Bárbara não gritou, não mandou mensagem para ele, apenas ficou em silêncio por horas, chorando e remoendo sua dor, mas precisava de algo, um escape, a casa estava vazia, os empregados haviam ido embora mais cedo naquela noite, ela caminhou descalço pela casa, e foi até o armário de bebidas que Otávio tinha, dele retirou uma garrafa de whisky, precisava recorrer a algo para aliviar aquilo, e a bebida parecia o único possível naquele instante.
Bárbara sentou-se no sofá da sala, colocou a garrafa e um copo sobre a mesinha, com seu celular em mãos, colocou aquele áudio pra escutar novamente, e doeu tanto quanto a primeira vez.
– desgraçado. – ela murmurou enquanto preenchia o copo, a qual ela tomou em dois goles intensos que fizeram sua garganta arder e mais lágrimas caírem por seu rosto.
Passava das dez da noite, Bárbara seguia bebendo, era inevitável pensar nos momentos bons que havia tido com Guilherme e em como ele havia destruído tudo da forma mais mesquinha e c***l que podia. Bárbara preencheu mais um copo, e o tomou, havia tomado quase metade da garrafa e seus sentidos estavam um tanto mexidos, foi então que a porta se abriu, e Otávio passou pela mesma, a vendo no sofá, descabelada, com o rosto molhado de lágrimas, os olhos vermelhos, e o copo na mão.
– Bárbara, está tudo bem? – ele perguntou se aproximando. – ela o olhou com desgosto no olhar, baixou a cabeça, algumas lágrimas pingaram no piso, então ela pegou seu celular, e pela milésima vez colocou aquele áudio, Otávio escutou com atenção, ao fim, ele fez um minuto de silêncio e perguntou. – é seu namorado?
– sim. – disse ela em um tom seco ao mesmo tempo dolorido, então Otávio a abraçou a fazendo desabar ainda mais.
– por que? O que eu fiz pra merecer? – ela perguntou chorosa.
– Bárbara, a culpa não é sua, ele que é um canalha, não merece você.
– filho da p**a desgraçado. – ela esbravejou.
– Bárbara, fica calma. – ele pediu, então ela se soltou do abraço e pegou o copo na ideia de tomar mais uma dose, mas ele não deixou. – não, já chega, esse whisky é forte demais.
– ele vai me pagar bem caro por isso. – ela disse entre dentes, então escorou no sofá e deslizou a mão pelo cabelo, sua mente sedenta por vingança pensando no que fazer, em como proceder naquele momento, então uma ideia lhe surgiu, pagar na mesma moeda, mas com quem? Ao olhar para o lado, estava Otávio, preocupado com a dor dela, ela sorriu, então movida pelo desejo de vingança e pelo álcool, foi para o colo dele colocando uma perna de cada lado o que o assustou.
– Bárbara, o que está fazendo? – ele perguntou surpreso.
– dando o troco. – disse ela, então se aproximou o rosto dele, mas ele esquivou.
– Bárbara, não, você está bêbada e de cabeça quente. – disse ele.
– não estou bêbada. – disse ela, então encaixou o rosto no pescoço dele, e depositou um beijo que fez toda a pele arrepiar, instintivamente ele a segurou pela cintura, e sentiu a língua dela deslizar em sua pele, então voltou a si.
– Bárbara, não, isso não está certo.
– que seja Otávio, não precisa ser certo. – disse ela mostrando que não estava tão fora de si quanto ele pensava.
– Bárbara, não faça coisas das quais vai se arrepender depois.
– eu não vou, aproveita, você pode ter uma noite maravilhosa. – disse ela, então foi em seus lábios, de início ele relutou se esquivando, mas aos poucos foi cedendo ao beijo, até que aproveitou os lábios dela com desejo, sentindo seu corpo clamar por mais, mas sua mente seguia tentando fugir.
– já é o suficiente, você já se vingou, eu bebi essa noite, você também, é melhor pararmos aqui. – disse ele.
– pra mim não é o suficiente.