Capítulo 5| Sorvetes em dias frios. .
Mãee sinto confuso E minha mãe não está ajudando como gostaria.
Ela resolveu que comer devemos algo doce, então somos nós dois na cozinha e o cheiro que os brownies emana dentro do cômodo.
- Filha você pode gostar dos dois. – Ela fala sentada na minha frente.
- Mas mãe esse é o caso, eu não gosto do Samuel. Ele me irrita até o fio do meu cabelo. – Respondo apoiando meu queixo na mesa, ficando corcunda.
- Tem certeza? – Minha mãe arqueia uma sobrancelha marrom. – Porque eu parece que você sempre teve uma quedinha pelo Samuel.
- Mãe quedinha passa com o tempo, e essa com certeza passou. – Asseguro.
- Então por que você não empurrou ele, quando ele te beijou. Deixou o beijo continuar?
- Sei lá, foi coisa do momento.
- Eu ainda acho que você gosta do Samuel. – Ela relaxa como costas no encosto da cadeira.
- Eu não gosto. – Eu endireito na cadeira. – Só estou confuso.
- Por quê? Acho normal gostar de duas pessoas, só não magoe a si mesma.
- Tenho medo de magoar alguém. – Falo sendo sincera.
- É inevitável alguém sair ferido nessa batalha. – Minha mãe coloca sua mão sobre a minha e aperta de leve. - Foca em você. O que você quer?
Eu não faço a mínima ideia do que eu quero.
Depois da nossa conversa na cozinha, comemos metade da assadeira de brownies, sentados no sofá, assistindo filmes antigos. Ficamos acordadas até a tarde e cuidamos para não fazer muito barulho, para não acordar Bella e papai. Nessas horas minha mãe foi minha amiga, minha ação e também minha mãe. Gosto muito esses nossos momentos juntas, podem ser raros, mas me faz feliz.
Domingo de manhã significa uma coisa: panquecas de chocolate.
Como ninguém tem nenhum compromisso no domingo, nós quatro tomamos café da manhã juntos. E todos ajudam sem exceção. Mamãe fica para fazer as suas famosas panquecas, papai faz o café delicioso dele, Bella faz suco de laranja natural e eu fico para arrumar a mesa. Temos poucos momentos como esse, então minha tarefa é deixar a mesa linda e organizada. É quando a gente usa a mesa de jantar, que só usamos em Natal, e eventos especiais.
Demorei mais do que necessário para arrumar a mesa, mas culpo minha cabeça que de vez em quando eu levava aos dois garotos de beijos doces. Mas ao final ficou ocupado com a minha família.
- George por que você não expulsa ele da banda? – Minha mãe pergunta ao meu pai, se referindo ao vocalista do The Royals Stars.
- Eu não posso não achar ninguém para substitui-lo. – Ele responde cabisbaixo.
Meu pai gosta do seu emprego, mas Oliver Foster tira a felicidade dele.
- Não achou ninguém nas audições? – Pergunta minha mãe.
- Ainda não, mas tenho esperanças de achar alguém. - Quando ele falar, tem uma ideia incrível.
- Marco sabe tocar e cantar. - Falo de arrependimento.
Meu pai olha para mim, ele bebe um longo gole de seu café esperando que eu continue.
- Ele pode ser perfeito para ser o vocalista, sua banda deixou ele para fazer uma turnê pelo estado. - Explico.
- Quantos anos ele tem? – Meu pai pergunta de uns segundo pensando.
- 17 anos.
- Seus pais apoiam sua carreira musical?
- Ele mora com a avó, que dá a maior força.
- E seus pais?
- Morreram em um acidente.
Jesus, jesus! – Minha mãe exclama. – Que triste. - Seus olhos estão brilhando de lágrimas que querem sair.
- Não é tarefa Mary. – Papai fala a minha mãe. – Fale para ele ir amanhã, fazer um teste de voz.
- Sério?
- Sim, devo dar todas as chances para todos.
- Obrigada papai. – Não consigo esconder o sorriso no meu rosto. Aposto que ele irá muito feliz com essa notícia, não vejo a hora de contar para ele.
E por falar nele, Marco se mostrou diferente mais uma vez me mandando uma mensagem de bom dia hoje de manhã. Quando os garotos têm a estúpida regra de apenas ligar depois de três dias, Marco me enviou antes de dar 24hrs depois do nosso beijo. Ele vai me levar para tomar sorvete de tarde, e seremos apenas nós dois, garantiu. Após nosso primeiro encontro em uma festa, quero me manter longe de qualquer festa. Meus amigos foram embora e não falo com eles desde de ontem.
Letícia não me enviou mensagem depois que eu perguntei o que foram fazer no lago àquela hora, não quero nem pensar o que eles fizeram sozinhos naquele lago. Afasto qualquer pensamento sobre eles.
Estou ajudando minha mãe com a louça do café. Bella já está posicionada de frente à televisão, papai foi para a garagem, onde dá para escutar os acordes de sua velha guitarra. Adoro ouvi-lo tocar desde criança, meu gosto musical se dá ao credito que meu pai obrigava eu e minha irmã a escutarem todos os melhores álbuns das melhores bandas, de qualquer gênero, nunca tínhamos um favorito, como papai.
- Você vai falar com o Marco? – Mamãe pergunta enquanto esfrega um prato.
- Sobre? – Pergunto enquanto enxugo. Sempre foi assim, nossas melhores prosas se deram com o quadril encostado na pia.
- Você e Samuel.
- Não existe eu e Samuel, existe uma linha tênue bem separada entre nós.
- Tudo bem. – Mamãe fala como se não acreditasse em mim.
- Estou falando sério. – Falo convicta das minhas palavras.
- Eu acredito em você.
- Por que eu não acredito? – Olho para ela.
- Porque não sou eu que está mentindo para mim mesma. – Abro a boca para contestar, mas a campainha toca.
- Depois a gente continua. – Falo deixando ela na cozinha.
Vou até a porta de entrada e a abro. Arthur entra na minha casa antes mesmo de eu falar alguma coisa. Meu amigo está com os olhos arregalados, seu rosto está pálido e suas mãos estão tremendo do lado do seu corpo. Entendi o que aconteceu.
- Você se apaixonou. – Falo fechando a porta com o pé.
Arthur não fala nada, apenas sobe as escadas em direção do meu quarto.
- Mãe eu já volto! – Exclamo antes de ir atrás do meu amigo. Minha mãe fala para eu não demorar e subo as escadas.
Não tão rápido como ele, mas o suficiente para Arthur me olhar com a cara fechada, ao abrir a porta. Que está deitado na minha cama.
Ele está abraçado com minha pelúcia de pinguim, que chamo carinhosamente de pepino, pode não ter nada a ver com um pinguim, mas eu só tinha três anos quando ganhei de mamãe, e ela diz que vivia agarrada a ele, não soltava por nada. E pelo nome pepino, é porque não gosto de angiosperma e colocar o nome no pinguim acho que parecia o certo.
E Arthur sempre riu de mim com pepino, quando pego ele para chorar. Mas ele faz o mesmo. Isso se tornou algo somente nosso.
- Você está bem? – Pergunto fechando a porta do meu quarto e se aproximando dele.
- Não. – Arthur aperta pepino e fecha seus olhos.
- Está mesmo apaixonado por ela? – Deito do seu lado. Fito meu teto de estrelas.
Arthur grunhe do meu lado.
- Sim. – Ele admite.
- E qual é o problema? – Pergunto virando de lado. Arthur suspira e abre os olhos.
Meu amigo se vira e fica de frente para mim.
- Eu nunca me senti assim antes, sinto que Letícia me completa de um jeito estranho e bom. É diferente com ela. – Olho fundo em seus olhos, e pela primeira vez vejo algo que nunca via antes.
Arthur Fitz está apaixonado realmente.
- Estou gostando de te ver assim. – Sou sincera. – Estou amando ver vocês dois assim.
- Eu também.
- Por que você está assim? – Pergunto tocando com meu indicador a ruguinha que se formou no meio das suas sobrancelhas.
- Medo, medo de decepcionar ela, e se não der certo, e se ela não gostar de mim do mesmo jeito, e se nos perdemos por algum motivo. São muitos e se.
- Não pense no futuro, pense no agora. Agora vocês estão juntos, vocês estão começando um relacionamento que pode ou não durar, viva o agora.
Arthur sorri e beija minha testa.
- Você é a minha melhor amiga, sabia disso?
- Eu tento. – Dou de ombros.
- E você e o Marco? – Ele pergunta virando de barriga para cima, faço o mesmo.
- Nos beijamos ontem. – Confesso olhando para meu teto.
- E como foi? O seu segundo beijo? – Não quero corrigi-lo e dizer que beijei Samuel no mesmo dia, por que? Fácil, ainda não digeri ontem direito.
- Foi diferente de beijar meu melhor amigo. – Ironizo. – Ele beija melhor que você.
- Nada a ver, aquele beijo só deu errado por sermos praticamente irmãos e foi você que pediu.
- Mas não me arrependo. – Apesar dele ter sido meu primeiro beijo, iria preferir ter sido ele do que outra pessoa qualquer. Arthur é um garoto que ficará para sempre na minha vida e ter beijado pela primeira vez, me mostra o quanto ele me ama.
- Eu também não. Tenho sorte de ter você ainda comigo. – Arthur passa o braço pelo o meu ombro e puxa para ficar mais perto dele.
- Eu te amo docinho. – Ele beija o topo da minha cabeça.
- Te amo.
A certeza de que tenho é que Arthur Philip Fitz sempre será meu melhor amigo.
****
Marco veio me buscar as 15hrs para irmos a sorveteria do senhor Lorenzo, um senhor de idade italiano que cuida da sorveteria junto com sua filha Violeta. Fizemos nossos pedidos. Eu pedi o de sempre, e meu favorito. Que consiste em ser um sundae de chocolate com calda de chocolate e pedaços de brownies por cima. Venho aqui desde que Arthur e eu aprendemos a andar por Lakewood sem nossos pais, aqui virou nosso lugar favorito de toda cidade, é aqui que conversamos sobre tudo, sem ninguém nos atrapalhar.
Esperamos pelos nossos pedidos e quando vimos Violeta trazer meu sundae e a taça com sorvete de morango de Marco, abrimos um sorriso enorme. Não existe época para se tomar sorvete, pode estar nevando lá fora que ainda não abro mão do meu sundae.
- Aproveitem. – Violeta fala quando entrega nossos sorvetes. Antes dela sair, ela dá uma piscadela e dá a volta no balcão da sorveteria.
- Como você pode gostar de sorvete com o frio que está falando lá fora? – Marco pergunta se referindo ao frio de outono que chegou pesado. Isso quer dizer que o mês está acabando, e isso quer dizer que minha obrigação está acabando.
- Amo sorvete em qualquer época. – Pego minha colher e pego uma generosa parte do meu sundae. Fecho os olhos quando sinto o chocolate doce misturado com o amargo dos brownies, e solto um gemido do fundo na minha garganta.
- Percebi. – Marco aponta para meu rosto quando abro os olhos.
- Tenho novidades. – Falo observando ele colocar um pouco do seu sorvete na boca.
- Quais são elas?
- Meu pai precisa de um cantor novo, e falei de você.
- O que isso quer dizer? – Ele pergunta franzindo suas sobrancelhas escuras.
- Que você tem um teste amanhã, para entrar na banda The Royals Stars. – Sorrio esperando que ele faça o mesmo. Marco enfia a colher no sorvete e me olha. Não consigo decifrar o que ele vai dizer.
- The Royals Stars? A banda famosa de Lakewood? – Assinto. – O que eles iriam querer comigo, um garoto que está terminando o ensino médio?
- Marco, você é bom, talentoso, certeza que eles vão gostar de você. – Asseguro.
- Eu não sei Gina, pode ser muito arriscado. – Ele fala baixando seu olhar para suas mãos.
- É preciso se arriscar para se ter alguma coisa. – Estico meu braço e pego em sua mão.
- Mas o medo fala mais alto.
- Eu vou com você. – Atraio seus olhos para mim.
- Você faria isso comigo?
- Claro. – Dou de ombros.
- Eu poderia de dar um beijo agora mesmo. – Ele fala de repente, sinto um rubor subir para as minhas bochechas. Ele percebe o que falou e fica vermelho. – Nossa isso saiu tão diferente do jeito que queria. Não era para eu pedir o beijo, era para acontecer quando eu te levasse para casa ou na praça da frente, não assim. Isso soou desesperado, me...
Me inclino e puxo a gola da sua blusa azul selando nossos lábios. Marco respira fundo na minha boca. Seus lábios estão frios, e sua língua tem gosto de morango. Me afasto, solto sua gola e sento no banco acolchoado.
- Você fala demais. – Dou de ombros.
- Se formos ficar fazendo vou sentar do seu lado. – Marco fala se levantando e sentando do meu lado.
Ele estica e pega seu sorvete e coloca seu braço em volta da minha cintura. O gesto que estou me acostumando.
- Eu não acredito tem alergia a nozes e ama brownies. – Fala Marco.
- Minha mãe nunca coloca as nozes, e qualquer lugar que eu vou eu olho o menu. – Explico.
- Então quer dizer que Violeta faz os brownies só para você? – Ele pergunta se referindo ao meu sorvete, que infelizmente acabou há um tempo.
Com a conta paga, resolvemos ficar algum tempo dentro do lugar quentinho. Estamos conversando sobre nós. Cada detalhe que temos, cada defeito e qualidade, cada alergia e micos. Eu estou gostando de ficar com Marco. Ele é leve, divertido, carinhoso, gentil e atencioso. Marco é o que todo garoto deveria ser, e o que toda garota precisa ter uma vez na vida. Não estou falando que estou me apaixonando, isso é muito forte de se dizer por alguém que estou conhecendo realmente depois de um ano estudando juntos, mas sinto atração por ele. Marco consegue me fazer feliz.
- Sim, mas só quando eu venho aqui.
- Isso quer dizer que é todo dia? – Ele dá risada do meu lado.
- Claro que não. – Respondo sarcástica.
- Sei. – Ele se aproxima e me dá um selinho. Estou me acostumando com seus gestos em públicos. Sorrio tímida, Marco tem seus olhos fixos nos meus.
Seus cílios são grandes e curvados para cima, tem pontinhos claros na maça do seu rosto. Ele é lindo sem medir esforços. E ele gosta de mim.
Ouço o sino da sorveteria e olho sobre o ombro de Marco. Samuel entra no lugar, tendo Donna debaixo dos seus braços, e seus amigos logo atrás dos dois. Maggie entra com Luca enrolado na sua cintura. Penso o que eles estão fazendo aqui. Nunca na minha vida viria os Lions entrarem aqui.
Samuel olha ao redor a procura de algo. E então, seus olhos me acham. Ele se retrai por um segundo ao ver que não estou sozinha, Donna o puxa para andar e sentar na mesa a minha frente, apenas umas mesas nos separam. A loira senta do seu lado e o capitão passa o braço pelo seu ombro, ele faz isso me olhando.
- Podemos ir? – Marco pergunta. Olho para o garoto do meu lado e assinto sorrindo.
Ele se levanta e estende a mão para eu pegar. Pego em sua mão quente e me levanto. Marco envolve minha cintura e aperta meu quadril de leve. Olho para trás antes de sairmos e temos a atenção de Samuel sobre nós. O frio do outono bate em meu rosto e respiro fundo. Atravessamos a praça até o carro, rápido. Marco abre a porta do passageiro para mim, entro e me abraço para me esquentar. Observo Marco dar a volta pela frente do carro, ele entra e liga o ar quente. Agradeço com um sorriso.
A ida até a minha casa é silenciosa, a não ser pelo rádio que está tocando baixinho. Estou com a cabeça apoiada na janela, olhando as folhas caindo com mais rapidez do que no começo do mês. As pessoas entrando em seus carros para fugir do frio, e outras saindo para entrar no lugar que irão fazer compras, ou comer.
Frio. Amo o frio. Amo a época de inverno, ver a neve cair sobre meu corpo. Sentir a neve envolver meu corpo quando resolvo fazer um anjo de neve. Amo tomar chocolate de mamãe com marshmallow, antes de dormir.
Nem percebo que chegamos na minha casa, só sei disso porque Marco estaciona o carro na frente da mesma. Me viro e olho para ele.
- Você está estranha. – Ele fala depois de um tempo me olhando.
- Estou bem, só pensativa. – Na verdade não menti, apenas omiti.
- Você ainda vai comigo amanhã? – Marco pergunta receoso.
- Claro, - Afirmo. - Te vejo amanhã, na hora do almoço?
- Você não quer que eu te pegue amanhã? Para ir à escola?
- Pode ser. - Sorrio. Marco sorri sem mostrar os dentes. Solto o cinto e abro a porta do carro.
- Gina, - Ele me chama antes que eu saia. – Eu gosto muito de você. – Fecho os olhos ao ouvir essas palavras. Isso foi como um pedido de "por favor, não me magoe" escondido.
Me viro e sorrio.
- Também gosto de você. – Tranquilizo-o. Não menti. Gosto dele, Marco é meu amigo e alguém que gosta de verdade de mim.
Ele sorri um pouco mais relaxado. Me inclino e beijo-o. Em um beijo casto, mas cheios de sentimentos. Me despeço dele e entro o mais rápido na minha casa. Tiro meu casaco azul e minhas botas de inverno perto da porta. Minha casa está particularmente está quieta. Entro na cozinha e encontro um bilhete de papai grudado na porta da geladeira.
Fomos comprar pizza, voltamos já.
Amasso o papel e jogo no lixo.
Subo as escadas e entro no meu quarto. Me jogo na cama e fico de bruços, pensando e acabo adormecendo com olhos dois diferentes me olhando. Um da cor de mel e outro escuro como a noite.