprovar isso, ela desce e encara a entrada do lugar, enquanto eu me abaixo e encaro meu amigo árabe novinho, que está sorrindo da minha cara, filho da mãe. - Se quiser que busco o senhor e a senhorita, me liga, naquele número do cartão senhor. - Se eu estiver vivo - Dou risada, me erguendo e parando ao lado dela, que tem os olhos fixos na entrada iluminada e o movimento de algumas pessoas, ainda tínhamos alguns minutos antes de começar. Era uma forma de agradecer o abrigo no começo da semana. Eu posso ser um ótimo garoto, mas, ao mesmo tempo, aquele que está encantado com o modo que aquela calça jeans cai bem nela e no traseiro dela. - Assisti uma peça aqui - Ela se aproxima,passando o braço por baixo do meu, o gesto me prende, mesmo sabendo que isso era uma ótima sensação, que por tempos não senti, eu devia parar aqui mesmo, mas não posso parar no meio do caminho. As coisas às vezes são confusas, cidadãos de bens. Eu estou tomando eu mesmo por isso, acreditem. Como diria Rambo se estivesse no meu lugar: Isso é o que somos: viver por nada ou morrer por alguma coisa. Mas tem um porém, Marhi pode se virar pra mim a qualquer momento e falar que eu sou um m***a. Pode acontecer, ainda mais quando eu abrir minha boca e dizer que ela não sabe totalmente a verdade sobre mim, sabe partes, partes ruins. E eu, antes de contar sobre mim, quero sensibilizar ela. Sim, estou agindo como um pretensioso de novo, sei disso, talvez seja errado, pela injusto, seja o caminho errado. Mas, pensem comigo, eu sensibilizar ela estará evitando que ela fique m*l por minha maldita causa, para alguém que está me dando uma força, não posso simplesmente chegar e despejar o resto sobre ela, tenho que tomar cuidado, ela não merece minha falta de senso. Não, Marhi é boa, boa demais pra continuar achando que eu sou um fodido fotógrafo. Eu queria que ela soubesse sobre mim, sobre de onde eu vi. Precisava arrumar o campo, colocar ela no pedestal e falar tudo, poderia f***r tudo, mas nessa altura, visto o que tem acontecido, era preciso, era meu dever, não queria que ela aceitasse nada menos que o melhor para ela mesmo. Desejar o melhor para ela era quase como me tirar da reta, porque eu sei que eu posso não ser bom o bastante, posso ser apenas o cara da transa casual e aquele que enche o saco quando bebe demais porque foi fodido antes dela, não posso fazer isso com ela, Rick já disse que a estrela dela brilha, então deve brilhar ainda mais. - Eu espero que goste. - Quando era mais nova eu participava dos teatros, eu era uma negação. - Marhi Paulini, r**m em alguma coisa? - Sim, eu mesma - Entrego os convites e me movo para dentro, encarando as cadeiras e procurando um ponto mais afastado e com visão legal. - No fim eu passei a ficar no figurino, os melhores! - Você tem afinidade com a área. - Eu nasci lendo revistas e mais revista, era minha inspiração. - Se não fosse modelo, toda essa coisa, o que teria feito da vida? - Eu deixo que ela se sente, me sentando ao seu lado, tendo ela colocar a bolsa na poltrona ao lado, com os girassóis. - Você deve ter pensado nisso, não? - Sim, sim, eu gostava de moda, publicidade e comunicações, seria algo em alguma dessas três, meu teste de aptidão apostou para mesma direção. - Você fez um teste de aptidão? - Você não? - Ela me encara. - Não - Faço uma careta. - Sempre soube o que queria ser, eu gostava e tinha afinidade. - E desde então tira fotos? - Não exatamente - Viram? E isso que eu tenho que parar. - Desde criança eu sempre tive uma afinidade com o falar, negociar, um tanto pretensioso e meticuloso, isso me ajudou no que eu sou hoje. - Isso seria qualidades boas para os negócios imobiliários, minha avó diz que apenas os corretores conseguem ter lábia, e lábia pra ela é quase isso, ser pretensioso e meticuloso, além de carismático e amigável. - Mulher esperta. - Não entendo como usa isso pra fotos. - As vezes nem eu - Solto uma risada sem graça, erguendo o olhar e vendo pessoas tomarem seus lugares, mais a frente as cortinas estão fechadas. - Esse teatro fala da paródia da vida de uma mulher, que perdeu tudo e que teve que achar a graça novamente em viver, que começa a achar que nada e a mesma coisa. - Uma temática diferente. - Sim, sim, mas deve ser interessante. Perdi a estreia, mas agora estou aqui. Foi bem recomendada pra mim, talvez pelo enredo. - Você conhece alguém do elenco? - Eu olho sério para Marhi, que, quando nota meu olhar, me encara. - Conhece? - Sim, conheço - Faço uma pausa. - Minha irmã, minha irmã faz parte. Marhi abre e fecha a boca. - Sua irmã? - Ela se inclina para trás, abrindo um sorrisinho. - Isso é fantástico, poderei saber se são tão parecidos assim? - Fico parado, abrindo um sorriso, me aliviando pelo clima. - Eu sou o mais bonito, além disso nunca ouviu aquela história que o irmão mais novo sempre e o mais bonito? Sou o mais novo por minutos. - Terei que ver com os meus próprios olhos - Eu me mexo. - Podiam vender uma pipoca Marhi, sempre troquei teatro por cinema por causa da pipoca. - Devia ter aceitado um pedaço do bolinho. - Era seu, eu fiz uns dez hoje, comi o bastante junto com Xoxota - Ela ri. - E como mantém esse corpinho? - Antes que eu consigo responder, ela se inclina para o meu lado, se apoiando no meu ombro, com a mão deslizando pela barriga, a camisa nem faz diferente, porque eu sinto como se a mão dela realmente estivesse sobre a minha pele. - O que foi? - Sua mão - Ergo o olhar e vejo o movimento, mas ignoro, olhando para ela, p***a, ela desliza e vai para minha coxa, eu desço a mão e seguro a dela, balançando a cabeça. - Não faz isso, Marhi, não vai por esse caminho do inferno. - Não estou fazendo nada Sebastian, sua cabeça que está muito agitada. - Não? Não está fazendo nada? - Eu solto a mão dela, sorrindo. - Vai em frente então, pode ir. - Faz um tempo - Sussurra baixo, encostando o rosto no meu ombro. - Um tempo? - Sim, desde aquele dia lá em casa. - Você não é muito de falar sobre isso Marhi, mas faz tão bem - Ironizo. - Isso foi rude - Balanço a cabeça. - Não mesmo, isso foi a verdade. - Certo - Ela se mexo, vejo a mão dela ainda sobre a minha coxa, então a boca dela fica perto do meu ouvido, olho pare frente sorrindo. - Acha que não consigo falar sobre como você é bom no s**o, Sebastian? - Continua, mas não tão formal - Sinto o beijo dela no meu pescoço. - Me quer duro? - Tão rápido? - Implica, baixo. - Não tão rápido - Ergo o olhar até ela, encarando o rosto dela de perto, os olhos daquele azul brilhante, me encarando, a boca rosada e a ousadia no jeitinho. - Vou imaginar que estou comendo você, que sua b****a está engolindo meu p*u fundo, mas logo está o soltando e depois pedindo por mais, você gemendo como uma garotinha - Ela abre e fecha a boca. - Viu, e assim que se fala, com empolgação, mas tudo bem, eu entendi a parte que eu fodo muito bem - Faço uma pausa. - Mas, lembre-se, não da pra f***r sozinho, precisa de duas a mais pessoas - Ela sorri. - Você é boa Marhi, boa de verdade, sem medo, corajosa, você enfrentou ficar de joelho aquele dia e me c****r até eu não aguentar, você talvez não precisa ter uma boca suja para o s**o, porque ela já é boa o bastante para as outras coisas. - Isso foi - Eu ergo a mão, segurando o rosto dela, meu polegar desliza sobre a boca dela, meu peito se aperta, mas o coração começa a bater rápido, sinto empolgação. - O que foi? - Acho que eu vou beijar você - Eu vou me aproximando. - Tudo bem - Sussurra, mas, quando estou prestes a encostar, paro, algo me para, eu me afasto, balançando a cabeça com imagens sendo reproduzida na minha cabeça, sem conseguir fazer aquilo com ela, fico frustrado, vendo o tanto que sou um filho da mãe. Beijar ela com imagens de alguém trepando não rola. - Me desculpa - Fico de pé. - Preciso ir ao banheiro. - Sebastian - Balanço a cabeça. - Me espere aqui, tudo bem? - Vejo os olhos se estreitando, com cautela. - Ok, tudo bem - Eu caminho pra longe dali, procurando um banheiro para me enfiar, falar o quanto eu sou um m***a fodido pra mim mesmo. Porra, p***a, p***a! Para no hall de entrada, olhando as placas e onde eu me enfio para ir no banheiro, um pingo de revolta se forma em mim, fico tenso e nervoso por isso, quase com raiva absoluta, com apenas o pensamento que não posso estragar a noite assim. Já passou, foi, acabou. - Filho? - A voz fina me paralisa, me viro, encarando a mulher que se aproxima rápido de mim, me apertando em seguida, como se eu fosse um urso de pelúcia gigante, um urso de pelúcia gigante bagunçado. - Mãe - Fico parado. - O que faz aqui? - Ver sua irmã - Balanço a cabeça. Traidora. - Meu pai está aqui? - O procuro com o olhar e não o encontro. - Sim, fico feliz que esteja bem, está se cuidado? - Balanço a cabeça, dando um sorriso pra ela, me afastando do aperto dela. - Esta acompanhado? - Sim, estou mãe, com uma mulher. - Uma mulher? - Dona Camila fica me encarando, buscando algo maior que eu mesmo. - Sim, uma amiga, nada de importante - Começo a desviar a atenção. - Foi Maya, não foi? - Sim, foi ela, seu pai veio, parem com isso, estão se afastando. - E só um tempo mãe, estou arrumando as coisas. Logo isso acaba. - Como? Sua irmã disse que jurou não falar nada sobre seus planos, então deve ser algo muito importante, não é? - Sim mãe, isso é algo importante, logo vocês vão saber, a senhora vai gostar, tenho certeza, vai deixar o papai bem maluco - Dou risada. - Estou fazendo o meu melhor. - Sebastian? - Eu me viro, encarando Marhi, que para quando nota minha mãe, ela fica sem entender e eu ergo a mão para ela, vendo ela se aproximar, timidamente. - Olá. - Olá - Minha mãe me encara, mas vejo ela olhar para Marhi curiosa, vejo o divertimento e um pouco da preocupação. - Essa é Marhi, minha amiga - Olho para Marhi, ela sorri. - Marhi essa é minha mãe, minha progenitora, Camila. Vejo as duas se encararem, erguendo as mãos e cumprimentando-se, uma sorri para a outra, isso me deixa preocupado. - Seu filho e um bom rapaz - Eu arqueio uma sobrancelha, surpreso. - Eu sei, você também parece uma boa moça. Estranho as duas, mas logo a ficha cai e eu entendo a lógica feminina aqui, uma lógica cheia de significados. Puta que pariu! Quase bato palmas para as duas, mas me contenho apenas com a perspectiva que as duas tem algo em comum, eu. Saber disso é importante, não da parte da minha mãe, mas dela, da loira, isso torna algo importante. - Camila - Quando ergo meu olhar eu vejo meu pai, que para ao lado da minha mãe, uma onda nervosa se coloca dentro de mim, me pergunto se o resto da família vai aparecer. A mentira fica clara bem na cara de Marhi, fico com medo. - Querido, essa e amiga de Sebastian - Meu pai acena para ela, mas me encara, eu respiro fundo, pego o braço de Marhi é passo por baixo do meu, como se aquilo fosse a tirar da cena. - Esse é o marido da minha mãe, Marhi - Fico estático no lugar, vendo meu pai me encarar sério, depois olho para Marhi. - Podemos ir? - Claro, foi um prazer - Ela é gentil, sorri como uma deusa e eu encaro os dois, minha mãe fica sem entender, ela não fala nada, pega na mão do meu pai e aperta a mão dele, aquilo me desarma, a mentira me quebra, a sensação de falta de senso aumenta, porque agora vai com os dois também. Me viro e saio dali, com Marhi ao meu lado, só aí que percebo a m***a que acabo de fazer, não só com Marhi ou com os meus pais. Mas comigo. Com a minha vida. Aquilo me deixa deprimido, sem que Marhi perceba, eu me sento ao seu lado, fico ali, mesmo não querendo estar mais ali.
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