No fim da tarde, o sol caía aos poucos deixando o céu de Wessex alaranjado. Louis passou praticamente o dia inteiro na companhia de Hannah Walker, ouvindo suas histórias sobre os anos que passou longe do reino, em uma cidade pequena ao sul de Wessex, onde havia nascido, para cuidar da mãe adoentada. Passou anos longe da aldeia do reino e, agora que tinha voltado, estava determinada a refazer sua vida e, com sorte, ao lado de Louis.
Ela não contava com a situação atual do ferreiro. Ele não estava apenas comprometido com alguém, mas esse alguém interessado por ele era ninguém mais ninguém menos que o próprio rei. Como competir com aquilo? Era quase impossível. Mas ela ainda contava com a vantagem de seu gênero para ficar com Tomlinson, afinal, as mulheres sempre foram muito valorizadas quando se tratava de dar continuidade a uma geração, afinal, sem elas não haveria herdeiros.
Louis fechava sua ferraria na companhia de Hannah, chamando-a para dar uma volta para ver o pôr-do-sol e continuarem conversando. No momento em que trancava uma das correntes para manter sua loja segura, percebeu uma pequena movimentação de soldados andando na direção da loja. As capas vermelhas por cima das armaduras prata já indicavam que eram a guarda real. Hannah assustou-se por um segundo, mas logo em seguida, viu olhos verdes surgindo entre os guardas e um sorriso pacífico. Entendeu Louis naquele exato momento, como não se apaixonar por aquilo?
— Majestade. — Ela curvou-se ficando de joelhos na frente de Harry no momento em que ele se aproximou dela e de Louis.
— Levante-se, moça. — Harry disse ao ver que, além da admiração, ela demonstrou um certo receio ao vê-lo, mas obedeceu no momento em que ele pediu que levantasse. — Não há motivos para sujar seu vestido. — Ele disse calmo ao ver que ela sujou de terra parte do tecido quando ajoelhou-se.
— Oi. — Louis abriu o sorriso ao vê-lo.
— Fiquei sabendo que fundiu as espadas de meus soldados. — Harry disse ficando a centímetros de Louis.
— É. — Tomlinson disse recebendo um olhar de aprovação dos cinco soldados que vieram com Harry. — Um de meus melhores trabalhos.
— É, você os impressionou. — Styles concluiu dando uma rápida olhada nas armas de seus guardas. — Sua fama o precede, ferreiro. — Ele brincou sorrindo aberto fazendo Louis baixar os olhos um pouco tímido.
Harry virou-se novamente para a moça ao lado de Louis que apenas observava a conversa sem dizer nada, apesar de olhar para ele com uma certa curiosidade. Era bem mais alto que ela, talvez o contraste das roupas, da espada, da coroa e do conjunto como um todo que o montava, deixava a loira um pouco apreensiva.
— Harry Styles. — Ele disse se apresentando sorrindo. Foi até engraçado, já que Harry não estava acostumado a aquilo.
— Eu sei quem é, Majestade. — Ela disse voltando a olhar o chão um pouco tímida. Louis apenas riu.
— Desculpe, Harry. — Louis tomou a palavra. — Essa é Hannah, minha amiga de infância. Estava morando no sul do reino, mas agora voltou para a aldeia.
— É um prazer conhecê-lo, Majestade. — Hannah disse com um tom de voz doce, mas surpresa de ver Louis o chamando pelo nome.
— Bem-vinda de volta. — Styles disse com uma ponta de ciúmes ao vê-la com Louis, mostrando uma certa i********e na troca de olhares. — Louis, vim convidá-lo para um passeio na praia, mas vejo que está ocupado. — Ele concluiu olhando o ferreiro de maneira um tanto formal, não conseguindo esconder que estava incomodado com a presença daquela garota.
Louis queria ir, queria dizer que não estava ocupado, mas sentia-se m*l em simplesmente deixar Hannah sozinha. Sentia que ela queria passar o resto da tarde com ele, tinham muito a conversar, mas era perceptível que Harry não estivesse nem um pouco acostumado com aquele tipo de coisa. Mesmo sendo um homem humilde e modesto, ele não estava nenhum pouco habituado a ser contrariado.
— Pode ser amanhã? — Louis perguntou tímido, incerto, sem saber exatamente o que dizer e qual seria a reação do monarca. O silêncio se fez entre os três e até mesmo os guardas se entreolharam.
— Mas é claro que pode. — Harry disse mascarando um sorriso que não chegava a ser falso, mas que deixava claro o quão insatisfeito havia ficado com aquela resposta. — Aproveite a estadia de sua amiga. — O rei concluiu e Louis realmente estava esperando algum carinho, até mesmo um beijo ou uma demonstração de afeto na despedida, mas tudo que Harry fez foi dar as costas e guiar o caminho por onde veio com seus soldados.
Tomlinson chegou a dar um passo a fim de segui-lo para dizer que havia mudado de ideia, mas Hannah, ao perceber o que ele faria, o puxou pelo braço alegre, indo para o lado oposto de onde Harry seguia com seus guardas.
— Vem, senão perderemos a parte mais bonita. — A loira disse segurando-o pela mão e praticamente puxando-o até o alto da colina, de onde o pôr-do-sol era o mais bonito. Louis chegou a olhar para trás a fim de buscar ver Harry uma última vez, mas o rei estava escondido entre capas vermelhas e armaduras de prata, a única coisa que Tomlinson viu foi um resquício dos cachos longos e esvoaçantes do monarca andando sem nem cogitar olhar para trás.
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— É óbvio que esse plano não está funcionando. — Richard, Lorde de Ânglia Oriental, dizia apreensivo, andando de um lado para outro em um dos jardins do castelo. De todos, ele era o mais racional e o único que não estava de acordo com aquele plano, mas sentiu-se obrigado a concordar, pois não tinha força de lutar sozinho. — Deveríamos ir embora.
— Absolutamente não. — Taylor Swift respondeu imediatamente, furiosa. Tinha o cenho franzido e estava sentada em um dos bancos de pedra. — Faça algo de útil, Richard, e distribua oferendas à Afrodite, quem sabe ela possa me ajudar a conquistar o rei. Você e sua deusa não estão servindo pra nada.
— Muito cuidado com essa língua, Taylor. — Richard a advertiu. — Não brinque com Afrodite! Aquele homem é ferreiro, é abençoado por Hefesto!
— Você deveria usar isso, sabe muito bem que Afrodite foi obrigada a casar com Hefesto e o detesta. — Taylor levantou-se de onde estava. — Isso é uma vantagem.
— Calem-se, idiotas. — Jonathan disse num tom de voz agressivo, porém baixo. — Deixem os deuses fora disso.
— Vamos embora antes que o rei descubra a verdade e nos prenda. — Richard insistiu. Ao seu lado Wellington apenas observava calado.
— Nós não vamos a lugar nenhum. — Jonathan insistiu. — Styles tem uma dívida com o meu reino e ele vai pagar. — O homem dizia recebendo o olhar de aprovação de Taylor. — Se quiser, vá embora e não volte. Mas nos esqueça caso precise de ajuda. — O homem foi rude ao falar com Richard.
Richard estava sozinho, precisava do auxílio dos outros reinos para conseguir sobreviver, não poderia dar às costas aos outros. Suspirou conformado e virou-se de costas, apenas olhando para o nada, mergulhado em seus próprios pensamentos. Em silêncio, pedia algum sinal à sua deusa ou alguma esperança de que tudo não cairia por terra quando o momento chegasse.
— Taylor, você sabe que é culpada disso tudo. — Jonathan dizia olhando firme para a loira. — Teve sua chance naquele jantar e o que fez? Afrontou o rei. Quem pensa que é, hein garota? Reis são mimados, gostam de ter razão e gostam de palavras enfeitadas, mulheres resignadas e bajulações! Em uma hora que passou com ele, conseguiu fazer exatamente o contrário!
— Não consigo fingir que sou uma boneca de porcelana! — Ela dizia irritada. — Que coloca vestidos e vive para passear no meio das flores! Eu quero ser rainha!
— Pois precisa de um rei para isso! — Jonathan voltou com sua voz agressiva. — Vai precisar conquistá-lo ou nunca terá o lugar que quer, todo seu esforço será em vão.
— O que quer que eu faça? — Ela perguntou dando de ombros. — De certo não sou tão bonita pra ele.
— Qualquer homem não teria problemas com sua aparência, Taylor. — Wellington finalmente se pronunciou. Sua voz fez Jonathan se calar, pois aquele homem não falava muito mas, quando falava, geralmente era algo que valia a pena ouvir. Ele suspirou aproximando-se dos outros três e até mesmo Richard virou-se para ouvir. — Estão focando no problema errado.
— Estamos focando no que interessa, que é o rei. — Jonathan respondeu.
— Exatamente. — Wellington olhou para a aldeia antes de continuar falar. — Conquistar o rei não será difícil se ele não tiver distrações. — Ele não precisou entrar em detalhes para fazer os outros entenderem que ele se referia a Louis. — Acabem com aquele ferreiro e todos os problemas começam a se resolver.
— Está sugerindo que matemos aquele homem? — Richard disse assustado.
— Não seja ridículo, Richard. — Wellington respondeu com certo asco na voz. — Por incrível que pareça, isso deixaria o rei de luto e totalmente inacessível.
— E o que sugere? — Taylor agora era a mais curiosa.
— O rei precisa perder o interesse por ele, aquele ferreiro precisa parecer absurdamente inadequado para o rei. Isso o fará esquecer. — Wellington concluiu e todos ficaram em silêncio apenas analisando a situação. Era uma observação inteligente, porém parecia quase impossível de se conseguir atingir, uma vez que todos lembravam bem do brilho nos olhos de Harry ao olhar para aquele homem tão simplório.
— O que ele viu naquele ferreiro? — Taylor perguntou num sussurro, como se tivesse pensado alto.
Mas nenhum dos três respondeu, apenas se entreolharam e guardaram seus próprios julgamentos. Do alto do jardim do palácio, eles observavam a aldeia como se buscassem por respostas e ideias para prosseguirem com seu plano. Aquele silêncio era perigoso, serviam a deuses poderosos e tinham plena convicção que poderiam contar com eles.
— Vamos despertar sua magia, Taylor. — Wellington disse por fim após o longo silêncio. Antes que todos pudessem perguntar como e quando, o homem deu as costas voltando ao castelo deixando os outros três na dúvida sobre como ele estava planejando fazer aquilo.
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A verdade era que Liam Payne nem deveria mais estar ali, deveria ter ido embora aquela manhã. Zayn fez absoluta questão de ignorar solenemente sua presença no reino e no castelo. Os soldados de Liam passeavam por Essex e pareciam estar sendo muito bem recebidos — especialmente pelas mulheres — e tomando gosto pelo local, que tinha um ar festivo constante, seu povo parecia sempre alegre e dando qualquer desculpa que envolvesse Dionísio para dar uma festa ou dançarem nos bares. Payne pensou que não conseguiria viver naquela esbórnia nem por uma semana.
Quase não dormiu na noite anterior, mas não se rendeu ao seu instinto de ir ao quarto de Zayn, mas seu orgulho falou mais alto. Esperou que talvez Malik se rendesse e fosse ao quarto dele, mas nada aconteceu. Sentiu em seu coração que ficar longe de Zayn não era a coisa certa a fazer, embora sua razão gritasse para que ele saísse correndo dali. Não sabia a quem obedecer. Pediu iluminação à Ártemis e prometeu oferendas e sacrifícios a ela em troca de respostas, sinais que pudessem guiá-lo.
Desceu de seu quarto e andou a caminho do jardim, devagar, sem muita pressa, pensando em procurar Zayn, dizer a ele como se sentia. Queria pedir a ele que tivesse paciência com ele, pois Liam não tinha certeza em como proceder, mas queria especialmente pedir perdão pela maneira como o tratou em Wessex no momento que estava partindo. Pensou que talvez tivesse sido realmente muito rude e desnecessariamente grosseiro, até porque nada daquilo era verdade, Liam estava realmente apaixonado por Malik e já havia passado da hora de admitir aquilo. Por anos, sua expressão de descaso mascarava sua indiferença quanto à presença do rei de Essex, mas a verdade é que muitas reuniões e festas em que encontrou Zayn, percebeu que não fazia outra coisa que não fosse olhar pra ele.
E, pelos deuses, como aquele homem era bonito. Elegante, seu sorriso perolado contrastava com sua pele bronzeada fazendo Liam sentir-se absurdamente hipnotizado pelo conjunto da obra que formava aquele homem. Sem perceber, Liam já estava andando com muito mais pressa até os jardins do castelo, procurava por Zayn nos vários lugares em que ele poderia estar, mas apenas o encontrou vários minutos depois na parte de trás do castelo, sentado em um dos bancos de pedra com um pequeno coberto para proteger do sol forte daquele reino.
Liam diminuiu a passada ao perceber que, claro, ele não estava sozinho.
As calças pretas de couro cru de Liam faziam sua pele quase fritar dentro do tecido, mas aquilo não o incomodava mais. Ele vestia uma camisa branca e, por cima, uma malha trançada de metal que, naquele sol, pesava o dobro. Mas Payne não estava mais ligando para nada daquilo, porque a flecha imaginária em seu peito parecia cravar ainda mais a cada passo que ele dava. Ficou de frente para o pequeno gazebo observando a cena. Zayn estava sem camisa, com as calças abertas, duas mulheres o cercavam, elas vestiam branco mas seus vestidos apenas as cobriam da cintura para baixo, elas tinham os s***s a mostra e usavam coroas de flores na cabeça. A semelhança das duas indicavam que eram irmãs gêmeas. Ambas seguravam cachos de uva e, aos poucos, davam os grãos na boca de Malik.
Liam não conseguia dizer nada. Normalmente, em outros tempos, ele simplesmente reviraria os olhos, faria uma cara desaprovação e provavelmente começaria a vociferar o quanto aquele reino era imoral, o quanto todos deveriam cortar relações com Zayn, pois o rei era um mau exemplo. Mas, parado ali assistindo, Liam apenas sentiu-se profundamente decepcionado, triste e um vazio tomou conta de si. Se ele tinha alguma dúvida de que havia perdido Zayn, não tinha mais.
— Payne. — Zayn disse após o longo silêncio e a troca de olhares entre os dois. — Ainda está aqui? — Malik não parecia muito preocupado com o que Liam estava achando ou sentindo naquele momento. — Entendi que disse que iria embora esta manhã. — Malik provocou aceitando mais um grão de uva dado por uma das mulheres.
Liam baixou os olhos por um momento, não sabia nem por onde começar e já tinha até esquecido o que tinha vindo fazer ali — não apenas no jardim, mas no desvio de sua própria viagem para casa. Ele suspirou, colocou as duas mãos no quadril e encarou os próprios pés, como se pensasse no que dizer, mas não queria que Zayn visse o quanto ele estava triste.
— Saiam. — Zayn disse para as moças que imediatamente obedeceram, sequer recolheram as uvas e o restante das frutas que haviam trazido. Ambas deixaram o gazebo sem dizer nada, passaram por Liam com um certo medo ao ver a lâmina da espada dele brilhar pelo sol.
Malik permaneceu sentado no banco de pedra sem tirar os olhos de Liam que, apesar de recusar-se a olhar de volta, não conseguia ficar indiferente à cena como normalmente ficaria.
— Vim apenas para agradecer a hospitalidade. — Liam cedeu e olhou para Zayn. — Vou cedo pela manhã. — Ele concluiu com um traço de desesperança no olhar e Zayn percebeu.
Liam deu as costas, não queria ouvir o que Zayn tinha a dizer — se é que ele realmente diria algo. Pensou que foi bom mesmo que ele tivesse passado por aquilo, precisava arranjar uma esposa, concentrar-se em ser rei, pois sua coroação estava próxima. Zayn Malik era um problema que ele não queria lidar naquele momento.
— Liam. — Mas lá estava Malik o chamando daquele jeito, lembrando o príncipe da noite que passaram juntos, Zayn praticamente gemeu o nome do outro e Liam teve que parar de andar, não foi um movimento calculado, ele simplesmente parou de andar.
Payne virou-se novamente na direção de Zayn e o rei levantou-se de onde estava vindo ao encontro dele, os dois se olharam por alguns segundos e, finalmente desde que tinha chegado ali, Liam reconheceu o mesmo Zayn que teve em seus braços há poucos dias atrás.
— Por que está triste? — Zayn perguntou pontuando o óbvio, mesmo que Liam tivesse desviado o olhar no momento em que ouviu a pergunta.
— Desculpe te julgar tanto, mas não consigo conviver com seu estilo de vida, Zayn. — Payne foi sincero como há muito não era. — Seu povo está fazendo festa desde que eu cheguei, trabalham cantando, você está aqui cercado por mulheres nuas em plena luz do dia…
— Isso é um gazebo em homenagem a Dionísio. — Zayn explicou. — O que você viu foi um ritual. — Liam sabia que aquilo era verdade, mas não tornava as coisas mais fáceis.
— Acho que você está confundindo a divindade que serve consigo mesmo. — Liam rebateu olhando fixo nos olhos de Zayn. — O que você estava fazendo era agir como se estivesse no Olimpo.
— Liam…
— Eu não vou ficar aqui para ter que olhar pra esse tipo de coisa todos os dias. — Liam o interrompeu e Malik apenas suspirou. — Como acha que me sinto ao ver você tratando essas mulheres desse jeito? Fodendo com todas elas o tempo todo?
— Eu sou solteiro. — Zayn disse com calma, não queria iniciar outra discussão. — Por que você se importa? Você mesmo disse que precisa de uma esposa, que o que houve entre nós foi apenas uma vez, que não aprova o que acontece nesse reino… — Malik dizia e Liam não tinha uma boa resposta pois tudo aquilo eram de fato palavras dele. — É quente demais, você não gosta da comida, não gosta do que eu faço, não aprova o deus que eu venero, não gosta nem de mim!
— Não diga bobagens! — Liam disse se enfezando aos poucos. — Como pode dizer que não aprovo o deus que venera? — Liam estava tão mais preocupado em ganhar aquela briga que nem percebeu que Zayn já estava se aproximando dele mais do que deveria.
— E de mim? Você gosta? — Zayn perguntou sussurrando perto do rosto do príncipe. Sua pele estava quente pelo sol e seus olhos já estavam castanhos-claros pela claridade excessiva. Sua pele dourada quase brilhava e Liam teve que respirar fundo para responder aquela pergunta, não queria mentir e não queria dizer a verdade, tinha medo das consequências se dissesse a verdade. — Talvez eu até concorde com o quão complicado é para ficarmos juntos. — Zayn continuou devido ao silêncio do outro. — Mas eu preciso saber se estou nisso sozinho ou não… — Malik segurou o rosto do príncipe e o fez olhar em seus olhos. — Porque a cada dia que passa, estou mais apaixonado por você, Liam.
— Que bela maneira de demonstrar. — Liam não conseguiu segurar as palavras, referindo-se ao que tinha acabado de ver quando as duas moças ainda estavam lá.
— Eu não estava transando com elas, era apenas um ritual. — Zayn voltou a explicar sentindo-se até e******o por ver Liam com tanto ciúmes. — E já que você interrompeu, deveria terminá-lo comigo… — Malik segurou Liam pela mão e o puxou para dentro do gazebo. Liam ainda estava naquela batalha interna sobre querer ir ou sair correndo dali.
Zayn pegou um grão de uva e colocou na própria boca, segurando-o entre os dentes. Ele sorriu quase imperceptivelmente e beijou Liam, fazendo os dois dividirem a fruta. Payne tocou as costas nuas e extremamente quentes de Zayn e imediatamente parou de pensar racionalmente. Aquele beijo não era apenas delicioso por causa do gosto da fruta, mas a forma lasciva com que a língua de Zayn passeava pela boca dele fazia com que ele voltasse a ter todo seu instinto primitivo, que regia a satisfação e a luxúria, sem ponderar se estava certo ou errado.
Zayn tirou a malha de metal que Liam vestia, assim como sua camisa. Sua pele branca, intocada pelo sol, gerou um contraste bonito entre os dois quase abraçados naquele lugar, em pleno ar livre, quando a noite nem havia chegado por si só. Malik pegou um pedaço de pêssego e, provocando, colocou nos lábios de Liam enquanto ele abria a boca devagar, segurando o pulso de Zayn, engolindo o pedaço da fruta e então lambendo os dedos de Malik sem nenhum pudor, Zayn sentia seu m****o ficando duro só por assistir a cena de Liam chupando seus dedos com uma habilidade que ele mesmo desconhecia.
Os dois voltaram a beijar e foi a vez de Zayn tirar as próprias calças e, sem demora, Liam também já estava completamente nu. Ali, entre bandejas de diversos tipos de frutas, Liam sentou-se no banco de pedra e Zayn imediatamente posicionou-se em seu colo, continuando a dar pedaços de frutas na boca de Liam, que sorriu completamente apaixonado por aquele homem. Malik beijava o pescoço do príncipe, deixando um rastro de frutas para seguir enquanto mordia e lambia a pele do outro. Com as mãos completamente meladas pela polpa de laranjas e morangos, ele começou a masturbar Liam, que imitou o movimento dele e posicionou sua mão sobre o m****o de Malik. Suas bocas se encontraram e, enquanto acariciavam seus membros, eles beijavam-se sem preocuparem-se com o fato de estarem fazendo isso em pleno ar livre, quando qualquer pessoa pudesse chegar ali e ver.
Não demorou muito para os dois gozarem juntos na barriga de Liam, que tocou o esperma com a ponta dos dedos e imediatamente colocou sobre os lábios de Zayn, que lambeu e chupou sem se importar, já imaginando que aquilo deveria mesmo ser um fetiche de Payne.
— Não vim pra dizer que vou embora. — Liam disse após o êxtase inicial passar e Zayn sentar-se ao lado dele. — Mas eu preciso ir amanhã.
— Está com saudades de casa? — Zayn sorriu divertido. — Ou está com medo de Niall ficar sabendo que não está lá e resolva atacar sabendo que Kent está sem a presença de seu rei? — Ele concluiu brincando e Liam apenas riu em resposta. Niall tinha a fama de sempre dizer que seus reinos sempre estavam vulneráveis quando seus monarcas não estavam em casa.
— Meu soldados precisam descansar. — Liam respondeu e quem riu dessa vez foi Zayn.
— Pelo que eu saiba, eles estão se divertindo muito por aqui. — Malik sabia que os guardas de Liam estavam mesmo aproveitando todas as festas da cidade.
— Exatamente, vão ficar m*l acostumados com essas farras sem fim que você permite. — Liam disse sério, mas Zayn não se importou, já tinha percebido que Liam tinha mesmo o gênio de seu pai e não mudaria.
— Se não veio pra dizer que ia embora, por que veio? — Malik perguntou curioso, levantando-se de onde estava e vestindo suas calças. Movimento esse imitado por Liam que, mesmo com a pele grudenta, não poderia voltar ao castelo andando nu pelos jardins.
Payne respirou fundo antes de responder. Ficou de frente para Zayn, ambos ainda estavam sem camisa, mordeu o lábio inferior nervoso. Sabia que não poderia voltar atrás depois do que dissesse, aquele era o momento de dizer a verdade e abrir seu coração.
— Vim dizer que estou apaixonado por você. — Liam disse sério apesar de Zayn abrir seus melhor sorriso, como se estivesse esperado tempo demais para ouvir aquilo. — Posso ser um pouco arrogante e julgar demais, mas não sou i****a e sei que estou deixando transparecer e é inútil negar.
— Eu também estou, Liam. — Zayn dizia acariciando o rosto do príncipe. — E isso era tudo que eu queria ouvir de você.
— Mas não significa que vamos ficar juntos, Zayn. — Liam conseguia ser realista naquele momento porque finalmente tinha tirado o peso das costas.
— E por que não? — Zayn perguntou como se aquilo não fizesse sentido.
— Porque as coisas não são assim, você sabe que precisamos de rainhas. — Payne respondeu como se a resposta fosse mesmo óbvia. Zayn afastou-se contrariado e ligeiramente irritado.
— Você e o Niall são dois idiotas, com essa palhaçada de linhagem, herdeiros… — Malik nunca perdia a linha, mas aquela conversa realmente o deixava bastante irritado. — Abrem mão de suas próprias vidas em nome de tradições como essa! Rainhas… Por Dionísio, vocês enlouqueceram!
— É fácil pra você falar, sabe que tem filhos por aí, Zayn! O que você mais tem são bastardos. — Liam também se alterou. — A tradição existe por um motivo.
— Então quer dizer que vai se casar com alguém apenas para ter uma rainha e um filho? E eu vou ficar à sua disposição para quando você quiser t*****r? — Zayn disse com deboche. — E depois sou eu o imoral, não é mesmo, Payne?
— Não, não quero isso, Zayn… — Liam acalmou-se por um segundo. Respirou fundo, acabou de ter um momento incrível com Malik, não queria estragar.
— Pois então decida se você me quer ou não. — Zayn disse preparando-se para sair do gazebo. — Porque ou você fica comigo ou vá atrás de uma rainha… As duas coisas você não vai ter.
Malik deixou o príncipe sozinho com seus pensamentos enquanto rumava para dentro do castelo de volta. Liam não podia nem reclamar que não era justo que Zayn o fizesse escolher, porque nada poderia ser mais justo do que aquilo. Achou que seu maior problema era de fato admitir seus sentimentos pelo outro, mas aparentemente as coisas eram ainda mais difíceis do que ele pensava. Sabia que suas ideias eram compartilhadas por Niall também, o rei de Mércia constantemente comentava que todos eles precisavam de rainhas e já estava passando da hora de casarem-se. Mas o problema parecia ser igual para os quatro: todos estavam apaixonados por homens.
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Niall estava há cerca de duas horas em uma reunião com seu conselho. Estava totalmente distraído, o que era raro para um estadista como ele. Tinha sua adaga em mãos e apenas acariciava o metal com o nome de Ares em grego enquanto, de longe, olhava para Josh Devine, fazendo a guarda da porta sem retribuir o olhar, embora Horan soubesse que ele tinha percebido seu olhar.
— Majestade. — O chefe do Conselho de Niall chamou sua atenção ao ver o rei totalmente distraído.
— O que foi? — O tom entediante de Niall de leve irritou seus subordinados.
— O senhor tem mais alguma pauta antes de encerrarmos a reunião? — O homem perguntou e Niall realmente não teve nada em mente. Seus olhos permaneciam em Josh, mas a falta de resposta por falta do comandante, fez o loiro baixar os olhos para sua própria adaga por alguns segundos.
Ele não queria continuar aquela reunião, estava distraído demais para falar sobre acordos, contratos, finanças e qualquer coisa que envolvesse a parte administrativa do reino. mas sim, havia algo que ele precisava discutir com o conselho e, uma vez que sua decisão estava tomada, ele iria seguir adiante. Olhou novamente para o nome de Ares talhado no metal e então ergueu os olhos azuis para encarar os homens que continuavam aguardando uma resposta de seu rei.
— Há mais um assunto sim. — Niall levantou-se, ocupava o lugar de honra na ponta da mesa quadrada, enfiou a adaga na madeira com força despertando a atenção de alguns soldados. — Vou dar um baile ainda este mês.
— Com que propósito, Majestade? — O chefe do conselho perguntou fazendo algumas anotações num rolo de papiro com uma pena servindo de caneta.
— Está na hora de me casar. — Niall proferiu aquelas palavras olhando diretamente para Josh que, ao escutar aquilo, finalmente rendeu-se ao olhar e encarou seu rei de longe, m*l acreditando no que tinha ouvido. — Todas as solteiras dos sete reinos estão convidadas e pretendo escolher uma para me casar. — Ele concluiu num tom de frieza típico de um general de guerra, nem parecia que estava falando de casamento e sim de uma estratégia de guerra para resolver todos os seus problemas.
Ninguém disse nada, alguns homens se entreolharam como se aprovassem a ideia, outros pareciam já aliviados em saber que finalmente o rei estava preocupando-se em formar uma família. Mas Horan apenas preocupou-se com a expressão de Josh Devine. Por um momento, esperou que ele se pronunciasse ou até opinasse de alguma forma, mas tudo que o comandante fez foi novamente desviar o olhar de Niall e continuar em seu posto como soldado.
— Encerramos. — Niall disse tirando a adaga da mesa e andando com pressa até seu próprio quarto. Sentia uma mistura de raiva, tristeza e decepção. Não era um homem que chorava e, mesmo sabendo que a reunião já estava dispersa e ele estava longe dos olhos de todos, ele segurou as lágrimas nos olhos se perguntando o que era aquilo, o que estava acontecendo com ele e o motivo de estar tão transtornado.
No fundo, ele fingia que não sabia, pois aquilo tudo se encaixava exatamente com o que ele já tinha ouvido muito falar: aquela dor que parecia arrebentar seu peito e sufocar ao mesmo tempo que todos os seus músculos doíam sem esforço, era a clara representação de seu coração partido em milhares de pedaços.