The Romances

4422 Palavras
Não que o rei fosse acostumado a ficar esperando por alguém, mas na sala de jantar ele já estava na segunda taça de vinho. Sabia da fama das mulheres demorarem a ficar prontas para ocasiões especiais, mas sentiu que por mais bela e atraente que Taylor fosse, não valia a metade da espera. Ele estava extremamente bem vestido, perfumado e com todos os fios de cabelo no lugar, presos pela coroa de ouro em sua cabeça. A mesa longa de madeira maciça estava posta e os empregados apenas aguardavam a moça loira aparecer. — Impaciente, Majestade? — Ed Sheeran atreveu-se a começar a conversa ao ver Harry andando de um lado para outro extremamente irritado. — Poderia estar passando mais uma noite com Louis. — Harry respondeu parando de andar. Ficou perto do chefe de seu Conselho pessoal. — Mas são ossos do ofício, acho que devo dispensar essa garota logo antes que crie expectativas de algo que não irá acontecer. — Mas e a promessa de sua mãe? — Ed perguntou um pouco preocupado. — Pra ser honesto, não acredito que seja verdade. — Apesar de não ser totalmente honesto ao dizer aquilo, Harry preferia simplesmente não acreditar. Tinha certos meios de descobrir a verdade e, no fundo, sabia que acabaria tendo conhecimento de algo que preferia esquecer. A ignorância era uma bênção naquele caso. — Acho que deve falar com o velho Alaister. — Ed sabia que Harry não iria querer falar no assunto mas, como bom amigo que era, sentiu-se na obrigação de alertar. — Apenas para que saibam que sua Majestade não é nenhum i****a e não sai por aí acreditando em boatos. — Veremos. — Styles disse profundamente desconfiado. — Mas não vou me casar com quem não amo apenas para honrar uma promessa que nem foi minha. — Entendo, Majestade. — Ed disse compreensivo, sua vontade era de dizer o que realmente achava, que promessas não cumpridas irritavam os deuses e, no fundo, ele tinha muito medo das consequências da falta de atitude de Styles para com tudo aquilo. O rei não parecia estar levando aquilo a sério o suficiente. Antes que o rei pudesse dar continuidade à conversa, na porta á esquerda da sala de jantar era aberta por seus soldados e, em seguida, vestindo um bonito vestido azul feito sob medida, maquiagem discreta e os cabelos loiros presos num coque com fios soltos, Taylor Swift sorriu tímida como se pedisse permissão para entrar. Harry, em toda sua elegância e porte, andou até onde ela estava parando a centímetros de distância. Não que ele estivesse impressionado, mas seria falta de educação não dizer alguma coisa. — Vejo que o vestido lhe caiu muito bem. — Ele estendeu a mão na direção dela que, imediatamente a tocou, Harry inclinou-se de um jeito cavalheiro e lhe deu um beijo nas costas da mão dela. — Agradeço o presente, Majestade. — Ela disse baixinho, baixando os olhos em respeito e o reverenciando discretamente. — Obrigada pelo convite. — Por favor. — Ele disse apontando para a mesa posta, ofereceu-lhe o braço para guiá-la até o lugar que ela sentaria, à direita dele. Quando sentou-se na ponta da mesa ao lado dela, Harry deu-se conta de que não tinha qualquer assunto pra conversar com aquela mulher. Nada que vinha dela sequer o interessava, talvez estivesse tão ligado à Louis que nada mais conseguia preencher sua mente, não parava de pensar nele. Fez um gesto discreto com a mão para um de seus serviçais para que começassem a trazer a comida. — Teremos carneiro esta noite. — Styles começou falando baixo. — Vegetais e frutas plantados aqui e um hidromel especial, presente do príncipe de Kent. — Fico honrada, Majestade. — Taylor respondeu olhando as coisas se aproximarem, ela realmente estava se sentindo especial. — Taylor, quero que sinta-se bem vinda em Wessex. — Harry começou assumindo uma postura mais séria. — Fique o tempo que quiser, assim como os Lordes. — Ele fez uma pausa apenas esperando que ela olhasse pra ele. — Mas quero deixar claro que não tenho intenção de me casar com você. — Mas os Lordes me disseram sobre a promessa e… — Eu sei. — Styles a interrompeu. Ela deu a entender que estava confusa. — Um homem não é nada se não puder cumprir com a palavra. — Ele continuou atraindo a atenção dela que m*l conseguia disfarçar a decepção no olhar. — E eu não prometi nada. — Majestade, imagino que entenda como essas coisas funcionam. — Ela tentou, mas não tinha um bom argumento. Na verdade, ela estava mais interessada em jogar toda sua fúria pra cima dele. — Taylor, não preciso nem dizer o quanto é linda. — Harry disse num tom diplomático, sem qualquer resquício de romantismo. — Estou aqui esta noite com você pois não sou o tipo de homem que demora a tomar decisões ou mantém as pessoas esperando por algo que depende de mim. Não espere por mim, não deixe a oportunidade passar em sua vida, pois meu coração já tem dono. — Majestade, com todo respeito, aquele ferreiro não pode lhe dar herdeiros. — Taylor insistiu, dizendo entre dentes, queria manter a graciosidade da fala, mas não conseguia controlar direito seu temperamento explosivo. — Não quero me casar para ter herdeiros, quero me casar com quem amo. — Não que o rei tivesse que dar qualquer tipo de explicação àquela mulher, mas estava sendo cordial. — E o ama? m*l o conhece, Majestade! — Ela afrontou como se não conseguisse manter a língua dentro da boca. O barulho dos talheres no prato de Harry deram eco no salão silencioso. Ele fechou a cara ao ouvir aquilo, nem a respiração de seus guardas, empregados e conselheiros eram audíveis. O silêncio se tornou absoluto e, pela forma com que Harry a encarava agora, fez com que a moça afastasse-se inconscientemente, encostando as costas na cadeira. — Senhorita Swift, não sou o tipo de rei que usa falas como essa, pois as considero tiranas demais. — Harry recomeçou com um tom de voz grave, extremamente sério e franzindo o cenho. — Mas, se permite, vou utilizar agora: eu sou o rei e eu faço o que eu quiser. Imagino que entenda o conceito de monarquia. — Sim, Majestade, peço perdão. — Ela baixou os olhos sem coragem de encará-lo. Percebeu que passou dos limites e estava jogando aquele jogo de forma equivocada. Já havia percebido que Styles estava longe de ser o tipo de homem racional e que se deixava levar pelos encantos dela. Aparentemente, Louis Tomlinson já o havia tomado de forma a não permitir que Harry se aproximasse de mais ninguém. Era difícil para ela entender o que um nobre como Styles, dono de um poder supremo sobre as pessoas, conseguiu ver naquele homem tão simplório, comum e, para ela, sem nenhum atrativo em especial. Ignorando mesmo o fato de que Harry gostava de homens e não de mulheres, ainda assim era difícil para ela entender o que um rei, que tinha outros nobres e monarcas à disposição, foi logo se interessar por um ferreiro sem classe, sem provavelmente nenhum estudo e que, embaixo de todo aquele pó de ferro, provavelmente nem bonito deveria ser. Depois da pequena discussão iniciada, o jantar não poderia ter seguido de forma mais desagradável. Pouco foi dito, Styles pouco perguntou e pouco respondeu. A forma como Taylor falou de Louis realmente o enfezou. Mesmo que Harry estivesse disposto a considerar casar-se com aquela mulher, todas as chances tinham acabado de ir por água abaixo. ~x.x~ Não que Liam fosse dizer alguma coisa, mas as portas de entrada dos muros do reino de Essex realmente chamaram-lhe a atenção. Zayn havia chegado horas antes dele e não sabia que tinha sido seguido pelo príncipe de Kent. Ele foi impedido de continuar seu caminho quando os guardas armados de Zayn bloquearam sua entrada, já nos portões do reino. Liam suspirou cansado, detestava aquelas formalidades, mas sabia que tudo era parte do esquema de segurança de cada reino. Ele desceu da carruagem em toda sua pompa, seguido por três guardas pessoais, afastou a capa púrpura a fim de mostrar o brasão entalhado em sua armadura — uma lua minguante cercada por leões e lobos, símbolos da caça da deusa Ártemis. — Sua Alteza Real, o Príncipe Liam Payne, soberano de Kent. — Um de seus guardas gritou para o outro soldado. Liam já estava arrependido de estar ali. — O que desejam, forasteiros? — Foi a resposta de um dos guardas de Zayn. — Sua Alteza de Kent deseja ver o rei de Essex, vossa Majestade, o rei Zayn Malik. Os guardas se entreolharam confusos. Era sabido da rixa entre os dois reis e nem mesmo seus guardas e seu povo tratavam-se lá muito educadamente. Os guardas de Essex tinha dúvidas sobre deixar Liam entrar ou não, mas percebeu que ele estava com poucos guardas e não poderia atacar mesmo que quisesse — obviamente que isso era algo que nem se passava pela cabeça de Liam. — Isso é apenas uma visita informal. — Payne disse, dirigindo-se aos guardas de Zayn. — Não pretendo demorar. Depois de alguns cochichos e conversas entre os soldados a fim de decidirem se abririam o portão ou não, eles acabaram cedendo. Talvez destratar um monarca somente por causa de uma visita não era lá muito apropriado para manterem as boas relações diplomáticas e comerciais. Eles abriram os portões deixando a passagem livre para Liam, seus servos e guardas. Atravessaram a cidade sob olhares curiosos dos moradores, pois Liam nunca tinha estado ali. Era guiado por alguns guardas até o alto da colina onde o castelo de Zayn, absurdamente grande e ornamentado com outro e diversos símbolos de ostentação ao deus Dionísio. Liam sentiu que o calor ali lembrava um deserto. O salão principal do castelo de Malik era algo gigantesco que fazia Liam perguntar-se qual era a necessidade de tudo aquilo. Estátuas e esculturas feitas de pedras preciosas ornamentavam o lugar silencioso. Seus guardas haviam ficado do lado de fora e apenas o servo pessoal de Zayn estava no canto do salão. — Sua Majestade está a caminho, Alteza. — O homem disse curvando-se na direção de Liam, mas o príncipe não teve tempo de responder, o homem se retirou logo em seguida. O salão dava eco pelos passos de Liam enquanto ele esperava Zayn aparecer, andava lentamente de um lado para outro perguntando a si mesmo constantemente que diabos tinha vindo fazer ali. Ajeitou a coroa mais de uma vez, nervosismo puro. Viu no canto de uma das paredes de pedra gigantescas um quadro de Yaser Malik imponente no trono que agora pertencia a Zayn. Não entendia muito bem o motivo de seu próprio pai detestar tanto aquele homem e aquele reino, provavelmente toda aquela ostentação irritava o velho Geoff Payne, que sempre fora um homem do campo, rude e que não negava suas raízes da terra e das plantações. Mas a autonomia dos reinos sempre fora respeitada e nenhuma guerra fora travada apenas por problemas pessoais entre os reis ou desaprovação de estilos de vida. Liam riu para si mesmo ao imaginar o pandemônio que estaria se seu pai estivesse vivo sabendo que ele estava ali, correndo atrás de um homem que ele nem queria admitir, mas estava começando a nutrir sentimentos por ele. — O que está fazendo aqui? — Malik surgiu do canto oposto onde estava Liam assustando-o com sua voz ecoando naquele lugar enorme. Zayn estava bem vestido e sua coroa reluzia naquele lugar quase escuro. Liam nem sabia como responder aquela pergunta, nem ele sabia o que estava fazendo lá. Andou na direção de Malik a fim de ficar mais perto dele enquanto pensava numa boa resposta. Seus olhos encaravam os de Zayn e nenhum dos dois desviava, Liam especialmente não conseguia se concentrar no que dizer, mesmo que de fato houvesse um motivo concreto para estar ali, mas não havia. — O que você quer? — Zayn abriu levemente os braços insistindo na questão já que Payne permanecia em silêncio. — Venho insistir que venha à minha coroação. — Liam estava tão acuado que não conseguiu pensar em nada mais pra dizer. Realmente não foi o motivo dele estar ali e, pelo arquear das sobrancelhas de Zayn, ele estava ao mesmo tempo surpreso e decepcionado em ouvir aquilo. — O que é que você quer de mim, Payne? — Ele perguntou realmente irritado com aquilo. Toda vez que ele se aproximava, Liam se afastava e, quando estava decidido a não levar aquilo adiante, lá estava o príncipe, com aqueles olhos enormes e cheios de coisas pra dizer mas que sempre escolhiam obedecer à uma razão que só existia em sua cabeça. — Eu vim aqui pra esclarecer as coisas entre nós e eu também quero dizer que precisamos manter as boas relações diplomáticas entre nossos reinos. — Liam dizia ajeitando a postura e lembrando mais um chefe de estado do que um homem se apaixonando por outro. — Precisamos um do outro e temos um excelente fluxo de comércio. Zayn riu de canto, baixando os olhos e afastando-se um pouco mais do outro. Confuso, mas ao mesmo tempo nada daquilo o impressionava. De fato Malik tinha uma certa doçura no coração que Liam ainda levaria tempo para perceber, mas a esperança de que Payne estava ali para finalmente poder abrir seu coração e perceber que as brigas de anos deles já tinham sido claramente explicadas pela noite que passaram juntos. Mas não, aparentemente Liam estava ali para falar de negócios. — Fique tranquilo, Payne, nossas relações comerciais ou o que quer que seja não estão abaladas. — Zayn disse tomando a mesma postura de Liam. — Acabei de chegar de viagem e estou cansado, se quiser ficar a par de números, contabilidade, transações ou se veio oferecer novos contratos, pode falar com o chefe do meu Conselho pessoal. — Malik disse com um tom entediante na voz. — Eu não gosto dessas reuniões intermináveis e prefiro ocupar meu tempo com outra coisa. — Zayn… — Liam suspirou ao ver que o outro estava se afastando cada vez mais, quase fazendo menção de deixá-lo sozinho naquele salão. — Sinta-se à vontade para ficar, o castelo tem muitos quartos, fique o tempo que quiser. — Malik não quis ouvir o resto e realmente se retirou sem a menor cerimônia. Liam sentia-se um completo i****a e, se precisava de alguma confirmação para aquilo, a batida da enorme porta de madeira pesada assentiu a saída total de Zayn do lugar. De nenhuma maneira cogitava levar sua corte e seus guardas de volta a uma viagem longa sem dar a eles o mínimo de descanso necessário. Voltou pelo mesmo caminho de onde as portas haviam se aberto para ele e disse a todos que ficariam pelo menos aquela noite ali para descansarem. Os servos pessoais de Zayn cuidaram das acomodações de todos, colocando Liam em uma das torres mais luxuosas do castelo — que era maior que o de Harry e maior que o do próprio Liam. Sentia-se m*l por tudo, não estava sabendo lidar com seus sentimentos por Zayn e aquela rejeição dele havia doído. Mais ainda, a completa indiferença do outro quanto à sua presença naquele lugar o fez perceber que suas palavras, ainda quando estavam em Wessex, fizeram doer num coração que ele achava não ser capaz de amar uma única pessoa. Mas estava enganado, aparentemente Zayn tinha mais sentimentos por ele do que ele pensava. ~x.x~ Niall foi saudado por seu povo durante a sua volta enquanto atravessava a cidade, acenando para alguns súditos acompanhado de toda sua cavalaria que o seguia até o castelo. Ao seu lado, Josh Devine continuava com o mesmo olhar apaixonado, prestando atenção em todos os movimentos do rei, certificando-se que estava bem e seguro. Horan sentia-se absurdamente confortável quando estava em casa. Mércia era o lugar no mundo que ele sem dúvidas morreria para defender. Deixou que seu servos cuidassem de seu cavalo e organizassem sua carruagem com bagagens e subiu para o quarto, iria descansar, trocar de roupas e começar a organizar sua nova viagem na semana seguinte — com sorte, bem mais perto, já que era vizinho de Kent e não pertederia a coroação de Liam por nada. — Dalilah, prepare meu banho, sim? — Ele pediu cordialmente a uma de suas empregadas enquanto andava pelo corredor em busca de um certo comandante com quem tinha trocado beijos na noite anterior. Josh terminava de desencilhar seu próprio cavalo e o de Niall, estava na parte de trás do castelo onde tratavam os bichos e usavam para o treinamento militar. Niall observou seus homens darem água para os animais e prepararem-se para descansar da viagem. De longe, os olhos de Devine encontraram os do rei e, exercendo aquela telepatia conhecida entre os dois, o comandante foi de encontro ao rei. — Precisa de algo, Majestade? — Josh perguntou cordial, mas sorrindo. Niall disse que não com a cabeça sem tirar os olhos dele. — Estamos terminando de organizar tudo. — Estou vendo. — Foi a resposta do loiro. — Pode me acompanhar? — É claro, Majestade. — O homem respondeu seguindo Niall para dentro do castelo novamente. O local era rústico, certamente não tinha nem metade dos enfeites do castelo de Zayn ou a classe dos salões diversos que Harry tinha em Essex. O castelo de Horan era feito de pedra em ferro em sua totalidade. Era mais escuro que o normal e ele preferia não usar coroa, ao contrário dos demais. Como ele mesmo costumava dizer: era pesada, desconfortável e não o protegia de coisa alguma. Subiu as escadas de volta ao seu quarto com Josh em seu encalço, fechou a porta assim que o comandante passou por ela. Por alguns segundos, Niall apenas o encarou prestando atenção em detalhes do seu rosto que antes lhe passaram despercebidos, como uma cicatriz minúscula perto do olho esquerdo ou sua barba que, apesar de aparada, mostrava que crescia irregular. — Pensei muito durante a viagem no que aconteceu entre nós. — Niall começou aproximando-se de Josh com o olhar mais apaixonado que poderia se ver nele em toda sua vida. — Eu também, Majestade. — Josh respondeu num sussurro, como se quisesse confirmar mas ao mesmo tempo não interromper. — E quero ser honesto com você… — Horan sorriu aberto, o que era raro de se ver naquele homem, passou uma das mãos pelo rosto de Josh que apenas fechou os olhos como se tivesse medo de abrir e descobrir que era apenas um sonho. — Eu queria dizer que não estou simplesmente apaixonado por ti… Eu sou apaixonado, Josh… Sempre fui. Josh não conseguia expressar a alegria em seu coração e apenas beijou o rei com toda aquela paixão que tinha dentro de si, todo aquele amor que guardou durante tantos anos e agora tinha a oportunidade de dar e receber de volta. Niall correspondeu o beijo do comandante por alguns segundos, mas logo se desfez, mantendo seus corpos colados. — Me deixe terminar. — Niall abaixou os olhos mordendo os lábios querendo manter o gosto da boca do outro na sua por mais tempo, mas ficou sério. — Eu quero que entenda que sei o que sente por mim, eu consigo perceber… — Eu sempre o amei, Majestade, sempre. — A voz de Josh tinha uma mistura de alívio com sofrimento, era algo difícil de descrever até mesmo para o próprio Niall. Sua respiração era diferente e a forma como Josh o segurava pela cintura e costas, com aquelas mãos fortes e pouco cuidadas, demonstrava todo o medo que ele tinha de perder aquele momento. Nial, aos poucos, se afastou dele. Não queria prolongar aquele sofrimento que sentia apertar seu peito pelo que diria a seguir. Sua razão, sentimento o qual ele sempre obedecia, estava travando uma batalha tão árdua com sua emoção que ele quase sentia-se sangrando por dentro. Era uma sensação tremendamente horrível. — Você sabe que meu reino vem em primeiro lugar, Josh. — Niall continuou tirando as mãos de Devine de cima de si. — E eu preciso ter uma prole, preciso perpetuar meu nome, meu reinado… — Conforme Horan dizia, Josh sentia navalhas perfurando sua pele, pois sabia onde Niall queria chegar com aquele assunto. — Se eu morrer, Mércia não terá outro rei. Eu preciso de herdeiros… — O rei fez uma pausa antes de concluir, pois sabia que era justamente a parte que mais doeria em Josh. — Eu preciso de uma rainha. Devine desviou o olhar apenas porque uma camada grossa de lágrimas tinha acabado de se formar em seus olhos. Nunca ele havia chorado por uma coisa como aquela, talvez a última vez que sentiu-se tão desamparado e rejeitado como aquele momento, tinha sido quando criança, quando perdera os pais. Ele não conseguia encarar Horan nos olhos ao mesmo tempo que a lembrança do beijo da noite anterior não saía de sua cabeça. — Entendo. — Foi a única coisa que ele conseguiu dizer pois sentia o ar lhe faltar nos pulmões. — Me perdoe… — Niall disse tentando se reaproximar, mas dessa vez fora Josh quem deu um passo para trás, respirando fundo. — Não há nada para perdoar, Majestade. — Devine levantou o queixo e rapidamente secando as lágrimas que tinham acabado de cair, voltou a ter a postura de soldado. — Permissão para me retirar. Niall sabia que aquilo aconteceria e teve que admitir que, em sua cabeça, tudo parecia mais fácil. Encontrando-se na situação, sentindo na pele, vendo os olhos vermelhos e tristes da única pessoa que sabia que poderia lhe fazer feliz, o fez perceber que estava errado e que as coisas poderiam ser diferentes, iriam ser diferentes, ele só precisaria tentar. — Concedida. — Mas foi a única coisa que ele disse apesar de querer voltar atrás em tudo que disse. Josh Devine girou os calcanhares e deixou o quarto do rei, a batida na porta não foi forte mas, para Niall, não era apenas a porta do quarto se fechando, certamente o coração de Josh também havia se fechado para ele. — Seu banho está pronto, senhor. — Delilah disse abrindo a porta com delicadeza. Niall já havia até esquecido daquilo. — Obrigado. — Ele murmurou para a jovem que acabava de sair ao ouvir, dando espaço para três outros servos entrarem e ajudarem Niall a tirar a própria armadura para tomar banho. Em anos, Niall não sabia o que era sentir vontade de chorar, mas naquele momento, era a única coisa em que conseguia pensar. Seu coração estava em tantos pedaços que ele realmente teve que admitir que subestimou suas próprias palavras. Não imaginou que tudo doeria tanto, não pensou que estaria tão magoado como estava e foi a primeira vez que se deu conta da dimensão do amor que sentia por Devine. ~x.x~ Louis acordou cedo para trabalhar e seu humor estava realmente muito melhor que o normal — ele até sorria sem motivo enquanto andava. As pessoas que não o conheciam direito olhavam pra ele cochichando, sabendo das conversas que corriam no reino sobre ele ser o novo amor do rei Harry. Logicamente que ele sentia-se lisonjeado acima de tudo, mas sabia que existiam muitas mulheres — e muitos homens! — com inveja. Tomlinson não se deslumbrava com o falatório, ele não gostava de Harry porque era rei, mas pela forma como se mostrava como pessoa. Mesmo que Styles abrisse mão da coroa a qualquer momento, Louis continuaria olhando para ele como se ele fosse o único homem da face da terra. Obviamente ele sabia que sua popularidade aumentara agora e talvez até fosse bom para seus negócios, mas ele procurava manter os pés no chão, mesmo que seus olhos procurassem o castelo vez ou outra no alto da colina. — Devo chamá-lo de Louis ou… rainha Louis? — A voz feminina entrando na ferraria de Louis exibia um sorriso infantil conhecido. Tomlinson olhou para a porta e, apesar de ter passado alguns bons anos, ele a reconheceu imediatamente. — Hannah! — Ele soltou imediatamente tudo que estava fazendo, arrancou as luvas e correu para abraçar a menina, girando-a no ar por alguns segundos. — Como está? — Ela perguntou graciosa assim que o ferreiro a soltou. Seus olhos brilhavam, ele m*l conseguia acreditar que era ela. — Você está linda, está incrível! — Ele dizia honesto, mesmo que ela estivesse vestindo coisas velhas e seu cabelo sequer estava arrumado. Apenas preso de qualquer jeito com alguns fios loiros caindo nos olhos. Ela era amiga de infância de Louis e foi sua primeira namorada. — Olha quem fala! — Ela continuou rindo. — Fiquei sabendo das fofocas dessa aldeia… — Ela disse tímida e Louis apenas abriu seu melhor sorriso já sabendo do que ela estava falando. — O rei é? — É, vamos ver… Não quero criar expectativas. — O sorriso de Louis era tão grande e bonito que contagiou até mesmo Hannah que, apesar de genuinamente feliz por ele, não deixou de sentir um certo ciúmes e perder um pouco a esperança de tê-lo de volta. — Acho que já criou e são muitas! — Ela respondeu ao ver o quão feliz o outro estava. — Você merece uma pessoa que te ame, Lou. — E não tente desviar do assunto! — Louis puxou-a para dentro da loja a fim de conversarem melhor. — Quero que me conte tudo! Por que não avisou que estava voltando? — Queria fazer surpresa. — Ela disse sentando-se em um toco de madeira rústico que Louis usava como banco. Ele ficou ao lado dela sentando-se no chão. — Mas estou de volta sim e, dessa vez, é pra ficar. — Que máximo, Hannah. — O ferreiro estava realmente feliz de rever a amiga. — Quem sabe podemos recuperar o tempo perdido. — Obviamente que ele referia-se à amizade, mas não foi bem o que ela entendeu. — Foi pra isso que eu vim. — Ela não tirou o sorriso dos lábios enquanto conversava. Estava mudada, não parecia mais apenas uma menina adolescente, ela tinha se tornado uma bela mulher e até mesmo Louis percebeu aquilo. Ela sabia que não poderia competir Louis com o rei, mas ao menos se esforçaria para ter uma chance mínima, afinal, tudo que ela precisava era uma noite para convencê-lo.
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