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3724 Palavras
04| Ódio o suficiente Como, - inesperadamente - fui convidada para a festa de Samuel no sábado. Nós decidimos que iria na festa ao invés do Topanga' s, não é o ideal para um primeiro encontro, mas algo dentro de mim não queria dar o bolo no capitão. Letícia me ajudou a me arrumar. Não ficou grandes coisas, mas mudou bastante de como eu visto para ir a escola. Minhas calças jeans foram trocadas por uma saia jeans minha de botões, a camiseta de personagens animados, deu lugar a uma blusa com mangas longas e floridas, meus tênis tiraram o dia de descanso e botas de inverno ficaram no seu lugar. Mas minhas meias, que chegam até metade da minha coxa, continua aqui. Nem tudo mudou. E Letícia? Bom terminou de mim arrumar e foi para sua casa, se arrumar para o meu amigo. Minha mãe está nervosa. Dá para perceber pelo jeito que ela está comendo o dia inteiro. Não é um culpo. Quem diria que Gina Hastings, algum dia seria convidada para um encontro, quem dirá ir para uma festa. Tenho a sensação de que não será a primeira vez em que irei para uma festa, ou encontro. - Mãe, pare de comer, está eu deixando nervosa. – Um repreendo olhando para ela com o quadril encostado na bancada. - Estou ajudando. - Eu deixando nervosa? Belo jeito. – Reviro os olhos. Minha mãe dá de ombros e pega mais um biscoito. - Mary desse jeito, além de ficar gorda, vai mostrar para Gina que ansiedade faz a gente comer demais. – Meu pai aparece na cozinha. - George, você me chamou de gorda? – Ela exclama brava. - Você só ouviu isso? Pergunta. Meu pai abre a geladeira e pega um refrigerante. - Eu não acredito que você me chamou de gorda! – Minha mãe solta o biscoito mordido e sai atrás do meu pai que está saindo da cozinha, ele me dá uma pisadela e entendo na hora que ele fez. Sibilo um obrigado antes que ele suma dentro da sala. Quando minha mãe senta no sofá, ela ainda está brigando com o meu pai. Sorrio sozinho, mas meu sorriso é substituído por um sorriso de nervoso quando ouço a campainha tocar. Forço minhas pernas irem até a porta antes dos meus pais. Deus me livre eles falarem algo constrangedor para Marco. Ao abrir a porta. Marco sorri assim que eu ver, retribuir o sorriso. Mas tem medo de que meu sorriso tenha parecido de que eu estou com gases. O que não é o caso. Parece que não. Marco está bonito como sempre. Com sua jaqueta de couro preta, camiseta branca e um calça jeans azul com a barra dobrada, típico de cantor, e seus coturnos pretos. Seu cabelo está penteado para trás, com o gel mantendo ele no lugar. Ele percebe que está parada olhando-o desarmou e sorrio quando sei que ele também está me analisando. Você está linda. – Ele fala-me fazendo olhar em seus olhos. Você também. – Marco fica vermelho. Eu sou capaz de deixar um garoto vermelho de tímido. Novidade para mim. - Então você deve ser o famoso Marco. – Meu pai aparece estendendo a mão para ele. Ainda bem que foi meu pai que apareceu primeiro e não minha mãe. - Sou eu, sim senhor. – Marco responde pegando na mão do meu pai. - Educado, - Meu pai fala balançando suas mãos. - Gosto assim. Só não gosto quando bancam os espertinhos e magoam minha filha. - George e seu tom de preocupação misturada com ameaça aparecem, e deixar Marco pálido. Meu pai consegue ser ameaçador quando quer, e sua altura a ajuda mais ainda. Seus olhos são de um azul escuro intenso que qualquer um com medo. Entendo porque Marco ficou assim. Pai, o que está aqui. – Rosno do seu lado. - Brincadeira garoto. Fica tranquilo. - Eles se soltam e meu pai sorri. Marco esboça um sorrisinho de nervoso. O Vamos? – Pergunto querendo sair daqui o mais rápido possível. Marco Apenas Assente. Imagino que ele deve estar morrendo de medo do meu pai e falar algo de errado. Eu despeço dos meus pais e de Bella. Minha mãe fala que não precisou me preocupar com a hora que chegou, já meu pai me deu até meia-noite. obedecer Prefiro meu pai. Ele pode ser amoroso comigo, mas ele me trata como sua joia rara. Ele não esconde que sou sua preferida, assim como minha mãe não esconde que Bella é a sua. Mas os dois nos amam igualmente. - Seu pai parece ser bravo. - Marco fala enquanto atravessa o pequeno jardim da minha casa. Aparentemente o frio de outono deu um estalato hoje, e isso me deixa feliz. - Você achou? Ele tem a mania de perseguir os garotos que me levam para sair. – Minto e seguro a risada que está entalada na minha garganta. Marco para de andar, ele se vira e seu rosto não engana que está com medo. Sorrio. Ele percebe que é piada. - Engraçadinha. – Ele revira os olhos de forma brincalhão. - Não tem graça, Gina. - Tem sim. – Fico na ponta dos pés e beijo sua bochecha, por um momento acho que ele irá ficar assustado como no outro dia. Mas Marco sorri todo meigo, e passa o braço pelo meu ombro. Seu perfume tem cheiro de madeira misturada com flores. É bom e não faz meu nariz pinicar. O trajeto até a casa dos Cavanaugh, é misturado com risadas misturadas com escutar Marco cantando e minha falha tentativa de cantar. Ele ri da minha falta de dom e finjo estar brava. Marco não me deixa desconfortável ou faz comentários engraçadinhos para mim. Pela primeira vez é divertido não pensar nele. Estou gostando da presença de Marco. - Gina, pare de cantar. – Ele fala rindo. Finjo estar brava com ele e olho para Marco. - Eu sei cantar. – Respondo fazendo um biquinho. Marco explode em uma risada alta. O som rouco da sua risada se torna meu som favorito. - Você é uma mentirosa boa quando quer. – Ele fala no meio da sua risada. Cruzo os braços e afundo no banco do passageiro. – E mais linda quando está brava. - Ele toca minha bochecha brevemente. Sorrio e olho para ele, ele dirige sorrindo com os olhos fixos na estrada. Marco desperta o que há de melhor em mim. Chegamos na casa do Samuel e percebo que está lotada como sempre. Como sei disso? Arthur nunca perde nenhuma festa dele, e sempre volta com histórias sobre como Donna e Samuel somem quase no começo da festa, de como Maggie ficava – porque agora tecnicamente, está com Luca – grudada em quase todos os jogadores de futebol. E como Donna ficava quando Samuel não deixava ela dormir com ele. Ao entrar na casa enorme que está cheia de pessoas, Marco mantém seu braço na minha cintura. O toque está tão familiar, que quando achamos meus amigos nem estou tão nervosa. Estou familiarizada com Marco e sua mão na minha cintura, as vezes ele aperta minha cintura, me fazendo arrepiar. Sentamos na espreguiçadeira de frente com meus amigos. - Vocês querem bebida? – Arthur pergunta para nós duas. Assentimos juntas. - Não faz muito forte. – Aviso. Arthur e Marco saem nos deixando sozinhas perto da piscina. Olho ao redor. O jardim de trás é grande e iluminado por luzes pequenas sobre nós. As pessoas aproveitam essas festas para beberem e se pegarem. E não é diferente quando a festa é casa do Samuel. Metade das pessoas que estão aqui eu não conheço, só sei que são da faculdade da cidade vizinha. A piscina é grande e provavelmente funda. Só de olhar para ela, estremeço me lembrando de quando me afoguei na piscina da casa dos meus avós. - Como está sendo o encontro? – Letícia me acorda dos meus pensamentos. - Não sei, o caminho até aqui, foi divertido. Mas não pudemos ter algum momento de conversa, apesar de nos conhecermos desde do ano passado. – Respondo olhando para minha amiga sentada a minha frente na espreguiçadeira. Letícia está vestindo uma calça jeans justa e preta, uma blusa amarela florida e soltinha, um casaco da cor vinho fechado. Seus cabelos estão enrolados em perfeitas ondas largas. Sua maquiagem está leve, com apenas um batom rosa mais forte. Ela está calçando uma bota longa preta. Diferente da minha de inverno e a única que tenho. - E o seu? – Pergunto. - Arthur é... – Ela procura a palavra perfeita. – Encantador. – Responde sorrindo. - Você gosta mesmo dele. - Gosto. – Admite. - Só não magoe ele. – Falo isso tendo em vista todas as namoradas que ele teve e o magoaram. - Não vou. – Ela responde convicta. – Gostar de alguém há muito tempo, não deixa motivos para magoar. - Olha que eu vou atrás de você. – Falo em um tom ameaçador brincalhão. - Não quero ver você correndo atrás de mim brava, Arthur ficaria do seu lado, sem dúvidas. - Que bom que você sabe. – Sorrio. Letícia faz o mesmo. Arthur e Marco aparecem rindo de algo entre os dois, com nossas bebidas. Marco senta do meu lado e Arthur fala alguma coisa no ouvido de Letícia que ri e concorda. Ela levanta. - Vamos dar uma volta, voltamos já. – Ela e Arthur entra na casa de mãos dadas. - Não fiz forte. – Marco estende o copo vermelho para mim. - Obrigada. – Falo pegando o copo e bebendo um gole. Faço uma careta ao sentir o gosto doce do liquido descendo pela minha garganta. - Por que minha bebida está tão doce, posso não beber, mas sei que vodca não tem esse gosto. - Ah, - Marco exclama e pega meu copo. - É kombucha, estou dirigindo. - Ele responde dando o copo certo. - Como você pode gostar disso? – Pergunto ainda sentindo o gosto agridoce da bebida. - Faz bem para digestão. - Ele dá de ombros como se fosse normal. Dou um gole na minha bebida. Sinto a vodca descendo raspando pela minha garganta, refrigerante não inibe nem um pouco o gosto forte que tem. Faço uma careta. - Está forte? – Marco pergunta ao perceber que estou quase tossindo. - Não. – Respondo com minha voz fraca, que não convence Marco nem um pouco. - Não acredito em você. – Ele fala. - Eu consigo beber. – Falo convicta, bebendo mais um gole. E mais uma vez sinto o raspar na minha garganta, mas me seguro para não franzir meu nariz. Marco ri da minha tentativa, mas deixa o assunto morrer. Meus olhos passeiam pelos rostos conhecidos e não conhecidos. Ainda não vi ele quando cheguei aqui, não deveria estar procurando por ele, afinal, estou em um encontro com Marco, que é garoto legal e gosta de mim, diferente de Samuel que não quer nada comigo, que só quer me levar para sua cama e eu me torna mais de umas de suas conquistas. Aliás, por que eu estou comparando Marco com Samuel? Meu subconsciente me lembra. Enquanto mantenho uma luta com minha mente. Samuel aparece. Ele sai de sua casa sorrindo com seus amigos de time, tendo um copo vermelho em sua mão. Ele ainda não me viu, o lugar que estamos sentados é afastado do resto de todos. E isso me dar a oportunidade de olhar para ele. Samuel tem seus cabelos ondulados bagunçados como se tivesse transado, o sorriso em seu rosto é sincero, sei disso porque ele sorri com os olhos, e quando faz isso seus olhos ficam mais pequenos do que o normal. Ele está vestindo uma camisa jeans de botões marrons que está com as mangas dobradas até os cotovelos, com calças jeans pretas justas e tênis all-stars. O capitão senta do lado de Donna e passa seu braço envolta de sua cintura. Por um momento sinto algo dentro do meu peito crescer. Eles não tinham terminado? Aparentemente não, já que Donna está passando suas garras por seus braços. Bebo toda a minha bebida em um só gole, esquecendo do gosto que a vodca tem e desce arranhando. - Você está bem? – Marco pergunta do meu lado, ele coloca sua mão nas minhas costas. - Estou. – Responde sentindo meu rosto ficar quente, por conta da bebida. Ainda estou com meus olhos fixos nos dois. Donna está com uma de suas pernas longas e bronzeadas e nuas, em cima da perna de Samuel. Ele está acariciando e perna dela, de forma lenta, subindo e descendo. Ele para sua mão, perto, muito perto de sua virilha. Ela não faz questão de tirar sua mão de lá, sua saia curta mostra muito mais do que necessário. Não consigo parar de olhar. Não consigo desviar o olhar. Eles parecem a p***a de um casal. Me levanto rápido, até demais. - Gina? – Marco está confuso quando olho para baixo. - Eu tenho que ir ao banheiro. – Respondo, não espero que Marco responda. Já estou na metade do caminho, mas para entrar preciso passar do lado deles. Respiro fundo e passo, não olhei para eles tão perto de mim. Entro na casa quase correndo. A sala tem seus móveis afastados para o canto, para as pessoas dançarem no meio. A música está alta e o cheiro de bebida aqui é sufocante. Subo as escadas rápido. Meu copo cai no meio da escada e não volto para pegar. A fila do banheiro me desamina quando eu vejo. - Pode usar o meu banheiro. – Não preciso me virar para ter a certeza de que é ele. - Não vou usar o seu banheiro. – Respondo. - Para de ser chata Gina, e vem comigo. - Não. - Por favor. – Ele súplica. Fecho os olhos não cedendo ao seu pedido. - Volta lá com a Donna. – Respondo tentando não demonstrar ciúmes. - Está com ciúmes, Hastings? – Sei que ele está com seu sorriso típico, atrás de mim. - Não. - Está sim. – Ele insiste. Me viro com os olhos cerrados. Tombo minha cabeça para trás. Samuel está perto, muito perto. Tão perto que consigo perceber pequenas manchinhas no seu rosto. Sua íris tem pontinhos pretos nela. E sua respiração que bate em meu nariz, tem cheiro de cerveja com menta. Meus olhos por um momento caem na sua boca, ela está entreaberta. - Não estou ciúmes, só não acho certo você deixar sua namorada sozinha. – Dou de ombros. - Ela não é minha namorada. – Ele rosna. - Tanto faz. – Me viro de costas para ele. Samuel pega em meu cotovelo e me arrasta. As meninas não ligam para Samuel me arrastando para algum lugar. Ele para de frente a uma porta e entra. O cômodo está escuro e quente. Meus olhos tentam se adaptar a escuridão do lugar, até que Samuel acende a luz. O quarto que presumo ser dele, é arrumado e grande. As paredes são claras, diferentes do jeito que imaginei, com pôsteres de jogadores de futebol, uma prateleira está em cima da sua cama com fotos e uma bola oval de futebol. Os seus móveis são escuros, e sua cama é enorme, estremeço ao pensar o que ele já fez aqui. Afasto esse pensamento e viro para olhá-lo. - Me solta! – Grito, me soltando de sua mão. Samuel fica estático na porta aberta, ele fecha a porta com o pé e vem até mim. Recuo. - Não! Você não pode me arrastar para qualquer lugar, você não manda em mim, você é um ignorante, e******o e grosso! – Falo tudo muito rápido e quando termino estou sem ar. - Gina, você é inacreditável. - Ele passa as mãos pelos cabelos ondulados. - Eu? – Pergunto soltando uma risada debochada. – Você tem o ego tão inflado que nem vê o quanto você é presunçoso. - Por quê? Por que eu sou presunçoso? É difícil lidar com você. – Ele pergunta. Ele quer mesmo saber? - Fica dando em cima de mim, enquanto mantém suas mãos na Donna, fica fazendo piadinhas ridículas, se acha o maioral, o... – Sou interrompida pelos lábios de Samuel. Lábios macios estão contra os meus, lábios finos e rosados. Samuel Cavanaugh está me beijando, em seu quarto, num sábado de noite, onde lá embaixo acontece uma festa. Samuel está com os olhos fechados, enquanto eu mantenho meus olhos bem aberto. Isso não pode estar acontecendo, mas ao sentir sua língua entrar na minha boca, tudo se torna real. Fecho os meus olhos e me concentro no que está acontecendo. Sua língua contra minha, seu gosto de cerveja se mistura com a vodca que bebi, suas mãos indo para minha cintura me puxando para si, para aprofundar o beijo, as minhas mãos se enrolando nos seus cachos da nuca. As borboletas no meu estômago insistem em aparecer, me causando um sentimento bom. Nunca me senti assim antes, é tudo novo, diferente e ao mesmo tempo assustador. Assusta que Samuel faz com que eu me sinta assim, achei que o meu ódio era o suficiente para sufocar a pequena queda que tenho por ele há tanto tempo. Mas não é. Nada com ele é suficiente. Samuel causa em mim sentimentos que me assustam. Assustam tanto que afasto seus lábios dos meus. Minha respiração está entre cortada e tento me acalmar. Seus olhos parecem confusos, sua boca está avermelhada. - Eu não posso fazer isso. – Me desvencilho de seus braços e saio correndo para fora do seu quarto.   Desço as escadas rápido, como se estivesse fugindo de algo. E estou fugindo de algo. Estou fugindo de sentimentos. Sentimentos que podem aflorar dentro de mim. Saio para o jardim de fora, depois de eu passar pela multidão de gente na sala. Procuro por Arthur, ou alguém que eu possa falar ou fugir. Acho quem eu me esqueci a festa inteira e com quem estou tendo um encontro. Marco Santiago. Ele está no mesmo em que o deixei. O deixei para ir ao banheiro e acabei beijando Samuel. A culpa está começando a me invadir. Marco está com o violão em suas mãos cantando algo, com pessoas a sua volta, as meninas estão com os olhos brilhando totalmente encantadas, os meninos com uma carranca de que não estão gostando da atenção que Marco tem. Começo a me aproximar e escuto sua voz doce e suave invadir meus ouvidos. A música que ele está cantando é antiga e linda. E em sua voz fica ainda melhor. Marco sabe realmente cantar. Marco percebe minha presença depois de ter que passar por entre suas tietes. Ele sorri de um jeito que aquece meu coração. A culpa me invade por completo ao ver seus olhos brilhando para mim, ele gosta de mim. Não tem a intenção de me levar para cama e me deixar. Devo dar uma chance para ele, ver o que acontece e de quebra esquecer Samuel. - Você canta muito bem. – Falo, ainda dentro do carro. Marco me trouxe para casa antes da meia-noite. Talvez tenha o convencido de que não estava me divertindo tanto, mas antes de me trazer, ele passou na Topanga's e me pagou um hambúrguer. Acho que preferiria ter tido meu encontro lá, do que na festa. Foi muito melhor e pudemos nos conhecer. Meus amigos sumiram enquanto estava com Marco, e escutando sua voz doce cantar. Enviei uma mensagem para Arthur falando que estava indo embora, e só por precaução enviei para Letícia. Ela responde na mesma hora, dizendo que tinham ido até o lago. Espero que ele deem certo, os dois tem o sentimento idêntico.  - Obrigada. – Ele responde nervoso. Suas mãos estão pousadas em cima de suas coxas, e os ombros tensos. E seus olhos estão focados em nada à sua frente. - A banda que você está é boa? – Pergunto. - Eles são, ou eram. Me deixaram sozinho quando disse que não poderia ir para a turnê por Montana. – Ele fala decepcionado. - Sinto muito. - Tudo bem. – Ele dá de ombros cabisbaixo. - Marco você está bem? – Atraio seu olhar para mim. - É que eu gosto muito de você, para fazer algo errado. - Tudo o que fizer por mim, vou adorar. - Respondo sendo sincera. Marco pega espalma meu rosto com suas mãos, ele se aproxima e me beija. O beijo de Marco é diferente do de Samuel. Ele é mais tímido com a língua do que Samuel. Seus lábios são quentes e carnudos, sua língua é macia e tem gosto de refrigerante. Suas mãos já não estão mais em meu rosto, elas foram parar na minha cintura, me apertando levemente. As minhas estão na sua nuca puxando-o para mim, afim de aprofundar o beijo. E agora minha atenção está no garoto de beijos doces e voz suave, e não no capitão de beijos inebriantes e voz rouca. Pode parecer errado, mas Marco pode ser uma boa distração. Assim não terei como pensar em Samuel. Nos afastamos sem fôlego. Marco encosta nossas testas e passa suas mãos para o meu pescoço. - Terminou melhor do que eu imaginava. – Ele sussurra. Murmuro algo ininteligível. Que nem eu entendo. Marco me dá um beijo na testa e saio do carro. Fico parada na calçada e vejo o Ford Maverick desaparecer pela rua deserta. Conto meus passos até a porta de entrada da minha casa. Incerta sobre o que eu fiz. Subo os degraus devagar e abro a porta na mesma lentidão, fecho a porta devagar sem fazer nenhum ruído. A sala é iluminada pela luz da televisão, entro no pequeno cômodo e encontro minha mãe no sofá. Ela está sozinha assistindo um programa de culinária. Sento do seu lado e suspiro. - Como foi o encontro barra festa? – Ela pergunta olhando para mulher que está recheando um frango. - Eu beijei dois garotos. – Confesso. Minha mãe me olha. Não consigo entender sua expressão, se é de admiração, susto ou de: quem é essa menina? Mas tenho certeza de que nenhuma delas me deixa satisfeita com o que fiz. Porque eu não sinto nada do que ela está sentindo, pode ter certeza.  
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