— d***a.
O murmúrio veio baixinho quando, mais uma vez, a ligação que fazia caiu na caixa postal.
Taehyung suspirou, frustrado, apertando o celular na própria mão antes de finalmente largar o aparelho sobre a mochila que estava largada bem ao seu lado na grama verde, e que estava precisando ser aparada, do local.
E enquanto por fim cedia ao próprio fracasso e deixava que o corpo caísse de vez contra o tecido verde natural que cobria o chão, focava o olhar no céu claro e límpido, com apenas algumas poucas nuvens tímidas.
Naquele momento estava no mesmo parque para o qual Jeongguk havia o arrastado quando ainda queria comprar briga consigo, há algum tempo atrás. Na verdade, há tanto tempo que agora parecia se encontrar num passado muito distante e que fez o Kim se perguntar se havia realmente acontecido em algum momento. Mas sabia que sim, porque fora depois daquele dia, depois do pseudo-beijo acidental que tiveram, que as coisas começaram a mudar. Não de forma r**m, claro, mas definitivamente intensa.
Intensa a ponto de sequer ter conseguido chegar até a escola e naquele momento estar cabulando aula, como o sem futuro que já havia ouvido falar muitas vezes que era. Mas era óbvio que aquilo não tinha nada a ver com nenhum capricho seu ou sua real falta de ânimo em ver o Senhor Han falar sobre a distinção morfológica de cada organismo, mas sim porque sabia que não conseguiria se concentrar em qualquer coisa que fosse enquanto não tivesse notícias de como seu pequeno ômega estava.
Era sufocante.
Ainda estava processando o que havia acontecido dias atrás e ao mesmo tempo dava graças aos céus pelo instinto não ter se sobressaído ao seu bom senso e ter conseguido deixar o Jeon em casa, inteiro, seguro e intocado. Mas será que ele estava bem mesmo? Será que havia conseguido passar por tudo tranquilamente? Sabia que aquilo que havia acontecido não era natural, ao menos não para Jeongguk, e o fato de suas ligações não terem sido atendidas e nem ter notícias era uma verdadeira tortura. Nem Yoongi sabia de nada.
Tinha plena noção que era natural se isolar durante esse período, ele próprio fazia isso. Ômegas então costumavam ser ainda mais cautelosos, e com razão. Porém já fazia três dias e Taehyung estava a ponto de surtar.
Será que deveria ir até a casa dele? Era muito cedo ainda? Aliás, será que ele queria vê-lo?
Eram tantas questões que faziam sua cabeça girar.
Mais uma vez o Kim suspirou, apoiando as mãos com dedos cheios de anéis sobre sobre os rosto e buscando conter a vontade súbita de simplesmente largar o f**a-se e ir em busca do mais novo, nem que fosse para ouvi-lo resmungar consigo. A possibilidade o agradava, tanto que quase poderia jurar que estava começando a sentir o aroma gostoso que era natural de Jeongguk, como se o próprio estivesse bem ali, se aproximando de si.
Era o primeiro sinal de que estava definitivamente começando a enlouquecer.
— Taehyung…?
E então a voz doce e baixinha, hesitante e até um tanto ofegante se fez presente e preenchendo o que antes era apenas o som do vento e de seus devaneios barulhentos.
Com um pequeno sobressalto, o alfa sentou de vez, retornando a posição em que inicialmente estava, embora agora com um acréscimo dos fios bagunçado e o olhar de espanto em sua face, enquanto encarava a figura do ômega há poucos menos de um metro de distância de onde estava.
Ainda precisou esfregar o punho sobre os olhos como que para conferir se o que estava vendo não se tratava da sua mente maldosa lhe pregando peças. Mas, para a sua sorte e total satisfação, os braços que o rodearam e o peso do corpo que se jogou contra o seu antes mesmo que se colocasse de pé, eram completamente palpáveis e reais.
O riso que lhe escapou a garganta soou primeiro que qualquer palavra, das várias que trafegavam de forma bagunçada em sua mente, e de alguma forma exprimia melhor que qualquer uma delas o que sentia ao ter o menor ali, tão bagunçado quanto ele próprio estava, e ainda o abraçando fortemente, como se tivesse lido seus pensamentos e vindo ao seu encontro quando ele mais queria vê-lo.
— Você veio. – as palavras vieram de forma natural e num tom baixinho, quase aliviado, à medida que levava o braço que antes usou para apoiar-se no chão e impedir a queda de ambos, até a cintura alheia, envolvendo o corpo pequeno e delgado em seus braços.
De repente tudo parecia certo, encaixado e em seu devido lugar. Não só para Taehyung, mas também para Jeongguk que sequer era religioso mas estava pronto para agradecer a qualquer divindade que lhe viesse à mente por ter colocado o alfa ali.
Quando saiu correndo de casa daquela forma, ele não tinha exatamente nenhum plano super elaborado em mente. Ele só queria ir de encontro ao Kim o quanto antes, porque toda aquela conversa e as possibilidades que surgiram na mesa do café da manhã de sua casa, fizeram com que tudo que estava evitando pensar e sentir viessem à tona como a bola de neve que lhe atingiu em cheio.
Seu corpo estava sensível ainda, mas nem a dor física e o cansaço eram maiores do que o anseio em ver Taehyung.
Era como se cada célula do seu corpo necessitasse ver e estar perto do Kim, mesmo que na realidade sequer tivesse ideia do que diria quando o encontrasse. Era um sentimento muito parecido com saudade e doía, por Deus, doía como o inferno. Tanto que conseguia até driblar a vergonha que ainda sentia quando lembrava que havia feito pedidos tão vergonhosos a ele.
Pedidos esses que, mesmo afetado, ele não cedeu.
Pelo contrário, ele havia sido sensatez quando o rapaz de fios negros estava fora de si. O respeitou, acima de tudo.
Sorriu de leve consigo mesmo, escondendo o rosto na curvatura do pescoço cheiroso que o Kim tinha, quase que em automático, de modo tão espontâneo que não conseguiu conter. Apenas brotou ali em seus lábios, tão atrevido quanto as borboletas que pareciam voar em seu estômago quando lembrava daquilo.
Talvez fosse seu lobo que também estava sensível demais e consequentemente o estava fazendo se sentir da mesma forma, ou talvez essa fosse só uma desculpa esfarrapada para explicar as coisas que estava desacostumado a sentir. Mas aquilo sequer importava, porque ali estavam eles. Juntos. Num cenário que mais parecia ter sido escrito por uma pessoa de fora.
— Como está? Está tudo bem? Você já podia estar saindo de casa?
Cortando o silêncio confortável e repleto de coisas não ditas, o alfa enfim se pronunciou, afastando um pouco após instantes somente para analisar minuciosamente o ômega, como quem procurava por qualquer coisa fora do lugar ou que indicasse que tinha algo errado.
Mesmo de forma bem mais sutil, o cheiro marcante e quase febril pós-cio ainda se fazia presente. Felizmente nada que pudesse servir para atrair qualquer outro alfa que estivesse passando por perto e mesmo que fosse, o maior não deixaria que aquilo acontecesse.
— Eu estou bem, relaxa. – garantiu, se deixando ser avaliado, lentamente soltando o ar que antes parecia estar preso. — Bem melhor agora…
— Isso é bom…
Trocaram sorrisos curtos, tímidos e quase automáticos assim que os olhares se encontraram; isso até que o mais novo entre os dois acabasse desviando o olhar pro colo, agora sentado sobre as próprias pernas; as mãos sobre os joelhos, o rosto quente e certamente avermelhado e sentindo o próprio coração surrar suas costelas, como que buscando a todo custo fugir do peito.
Taehyung também acabou o fazendo, passando a mão na nuca, deslizando os dedos por entre os fios, bagunçando-os um pouco mais que o normal antes de limpar a garganta:
— Como… Sabia que eu estaria aqui? – finalmente tomou coragem para perguntar, embora não fosse de fato a primeira coisa que queria dizer.
— Pra ser sincero eu não sabia… Eu estava indo te procurar e acabei te vendo de longe. Por um momento achei que tivesse vendo coisas. – confessou, um tanto baixinho, focando nas próprias mãos apoiadas nas coxas, onde brincava com os dedos. — Foi uma coincidência e tanto.
— Talvez nem tanta, porque eu estava pensando em você… E acho que de forma tão intensa que isso acabou te atraindo até onde eu estava… .
O pensamento lhe escapou os lábios antes que notasse, mas não se arrependeu assim que se tocou que havia realmente dito em voz. Em parte porque era verdade, mas principalmente porque o vermelho que novamente tingiu as bochechas fofas do ômega foi algo extremamente satisfatório de ser ver, tanto quanto o olhar curioso que não conseguia esconder a timidez evidente – mesmo que ele tentasse – quando o ergueu para observá-lo.
— Estava?
— Uhum. – murmurou, ainda sem desviar o olhar, umedecendo os lábios levemente. — Estava meio que pirando sem notícias suas… E com medo de você não estar bem ou… Sei lá, estar com receio de ficar perto de mim e não querer me ver. Mesmo assim já estava me preparando pra ir até sua casa, nem que fosse só pra te escutar me chamar de 'alfa de m***a' porque foram só alguns dias mas até disso eu senti falta… Você é o motivo da minha insônia, Jeon Jeongguk, e o mesmo tempo o protagonista dos meus melhores sonhos…
A última parte veio em forma de sussurro, como quem confessava um segredo bastante íntimo que não queria que ninguém mais soubesse. Ironicamente, Taehyung não se importava nenhum pouco em gritar aquilo aos quatro cantos, mas ao mesmo tempo também era egoísta e queria manter aquele momento apenas entre os dois, ali, de novo naquela bolha que sempre parecia os envolver e fazê-los esquecer do restante do mundo.
Jeongguk parecia até ter esquecido como respirava, a recente e breve declaração feita pelo alfa havia dado pane em seu sistema. Ao mesmo tempo também uma pequena parte de si invejava a facilidade com a qual o mais alto parecia ter dito aquilo.
— E-eu… – quando enfim sua voz deu o ar da graça, quase se bateu ali mesmo por ela ter falhado daquela ver, mas não o fez. Ao invés disso, passou a ponta da língua sobre os lábios, enquanto o olhar recaía sobre os dele, por um mísero segundo, antes que o erguesse novamente até seus olhos. — Por que eu… não iria querer ficar perto de você?
Por mais que a voz tivesse saído firme no início, aos pouquinhos foi perdendo a força, até que no fim não passasse de um sussurro fraco, como se o menor tivesse até mesmo desistido de fazer a pergunta ou tivesse esquecido do porquê que estava fazendo-a.
Felizmente, por estarem pertinho e levando em conta sua audição sensível, o maior conseguiu ouvir perfeitamente bem, embora não fosse sua maior preocupação responder àquela pergunta naquele momento.
Não quando tinha o rosto do moreno tão próximo, o perfume natural dele lhe deixando tonto e os grandes olhos negros vezes ou outra recaindo sobre os lábios do Kim, gritando aquilo que era tácito.
E, disposto a responder então de uma forma que não envolvia palavras mas expressaria tudo que mais que queria dizer, num gesto completamente impulsivo, o alfa de fios claros ergueu uma das mãos e cuidadosamente – tão cuidadoso quanto o menor merecia – tocou seu rosto, sentindo-o estremecer sutilmente diante de seu toque mesmo que não houvesse se afastado nem um milímetro sequer, antes de se inclinar lentamente em sua direção.
Jeongguk sentia que seu coração explodiria a qualquer momento, isso se ele não desmaiasse antes. Era tanta coisa que sentia ao mesmo tempo que precisaria de uns bons minutos para analisar com cuidado e nomear devidamente cada uma delas, mas não conseguiria fazer isso nem tão cedo, não quando quanto mais Taehyung se aproximava mais sua mente parecia ficar em branco.
Qual era mesmo seu nome?
Prendeu a respiração no momento em que o mais alto encostou o nariz ao seu, as respirações se misturando – uma verdadeira bagunça –, sentindo um arrepio com o toque suave na mão grande que envolvia sua cintura.
E ao mesmo tempo que se sentia ansioso pelo que viria a seguir, um certo pânico também começava a crescer, fazendo com que no último instante, quando seus lábios já quase se encostavam, o menor apoiasse as mãos sobre os ombros largos, impedindo que o alfa prosseguisse.
— E-espera… – pediu baixinho, quase engasgando com o pedido de tão rápido que o mesmo saiu, em seguida engolindo em seco.
— Ei… Tudo bem? – ajeitando um pouco a postura, afastando o rosto minimamente, o maior não fez cerimônias em indagar, no mesmo tom baixo, o olhar preocupado, temendo estar indo rápido demais. — Quer que eu pare?
Em resposta o menor apenas negou sutilmente com um aceno, os olhos fechando enquanto respirava fundo.
— Eu… Nunca fiz isso. – ainda baixinho, confessou, não se atrevendo a olhá-lo ao mesmo tempo em que sentia que seu rosto pegava fogo. — N-nunca beijei ninguém… Eu não sei como… Sabe?
Se enrolou um pouco, murmurando ao final, parecendo até meio frustrado consigo mesmo. E no fundo talvez estivesse mesmo.
Ao mesmo tempo, por mais que já tivesse se passado pela cabeça do maior em algum momento, Taehyung não deixou de se surpreender com o fato dele lhe dizer aquilo. Soltando o ar lentamente , ele ergueu o rosto do menor, no qual ainda apoiava a mão, passando o polegar sutilmente pela bochecha macia e quentinha.
— Isso não é problema, eu te mostro como faz… confia em mim, não é? – sussurrou, vendo a vermelhidão do rosto dele se espalhar até suas orelhas e pescoço, ao mesmo tempo em que ele fechava os olhos com mais força ainda, parecendo ainda mais sem jeito.
Taehyung precisou de muito autocontrole para não rir com o jeitinho adoravelmente tímido dele muito menos agarrá-lo ali mesmo, principalmente quando o viu afirmar e, ainda com os olhos cerrados, voltar o rosto em sua direção, os lábios bonitos e convidativos unidos num biquinho mais que perfeito.
Sorriu ainda assim, se inclinando novamente e finalmente selando os lábios aos dele de forma casta a princípio, apenas um leve roçar antes de pressioná-los.
Uma pressãozinha gostosa e delicada que foi suficiente para fazer o pequeno ômega amolecer um pouco e relaxar quase que por inteiro, suavizando o aperto que mantinha sobre os ombros do mais alto e correspondendo ao beijo da melhor forma que conseguiu, mesmo que fosse óbvia a sua inexperiência.
E durou apenas alguns segundos, antes que o Kim desgrudasse os lábios provocando um estalinho baixo e arrancando um resmungo baixo do menor, somente para observar expressão alheia; rosto corado, lábios entreabertos e a respiração pouco irregular.
Sorriu, não dando a chance do Jeon sequer reclamar já que nos instantes seguintes estava tombando a cabeça para o outro lado e novamente unindo seus lábios num ósculo, dessa vez mais demorado e íntimo.
A mão que se mantinha ao redor de sua cintura, ali fez um carinho sutil antes de apertar com certa firmeza à medida que entreabria os próprios lábios e aprofundava o beijo sem pressa alguma, aproveitando cada segundo da doçura que os lábios de Jeon Jeongguk possuía.
Mais vezes do que admitiria em voz alta, já havia se pego imaginando como seria a textura, o sabor e sensação de ter os lábios alheios para si, e agora que finalmente estava tendo a chance podia finalmente comprovar que eram doces e macios, de uma forma que nem em suas fantasias mais secretas eles eram.
Um suspiro baixo escapou entre o beijo por parte do mais novo assim que sentiu uma mordida fraca em seu lábio inferior, novamente sentindo um arrepio percorrer seu corpo, antes que a língua alheia afundasse dentro da sua boca, explorando pedacinho da mesma como o território inexplorado que era.
Timidamente o moreno correspondia ao ósculo, as mãos agarradas ao tecido do uniforme escolar que o alfa usava, m*l evitando cada sonzinho que lhe escapava toda vez que sentia o músculo molhado e macio se enroscava ao seu, da mesma forma que não conseguia evitar a satisfação sempre que os mesmos sons vinham da pessoa a sua frente.
Sempre havia detestado a ideia de parecer em desvantagem em qualquer situação que fosse, mas ali, mesmo que definitivamente não tivesse ideia do que estava fazendo, não sentia como se estivesse perdendo nada, muito pelo contrário. Não havia competição, medo ou receio. Apenas uma sensação de conforto e euforia, tudo junto e misturado em seu estômago, causando um friozinho tão gostoso quanto a sensação da boca de Taehyung grudada na sua.
Um estalo sutil, seguido de outro e de outro logo pode ser ouvido à medida que beijo profundo e molhado foi se desfazendo em selinhos inocentes. E o Kim fez questão de mudar o percurso dos selares da boca até a bochecha do menor, arrancando um riso espontâneo do mesmo, que poderia ser facilmente descrito como o som mais adorável do mundo.
O alfa sorriu diante da feição risonha do mais novo, pouco ligando se estava com a maior cara de bobo do mundo mundo, porque culpado, ele era mesmo. E m*l acreditava no que havia acabado de acontecer ali, seu lobo vibrava em seu peito, tão extasiado quanto ele próprio ainda estava.
— O quê…? – a voz baixa e ainda um tanto afetada do ômega se fez presente, de repente despertando o alfa de seus devaneios.
Piscando algumas poucas vezes, o Kim enfim focou no rosto vermelho e curioso do mais novo, que ainda possuía a respiração um tanto acelerada.
— Você. – respondeu, simplista, abrindo um sorriso sutil. — Você é lindo.
A resposta pareceu pegar o ômega de surpresa, tanto que desviou o olhar no instante seguinte, sem jeito com o que ouvira e ainda resmungando um “alfa bobo” em resposta.
Por um momento fechou os olhos, respirando fundo antes de voltar o rosto na direção do alfa que ainda o observava com um sorrisinho no rosto bonito – provavelmente se divertindo com sua falta de jeito –, o que fez que instantaneamente crescesse um bico em seus lábios, mesmo que permanecesse decido.
— Taehyung… – chamou, umedecendo os lábios e em resposta ouvindo um "hm?" como um incentivo para que prosseguisse. — Eu… Gosto de você.
Mais fácil do que imaginou, a confissão veio, fazendo com que seus ombros relaxassem quase que instantaneamente. Imaginava que talvez aquilo fosse óbvio, mas ainda assim queria dizer aquilo em voz alta. Era importante demais para que mantivesse implícito.
E mesmo assim a surpresa na face de Taehyung era ainda mais evidente. Mais parecia que ele ainda processava o que havia acabado de ouvir.
E o ômega gostava disso.
Antes mesmo que o Kim tivesse a chance de responder algo, o menor acabou repousando o polegar sobre os lábios ainda avermelhados do mais alto, umedecendo os lábios antes de continuar:
— E… Acho que ainda estou te devendo um encontro… – disse, abrindo um sorriso curto que sequer mostrava os dentes grandinhos, baixando o olhar ainda por instantes. — Desculpe, eu não planejei nada legal, passei por uns dias complicados e ainda 'to meio bagunçado… Mas posso te pagar um doce. 'Ta livre?
Antes mesmo que a indagação final viesse, o pequeno ômega já estava de pé, batendo a grama da calça antes que o olhar se focasse no alfa e então lhe estendesse a mão.
Taehyung ainda parecia surpresa quando o olhar recaiu sobre a mão pequena que apontava em sua direção. Uma surpresa proporcionalmente positiva.
Soltando um riso baixo, num sopro, o mais alto catou a mochila esquecida ali ao lado com uma mão, e com a que estava livre segurou a alheia, usando-a como apoio que pudesse levantar.
— Bom… Eu meio que cabulei aula hoje, então estou livre o dia todo. – sorrindo ladino, conteve o riso diante do olhar de reprovação do mais novo. — Aceito um sorvete.
— Que seja sorvete então… – concordou, observando suas mãos juntas, mais com uma desculpa por não conseguir sustentar por tempo demais o olhar intenso de um Taehyung que lhe sorria daquela forma. — M-mas não me olhe todo convencido assim.
E então Taehyung riu, a forma quadrada tomando conta do seu rosto, enquanto entrelaçava os dedos aos do menor – que mesmo sério ainda possuía o rosto ruborizado –, porque algumas coisas talvez nunca mudassem.
Mas não era como se aquilo o incomodasse. A nenhum dos dois.