Capítulo 14 – A Primeira Briga

820 Palavras
A noite em Monza estava carregada de silêncio. Leticia caminhava pelo apartamento, inquieta, enquanto Enzo mexia em alguns papéis da equipe, como se nada tivesse acontecido. Mas dentro dela, a confusão era insuportável. — Enzo, precisamos conversar. — disse, firme, cruzando os braços. Ele levantou os olhos, surpreso com o tom. — O que foi agora, Leti? — Quem é Olivia Moretti? — disparou, sem rodeios. Enzo congelou por um instante, depois suspirou. — Olivia… é passado. — Passado? — retrucou, a voz embargada. — Você nunca me contou que foi casado, Enzo e muito menos com ela. Eu tive que ouvir da boca de outras pessoas, e pior ser abordada por ela! Enzo se levantou, irritado. — Eu não preciso ficar revirando o passado, Leticia. Isso não tem nada a ver com a nossa vida aqui e agora. — Não tem nada a ver? — disse ela, elevando o tom. — Você foi casado com ela, Enzo! Isso não é um detalhe qualquer, existiu uma pessoa importante na sua vida. Ele passou a mão pelos cabelos, já impaciente. — Foi há anos. Acabou. Não significa nada agora, Leticia. — Mas significa para mim! — gritou. — Eu me sinto enganada. Como pode esconder algo tão grande? — Eu não escondi. — respondeu, firme. — Eu apenas não achei necessário contar. — Não achou necessário? — repetiu, quase em lágrimas. — Eu sou sua esposa. Eu merecia saber, antes de ser comparada por todos a nossa volta com a sua ex. Enzo se aproximou, tentando segurar suas mãos, mas ela recuou. — Leti, eu não quero viver olhando para trás. Olivia foi uma parte da minha vida, sim, mas não tem espaço no presente e nem no futuro. — E por que todos sabem, menos eu? Até Giulia, minha prima sabia! Enzo ergueu a voz, já sem paciência. — Por Deus! Precisa ficar fuçando no meu passado, agora! Eu não devo nada a ninguém sobre isso, muito menos a você. Leticia o encarou, chocada com a dureza. — Fuçando? Enzo. Não é fuçar, é querer saber com quem eu me casei. Ele respirou fundo, nervoso. — Você se casou comigo, não com meu passado. Eu não vou ficar justificando cada momento, erro ou cada história antiga, Leticia. — Mas eu preciso entender! — insistiu. — Preciso saber se estou vivendo à sombra de alguém que você não quis mencionar. Enzo bateu a mão na mesa, irritado. — Chega, Leticia! Olivia não tem nada a ver com você, nunca terá. Não tem nada a ver conosco dois. Que p***a! Eu não vou ficar trazendo fantasmas para dentro da nossa vida. Ela sentiu as lágrimas escorrerem, mas manteve a voz firme. — Então você prefere não me contar nada é isso? Prefere esconder? Prefere fingir que nunca existiu? — Prefiro não dar importância, a algo que está no passado. — respondeu, seco. — É simples assim. O silêncio se instalou, pesado. Leticia virou-se para a janela, tentando conter a dor. Enzo cruzou os braços, ainda bravo. — Confiança Enzo, e em uma relação precisa ter verdades sempre. Enzo, já com o tom elevado e o rosto fechado, rebate: — Verdades, Leticia? Você fala como se eu tivesse a obrigação de abrir cada gaveta da minha vida para você. Mas me diga: você realmente quer saber tudo? Quer ouvir cada erro, cada mulher, cada fracasso? Porque se for isso, você quer uma investigação. Eu não vou viver com alguém que fica cavando buracos no meu passado. O que importa é o presente, e se você não consegue enxergar isso, talvez o problema não seja Olivia… talvez seja você que não sabe separar o que já morreu do que está vivo. Leticia se virou, os olhos vermelhos. Naquela noite, o silêncio entre eles foi mais pesado que qualquer barulho de motor. A primeira briga havia acontecido, e não havia declarações de amor para suavizar. Apenas a dura realidade: o passado de Enzo tinha vindo à tona, e Leticia não sabia se conseguiria ignorá-lo, depois de tanto veneno que foi destilado, pelas pessoas a volta dela. Enzo virou-se para o outro lado da cama, sem conseguir fica ali, pois ele não gostava de cobranças e nem que o mundo tocasse no nome de Olivia, respirando fundo, decidiu sair dali, levantou-se de repente. Pegou o casaco que estava sobre a poltrona e caminhou até a porta. — Vou sair e não me espere. — disse, com a voz dura. — Se você quer ficar cavando o passado, faça isso sozinha. A porta se fechou com força, e o som ecoou pelo quarto como um corte. Leticia permaneceu imóvel, sentindo o vazio se espalhar ao redor. O silêncio agora era absoluto, e pela primeira vez desde que se casaram, ela se viu sozinha em um quarto de hotel, sem saber se o futuro deles resistiria às sombras que haviam surgido e ali chorou ate perder suas forças.
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