›◞ DOZE

4274 Palavras
                                                                                Me                                                                                  Ei                                                              Já comeu? Goo 🐰 Tô indo agora O Yoongi hyung foi na frente comprar pra gente enquanto eu devolvia uns livros pra biblioteca. Só acabei há pouco                                                                                Me                                                                            Ótimo                                                     Coma bem, hm? Goo 🐰 Eu vou sim Faça o mesmo, hyung, hm?                                                                                 Me Okay ? Hyung.  Foi inevitável que um sorriso pequeno brotasse, completamente sem seu consentimento, enfeitando o rosto normalmente sério do alfa ao ler aquela última mensagem. O próprio Taehyung ainda ficava bobo e sem crer nas próprias reações enquanto balançava a cabeça, mas já estava bem mais habituado e certamente não se incomodava com nenhuma delas. Ainda menos depois que seu lobo havia praticamente reivindicado o Jeon como seu ômega. Mordeu de leve o lábio, antes de suspirar, apoiando o celular sobre a mesa de pedra em que estava sentado – uma das muitas que se encontravam dispostas pelo jardim do colégio – enquanto lançava um olhar pensativo a quadra há alguns metros de distância de onde estava, onde alguns dos alunos disputavam uma partida, amistosa, de futebol. Já fazia pouco mais de um mês desde a viagem que haviam feito juntos; e desde a noite em que conversaram e o Jeon lhe segredou aquela parte tão íntima e delicada de sua vida, eles estavam mais próximos do que um dia Taehyung já se imaginou capaz. Na verdade, mais do que qualquer um dos dois já havia imaginado. Era como se Jeongguk finalmente houvesse se permitido não erguer nenhuma barreira ou limite entre eles, ainda que seu jeitinho fosse aquele mesmo, meio bruto e direto de sempre – coisa que não reclamava e nem queria que ele mudasse de forma alguma –. Gostava de pensar que ele não sentia mais nenhum tipo de receio em deixá-lo se aproximar completamente e aquilo o aquecia por dentro. Ele até mesmo o chamava de hyung, agora. E por mais que parecesse banal ou bobo aos olhos de qualquer outra pessoa, sempre fazia o coração do Kim errar uma ou duas batidas, mesmo que fosse somente por mensagem como naquele momento. Aliás, essa era uma das coisas que haviam se tornado parte da, até então, amizade dos dois. As trocas de mensagens. Ao seu ver, era um verdadeiro luxo poder manter aquele tipo de contato com o menor e na maior parte do tempo não conseguia controlar os dedos, então quando via já estava indagando se ele estava bem, se havia comido direito, se havia chegado bem em casa, e às vezes até mesmo só puxava assunto do nada, sem razão aparente, fosse mostrando uma música legal que havia curtido ou comentando sobre algum lugar bonito que havia encontrado e que imaginava que ele iria adorar fotografar. Às vezes até se perguntava se estava sendo inconveniente ou algo assim, mas como nunca recebia reclamação, apenas continuava. Tinha receios de fazer bobagens ainda ou de dizer ou fazer algo que soasse ridículo. E esses receios sempre o deixavam nervoso e ansioso, a cada mensagem que enviava e recebia, a cada vez que falava com o menor; aparentemente estar gostando de alguém tinha dessas. Era tudo muito novo para o Kim, mas apesar disso ele gostava. Além disso, levava a sério a promessa que havia feito a si mesmo que iria cuidar dele a todo custo e planejava cumpri-la à risca. Queria vê-lo bem, saudável e feliz, então por hora se contentava em garantir a p******o e cuidado dele daquela forma, mesmo que não fosse exatamente como gostaria. — …-ntão eu decidi me entupir de drogas, raspar uma sobrancelha e tatuar uma joaninha na minha b***a, sabe? Se assustando um pouco ao retornar a realidade e ouvir aquilo, o Kim piscou rapidamente enquanto o olhar logo recaia no alfa loiro e baixinho que parecia um tanto distraído olhando as próprias unhas enquanto mantinha o quadril apoiado na mesa onde Taehyung estava sentado. Quando o amigo chegou ali? — … O quê? – indagou, assim que soltou o ar, o cenho franzido em pura confusão, ainda olhando o amigo com estranheza. — Jimin, você bebeu? — Ah, agora o bonito resolve prestar atenção no que eu digo, não é? – o baixinho bicudo estalou a língua no céu da boca, o olhar agora no Kim, carregando a indignação que sentia há pouco quando se sentiu completamente ignorado. — Eu vim falar com você todo animado e você com essa cara de bobo olhando o nada. Em quê, de tão bom, 'cê tava pensando? Se jogou no banco de pedra que havia frente a mesa, olhando o amigo com curiosidade, ainda mais quando o Kim desviou o olhar, completamente sem jeito, o rosto ganhando algum rubor, mesmo que o rosto estivesse sério. Era discreto, mas suficiente para que o outro alfa notasse. — Não é nada demais. – limpou a garganta, logo forçando uma tosse ao apoiar o punho fechado à frente da boca, sem olhá-lo nos olhos. — Fala ai, qual é a boa? — A boa é que você está olhando para o novo capitão do time de atletismo. – o Park relaxou os ombros, abrindo um sorriso bonito enquanto roubava um dos Tteokbokki esquecidos na bandeja do Kim, que apenas o olhou surpreso. — É, eu sei, eu sou bom. Já tinha um bom tempinho que o amigo vinha se preparando como um louco para aquela seleção e saber que ele havia conseguido o deixava feliz. Por mais que não parecesse o baixinho era cheio de inseguranças, e mesmo que Taehyung soubesse da sua capacidade era bom que aquilo desse uma certeza a mais para o menor. — Caramba, Jimin. Parabéns. – disse sincero, sorrindo de lado, mas deu um t**a na mão gordinha quando esta tentou novamente roubar sua comida, arrancando um olhar indignado – e completamente dramático diga-se de passagem – do amigo e uma risada da sua parte. — Não significa que pode furtar meus bolinhos. — Chato. – revirou os olhos, um bico ainda presente nos lábios e as bochechas cheias enquanto acabava de comer. — Mas então, vai me contar no que tava pensando? Se não te conhecesse diria que tá apaixonadinho. Lançou um sorrisinho travesso na direção do Kim, completamente disposto a provocá-lo como era costume. Só não esperava que o amigo praticamente fosse engasgar com o alimento que segundos atrás havia impedido de ser tomado. O punho frente a boca enquanto tossia algumas vezes seguidas. A mudança repentina de assunto, ainda mais com aquela provocação, havia pego de surpresa e desestabilizou completamente o mais alto. — D-d***a. – resmungou em meio à tosse, os olhos castanhos apresentando lágrimas nos cantinhos. — Caramba… 'd***a' digo eu, calma menino. – o loirinho foi rápido, e tão curioso quanto estava preocupado, logo estava estendendo a garrafinha d'água que havia na bandeja alheia, esta que foi aceita de muito bom grado. Taehyung tomava goladas grandes, relaxando os ombros conforme sentia o alívio lhe tomar os ombros quando já não mais tossia, mas não teve coragem suficiente para afastar o objeto do da boca, receoso que assim que o fizesse o amigo – cujo o olhar sentia queimar sua pele – fosse lhe bombardear de perguntas diretas que ficaria sem jeito demais pra responder. — Vai com calma aí, vai acabar se engasgando de novo assim. – o baixinho resmungou, embora verdadeiramente preocupado, enquanto mantinha uma das mãos apoiadas nas costas do amigo. Mas logo o franziu o cenho e semicerrou os olhos na direção do maior. — Não me diga… Fala sério, Kim Taehyung, você tá enrolando pra não me responder! A voz chiada e visivelmente alterada, embora o Park nem de longe parecesse assustador com aquela mão na cintura e bico nos lábios, chamou a atenção de algumas pessoas que passavam por ali perto, curiosos com o que rolava ali. Taehyung quis cavar um buraco e se jogar dentro. Suspirou assim que a garrafinha – praticamente seca – foi deixada de lado, o rosto retorcido numa careta repreensiva na direção do menor. — Não precisa gritar, sabia? – murmurou. — Ah, eu preciso sim. Você 'tá me enrolando na cara dura, se aproveitando da minha preocupação. – estalou a língua no céu da boca. — Isso não se faz. — Aigoo. – suspirou, bagunçando os próprios fios e olhando o loiro ao negar, ainda um pouco sem jeito. — Escuta, não é nada demais, uh? — Sei, a conversinha é essa. – respondeu, contrariado, o olhar analítico ainda avaliando a expressão do Kim. Permaneceu quieto por um momento. — … É a Jihyo, do 3° 'B'? Ouvi dizer que ela gosta de você. Tipo, ela visivelmente 'ta afim. A fala pegou o Kim que de surpresa, que apenas arqueou uma sobrancelha. — Ok, não é a Jihyo… É a Sana então? A Chaeyoung? – continuou, parecendo mais empolgado a cada nova tentativa que fazia. — Yeji? Eu vi com ela te olha. — Jimin… — Calma, calma. Só mais uma tentativa. – ajeitou a postura, os olhinhos praticamente brilhando enquanto fazia uma pausa dramática como se pensasse bem. — É a Shin Ryujin? Eu acertei, né? — O que tem eu? Antes mesmo que pudesse pudesse responder o amigo adequadamente ou simplesmente lhe dar um pescotapa para que deixasse de falar bobagem, Taehyung travou o escutar a voz doce e feminina surgir próximo de onde estavam. Jimin também pareceu se surpreender, e não demorou até que os dois lentamente voltasse o olhar até a fonte da mesma, dando de cara com a jovem ômega de cabelos loiros e na altura dos ombros, que no momento sorria simpática embora a feição também esboçasse curiosidade. — Ah, nós ap- — N-nós apenas estávamos falando sobre quais dos nossos colegas achamos que ficariam no topo do ranking dos alunos esse semestre. Não seria surpresa se ficasse, é tão inteligente e aplicada. – o Kim interrompeu o amigo rapidamente antes mesmo que ele pudesse dar qualquer resposta engraçadinha, inventando uma desculpa qualquer enquanto abria um sorriso amarelo. Por Deus, detestava mentir. Detestava ainda mais mentir tão m*l. Mas de forma alguma queria contar a verdade, porque certamente geraria ainda mais confusões, m*l entendidos e seria vergonhoso. Como foi que havia parado naquela situação mesmo? — Oh. – foi a primeira reação da garota, que parecia surpresa com a resposta, embora logo tivesse aberto um outro sorriso em resposta. — Bom saber que têm essa ideia de mim, especialmente quando eu mesma não estava tão confiante assim. Obrigada. Mordeu de leve o lábio, olhando os dois, em seguida desviando para os próprios sapatos como quem ponderava um pouco. Por fim, depois de alguns poucos segundos, ergueu o rosto, agora um tanto corado, direcionando o olhar ao mais alto dos dois alfas. — D-de toda forma… – continuou. — Eu não queria atrapalhar a conversa, só… Entregar isso aqui. – e só então estendeu o que segurava em mãos. Taehyung levou alguns segundos para processar o que tinha ouvido, enquanto o olhar vagava do rosto em expectativa da garota até o pequeno embrulho transparente e aparentemente cheio de docinhos – que até então não havia notado que ela trazia – que lhe era estendido. Surpreso ainda, o alfa fechou a boca, engolindo em seco antes de pegar o embrulho. Não era como se nunca tivesse acontecido antes. Geralmente recebia muitos agrados durante o dia, em especial na hora do almoço, dos ou das ômegas e betas que estudavam no lugar. Lanchinhos, bebidas, doces. Sempre tentava ser o mais educado possível, ainda que aquele tipo de coisa o deixasse sem saber como reagir. A maioria não tinha a devida coragem de lhe entregar pessoalmente e só deixavam na sua mesa ou armário, mas sempre havia exceções. E ali estava Shin Ryunjin bem a sua frente, um tanto tímida, mas ainda assim o fazendo. Provavelmente qualquer outro alfa, não comprometido, daquela escola daria qualquer coisa para estar ali no seu lugar, afinal se tratava de ômega que era considerada a mais bonita daquele lugar. Porém Taehyung não conseguia se encaixar naquele grupo. — Obrigado… – a resposta veio enfim, ao passo que o mais alto voltava o olhar do que segurava até o rosto alheio. A mais baixa ali havia abriu um sorriso e afirmou. — Espero que goste. Eu mesma fiz. – colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Agora tenho que ir, mas… Nos vemos por aí. Tchau, pra você também, Jimin-ah. E foi com um aceno que a garota mais um vez sorriu e se despediu, girando nos calcanhares antes de seguir até onde estava um grupinho de meninas do outro lado do jardim, aparentemente a esperando com sorrisos cheios de intenções. Taehyung suspirou, passando a mão na nuca, negando por um momento. — Cara, ela tá tão na sua. A voz do baixinho o despertou de seus devaneios e o mais alto não evitou uma careta, acabando por deixar os doces de lado. — Fica na sua. — Sério, você sabe. Não seja sonso. – balançou a cabeça, observando a garota ao longe, antes de focar no amigo. — Mas pelo visto não é ela, já que você nem parece animado. O que é estranho, porque eu conheço pelo menos uma dezena de caras, e até garotas, que dariam um rim pra estar no seu lugar. O maior sabia daquilo, porém ficou em silêncio, ainda mais quando o barulho de notificação do aparelho sobre sua coxa indicou uma nova mensagem. Ao menos por hora havia sido salvo pelo gongo. Goo 🐰 [Imagem] Assim que o Kim abriu o chat e avistou a mídia – a foto com sua bandeja de almoço –, não conseguiu conter o sorriso, que lhe veio quase automaticamente. E o seu eu de alguns meses atrás provavelmente lhe daria um t**a na cara por ficar tão afetado por uma simples foto de uma bandeja de almoço. Porém não estava nem aí. Jeon Jeongguk havia lhe mandado uma mensagem. Uma mensagem para lhe tranquilizar e garantir que estava mesmo comendo bem. Talvez nem todo mundo interpretasse daquela forma, mas Taehyung estava certo daquilo. Estava nas entrlinhas. E era mais que o bastante para deixar o alfa menos inquieto, embora ironicamente sentisse que seu pulso estivesse um pouco mais acelerado que o normal. Então f**a-se se parecia um colegial apaixonado, porque certamente naquele momento ele era mesmo. — Goo? Quem é Goo? E foi o suficiente para retirar o Kim de seus próprios devaneios, como se só então tivesse lembrado que o Park ainda estava ao seu lado. Piscando algumas, desajeitadamente bloqueou a tela do celular, fazendo uma careta que buscava encobrir suas bochechas avermelhadas. — Não te disseram que é f**o ficar olhando conversa dos outros? — Você não é "os outros", é o Tae que é meu amigo. Além do mais, eu faço isso o tempo todo quando estou no metrô ou ônibus. – deu de ombros como se fosse motivo suficiente, antes abrindo um sorriso malicioso em seguida. — Então é por isso que m*l deu bola pra Ryunjin? Porquê tem uma 'Goo' no meio? Balançou as sobrancelhas, rindo alto da visível falta de jeito do mais novo – por alguns meses – quando este parecia nem saber o que dizer. — F-fica quieto, Jimin! — Mas eita, o negócio aqui 'ta animado mesmo ein? Automaticamente ambos voltaram-se o garoto que acabava de chegar, os fios vermelhos voando com um vento, carregando uma bandeja preta e um olhar curioso estampado no rosto. — Está sim. O Taehyung foi fisgado, Hobi hyung. – o Park disse sem a menor cerimônia, um sorriso e sugestivo no rosto ao olhar o ruivo, antes que o olhar recaísse no Kim novamente. — Oh… é mesmo? – arqueando uma sobrancelha, o Jung olhou divertido o melhor amigo que parecia pedir socorro com o olhar. — Quem é? — Uma tal de Goo, estavam trocando mensagenszinhas. Eu 'to tentando arrancar mais informações. A resposta animada do loirinho arrancou uma risada do ruivo que prontamente focou no outro. — Goo? Já estão assim? – indagou, retoricamente, vendo o mais alto revirar os olhos, embora as bochechas estivessem ali, coradas, como se gritassem pro mundo o quanto o Kim estava afetado. Riu mais uma, antes de olhar o outro amigo. — Não é uma tal, é um tal. Na verdade, pelo visto, é o tal. É um garoto, chamado Jeongguk. Após a explicação do mais alto, foi impossível pro loirinho manter a boca aberta, evidenciando sua surpresa da forma mais dramática possível. Pra Taehyung seria cômico, se não fosse trágico. — Pera, Jeongguk… – o baixinho disse após uns instantes. — Esse é aquele ômega? O encrenqueiro? Que deu uma surra no Bogum e no MinHo por estarem aprontando m***a por aí? O que ficou preso contigo naquele dia? Esse Jeongguk? – indagou rapidamente conforme lembrava dos acontecimentos que apesar de não ter vivenciado, havia ouvido sobre. E após a confirmação do Jung, um estalo foi ouvido. — Caramba… E você ia me esconder isso, Kim Taehyung? Por que eu sou sempre o último a saber? Eu nem sabia que você gostava de homem! A indignação de Jimin era tanta que ele nem fazia questão de ser discreto. — Pelo visto agora todo o colégio sabe. – resmungou em tom de sussurro, sem jeito ainda que parecesse sério. — Não querem falar mais alto? Acho que o pessoal lá de dentro não ouviu ainda. — Não mude de assunto, bonito. – fez uma careta, o bico inconformado ainda presente nos lábios enquanto negava. — Não acredito que não ia me contar. — Eu… Olha, nem tem o que contar ainda. – murmurou. — Além do mais eu sabia que você ia fazer um escândalo. — Não to fazendo escândalo… Talvez um pouco. Mas é porque isso é importante. E aquilo soou motivo o bastante, convincente ainda por cima, para o mais baixo entre os três. — Tudo bem, tudo bem. Calma, crianças, sem brigas. – interveio o ruivo, que olhava com certa diversão a cena que não fugia do comum. Aqueles dois não mudariam nunca. — Quer dizer, o Taehyung está com os quatro pneus arriados? Sim, completamente. Mas sabe que se forçar muito ele fica tímido e se fecha. — … Eu desisto de vocês. O Kim revirou os olhos diante da provocação do Jung seguida do riso alto que veio por parte do Park, antes de levantar, pegando sua bandeja, bem como o celular, em um segundo já estando de pé. — Ei, pra onde vai? Senta aqui que eu quero saber tudo sobre esse menino. – apontou o dedo acusatório o amigo, logo indicando que ele sentasse novamente, embora o de fios acinzentados já acenava se enquanto se afastava. — Taehyung! Não pode fugir assim. — Ah, mas eu já estou fazendo isso! – respondendo em um tom mais alto, já um pouco longe da mesa, fez uma joinha pros dois, se escapulindo da melhor forma que conseguia. Para a total indignação de Park Jimin. — Deixa ele, 'tá tímido. Sabe bem como ele funciona. – rindo baixinho mais uma vez, o ruivo bebia seu suco, pleníssimo, já esperando aquela atitude vinda do Kim, enquanto os dois o observavam sumir. — Toma, pega um bolinho. Ofereceu, vendo o mais novo fungar embora logo aceitasse de bom grado. Não sabia ao certo todos detalhes do que havia acontecido entre os dois e o momento exato em que aconteceu, mas sabia que estavam mais próximos do que nunca e que mesmo que levasse algum tempo, não demoraria até que estivessem juntos. Podia muito bem dizer que sentia que aquilo era o que estava predestinado a acontecer, mas o destino também estava tendo uma ajudinha especial. … Um suspiro pode ser ouvido pelo cômodo vazio assim que o moreno pôs os pés no quarto. O dia havia sido no mínimo cansativo, e após passar uma boa parte do mesmo na escola, a outra na rua – dando algumas voltas por aquele lado da cidade, como quem patrulhava, buscando alguma atividade suspeita – e esse começo de noite ajudando seus appas na cozinha, sua cama nunca havia lhe parecido tão convidativa quando naquele momento. Por essa razão mesmo, não demorou muito até que Jeongguk estivesse largando o próprio corpo sobre o colchão fofinho da cama, se sentindo afundar um pouco em meio ao edredom de cor clara, assim como cada detalhe daquele quarto surpreendentemente delicado. E então por um momento sentiu os músculos do corpo relaxarem, enquanto fechava os olhos, aproveitando aqueles minutos de silêncio e não sentindo qualquer vontade de levantar e vestir algo mais confortável do que o jeans claro e folgado e o moletom roxo e largo que usava. Ainda ouvia, um pouco distante, o som das risadas dos pais que haviam ficado de levar a louça, já que era o dia JaeMin mas Eunwoo havia se oferecido para ajudar – como sempre, aliás. O moreno abriu um sorriso mínimo com aquilo antes de novamente suspirar. Já estava até habituado àquela rotina que lhe era tão comum, mas nessa última semana por alguma razão parecia que estava se cansando com mais facilidade do que gostaria; bem como naquele momento, onde estava se sentindo tão molinho que era quase como se estivesse febril. Será que estava ficando doente? A possibilidade lhe parecia estranha, porque geralmente quase nunca ficava doente. Nem mesmo gripe ou resfriado, sua saúde era impecável, era um rapaz ativo e saudável. Talvez fosse só falta de alguma vitamina ou talvez tivesse que pegar mais leve; e preferia sem sombra de dúvidas acreditar que era a primeira opção, então falaria com seu pai quando pudesse – com a maior cautela possível, do contrário era provável que ele fosse querer arrastá-lo para o hospital até encontrar uma resposta que lhe deixasse tranquilo, e sinceramente não era pra tanto. Um grunhido manhoso lhe escapou a garganta, bolando levemente sobre colchão e novamente fechou os olhos, decidido a ficar naquela posição até o dia seguinte. O que teria cumprido ferrenhamente, não fosse o toquezinho de notificação do celular chamando sua atenção. Soltando um baixo resmungo e ainda de olhos fechados, tateou o próprio bolso na tentativa de pegar o aparelho, o que não demorou a acontecer. E logo o olhar semicerrado estava no visor, sentindo o coração aumentar o ritmo ao, por um segundo, ver o nome na notificação, bem como as bochechas esquentarem e as mãos de repente estarem mais suadas que o normal. Num gesto rápido escondeu o rosto como pode com os braços, soltando um resmungo que mais parecia repreender a si mesmo pela euforia que o consumia, enquanto sacudia as pernas no ar. Não importava quantas vezes estivesse naquela situação, sua reação sempre seria algo do tipo. Era frustrante que não conseguisse controlar o próprio corpo, que de repente seu coração agisse como louco e todo seu corpo passasse a imitá-lo, como se estivesse fora de controle. Mais parecia que havia tomado uma dose de adrenalina direto na veia, mas só havia recebido uma mensagem. Porém também não iria agir como bobo, porque era claro que o motivo de tudo aquilo não era a mensagem, mas sim o remetente. Recebia mensagens de seus pais e de Yoongi o tempo todo e nunca, em vez alguma, havia ficado daquela forma. Já havia passado da fase de fingir pra si mesmo que a melhor parte do seu dia não era quando seu celular vibrava notificando um “chegou bem em casa?”, “dormiu bem?”, “lembrei de você”. Só de pensar naquilo já ficava terrivelmente contente, mas era apenas quando de fato recebia algo do tipo que sentia um frio na barriga que contrastava bastante com o quentinho que sentia no peito e o fazia se sentir como se estivesse flutuando. Provavelmente soava estupidamente doce pensar aquilo, mas adorava conversar com Taehyung. Adorava como ele se preocupava e sempre era atencioso. Ou como tinha o melhor abraço do mundo – sem exageros, se houvesse um concurso de abraços mais confortáveis ele com certeza ganharia – e sempre o fazia se sentir seguro. Adorava tudo sobre ele, era a verdade, mas guardaria aquilo consigo. Não por vergonha – talvez um pouco – ou por estar em negação, mas porque apesar de já ter passado do período de negar aquilo a si mesmo, ainda era novo e assustador demais ter aqueles pensamentos e se sentir daquela forma, então preferia ir com calma, se permitindo sentir aquilo aos poucos, tentando não surtar e aproveitando a parte boa. E era tão bom que o fazia sorrir como um daqueles protagonistas de doramas. Exatamente como fazia naquele momento, olhando a tela já desbloqueada. Alfa  Interdependência funcional e estrutural das células e  tipos celulares Por que a gente tem que estudar isso mesmo? Arg, eu odeio biologia                                                                                Me                                         Meio que as células são                           responsáveis pelo desenvolvi-                           mento dos seres vivos e, sabe,                               pela vida num geral. Então é                                                     bem importante Alfa Chaaaaato                                                                                 Me                                     Você está parecendo uma                                       criancinha birrenta com                                                                                                      preguiça de estudar Alfa E você está parecendo um adulto responsável e meio nerd que está me julgando silenciosamente pela minha preguiça O moreno sequer conseguiu conter o revirar de olhos diante da resposta, embora um sorrisinho discreto brincava no cantinho do seus lábios, diante do jeito bobo do outro.                                                                                 Me                   Ah, mas eu estou é te julgando bem                              explicitamente se quer saber                                                         Que coisa feia                                                             Quer ajuda? Alfa Não precisa, tá tudo certo, eu já acabei. Só estava reclamando mes- mo. Ainda inconformado                                                                                 Me                                                                             Bobo Alfa Sou. Um pouco. Às vezes Mas deixando um pouco isso de  lado, como está? Chegou em casa bem? Tudo certo com suas rondas? E ali estavam elas. As malditas borboletas no estômago. Era tão satisfatório, e ao mesmo tempo sentia que seu coração praticamente surrava suas costelas sem o menor remorso.                                                                                Me                                                                                  Ah                   Tudo sim. Mais tranquilo do que eu              imaginava. E eu não sei se isso é bom             ou se estou devo ficar preocupado por                                          ter deixado algo passar Alfa Tenho certeza de que não deixou Do meu lado da cidade também está tudo tranquilo, e olha que  aqui perto tem muito bairro barra pesada Você é bom. Está tudo bem. Relaxe um pouco                                                                                 Me                                             Acho que tem razão…                                    Você… Tá ocupado agora? Alfa Não Por quê?                                                                                 Me                                                           Posso te ligar? O menor engoliu em seco enquanto observava o próprio cursor piscar na barra de digitação, só realmente se tocando de que havia enviado aquela mensagem quando já havia o feito. Nem sabia de onde tinha vindo aquilo, mas era certo de que não tinha mais volta, dado que a mensagem já havia sido visualizada. E a cada segundo que se passava sem que obtivesse uma resposta, se perguntava mais e mais se não deveria simplesmente pedir que ele esquecesse aquilo. Mas logo a foto do Kim havia surgido de repente, tomando a tela enquanto o nome do contato brilhava lá no topo. Jeongguk levou pelo menos uns dois segundos para se tocar que precisava atender e um segundo a mais para o fazer, assim que soltou a respiração que nem havia notado que prendia. — Hey. — Oi… – respondeu, numa voz tão baixa que mais parecia um sussurro. Estava um tanto acanhado. — Desculpe, eu… sei que foi estranho pedir isso, assim, do nada. — Não tem que se desculpar. – a voz do outro lado soou praticamente um segundo depois, parecendo um tanto afobada, antes que um riso baixo viesse em seguida. Parecia tão sem jeito quanto. — Digo, eu… Eu provavelmente teria pedido o mesmo, só não sabia como. Queria ouvir a sua voz…  Jeongguk sorriu um pouco, quase de forma inconsciente, antes de fechar os olhos, brincando a barra do moletom roxo que usava. — Já tem mesmo um tempo que não conversamos assim… — E um tempo maior ainda que não nos vemos pessoalmente. – murmurou, parecendo um pouco frustrado. — Mas a gente se reuniu na casa do Hoseok hyung pra jogar nesse fim de semana, hyung. — Eu sei… – a voz soou tão frustrada quanto envergonhada com a confissão, mas não era como se estivesse arrependido. Então Jeongguk riu baixo. Não do Kim, claro. Simplesmente riu, permitindo que aquele som quase infantil preenchesse o quarto silencioso. E se ele soubesse o quanto aquele simples, e raro, gesto fazia o peito do alfa do outro lado da linha se encher de um sentimento quente, certamente o faria mais vezes. — Podemos… Chamar os meninos e nos reunirmos para fazer algo. É só escolher um dia que dê certo pra todos. – sugeriu, mordendo de leve o lábio, se perguntando se aquilo soava bobo ou desesperado demais pra vê-lo, enquanto agora observava o teto branco do cômodo. — E se dessa vez formos apenas nós dois? A indagação veio tão rápido que por uns bons segundos o Jeon sequer soube como responder. Tudo bem, não era o fim do mundo, vinham fazendo aquilo com mais frequência. Mas nunca só os dois. Era sempre com Yoongi e Hoseok junto. Na verdade, eram os dois mais velhos que sempre estavam convidando e sugerindo esses encontros barra reuniões, o que no fundo deixavam os dois mais novos tão aliviados de não terem que o fazer – no fundo por não saberem ao certo como – que m*l notavam as reais intenções do ruivo e do azulado. Então era certo que havia pego o moreno de surpresa, em cheio. — Só nós dois? — Isso. Mas se acha estranho… — N-não. – o interrompeu quase que inconsciente, a voz falhando um pouco, o rosto corado. — Eu… Não acho. Podemos fazer isso. Vamos fazer isso. A voz mais sussurrada do que antes foi totalmente não intencional, quase como se tivesse medo que novamente ela falhasse e evidenciasse ainda mais o quanto estava afetado. Mas não era como se ele fosse negar.
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