The God of the Seven Seas

4578 Palavras
Uma semana havia se passado depois de todos os acontecimentos e todos os reis haviam recebido suas cartas e convites de Liam informando que, na semana seguinte, seria sua coroação. Mesmo sem que avisassem que estariam lá, Payne já sabia que poderia esperar por todos sem maiores problemas. Andando pelo quarto preparando-se para fazer sua ronda matinal pelos campos e até mesmo conversar com agricultores locais para saber como andavam os negócios, Liam estava começando a se sentir rei. Toda a pompa não havia mudado, mas as responsabilidades certamente não eram as mesmas. Ele nunca havia sido o tipo de príncipe fanfarrão, somente preocupado com sua guarda e quando seu único compromisso era treinar os cavaleiros do rei, agora ele tinha toda a parte tradicional e burocrática para pensar a respeito. Em contrapartida, ficou extremamente surpreso com um convite que lhe tinha sido entregue assim que voltou ao castelo. O papel veio através de um viajante dos reinos, provavelmente dono de alguma carroça comerciante. Um favor, disse o homem, quando entregou o envelope nas mãos do chefe do Conselho de Kent. Liam reconheceu imediatamente o selo derretido em cera esverdeada com o brasão do reino de Mércia lacrando o papel. A assinatura de Niall estava no envelope, bem como o bonito desenho da Adaga de Ares. — O que é que o Niall está inventando agora? — Liam perguntou mais para si mesmo do que para o chefe do Conselho que entregou o envelope. — Se for o mesmo assunto que está correndo nos Sete Reinos, então já particularmente imagino do que se trata, Majestade. — O homem disse e Liam franziu o cenho. Que assunto era aquele que ele sequer tinha ficado sabendo? Ao abrir a carta, ele de fato ficou surpreso com o que leu. Jamais imaginou que Niall estivesse perdido e pressionado àquele ponto. Numa caligrafia bonita, podia se ler: “Sua Majestade Real, o rei de Mércia, Niall Horan convida a corte de de Kent, bem como as moças solteiras do reino, a participar do Baile de Verão, a ser realizado no primeiro sábado do próximo mês.” Liam sorriu de canto, achando que aquilo era um atestado de desespero. Porém, era tradição há séculos e ele talvez achasse mesmo que Niall fosse, de todos, o rei mais tradicional dos reinos. Certamente as moças solteiras já deveriam estar suspirando e encomendando vestidos para agradá-lo, afinal, não havia uma moça sequer que não sonhava em ser rainha. — Responda que irei comparecer. — Payne respondeu entregando o envelope para seu chefe do Conselho. — Sim, Majestade. — O homem disse sério. — Não considera uma boa ideia quem sabe? — O chefe arriscou mesmo sabendo que Liam provavelmente não iria gostar de uma coisa daquelas. — Não. — Liam disse rindo, retirando-se do grande hall de entrada do castelo. Estava cansado e ainda tinha algumas coisas para resolver, porém, antes de dar outro passo em direção à sala do trono, ouviu cornetas e as portas de entrada abrindo-se pesadamente quando ele virou de costas. Girou o corpo para ver do que aquilo se tratava e viu um de seus guardas correndo em sua direção e ajoelhando-se. — Majestade, estamos sendo invadidos! — O homem disse ofegante e Liam imediatamente desembainhou sua espada e correu para junto de seus homens. Colocou-se a postos puxando a guarda atrás de si, mas tudo que viu foi seus homens cercando três cavalos negros com homens montados em cima e um deles Liam conheciam muito bem. Bem até demais. — É assim que recebe seus convidados? — Zayn Malik dizia olhando para Liam sorrindo embora mais de cinco guardas estivessem com as lâminas afiadas de suas espadas apontando para o pescoço e peito de Malik. — Convidado? — O comandante do exército de Kent vociferou quando Zayn terminou de falar. — Precisa ser anunciado e sua Majestade se negou a parar nos portões! — O homem explicou a Liam conteve o sorriso, era mesmo coisa de Zayn Malik simplesmente achar que poderia entrar e sair de onde bem entendesse. — Liam… — Malik disse olhando para o futuro rei de Kent como se esperasse que ele desse suas ordens para que baixassem as armas. Payne tinha que admitir que era uma cena bizarra mas extremamente excitante para ele. Não via Zayn já tinha algum tempo significativo e tamanha era falta que sentia que tinha vontade de beijá-lo bem ali, na frente de todos. Os aldeões, curiosos, escondiam-se porém espiavam pelas frestas para saber o que estava acontecendo. Payne permitiu-se o silêncio por alguns segundos apenas para olhar para aquele homem vestido de preto e dourado, em cima de um cavalo tão n***o que a pelagem chegava a reluzir. Sua armadura era de cobre e ele segurava o elmo com uma das mãos, apenas para ter seus olhos castanhos bonitos completamente desimpedidos de ver a expressão de pura alegria contida que Payne sustentava só de vê-lo ali. — Baixem as armas. — Ele disse e, quase antes de terminar a frase, todos obedeceram. — Afastem-se. — Os guardas novamente fizeram o que foi pedido e apenas abriram-se em duas filas para que Liam passasse no meio e fosse de encontro com o monarca de Essex. Zayn desceu do cavalo, veio acompanhado apenas por dois guardas, sem corte, sem barulho, sem basicamente ninguém que não precisasse estar lá. Os dois se encararam por alguns segundos e Malik sabia, só de olhar para Liam, que ele deveria estar mesmo surpreso com aquela vinda. O rei de Essex, além de ter vindo sem avisar, decidiu aquela viagem de última hora, já que ele deveria estar ali apenas na semana seguinte. — Bem-vindos a Kent. — Liam disse rindo, olhando para Zayn e os outros dois guardas. Zayn fingiu uma reverência não muito exagerada, mas fez Liam sorrir aberto. — Agradeço, Liam Payne, o Benevolente. — Zayn brincou usando o termo que as pessoas realmente utilizavam para se referir a Liam, mas que o príncipe particularmente não gostava. — Há água para os cavalos, comida e acomodações para os senhores nos jardins à esquerda do castelo. — Liam explicou para os guardas de Zayn, que seguiram com seus animais até onde lhes foi indicado, auxiliados pelos próprios guardas de Kent. — E pra você também. — Liam mais baixo, num sussurro chegando mais perto de Zayn. — Com a diferença de que suas acomodações são a minha cama comigo dentro de você. Zayn mordeu os lábios discretamente ao ouvir aquilo. Engoliu a seco e encarou Liam quando ele se afastava sabendo muito bem que toda aquela viagem de dois dias tinha valido a pena. Apenas deixou que um dos cavaleiros da guarda real de Payne tomasse conta de seu cavalo e seguiu o príncipe para dentro do castelo com a certeza de que, depois de estar ali para garantir basicamente a demarcação de seu território, Liam não iria nunca mais pensar em precisar de uma rainha. ~x.x~ A noite em Wessex tinha sido ligeiramente movimentada para os Lordes que ainda estavam no reino. Sabiam que Styles provavelmente já estava se perguntando quando é que eles iriam embora e a resposta ele teria antes do que os próprios Lordes imaginavam. Taylor, que descobriu que teria que buscar seu espaço pelas margens dos relacionamentos do rei, tratou logo de assegurar uma amizade sólida com Gemma, a quem estava fazendo até o impossível para agradar. A princesa já havia exigido a presença dela no castelo mesmo que os Lordes fossem embora. Gemma estava deslumbrada por finalmente ter com quem conversar e passar seus dias nos campos, jardins e até mesmo nadando na praia. Era bom ter outra mulher por perto com quem ela pudesse falar, além de Elaine, sua criada. Não que alguém tivesse visto ou acordado com o trovão de Zeus no céu — e mesmo que tivesse, isso não seria nenhuma novidade acontecer. Já haviam visto dias atrás uma chuva vinda de lugar nenhum acontecendo e apressaram-se aos templos para ofertar o rei dos deuses na esperança de que ele não mais se enfurecesse, mas naquela noite, o céu brilhou com clarões e barulhos. As oferendas dos Lordes finalmente tinham sido aceitas e Taylor, que até então não tinha experimentado qualquer tipo de magia, sentiu como se algo finalmente estivesse começando a se mover em seu favor. Naquela manhã, estava com Gemma e ambas iriam dar um passeio na praia e nadar. Depois de procurar por Harry em todas as partes do castelo, resolveu ceder à ideia de que ele deveria estar na aldeia, provavelmente numa certa ferraria circulando como um cão de guarda ao redor de Louis. Os guardas as acompanharam até o local e encontraram Styles, conversando com Johannah na porta da loja enquanto Louis atendia alguns clientes que chegaram para alguns serviços urgentes. — Tive um pressentimento que estaria aqui. — Gemma disse ficando perto do irmão. — Como vai Johannah? — Ela disse simpática e a mulher curvou-se em respeito. — Muito bem, Alteza. — Johannah respondeu com um sorriso. — Conhece minha amiga, senhorita Taylor Swift? — Ela apresentou e, no momento em que Johannah colocou os olhos em Taylor, seu rosto perdeu a cor. — Muito prazer. — Taylor disse sorrindo, não entendendo porque aquela mulher parecia ter visto um fantasma. Mas Johannah não respondeu. Apenas baixou os olhos e evitou olhar naquele rosto, era aterrorizante demais para ela. É uma cópia de Althea, pensou a mãe de Louis, mas não disse nada. Ela pediu licença de maneira quase inaudível, e deixou o pequeno aglomerado de pessoas e partiu apenas em busca de Louis, que estava mais afastado. Harry franziu o cenho e olhou para Taylor buscando o que poderia haver de errado ali. — Onde vão? — Ele perguntou já sabendo que estavam ali para avisar que estavam a caminho de algum lugar longe do castelo. — Vim avisar que vamos nadar na praia. — Gemma disse enquanto Taylor apenas concentrava seu olhar em Harry, que não se deu ao trabalho de corresponder. — Absolutamente não. — Styles foi categórico. — O que? — Gemma arregalou os olhos. — Eu disse que vim avisar e não pedir permissão. — Ela concluiu e Harry ficou tão surpreso com o que viu, que chegou a virar a cabeça pro lado achando que não ouviu direito. — E desde quando você não me pede permissão? — Harry disse controlando o tom de voz. Toda sua guarda apenas assistia. — Essa atitude está vindo de onde? — Ele finalmente olhou Taylor quando disse isso, deixando subentendido que aquilo parecia estar vindo de uma certa má influência por parte de Taylor. E era mesmo. — Harry, pelo amor de Apolo! — Ela tinha um tom de voz que mostrava claramente que estava irritada. — Pare de me tratar como criança! — Então pare de agir como uma! — Styles respondeu e, logo em seguida, puxou a irmã pelo braço de forma bastante agressiva, levando-a até uma parte escura da loja de Louis, longe dos olhos e ouvidos dos outros. Taylor não disse nada, mas tinha um prazer quase s****l em causar discórdia daquela forma, mesmo que não fosse diretamente a sua intenção. — O que deu em você? — Harry disse entre dentes, realmente furioso. Apesar de ser sua irmã, Harry não passava nem perto de ser o tipo de homem que estava acostumado a ser afrontado. Ele era o rei, as pessoas não o desafiavam. Gemma muito menos, a moça sempre mostrou-se extremamente carinhosa e que acatava tudo que Harry dizia. — Não ouviu os trovões na noite passada? O mar está agitado, Zeus está furioso! E você sabe que isso significa que Poseidon também está! E você quer ir nadar? Ele vai te afogar! — E por que Poseidon faria isso? — Gemma estava achando que a superproteção de Harry, além de desnecessária, estava se tornando sem sentido. — Porque estamos numa linha tênue com os deuses. — Styles respondeu mesmo não querendo dar o braço a torcer ao fato de que estava começando a se perguntar se os deuses em breve não começariam a castigar seu reino por causa da promessa não cumprida. — Isso não tem nada a ver comigo! — Gemma rebateu. — Você é que não quer se casar com a Taylor! E não entendo o motivo, ela é linda, bondosa, seria a rainha perfeita. Harry olhou para a irmã sem m*l conseguir acreditar que era ela quem estava falando. O silêncio entre ambos fez com que Gemma realmente percebesse que ela passou dos limites. De longe, ela sentiu o olhar de Louis sobre ela e Harry e, mesmo que o ferreiro não tenha dito nada, ela soube que o magoou naquele momento. O rei, sabendo que aquilo era obra de uma lavagem cerebral de Taylor, apertou o maxilar com raiva e, de longe olhou para a loira, que serena, conversava com um dos guardas. — Você não pode ir à praia, Gemma. — Harry repetiu se acalmando, mas falando mais baixo. Agora estava mais preocupado com Louis, que sabia ter ficado triste ao ouvir aquilo, mesmo sabendo que Harry não tinha a menor intenção de considerar casar-se com Taylor. — Eu vou. — Gemma, firme em sua decisão, não deu mais espaço para que Styles dissesse algo e apenas rumou de volta para o lado de Taylor e puxando-a para a direção da praia. As duas começaram a andar e então Harry notou que não poderia impedi-la, apenas sinalizou para que um de seus guardas fosse com elas e ficasse de olho nas duas. Ele passou uma das mãos pelo rosto, cansado, não sabia mais o que fazer com toda aquela situação. Felizmente aqueles Lordes estavam partindo no dia seguinte, ele não precisaria mais passar pela inconveniência de perguntar a eles quando tinham a intenção de deixar Wessex. Ele sabia que Taylor ficaria, pois Gemma aparentemente havia decido que a garota era sua propriedade. Andou até Louis, que arrumava uma espécie de máscara que usava para proteger-se das faíscas que o aço criava todas as vezes que ele precisava cortar ferro. — Louis. — Ele chamou fazendo com que o outro parasse o que estava fazendo, colocando a máscara presa em sua cabeça. — Vem cá. — Ele reforçou tirando a máscara por completo do ferreiro, ajeitando um pouco o colarinho de sua blusa bastante suja, pegou em suas mãos e as viu cortadas, calejadas, bastante ásperas e com as unhas m*l cuidadas. Tomlinson tinha o rosto marcado pelo sol, pelo ferro em brasa que volta e meia o atingia em lugares perto daqueles olhos escandalosamente azuis, que contrastavam com algumas manchas de poeira n***a em suas bochechas. — Eu sei que estou sujo, você não precisa reparar. — Louis disse percebendo os olhos de Harry correndo seu corpo todo. — Quando eu tomo banho, eu realmente fico limpo, eu juro. — Eu sei. — Harry riu do jeito do outro. m*l sabia ele que, mesmo sem saber porque e mesmo sem saber porque fazia tanto sentido, ele continuava sendo o homem mais lindo do mundo mesmo coberto por toda aquela sujeira. — Quero fazer um convite. — Casamento, convite… — Louis disse coçando a cabeça. — Você está cheio de pedidos esses dias. — O ferreiro sorriu de canto um pouco triste. Era como se Harry pedisse a ele coisas que ele não poderia dar. — Quero que me acompanhe até Kent, para a coroação de Liam. — Styles disse vendo o olhar surpreso e ao mesmo tempo apavorado de Tomlinson. — Eu… Mas eu? Numa coroação? — Louis deixou o tom de desespero claro. — Você tem certeza que quer que eu vá? Eu nunca saí da aldeia, não conheço Kent… Quanto menos uma coroação! — O coração de Louis acelerou só de imaginar-se entre tantos nobres. Pensou que não tinha maneiras apropriadas, nem roupas e nem saberia se comportar. — Harry, eu sou apenas um ferreiro. — Não diga “apenas” de maneira a se menosprezar. — Styles disse sério, franzindo o cenho e olhando firme nos olhos de Louis. — Você é um homem honrado e de valor. Ninguém pode tirar isso de você e, portanto, é mais valioso do que qualquer jóia ou ouro. — Harry, você tem palavras bonitas apenas, as coisas não são assim! — Louis disse preocupado com aquela situação, pois ele sabia que ele estava praticamente oficializando sua relação. — Os deuses querem que… — O que os deuses querem é problema deles. — Styles o interrompeu, chegando mais perto da boca de Louis e segurando seu rosto. — Vá comigo, por favor. Vai ser a festa e a viagem mais entediante do mundo pra mim se eu não tiver seus olhos para olhar, sua voz para ouvir… — Styles empurrava o outro contra a estante, fazendo-a mover-se conforme ele chegava mais perto. — Cante pra mim, Louis, cante de novo! — Ele pedia enquanto beijava o pescoço do outro, colocando-o cada vez mais contra a estante. Louis começou a sussurrar a mesma canção que cantou para o rei em seu aniversário, apenas sentindo suas mãos passearem por seu corpo e sua boca aos poucos calando a sua e, beijando-se apaixonados, não viram a escultura de Hefesto cair no chão e por lá mesmo ficando. ~x.x~ Gemma estava descalça andando pelas pedras perto do mar. O paredão dava uma vista ampla para o tamanho do oceano que cercava Wessex. Muitos barcos podiam ser vistos ao longe e, logo atrás dela, Taylor andava com cuidado não prestando atenção no que a princesa dizia. Andava de saco cheio até mesmo de sua voz em seus ouvidos. O guarda estava longe das moças, perto de seu cavalo pastando algumas folhas verdes ao redor da areia e m*l prestava atenção nas duas. A verdade é que ele estava bastante irritado com o constante trabalho de “babá” que Styles havia dado a ele, de acompanhar Gemma e suas sandices com Taylor pelo reino, ou coisas desimportantes, como passeios no parque, na praia ou comprando tecidos de vestidos. — Ande logo, estou com fome! — Taylor dizia fingindo um tom de brincadeira, mesmo sabendo que era verdade. Gemma passou a andar mais rápido e então, de súbito, um pensamento correu pela mente de Taylor no momento em que ela olhou a altura do paredão de pedra até o mar agitado — pensou que talvez Gemma devesse mesmo ouvir seu irmão, Poseidon parecia estar fazendo questão de dizer ao mundo que não estava receptivo à visitas de mortais naquela manhã. O vestido de Gemma esvoaçava-se com o vento e, no momento em que ela parou por um segundo para calcular como seguir seu caminho, Taylor prendeu parte do tecido entre duas pedras, fazendo Gemma ficar presa no lugar. O vento ficava cada vez mais forte e, Gemma, no momento em que parou de andar, impedida pelo vestido preso, olhou para Taylor em busca de ajuda. — Fica calma, vamos tirar. — A loira disse despreocupada. — Está ventando muito. — Gemma disse assustada. — Talvez Harry estivesse com a razão. — Ela concluiu olhando o horizonte ao longe. Não teve tempo de concluir o pensamento ou de ouvir se Taylor havia dito alguma coisa. Seu pé escorregou na pedra molhada e com limo. Ela viu Taylor esticando o braço para buscá-la, mas já era tarde demais. Gemma caiu na água, afundou pesadamente dentro do mar furioso. Taylor desceu sem muita pressa até o pé da pedreira e só então começou a gritar por ajuda. Nesse meio tempo, Gemma sentia as ondas baterem em sua cabeça com mais e mais força. Todas as vezes que ela conseguia subir para respirar, uma onda gigantesca a jogava para baixo novamente. Ela pensou que podia sentir literalmente Poseidon puxando seus pés debaixo d’água. Aquela tortura durou menos de dois minutos, mas logo em seguida viu Taylor puxando-a de vez para cima e carregando-a com muita dificuldade para a areia. O guarda, que propositalmente não foi chamado por Taylor com mais insistência, apareceu apavorado ao ver a loira carregando Gemma, que tossia e cuspia água. — Você está segura, está tudo bem. — Taylor dizia, fingindo uma preocupação que não tinha. Afinal, fora ela a causadora daquele teatro de inventar a vítima somente para salvá-la depois. Não via a hora de imaginar a cara de Harry quando Gemma contasse a ele que Taylor a havia salvo. — Taylor… — Gemma falava com dificuldade. — Você está bem? — Estou. Não se preocupe comigo. — Ela disse ao ver Sir Agravaine se aproximar absolutamente em pânico. — Alteza, deixe-me levá-la de volta. — O homem a pegou nos braços percebendo que ela provavelmente não conseguiria andar. Levou-a até seu próprio cavalo dizendo a Taylor que precisava se apressar. — Se importa de andar de volta até o castelo? — Ele perguntou. — Posso buscá-la depois. — Vá, eu vou andando. — Taylor dramatizava um ar sensível e assustado. — A vida da princesa é a coisa mais importante aqui. — O homem assentiu com a cabeça e andou a galopes precisos e velozes de volta para o castelo. Quando não estavam mais por perto, Taylor sorriu, ao mesmo tempo que sentiu o vento da praia lhe bater pelas costas como o rugido de um leão. O mar, ainda mais agitado do que antes, parecia olhar para ela, as ondas pareciam garras e, do céu, brotou um clarão assustador. Pela primeira vez desde que estava em Wessex, aquela foi a primeira que, de fato, sentiu um medo aterrorizante lhe correr pelo corpo. Os deuses estavam mesmo furiosos. E era com ela. ~x.x~ Niall passou a semana inteira recebendo presentes, dos mais diversos e de todos os cantos, de pais e mães de moças solteiras, como um agrado para que o rei aceitasse uma das moças para ser sua rainha. Horan estava ligeiramente impressionado com a criatividade de seus súditos em querer agradá-lo de todas as maneiras. Ele saiu do castelo a pé, precisava sair daquelas muralhas de pedra em que havia se enfiado após o treino-duelo com um de seus homens — o qual já estava gerando comentários em sua guarda que ainda não cessariam por um bom tempo. Josh fugia dele como de costume e ele ainda não conseguia parar de pensar nele. Tentou concentrar-se em seu baile, em seu futuro como rei, como pai e como marido. Mas lá estava Devine e seu sorriso contido, sua barba m*l feita e suas mãos fortes sempre fazendo Niall voltar no tempo, sentindo uma necessidade quase física de beijá-lo novamente. Quando chegou no vilarejo de sua aldeia, andava pelas ruas com apenas dois guardas reais e deparou-se com gritos femininos de agonia, pavor, vindo de dentro de uma casa que tinha a janela de um quarto aberta. A princípio, pensou que a moça pudesse estar sendo estuprada, já que um homem grande parecia cobri-la e afastar suas pernas de forma agressiva. Ele não hesitou nem por um segundo e foi longo saltando pra dentro da janela junto com seus guardas, colocando a espada na nuca do homem, que imediatamente parou o que fazia, enquanto a moça chorava copiosamente. — Pare imediatamente. — Niall gritou, com raiva. Um de seus guardas puxou o homem tirando-o de cima da moça. — Majestade, por favor. — O homem disse completamente em pânico ao ver do que aquilo se tratava. — Ela é minha filha. — E o que pensa que está fazendo? — Niall permaneceu apontando a espada para o homem ainda esperando uma explicação plausível para o que, na sua cabeça, só piorava as coisas. — Estou checando se ela já foi tocada por aquele maldito padeiro! — O homem gritou falando com a filha, que cobriu os olhos e o corpo com um vestido branco. Ela chorava de medo, pavor mas principalmente de vergonha. — O que aconteceu com “perguntar”? — Niall disse colocando a espada de volta na cintura. — Meu pai acha que estou mentindo, Majestade. — A menina dizia entre lágrimas, aceitando a mão de Niall como ajuda para levantar-se de onde estava. Ela imediatamente ajoelhou-se, mas ele automaticamente a segurou de forma que ela ficasse em pé, quase atrás dele. — Qual é a necessidade desse tipo de afronta contra sua própria filha? — Niall perguntou enquanto um dos guardas segurava o homem pelo braço, a fim de fazê-lo levantar-se. Ele estava tão terrivelmente assustado com a presença de Niall sob aquelas circunstâncias. — O rei lhe fez uma pergunta! — O soldado reforçou diante do silêncio do homem assustado. — O seu baile, Majestade. — O homem finalmente respondeu, com a voz falha. — Quero que minha filha vá e possa ser digna de estar ao seu lado. — Ele concluiu e Niall franziu o cenho. Sabia que virgindade era importante, mas não àquele ponto. Ele engoliu a seco ao ouvir aquilo e, mesmo que não fosse sua culpa, sentiu o peso da responsabilidade. Estava enlouquecendo as pessoas, não imaginou que causaria tanto frisson em querer encontrar uma plebéia para se casar. Ele respirou fundo e olhou calmo para a menina que, aos poucos, parecia se tranquilizar. — Você está interessada em se casar comigo? — Ele perguntou e a moça baixou os olhos. — Sim, Majestade, seria uma honra. — Ela disse triste, sem olhar nos olhos de Horan. Obviamente não precisava ser um gênio para perceber que aquilo era uma mentira. — Sabe que não é aconselhável que minta para o rei. — Niall sorriu de canto e só então a moça olhou pra ele ligeiramente sem graça. — Me diga a verdade. — Ele pediu mesmo como uma ordem. — Perdão, Majestade, mas meu coração já pertence a outro. — E aí estava a honestidade que Niall queria ver. Ele sorriu ao ouvir aquilo. — Tenho certeza que, por seres um rei justo e bom, deveria escolher alguém que o ama como mereces. — Ela concluiu e Horan sentiu seu coração ficar menor no peito. Josh, pensou ele. — Cuide-se. — Ele disse a ela, lhe dando um beijo na testa e, em seguida, virou-se para o pai dela. — Cuide da sua filha e deixa-a se casar com quem ama. — Ele disse e o homem assentiu com a cabeça. — É uma ordem. — Niall concluiu e deixou a casa dessa vez pela porta da frente, acompanhado de seus guardas. Fez o caminho de volta para o castelo e, assim que chegou e os portões se abriram, revelando parte de seu conselho e sua guarda pessoal, ele gritou tão alto que, provavelmente, até quem estava nas torres mais longe do salão de entrada, provavelmente escutaram sua voz. — Me tragam Devine! — Sua voz era potente e presente, dando eco naquele salão. — Não interessa onde ou com quem ele esteja, diga que seu rei quer lhe falar, é uma ordem e é agora! — Todos se assustaram com aquilo e apenas acompanharam com os olhos até as escadas. Como se ele pudesse sentir que ainda olhavam pra ele, ele virou de leve o pescoço e gritou ainda mais alto. — Agora! Uma movimentação de pessoas começou dentro do castelo em busca do Comandante. Nunca antes eles haviam visto Niall daquela maneira tão passional, logo ele, que era um homem frio e distante, parecia completamente desesperado atrás de Josh.
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