Zayn estava na cama, cercado por Liam, Harry e suas irmãs. Ele estava sentindo-se bem, depois que o médico da corte lhe deu algumas ervas medicinais para impedir que a infecção se espalhasse e alguns outros sedativos naturais para a dor, como um pouco de ópio extraído diretamente das folhas de papoula. Liam, que não tirava os olhos de Zayn e preocupava-se a cada mínimo gemido de desconforto, não conseguia nem prestar atenção direito ao fato de que aquelas três garotas ao redor da cama, eram a família de seu amado. Doniya, Safaa e Waliyha estavam tímidas no quarto, mas ajudaram o médico com panos quentes, água para limpar os ferimentos e com o conforto das cobertas onde ele estava deitado.
Assim que o médico saiu do quarto, as três garotas afastaram-se um pouco da cama. Acanhadas, não diziam nada, não olhavam muito para Zayn e permaneciam sempre juntas, pareciam com medo ainda, por mais que o perigo já tivesse passado. Ainda estavam sujas e m*l vestidas, o que fez Malik sentir-se extremamente desconfortável com aquilo.
— Vá arrumá-las. — Malik disse falando com uma de suas servas antigas. — Dê à elas um lugar para tomarem banho, roupas e comida.
— Sim, Majestade. — A serva respondeu.
— Não precisa. — Doniya disse num claro impulso. Todos os olhos viraram-se para elas. — Já fez o bastante por nós, Majestade. — Ela disse a segunda parte num tom mais contido, sentiu-se desconfortável com tantos olhos.
— És minha irmã, não precisa tratar-me com formalidades. — Zayn disse sorrindo mesmo estando um pouco sonolento. — Sou Zayn apenas.
Mas ela não respondeu, sequer voltou a olhar Zayn. Sentiam-se ainda forasteiras, como se não pertencessem àquele reino, não se sentiam em casa. Era difícil para Zayn tomar a forma de anfitrião perfeito, sendo que estava na condição que estava e, especialmente, pela forma como foi apresentado à elas. Não era realmente uma situação em que alguém poderia tonar um encontro familiar feliz e com direito à comemorações.
— Sou Liam. — Vendo a tensão se formar no ar, Payne saiu de perto do namorado e, devagar, aproximou-se simpático das três irmãs, que estava num canto um pouco mais afastado do quarto. — Rei de Kent. — Ele esclareceu e, imediatamente, as três ajoelharam-se no chão e baixaram suas cabeças.
Liam respirou fundo e trocou olhares cúmplices com Zayn, como se demonstrasse o quão desconfortável estava com aquilo.
— Não há necessidade disso. — Ele disse mostrando o sorriso bonito. — Podem se levantar.
As três imediatamente fizeram o que foi pedido e ele estudou uma a uma com mais cuidado. Elas realmente pareciam-se muito com Zayn, especialmente a caçula. Era inegável que o laço sanguíneo era verdadeiro, por mais que eles provavelmente não partilhassem da mesma mãe. Payne, que sentia-se quase como um segundo dono do castelo, resolveu assumir a postura de anfitrião, já que Zayn estava impossibilitado.
— Como se chamam? — Liam perguntou diante do completo silêncio do quarto.
— Eu sou Doniya. — A mais velha disse, olhando firme para Liam. O olhar dela chamou atenção dele de certa forma, como se fosse a única corajosa entre as três. — Esta é Waliyha e Safaa.
— Olá! — Safaa disse olhando para cima, já que Liam era bem mais alto que ela. De todas, ela parecia ser a única que estava gostando do lugar, embora não quisesse demonstrar, pois sua irmã mais velha não parecia aprovar qualquer tipo de atitude positiva.
— Espero que saibam que estão em casa. — Ele disse mas elas não pareceram acreditar muito, com exceção de Safaa, que agora esticava a mão na direção de Liam, tocando sua capa púrpura de veludo, pesada e grossa.
— Safaa! — Doniya chamou atenção da irmã, que tirou as mãos da capa imediatamente.
— Está tudo bem. — Liam disse olhando para Doniya, como se mostrasse a ela que reis não eram uma ameaça. A verdade era que ele já havia notado que ela tinha um certo receio da própria monarquia em si. Imaginou as histórias, lendas e mitos que deveriam ter ouvido estando tão longe dos reinos administrados por reis. — Gostou da minha capa? — Liam perguntou agachando-se para ficar da altura de Safaa.
— É muito bonita, Majestade. — Ela respondeu um pouco tímida, mas menos receosa. — Sua coroa também. — Ela disse apontando para as pedras de ametista que circulavam o ouro branco da fina coroa de Payne.
— Então o que acha que tomar um banho, colocar algumas roupas bonitas e, quem sabe, eu consigo uma capa dessas pra você? — Ele disse num tom de brincadeira e não viu, mas Zayn sorriu ao ver Liam sendo tão carinhoso e amável.
— Sim! — Safaa disse sorrindo.
— Não precisa. — Doniya voltou a se manifestar e Liam, apesar de entender a situação toda de desconforto, levantou-se fechando a cara sem perceber.
— Se não quiser, senhorita, não precisa. — Payne disse com um tom de voz suave. — Mas deixe suas irmãs fazerem as escolhas que quiserem, sim? — Ele concluiu e ela não teve coragem de afrontá-lo, embora claramente quisesse.
— Podem me acompanhar se quiserem. — A serva designada por Zayn para ajudar as três disse sorrindo, mostrando-se como era: inofensiva.
— Eu estou com fome. — Waliyha disse tão baixo que quase não foi possível ouví-la.
— Então vá, comam o que quiserem e arrumem-se. Estaremos aqui esperando, tenho certeza que há muito que queiram conversar com seu irmão. — Liam complementou e, devagar, as três começaram a andar para fora do quarto junto com a serva e outras criadas que acompanharam para ajudar com as roupas e a comida.
Finalmente no quarto, sobraram apenas Liam e Zayn. O rei de Kent voltou a aproximar-se da cama, ao lado de seu amado e, por mais que estivesse cansado da viagem, não iria conseguir deixar aquele quarto nem por um minuto. Ele olhou Zayn naquela cama e sentiu que, finalmente, poderia respirar fundo e desabar daquela expressão de homem forte e destemido.
— Eu estou bem. — Zayn disse como se lesse os pensamentos de Liam através de seus olhos, que demonstravam um medo tão grande que ele nem sabia que seria capaz de sentir. — Não há motivos pra me olhar assim.
— Eu não sei o que faria se algo acontecesse com você. — Payne disse sério, com o clássico traço de pânico na voz. — Nunca mais vou te deixar viajar sozinho, apenas com dois guardas.
— Meu amor… — Zayn disse sorrindo, tentando ajeitar-se na cama, embora seu ombro ainda o incomodasse. — Nada vai acontecer comigo. — Ele acariciou o rosto de Liam, o puxando mais pra perto. — Eu nunca vou te deixar.
— Você não faz ideia do que eu senti, Zayn! — Liam disse fechando os olhos e lembrando daquele sentimento r**m de quando ouviu as notícias de um mensageiro de Mércia sobre o que estava acontecendo em Essex. — Eu achei que..
— Não precisamos mais falar disso. — Zayn interrompeu o outro e apenas segurou firme em uma de suas mãos. — Temos todo nosso futuro para traçar…
— Estou feliz que conheça sua família. — Liam comentou e um leve sorriso brotou de seus lábios.
— Eu não sei o que pensar! — Zayn respirou fundo, estava feliz, mas tudo aquilo o deixava muito confuso. — Será que as coisas não são exatamente como eu pensava?
— Boa ou r**m, a verdade é sempre o melhor. — Liam disse confiante. — Além disso, estou ao seu lado, sabe que pode contar comigo… — Ele disse vendo os olhos de Zayn brilharem de felicidade intensa. — E aparentemente é bom ter a amizade de alguém como Niall Horan. — Ele concluiu arrancando um sorriso maior de Zayn.
— Foi muito r**m? — Malik perguntou e Liam assentiu com a cabeça. — Bem, acho que ele adora uma desculpa pra cortar cabeças.
— Harry foi quem não gostou muito… — Liam comentou dando de ombros.
— É, o diplomata dos Sete Reinos… — Zayn suspirou ao pensar em toda a pompa que Harry gostava de usar na hora de resolver conflitos. — Imaginei que, se ele tivesse chegado antes, certamente não teria sido tão divertido. — Malik riu com vontade, mas em seguida queixou-se levemente da dor ao mover seu corpo.
— Fica quieto, Zayn, pelo amor de Ártemis! — Liam tentou parecer sério, mas acabou por rir junto com o namorado.
— Eu te amo, Liam. — Zayn disse ficando mais sério. Olhou nos olhos do rei de Kent por segundos tão intensos que era possível sentir como se o tempo tivesse parado. Nunca pensou que estaria passando por aquela situação e tendo apoio de um homem que, há pouco tempo, achava que não o suportava. Mas estando ali, ferido em uma cama, demandando cuidados, ele não conseguia pensar em outra frase para demonstrar seu amor e gratidão por aquele homem que, claramente, não sentia nada além de um amor infinito por ele.
— Eu também te amo. — Liam respondeu no mesmo tom, pensando que sem dúvidas morreria por aquele homem e seria capaz de tudo pela sua felicidade. m*l podia acreditar no tempo que perdeu sem conhecê-lo melhor, sem estar perto dele. Não queria nem imaginar como teria sido sua vida se ele não tivesse cedido aos primeiros beijos, primeiros carinhos e as conversas olho no olho. Teria certamente perdido o melhor de sua existência.
Os dois selaram o momento com um beijo calmo, como se mais nada existisse além deles. Talvez não existisse mesmo.
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A água no chão de pedra, já colorada pelo vermelho-sangue de batalha, jamais poderia ser empecilho para dois homens viris e ainda cheios de adrenalina pela luta de poucas horas atrás. Josh Devine estava com o rosto encostado na parede fria, tendo seu corpo pressionado contra as pedras que compunham o castelo, enquanto Niall colocava-se dentro dele com força, o segurando pela cintura e pedindo que ele erguesse um dos joelhos, a fim de ter fácil acesso enquanto penetrava-o arrancando gemidos altos, não se incomodando nem por um segundo que fosse provável que todos ao redor estivesse ouvindo.
— Eu simplesmente amo o quanto você gosta disso! — Niall dizia no ouvido de Josh, enquanto pressionava seu corpo contra o dele, sentindo-o contorcer-se, como se o quisesse ainda mais fundo dentro de si.
— Gosto de qualquer coisa que você faça comigo! — Devine respondeu com certa dificuldade, pois sua respiração estava pesada.
Os dois, ainda banhados em sangue, praticamente inundavam aquele banheiro com cheiro de sexo e hormônios. Era como se não conseguissem simplesmente parar ou evitar que aquilo acontecesse. Josh havia prometido-se tantas vezes que não cederia àquilo mais, mas perdia a razão quando via Niall e******o ou quase implorando pra t*****r com ele.
Niall parou o que estava fazendo e virou Josh de frente para si. Observou cada traço de seu rosto, seus olhos, passou os dedos em seus lábios, fazendo-o chupar por alguns segundos. Devine, que fazia tudo sem tirar os olhos de seu rei, teve certeza naquele momento que nunca conseguiria se livrar do efeito que aquele homem causava nele.
— Você me ama? — Niall perguntou, para total surpresa de Devine, que não estava esperando aquele tipo de conversa naquela hora. Os dois, por serem muito carnais e impulsivos, nunca tocaram naquele assunto justamente num momento tão físico quanto aquele.
— O que? — Josh concentrou-se, achou que tinha entendido m*l a pergunta.
— Perguntei se me ama, Josh. — Niall repetiu chegando mais perto do rosto dele e então, devagar, começou a massagear o m****o dele, duro, deslizando sua mão devagar naquela mistura de água e sangue.
— Niall, eu… — Josh tentou falar, queria falar, mas os movimentos da mão de Niall eram tão surreais pra ele que ele apenas queria se concentrar naquilo, não queria pensar em mais nada.
— Anda… Me responde… — Niall insistiu e agora juntou seu m****o ao de Josh e alisava os dois ao mesmo tempo, friccionando-os juntos e experimentando aquela sensação junto com seu amado. — Fala pra mim o quanto quer ficar comigo, o quanto só eu te faço feliz…
— Eu te amo… — Josh disse fechando os olhos, num sussurro, sentindo os lábios de Niall tocarem sem pescoço. — Eu te amo tanto, eu não consigo me imaginar longe de você. — Aquilo estava enlouquecendo Josh num nível que ele nunca tinha experimentado. Agarrou-se ao rei e mordeu seu ombro com força, sabia que seus dentes ficariam marcados ali.
Niall gritou mas não impediu. Continuou a masturbar os dois naquela posição, beijava e mordia o pescoço de Josh também querendo deixar marcado, simplesmente amava estar com aquele homem em todas as dimensões possíveis — físicas e emocionais. Quando percebeu que ia gozar, não segurou, apenas aumentou o ritmo dos movimentos e gemeu alto o nome de Josh, que sentiu os músculos de Horan tremerem em seu corpo inteiro devido à intensidade.
Imediatamente após gozar, Niall passou a beijar o corpo do outro, chupando seus m*****s por um longo tempo e ainda masturbando-o. Desceu com a boca pela barriga dele, lambendo cada músculo marcado em seu abdômen e, por fim, abocanhou o m****o de Josh, chupando-o sem pressa, como se quisesse continuar dando a ele todo prazer possível. Obviamente, não demorou muito para que ele gozasse na boca de Horan, que engoliu tudo, mais como prova de que sabia fazer “um serviço bem feito”. Ele sorriu ajoelhado aos pés de Devine, que acariciou seus cabelos loiros sem conseguir explicar o quanto ter o próprio rei aos seus pés significava pra ele.
— E você? — Josh perguntou sorrindo, deslizando as costas pela parede fria, até sentar-se no chão ao lado do loiro.
— Eu o que? — Niall sorriu, limpando os cantos da boca e levantando-se devagar. Andou até a banheira com água limpa e Josh apenas o observou.
— Me ama? — Josh perguntou de onde estava, vendo Horan sentar-se confortável de um lado da banheira, apoiando a cabeça no encosto de bronze e sentindo a água morna relaxar seu corpo.
— O que você acha? — Niall sorriu de olhos fechados, como se aquilo fosse óbvio. — Você sabe a resposta, Devine, acho que meus atos foram bem claros.
— Eu gosto de ouvir. — Josh disse arrastando-se pelo chão e também chegando até à banheira. — Eu sei o que você sente, eu consigo sentir em mim… Mas eu gosto de ouvir, Niall… — Ele dizia conforme entrava na banheira e aninhava-se no peito do rei. — Gosto quando diz que me ama, pois esperei muitos anos para ouvir isso de você.
— Sabe que não sou bom com essas coisas. — Niall disse um pouco constrangido, mas sincero. Acariciou os cabelos de seu comandante, passando a água pelo rosto, como se quisesse limpá-lo. — E não espere ouvir muito isso de mim, mas eu te amo. — O rei disse sincero. — Não há ninguém que me faça mais feliz do que você…
Josh sorriu ao ouvir aquilo deitado no peito de Niall, apenas ouvindo o coração dele bater — pra ele, não havia melodia mais calmante do que aquela. Sabia que seu destino era morrer por Niall, não apenas pelo seu rei, mas pelo homem de sua vida, e não tinha nenhum problema com aquilo Josh amava Niall tão intensamente, que se morresse no dia seguinte, estaria feliz ainda, por saber que morreria amado por quem tanto esperou ter nos braços um dia. Horan, por sua vez, sabia que segurava a própria paz em seus braços naquele momento.
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— Eu estou bem. — Harry chegou ao seu reino depois de uma longa viagem de volta. Seus conselheiros, inclusive o próprio Ed, o seguiam pelo salão do reino, observando atentos se seu rei não estava ferido. — Não há com que se preocupar. — O médico da corte estava a postos, com ajudantes, mas todos estavam satisfeitos de ver que Harry não tinha nenhum arranhão. Sequer sua armadura estava suja.
— Harry! — Gemma desceu correndo as escadas ao ver a movimentação de seu irmão chegando.
— Não há nada de errado comigo, Gemma. — Harry explicou já ficando ligeiramente impaciente.
— Meu amor! — Taylor apareceu logo atrás da cunhada, fingindo seu tom preocupado, quando na verdade não poderia se importar menos com tudo aquilo. Porém, estava extremamente curiosa com o que havia acontecido. — Como estão todos? — Ela perguntou meiga, fingindo interesse e Harry apenas suspirou indiferente olhando pra ela.
— Sinto muito pelos seus conterrâneos. — Harry disse e agora todos prestavam atenção. — Mas Niall matou todo mundo.
— O que? — Gemma arregalou os olhos um pouco surpresa. Taylor estava sem palavras.
— É… — Harry suspirou ao lembrar da visão macabra que presenciou ao chegar em Essex. — Niall chegou com seu exército e seu predador pessoal, Josh Devine. — Ele ironizou, mas menos preocupado com aquilo depois de tudo já ter passado.
— Que horror… — Gemma comentou imaginando como deveria ter sido.
— Por que isso aconteceu? — Taylor parecia mais preocupada com o motivo do que com seu próprio povo.
— Eu teria você como aliada. — Harry comentou olhando para a loira bonita. — Queria negociar, mostrar que você faz parte desse reino… Mas cheguei tarde demais, é claro que Horan vai preferir rasgar entranhas e pintar as paredes de vermelho a ter cinco minutos de conversa. — Harry comentou começando a tirar sua armadura e andar até seu quarto. — Ed… — Ele chamou e o conselheiro imediatamente o seguiu.
— Estão todos bem? — Gemma perguntou andando a passos largos para acompanhar o irmão. Taylor fazia o mesmo.
— Sim, estão. — Harry comentou subindo as escadas até seu quarto. — Zayn está ferido, mas se recuperando.
— Mas Harry, o que houve? — Gemma insistiu e o rei parou de andar e virou-se de frente para ela.
— Gemma. — Ele começou ficando mais firme, mas não querendo ser duro. — Eu estou muito cansado dessa viagem, me dê algumas horas e depois conto tudo a você. — Ele finalizou dando um beijo na testa da irmã e olhando de relance para Taylor, como se quisesse deixar claro que o recado também era para ela.
As duas entenderam que Styles parecia frustrado com aquela situação toda, Taylor m*l conseguia se conter. Por um momento, realmente achou que Nortúmbria estava começando a abrir caminho para conquistar os reinos, mas obviamente não souberam esperar o tempo certo, esperar por ela. Ela já estava desenvolvendo seus poderes e sabia de onde eles vinham, sabia já como controlá-los. Estava apenas esperando o momento certo para atacar, momento esse em que todos os reis estivessem vulneráveis.
— Quer dar uma volta na praia comigo, Tay? — Gemma convidou, enganchando seu braço numa Taylor extremamente pensativa e distraída.
— Eu estou um pouco cansada. — Taylor comentou andando com a garota pelo corredor do segundo andar do castelo. — Não dormi bem à noite. — Mentiu ela. A verdade era só que ela não estava nenhum pouco a fim de ficar ao redor de Gemma e suas conversas sobre casamentos, vestidos e futuros filhos. — Vou pedir que façam um chá e então vou me deitar por alguns minutos. — Ela concluiu ficando de frente para a cunhada, segurando as duas mãos dela.
— Tudo bem. — Gemma sorriu compreensiva. — Qualquer coisa nos falamos mais tarde. — Ela despediu-se rapidamente de Taylor e desceu as escadas, deixando Swift sozinha por alguns segundos.
Daquela distância, Taylor conseguia ouvir conversas no quarto de Harry. Ela andou alguns passos para perto da porta, viu que não havia guardas ali e não hesitou em encostar o ouvido na madeira a fim de ouvir Harry e Ed conversando.
— Preciso vê-lo novamente. — Harry dizia respirando fundo, depois de desfazer-se de sua armadura pesada. — Ed, eu estou falando sério, eu não vou conseguir ficar longe de Louis.
— Majestade, entendo que esteja apaixonado, mas os deuses… — Ed tentou argumentar, mas Harry estava cansado de ouvir aquilo.
— Eu não quero saber! — Styles, que até então estava sentado na cama, levantou-se num impulso. — Eu vou falar novamente com Alastair! Aquele velho vai me dizer tudo que ele sabe, nem que eu tenha que tomar medidas extremas pra isso. — Harry estava desesperado e Ed percebeu.
— Majestade, peço que não se precipite em suas decisões. — Ed tentou acalmar o rei.
— Não, já estou cansado de ser calmo e tentar resolver as coisas racionalmente. — O rei respirou fundo e lembrou-se da batalha que tinha quase presenciado em Essex, lembrou-se de Niall e de como ele resolveu o problema de maneira rápida e eficaz, mesmo que fosse contra seus próprio princípios. — Tenho que começar a ser menos inerte.
Ed ficou ligeiramente receoso de toda aquela atitude de Harry. Nunca tinha visto seu rei daquele jeito, calculou que ele realmente estava disposto a mudar até mesmo de postura em nome de um homem que acabou ganhando seu coração mesmo sendo tão simples e com apenas uma canção em seu aniversário. Aquilo era diferente de tudo que Ed já havia presenciado como conselheiro do rei.
— Vou falar com Alastair novamente ainda hoje. — Harry disse suspirando. — Arrume um cavalo pra mim. — Harry pediu massageando as têmporas. — Qualquer um, não vou usar o meu pois está cansado da viagem de Essex. — Ele esclareceu e, mesmo a contragosto, Ed sabia que precisava seguir aquelas ordens.
— Como deseja, Majestade. — Ed comentou deixando claro que não aprovava aquilo, mas era óbvio que, pelo menos daquela vez, Styles não poderia se importar menos.
Na porta, Taylor afastou-se correndo depois de ouvir tudo com clareza. Ela correu pelo corredor a fim de não ser vista por Ed Sheeran abrindo a porta e saindo do quarto do rei, certamente para realizar a tarefa pedida. Mas, ela também tinha um plano e precisava agir rápido, antes que Harry saísse do castelo.
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Apesar de sua vida estar cada dia mais confusa, Louis não mudou sua rotina. Continuava fazendo tudo como sempre fazia e, no fundo, não queria acreditar que, de fato, possuía poderes que pudessem ser literais de um semi-deus. Mas, naquele dia, ele estava determinado a, acima de tudo, desmascarar Taylor. Tinha medo dela, ouviu as histórias de sua mãe, dizendo que sua meia-irmã era uma feiticeira e, provavelmente, muito poderosa. Louis tinha medo, temia a própria vida, mas mais ainda, temia pela vida de seu grande amor.
Os rumores da tentativa de invasão em Essex chegaram rápido e ele, obviamente, ficou com medo que algo tivesse acontecido a Harry. Aguardou no vilarejo, esperando no pé da montanha que dava acesso ao castelo, escondeu-se e apenas esperou Harry chegar, queria ter certeza que ele estava bem. Seu coração apenas sossegou quando viu Harry finalmente chegando no reino, acompanhado do enorme exército de Wessex, era saudado por alguns súditos, mas não demonstrava muita satisfação em suas feições.
Louis suspirou ao vê-lo, já fazia tempo demais. Ainda ponderou por vários minutos se deveria ir até lá, pois depois de seu último encontro, sabia que Styles não iria procurá-lo, pois tinha deixado claro que não queria mais vê-lo. Entretanto, Louis sentia tanta falta de seu amado, que não conseguia controlar direito suas próprias pernas, subindo a pequena montanha que levava até a porta principal de entrada para o salão do trono.
Cinco guardas faziam a ronda por ali, mas já conheciam Louis. Sabiam quem ele era e, especialmente o apreço que o rei tinha por ele. Mas, mesmo se não fosse isso, os guardas primeiramente conheciam Louis por ser um dos melhores ferreiros e pelo diferencial sempre em fazer suas armas, com cuidado e perfeição.
— Ferreiro. — Sir Gawain cumprimentou o homem muito menor que ele com um sorriso engraçado. — Acho que não precisa ser anunciado.
— Preciso sim. — Louis respondeu rindo um pouco tímido. — Gostaria de vê-lo. Sabe se está ocupado? — Obviamente que ele estava se referindo a Harry e o guarda entendeu.
— Acho que se quiser falar com ele, deve ir rápido. — O homem respondeu. — Ele pediu pra aprontar um cavalo, é provável que vá sair novamente.
— Obrigado, sir. — Louis agradeceu e, após o homem abrir a porta, Louis passou a passos largos, naquele misto de ansiedade por vê-lo e finalmente poder dizer a verdade e com medo que ele saísse antes que tivesse a chance de lhe falar.
Não havia ninguém no cômodo, apenas o trono de Harry vazio. Seu cetro com um rubi na ponta dava uma iluminação avermelhada ao local, pois o sol batia diretamente na pedra. Estava quente aquele dia, mas o vento que vinha do mar, fazia Louis sentir um cheiro familiar, como se já tivesse sentido aquilo antes mas não sabia onde.
Pensou que estava atrasado, provavelmente Harry já havia saído. Estava parado no meio da sala um pouco decepcionado consigo mesmo por ter demorado tanto para aparecer ali. Naquele momento, ele viu que aquele amor que havia nascido entre ele, era mesmo predestinado, pois ele conseguia ver que sua felicidade estava nos lagos verdes que o rei tinha como olhos e sentia uma falta absurda de olhar pra eles.
— Louis? — Uma voz conhecida, vinda da mesma porta por onde ele havia entrado, mostrava Harry um pouco confuso, mas Louis ao reconhecer, virou-se imediatamente para encarar quem o chamava. — Oi… — Harry sorriu ao olhar nos olhos azuis do outro, como se todo o peso do mundo simplesmente sumisse de seus ombros.
— Desculpe, eu sei que precisa sair. — Louis disse ao ver o rei se aproximando dele devagar.
— Não, não… — Harry disse sem tirar o sorriso do rosto. — Que bom que está aqui…
— Eu preciso conversar com você. — Louis parecia seguro do que tinha pra dizer, mas tinha um certo medo. — Tem algum lugar em que podemos ter a máxima privacidade?
— É claro, tudo que você quiser. — Harry disse m*l acreditando que estava vendo-o ali em sua frente. Ele já estava em seu caminho para encontrar Alastair, mas um de seus guardas avisou sobre a presença de Louis e, imediatamente, ele deu meia volta e voltou pra casa. — Você está bem? — Harry perguntou e Louis apenas disse que sim com a cabeça, andando ao lado dele, sentindo-se cada vez mais feliz por finalmente ter a oportunidade de contar a ele toda a verdade.
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Na pequena casa na colina afastada da aldeia, o velho Alastair preparava água fervente para um chá. Na sua tranquila tarde de primavera, ele pensou que não precisar mais viver com aquele segredo sobre Louis o fez finalmente respirar aliviado. Não era o peso da idade, afinal de contas, era apenas sua consciência.
Um estrondo na porta o fez olhar assustado para onde vinha o barulho. Logo em seguida, ele viu a loira esguia entrar pela porta e sentiu um medo imensurável. Ela era tão parecida com a mãe que ele chegou a achar que estava tendo um deja vu, vendo a própria Althea em sua frente.
— O que quer? — Ele perguntou com os olhos arregalados, tendo uma noção do que aquela mulher era capaz.
— A verdade. — Ela disse ríspida. — O que sabe? O que contou ao rei?
— Nada. — Ele disse, percebendo que ela realmente não tinha nenhuma vantagem de informação ali.
— Não brinque comigo. — Ela olhou pra ele concentrando-se com mais afinco e ele sentiu então sua garganta se fechando, como se estivesse sendo sufocado por uma mão invisível em seu pescoço.
— Eu não sei de nada! — Ele disse com dificuldade, ela o apertou ainda mais, somente usando seus poderes. — Por… Favor…
— Ótimo. — Ela continuou. — Se ele não sabe de nada, vai continuar sem saber. — Ela disse abrindo um sorriso largo.
— Você não vai conseguir o que quer. — Alastair dizia com dificuldade por estar sendo sufocado. — Louis já sabe de tudo… — Ele sorria mesmo que estivesse naquela situação em que sabia que estava prestes a morrer. — E ele vai conseguir te derrotar.
Ela não disse nada, apenas diminuiu o sorriso, ficando com ainda mais raiva e, finalmente, vendo a vida aos poucos de esvair dos olhos daquele velho. Sentia uma raiva tão grande que m*l conseguia se controlar. “Aquele ferreiro”, pensou “é o próximo! Nada vai atrapalhar os meus planos, vou varrer tudo do meu caminho!” Ela estava totalmente alucinada e cada vez mais bebia daquele poder que a deixava ainda mais forte.
Usando seus poderes, ela destruiu todos os móveis do casebre, como se fosse uma forma de extravasar todo o ódio que sentia. Sabia que aquilo não passaria em branco, sabia que tudo estava indo por água abaixo e era hora de agir, era hora de ir atrás daquele ferreiro e finalmente fazer com que ele suma do mapa.
Ao sair da casa, a escuridão tomou conta do céu novamente, como se levasse a primavera embora de uma hora pra outra. Trovões no céu anunciavam uma tempestade se aproximando. Ela correu segurando a capa preta que vestia a fim de proteger-se, sabia que aquilo não era apenas a natureza, era Zeus. E ele estava furioso.