The Decisions

4603 Palavras
Dois dias haviam se passado desde que Louis havia se recusado a deixar Hannah de lado para sair com o rei. Nesse tempo, o ferreiro ficou sem notícias do rei e então começou a perceber que provavelmente Harry havia perdido o interesse por ele ou realmente tinha ficado bravo por ele ter ido com Hannah passear e não com ele. Pensou em ir até o castelo, tentar ver se Styles o receberia, mas ainda não tinha tido coragem para tal. Estava até mesmo triste com a situação, mas não queria se deixar abalar por aquilo, apesar de sua autoestima estar começando a ficar baixa, achando que realmente talvez ele não fosse a pessoa apropriada para andar por aí com o rei, afinal, quem era ele afinal? Apenas um simples ferreiro que pouco ou nada tinha a oferecer a um homem que tinha um reino aos seus pés. Calvin passou a tarde com ele na ferraria conversando e distraindo-o, até mesmo ajudando com a mão de obra e contando sobre seus avanços de relacionamento com Emily e de como seu plano de vida já estava certo para o casamento. — E quando eu tiver meu primeiro filho, gostaria que você fosse o padrinho. — Calvin disse sorrindo, percebendo os olhos de Louis brilharem com o convite. — Se tem alguém que eu confiaria a vida de um futuro filho ou filha, seria você, Lou. — Fico lisonjeado, amigo. — Tomlinson disse aproximando-se de Calvin e tocando-o no ombro. — Será uma honra. — Até porque não sei se você terá chance de ser pai. — O abegão disse sem parecer inconveniente, apenas óbvio. — Está apaixonado mesmo pelo rei? — Eu não sei, estou com receio dessa história. — Louis foi honesto, tirou as luvas pesadas. Tinha acabado de forjar braçadeiras novas para a armadura de um de seus clientes e, mesmo correndo risco de se machucar, preferia polir o metal sem proteger as mãos. — Eu acho que não sou apropriado para estar com ele. — Não fale dessa forma de si mesmo, Lou. — O amigo incentivou. — O rei é um homem muito simples, sabe que ele não tem essas extravagâncias.... Nunca teve. — Eu sei, mas ele acabou de completar 21 anos, ele precisa se casar. — Louis pontuou com uma certa tristeza. — E, assim como os outros reis, sei que ele vai preferir uma rainha, ele precisa de filhos. Calvin não tinha uma boa resposta para aquele argumento. Apesar de saber que Louis tinha razão, ele não queria concordar, pois achou que os dias que Louis passou com o rei foram visivelmente os que Tomlinson estava mais feliz e realizado. Antes que pudesse pensar em algo pra dizer ou até mesmo mudar de assunto, o tumulto em frente á loja de Louis chamou atenção dos dois. A guarda real passava, quase toda completa, guiando o rei, sua irmã e Taylor pelo caminho. Gemma e Taylor pareciam muito próximas, como amigas mesmo e Styles parecia querer estar em qualquer lugar menos ali. Algumas pessoas sorriam ao ver todos montados em cavalos e acenando. Gemma gostava de interagir com as pessoas, era extremamente simpática e apresentava Taylor para algumas pessoas, especialmente crianças, que seguiam em cortejo, animadas com a presença de tantos guardas. Calvin e Louis foram para a porta da loja para observar a movimentação e, ao ver Harry, Louis sorriu um tanto contido e procurou os olhos verdes do monarca em cima do único cavalo branco. Mas, para sua surpresa, agarrada em sua cintura na garupa do cavalo, estava uma Taylor Swift sorridente, acenando para algumas pessoas, como se fosse uma verdadeira rainha. Tomlinson sentiu uma tristeza e uma decepção tão grande que m*l conseguia continuar olhando para aquilo. Calvin percebeu e guardou o comentário quando estava pronto para dizer que Taylor estava magnífica naquela tarde. Gemma estava também na garupa do cavalo de um soldado e conversava de longe com Taylor. Todos pararam no centro da aldeia, na praça principal onde a maioria dos eventos acontecia. Nada estava acontecendo, mas ainda assim todos seguiram os nobres até onde pararam com os cavalos e desceram das montarias, com exceção dos guardas, que permaneceram em seus postos, logo atrás do rei e das duas moças. — Sir Agravaine. — Harry chamou o cavaleiro que prontamente lhe deu atenção. — Vá com elas. — Harry disse referindo-se à Gemma e Taylor. — Harry, não precisa! — Gemma revirou os olhos com a superproteção do irmão. — Vamos dar uma caminhada na praia, apenas isso. — Ela explicou. — Não dê atenção se Gemma o mandar embora. — Harry reforçou ao seu cavaleiro. — Comporte-se, Gemma. — Ele disse dando um beijo na testa da irmã mais nova. Ele realmente não tinha com o que se preocupar, mas era cuidadoso e, mesmo que soubesse onde iriam e que não havia perigo, ele não queria que a irmã saísse sozinha por aí, e nem Taylor, se algo acontecesse à ela, seria responsabilidade dele. As moças seguiram com o soldado a caminho da praia. Harry segurava seu cavalo branco pelos arreios e acariciava o focinho, era um animal absurdamente bonito. De longe, Calvin e Louis observavam a cena assim como os demais aldeões que, aos poucos, começaram a dispersar-se, dando espaço para finalmente os olhos de Harry encontrarem os de Louis, que permanecia sério, sem saber como agir. Styles, quando viu, sentiu seu coração derreter-se completamente. Naqueles dois dias que tinha ficado longe de Louis, por nenhum motivo que não fosse seu mais puro e concreto ciúmes, ele tinha se percebido mesmo apaixonado por aquele ferreiro e, pela forma com que ele olhava de volta, sabia que o tinha magoado mais do que imaginava. Tomlinson não sustentou o olhar por muito tempo, deu meia volta e voltou à sua loja para continuar trabalhando. — Podem ir. — Harry avisou sua guarda que passou a andar alternadamente de volta para o castelo. Algumas pessoas sorriam para ele enquanto ele passava já tomando o caminho esperado: estava indo atrás de Louis. Ele não montou em seu cavalo, apenas o guiava junto de si sem muita pressa e sem saber muito bem o que dizer ou como seria recebido. Calvin, ao perceber que o rei estava vindo na direção da ferraria, avisou Louis com os olhos, que entendeu perfeitamente. Tomlinson não parou de trabalhar, continuava polindo as braçadeiras, tinha as mãos sujas e o rosto também. Seu cabelo estava mais escuro por conta do pó de ferro constante que sempre voava ao redor impregnando em todo seu corpo. — Majestade. — Calvin ajoelhou-se assim que Harry parou em frente a loja, deixando seu cavalo amarrado em um toco de madeira no chão. — Como vai? — Harry perguntou cordial, apenas fazendo um sinal discreto com uma das mãos, pedindo ao homem que se levantasse. — Muito bem. — Ele respondeu ao mesmo tempo que colocava-se em pé. — E sua Majestade? — Estou ótimo, obrigado por perguntar. — Harry sorriu simpático. — Se importa e nos dar um pouco de privacidade, senhor? — Styles pediu e Calvin entendeu que Harry queria ficar sozinho com Louis. — É claro que não me importo, Majestade, com licença. — Calvin nem esperou despedir-se de Louis, que apenas assistiu a cena sem parar o que estava fazendo. Com o olhar, ele despediu-se do melhor amigo, que praticamente saiu correndo dali e nem ouvindo o agradecimento do rei. Louis estava atrás de algumas estantes, ficava perto do fogo e de uma mesa grande de madeira, um tanto bagunçada, com vários instrumentos que usava para trabalhar. Harry encostou-se em um dos pilares da loja e cruzou os braços, apenas prestando atenção em Louis fazendo seu trabalho com um perfeccionismo raro. — Louis. — A voz de Styles lembrava o tom que ele usou quando se conheceram pela primeira vez e Styles tinha pedido a ele que se aproximasse mais dele para cantar em seu aniversário. Tomlinson não era um homem de fazer pirraça, não tinha paciência para certas infantilidades e até atitudes que julgaria desnecessárias, mas com o intuito de provocar propositalmente, ele parou o que fazia, limpou as mãos sujas nas roupas ainda mais sujas e olhando Harry rapidamente, pôs um dos joelhos no chão e curvou a cabeça, como se fosse um súdito qualquer e não o homem que já havia dividido a cama com ele. Ele não viu, mas Harry sorriu aberto e desencostou-se da pilastra, achando até graça na atitude de Louis para provocá-lo. — Levante-se, Louis, pelo amor de Hefesto. — Harry dizia sorrindo, referindo-se ao deus do ferreiro por ver uma pequena escultura em sua homenagem talhada num metal fundido em uma das estantes. — Qual é a necessidade disso? Louis levantou-se, mas permaneceu longe de Harry, deixando que apenas o rei se aproximasse dele e percebesse sua resistência. Eles se olharam por alguns segundos e Harry, que era péssimo naquelas situações em que tinha que reconhecer que estava errado, acabou cedendo ao ver que Louis claramente esperava uma explicação pelo sumiço de dois dias. Incerto, mas ainda assim atreveu-se a tentar, Harry deu outro passo na direção de Tomlinson, que escorou-se na mesa como se quisesse fugir, mas tinha acabado de ser dar conta que não tinha pra onde ir. — Me perdoe. — Foram as primeiras palavras que saíram da boca de Styles quando ele tocou a cintura de Tomlinson. — Eu fiquei furioso. — E por que? — Louis arregalou os olhos, surpreso em saber daquilo. — Fiquei com ciúmes ao vê-lo com aquela moça. — Styles confessou, finalmente percebendo que Louis deixou com que ele juntasse seus corpos. — Eu não quero que você me troque por ninguém. — Por que você fez isso comigo? — Louis perguntou magoado. — Eu não fiz nada de errado e você me ignorou por dois dias e, agora, aparece por aqui com a filha da feiticeira em seu encalço. — Ela pediu pra ver a cidade. — Harry apressou-se em explicar. — Estávamos andando pelo vilarejo, Gemma insistiu que eu as levasse, é o meu reino, senti que precisava ser um bom anfitrião. — Bom, pois saiba que pra mim é muito mais difícil competir com isso do que você! — Louis disse falando mais alto, franzindo o cenho. — Olhe pra mim! — Ele disse inclusive olhando para si mesmo, percebendo-se sujo e, pela forma como Harry o abraçava, também estava sujando a roupa bonita do rei. — Eu não me importo com nada disso. — Harry insistiu como se pedisse com seu tom de voz para que o outro se acalmasse. — Eu me sinto bem com você por perto, me sinto completo, você me faz feliz, Louis… Eu não sei explicar, mas parece que ficarmos juntos é a coisa certa, é como se tudo fizesse sentido… Você é porque quem eu esperei esse tempo todo e, se eu tenho que me casar aos 21 anos, então quero que seja com você! — Harry falava tão rápido que não se deu conta do que tinha acabado de dizer. — O que? — Louis arregalou os olhos e parou de respirar por um momento, viu Styles sorrir apenas. — Do que está falando? Acabamos de nos conhecer! — E o que isso importa? — Harry ria do pânico de Tomlinson. — “O que isso importa?” — Louis repetiu incrédulo. — Isso é tudo que importa. — Eu te amo. — Harry disse e Tomlinson se calou, seu cérebro tinha acabado de dar um nó. — Eu te amo, case-se comigo. — Por Apolo, você enlouqueceu. — Louis disse baixinho num sussurro, mas Harry não apenas estava falando sério, como também estava se divertindo com aquilo. — Isso é sim ou não? — O rei dizia descendo as mãos pela b***a de Louis, segurando com força e erguendo-o pra cima a fim de fazê-lo sentar sobre a mesa que o encurralava. Afastou suas coxas e colocou-se no meio delas, fazendo com que ficassem basicamente da mesma altura. — Eu te amo, te amo… Diga sim… — Harry sussurrou aproximando-se do rosto do outro e nem dando tempo para ele responder, apenas o beijou com saudades, com paixão, como se aquilo fosse ajudar a convencê-lo. Tomlinson retribuiu o beijo apesar de ainda estar com o coração acelerado. Aquilo não podia ser real, não poderia estar acontecendo. Como era possível? Na terceira vez que estavam juntos, Harry já queria se casar com ele e, por mais estranho que tudo parecesse, ele sentia-se da mesma forma que o rei, como se tudo fosse mesmo obra dos deuses. Mal sabiam eles que era mesmo. ~x.x~ Depois de várias horas de viagem e uma despedida longa e incerta, Liam havia chegado em casa. Não parou de pensar em Zayn nem por um segundo durante todas aquelas horas. Tinham finalmente conseguido resolver seus problemas de sentimento e Payne, apesar de ainda ter um autopreconceito muito grande, passou a simplesmente aceitar que amava aquele bastardo forasteiro do leste, aquele promíscuo adorador de Dionísio, Zayn Malik, o Dourado. Que o deixava louco, o fazia perder a razão e seu sorriso fazia com que Liam se sentisse o homem mais amado do mundo. — Alteza. — Liam foi acordado de seus próprios pensamentos enquanto estava na sala do trono. Olhava pela janela apenas observando os vastos campos de frutas e verduras que seus súditos cuidavam com tanta devoção. — Pois não, Charles? — Liam virou-se para encarar o velho homem, chefe do Conselho de seu pai e agora, seu Conselho. — Podemos mandar os pombos para enviar os convites para a coroação? — O homem perguntou e viu Liam se aproximar. — É claro, já está na hora. — Liam concordou voltando sua concentração para as políticas de seu governo novamente. — Priorize isso. — Sem problemas, Alteza. Há alguma outra coisa que precise? — Sim, preciso visitar o Oráculo e quero preparar um ritual para Ártemis. — Liam disse sério, lembrando-se de seu ritual com Zayn em nome do rei Dionísio. — Será dois dias antes da coroação, por isso peço que envie um adendo ao convite de Malik, dizendo que o quero aqui antes. Charles não respondeu, apenas estreitou os olhos desconfiado. Pensou na deusa que venerava e pensou automaticamente em Dionísio. Liam tinha voltado mudado de sua viagem à Wessex e não tinha dito uma palavra sobre desvio para Essex. Ninguém havia feito perguntas, embora os comentários rondassem o castelo, já que os soldados que acompanharam Liam estavam cheios de história para contar. — Alteza. — Charles chamou pelo príncipe assim que percebeu que ele preparava-se para deixar o recinto. Payne não respondeu, apenas virou-se para encarar o homem. — Se me permite uma pergunta. — É claro. Diga. — Liam estava curioso, raramente era questionado. — Pretende tomar uma rainha? — A pergunta foi direta e, mais do que uma pergunta qualquer motivada por curiosidade, Liam sentiu uma espécie de pressão ao tocar no assunto. Ele sabia que, assim que trocasse de coroa, essa pressão seria mais real e mais forte. — Ou tem alguma outra coisa em mente? — O que está insinuando exatamente, Charles? — Payne ficou mais sério, mas não quis parecer arrogante. Ele realmente quis saber o motivo do questionamento pois era importante pra ele saber o que estava acontecendo e o que falavam por trás dele. — Bem, penso que precisa dar continuidade à sua monarquia. — O homem se aproximou lembrando mais um velho sábio do que um velho político. — Ou pretende fundir reinos? — Liam tinha entendido a insinuação sobre a segunda alternativa e achou interessante saber o que as pessoas andavam comentando. — Fundir reinos? — Liam perguntou desconfiado. — Está se referindo à Gemma Styles? — Estou me referindo ao rei Zayn, Alteza. — O homem foi honesto e Liam sorriu de canto percebendo que seu sentimento por Malik era mesmo mais óbvio do que ele pensava. — Não acho que preciso lidar com esse tipo de coisa agora. — Liam desviou o assunto e respondeu-não-respondendo: o que era na verdade uma de suas especialidades. — Por enquanto, estou preocupado em tentar ser um bom rei e honrar o trabalho que meu pai sempre fez por esse povo. O resto não precisa ser resolvido agora. — Compreendo, Alteza. — O homem baixou os olhos e curvou-se de maneira quase imperceptível. — Com licença. Liam assentiu com a cabeça e o homem se retirou do salão do trono. Payne olhou ao redor de seu castelo e percebeu os quadros pintados como retratos de seus pais e ele, ainda bebê. Não sabia se estava preparado para aquilo, mas não pensou que Zayn continuaria sendo o problema que ele não havia resolvido. Amava aquele homem e isso tinha mesmo acabado de se tornar um fato, há dois dias não fazia nada que não fosse pensar nele e querer vê-lo novamente. ~x.x~ Nunca antes Niall tinha reclamado da solidão. Ficar sozinho com suas próprias ideias era uma das coisas que Horan mais apreciava fazer, era um homem que lia muito e até mesmo jogava xadrez sozinho em seu quarto. Mas, aquele dia específico, estava sentindo falta da presença de Josh, que desde que ele anunciou que daria um baile para achar uma rainha, tinha desaparecido praticamente da sua vista, sequer estava fazendo sua guarda pessoalmente. Olhava atento pela janela, seus olhos azuis pareciam os de uma águia observando sua presa, ao ver Josh treinando com o restante dos soldados de Mércia, na parte de trás do castelo. Niall observou a Arena de duelos, os armamentos e vários homens treinando esgrima e lutas de espadas em pleno dia nublado, com pouco sol e ventando muito. O que estava começando a chamar a atenção de Niall, era a amizade próxima entre o soldado Michael e Josh, que há um tempo já vinha se tornando mais visível. Todas as vezes que Niall acompanhava os treinos do alto da torre, ele via Michael e Josh interagindo, com direito à alguns risos e até mesmo toques. Horan não sabia exatamente o que estava sentindo, mas ficava com uma fúria quase fora do controle ao ver qualquer um daqueles homens encostar a mão em Devine. Niall chegou ao seu ápice no momento em que viu Michael sussurrando algo no ouvido de Josh e o Comandante apenas sorriu, retribuindo um olhar um pouco íntimo demais. Talvez era aquilo mesmo que as pessoas chamavam de ciúme incontrolável, porque ele realmente não conseguia assistir aquilo por nem mais um minuto. Dois dias seguidos eram o suficiente pra ele aguentar. Ele deu meia volta e desceu as escadas da torre onde estava ajeitando a espada na cintura, pegou seu elmo e colocou sobre a cabeça, parecendo que ia mesmo para a batalha. Desceu a viseira do elmo para proteger seus olhos, checou sua adaga presa em suas costas e, assim que chegou nos jardins de trás do castelo, todos pararam o que estavam fazendo, reconhecendo-o imediatamente pelo jeito de andar. Todos, sem exceção, ajoelharam-se conforme ele se aproximava. — Levantem-se! — Ele gritou abafado por causa do elmo de metal em sua cabeça. Imediatamente todos obedeceram, formando uma fila para que ele passasse no meio. Josh franziu o cenho ao ver a cena quando deparou-se com Niall olhando diretamente para ele pela fresta do capacete. — Sir Michael. — Ele gritou andando até a Arena de Treinamento de Combate. O homem, assustado, o seguiu, posicionando-se do lado oposto ao que ele estava. — Acho que está precisando treinar mais. — Horan disse empunhando habilmente sua espada, fazendo ecoar o barulho estridente do metal no momento em que ele a tirou da bainha. Michael sequer conseguiu responder coisa alguma. Além de não entender o que estava acontecendo, não sabia o motivo pelo qual o rei aparentemente parecia querer duelar com ele. Ele repetiu o movimento de Niall e, circulando ao redor da arena com olhares do restante dos soldados, os dois iniciaram um confronto quase épico, onde o rei realmente não parecia estar interessado em treinar ninguém, mas vencer a qualquer custo. A forma como Niall se movimentava, parecendo uma serpente ao desviar dos golpes, deixou Josh apavorado e sentindo um pouco de pena de seu amigo Michael. Conhecia quase todos os movimentos de Niall, sabia muito bem a forma como ele se movimentava em batalha enquanto que tinha a certeza de que Michael jamais conseguiria vencê-lo. E ele realmente estava tentando, Niall gritava o tempo todo provocando, dizendo que ali eram apenas dois homens duelando, não existiam reis e não existiam subordinados. Ele queria uma luta justa e queria que Michael fizesse seu melhor. Niall praticamente estava dando uma surra no pobre coitado. Ele não era um soldado r**m, o problema é que Niall era muito bom. Michael mais defendia-se dos golpes do rei do que de fato atacava. Quando as espadas de ambos se cruzaram em frente aos seus rostos, Niall, por ser mais forte e mais habilidoso, manejou sua espada de maneira a fazer Michael soltar-se da sua. Ele caiu para trás e Niall apenas circulou ao redor dele chutando sua espada ainda mais para longe, ajoelhou-se e pôs a lâmina perto da garganta de Michael. Seus olhos se encontraram e Niall quase sentiu o cheiro de medo daquele homem, ninguém atreveu-se a interromper, nem mesmo Josh, que percebendo o motivo daquilo, estava achando tudo ridículo. — Fique longe dele. — Horan sussurrou de maneira a apenas Michael ouvir. Quando tirou a espada do pescoço do outro, um filete milimétrico de sangue correu de sua garganta. Foi a maneira que Niall encontrou para mostrar o quão sério estava falando. Michael trocou olhares com Josh entendendo perfeitamente de quem Niall o tinha mandado ficar longe. Não tinha nenhuma intenção de causar problemas, mas teve que admirar a perspicácia do rei de perceber, mesmo de longe, que de fato um romance estava se iniciando entre ele e Josh. — Mike… — Josh tentou ajudar o outro a se levantar, mas ele se afastou como o d***o da cruz. — Não. — Ele disse levantando-se sozinho e fazendo um sinal com a mão de que não queria que Josh se aproximasse. Devine apenas olhou o homem se afastar, sentindo-se claramente humilhado, mas recebendo um certo conforto de outros amigos, que diziam que Niall provavelmente só estava de mau humor e que ele não deveria levar pro lado pessoal. Uma fúria passou a correr pelo sangue de Josh enquanto ele olhava Niall se afastar, ficando bem longe de todos. Sem pensar direito no que estava por fazer, Josh o seguiu com raiva, aquela confusão mental estava o enlouquecendo e Niall estava começando a deixar sua arrogância tomar conta das melhores partes de sua personalidade. Horan entrou no quarto jogando a espada em cima da cama e respirando fundo. Estava testemunhando aquela sensação de que, pensando melhor, ele exagerou. Ele não era conhecido por ser um homem cabeça quente, mas não estava conseguindo segurar suas emoções como normalmente fazia. Tinha escondido seu sentimento por Josh por tanto tempo que, agora que resolveu libertar, tinha dado asas ao problema e não conseguia mais controlar. Duas batidas fortes da porta e Horan sabia exatamente quem era. Baixou a cabeça como se estivesse pronto mesmo para as consequências. Andou até a porta e abriu sem nem precisar ver que era Josh. Ele deixou a porta aberta em sinal de convite e o Comandante entrou batendo-a atrás de si, pôs as mãos na cintura e encarava as costas de Niall já sabendo que ele não estava lá com muita coragem de olhar para ele. O silêncio entre os dois era sempre muito comum, eles se comunicavam por olhares, telepatia quase. Mas, naquela situação, um não entendia o outro nem que precisassem de fato abrir a boca e falar. Josh andou mais pra perto de Niall no momento em que o rei começou a tirar a própria armadura. Jogou todo o metal sobre a cama, tirou a camisa e secou o suor de seu rosto com o tecido e, então, finalmente encarou Devine que claramente pedia uma explicação só pela forma como se expressava corporalmente. — Eu te amo, Josh. — Niall disse, pura e simplesmente. Devine fechou os olhos ao ouvir aquilo e, de uma hora pra outra, todo o sermão que tinha preparado em sua cabeça sobre o quanto Niall estava sendo tirano e injusto, evaporou-se como se nunca estivesse estado em sua mente. — Por que vai dar um baile para moças solteiras, então? — Devine se aproximou do rei, tocando seus ombros, podendo sentir em sua pele quente o quanto ele estava e******o com toda aquela situação, ao mesmo tempo que não sabia o que fazer. — Eu não posso dar a você o que você quer… — Niall estava sendo tão honesto que sua cabeça até doía. — Eu quero você… — Josh sussurrou perto do rosto de Horan. — Só você, por favor, me deixe ter você, entregue-se a mim, por favor… — Devine implorava de uma maneira que chegava a fazer Niall sofrer tanto que ele m*l conseguia continuar vivendo. — Me deixe te tocar, te beijar, me deixe te dar todo o amor que eu tenho… — Niall fechou os olhos concentrando-se apenas na voz e na respiração do Comandante. — Seja meu… — Josh passou a beijar o pescoço do rei, segurando-o pelos ombros. Horan estava tão entregue que seus músculos já nem obedeciam quando ele pensava que deveria se livrar daquelas mãos enormes, daquela boca quente e da barba m*l feita dele roçando em seu pescoço. — Eu já sou seu, Josh, nunca serei de outra pessoa da mesma forma que pertenço a você. — Niall respondeu entregando-se ao abraço e recebendo um beijo em seus lábios que parecia ser uma espécie de antídoto para tudo que estava errado em sua vida. Devine parecia ser a resposta para tudo. — Majestade. — Batidas na porta do quarto assustaram ambos com tanta precisão que Niall sentiu que seu coração parou por um segundo. — O que é? — Niall m*l humorado não era comum, mas as pessoas sempre sabiam quando ele estava. Era evidente demais. — O Vassalo da aldeia quer lhe falar. — O homem disse do outro lado da porta. Referia-se ao homem que cuidava das terras produtivas do reino, certificando-se de que a troca de comércio e mercadorias continuasse funcionando. Niall respirou fundo e olhou para Josh, que apenas tocou seu rosto acariciando de leve, como se pedisse a ele que dispensasse qualquer outra atenção e ficasse apenas com ele. Horan fechou os olhos porque sabia que acabaria cedendo a aquele pedido se continuasse olhando Devine com aquele olhar apaixonado por ele. — Estarei na sala do trono em alguns minutos. — Foi a resposta resignada de Niall, que apenas ouviu o suspiro frustrado de Josh. Devine lhe deu as costas cansado, por um momento achou que iria mesmo consertar tudo, mas Niall tinha voltado ao seu estado normal. E, ele, sem a menor paciência para continuar insistindo no que sabia que Horan também queria, mas era teimoso demais para admitir e entregar-se ao amor dos dois. — Josh… — Ele chamou ao ver o outro saindo porta a fora sem sequer dar-se ao trabalho de pensar em considerar voltar atrás. A resposta de Horan foi a batida forte da porta, mais uma vez, do amor da sua vida, a cada minutos, escapando cada vez mais de suas mãos como um punhado de areia entre seus dedos.
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