**Zara**
Tinha sido difícil convencer Fenrir a não me dar banho, e ele só havia desistido depois de preparar tudo no banheiro, quando concordo que ele me esperar na porta. Nala estava em êxtase com o cuidado dele, e eu me segurava para não deixar passar os sentimentos que ela exalava.
Infelizmente, naquele dia ele não permitiu que eu dormisse em outro quarto, dizendo que eu era sua companheira e que deveria ficar no mesmo lugar que ele. Detesto ter que admitir, mas eu estava começando a gostar de usá-lo como travesseiro, embora eu não soubesse bem como isso acontecia. Lembrava-me de me afastar dele o máximo possível na cama, mas, quando acordei no dia seguinte, estava agarrada a ele como a um bote salva-vidas.
Encaro os olhos de Fenrir, queimando de vergonha, e, quando tento me afastar, ele não permite, mantendo-me no lugar.
— Não precisa ficar com vergonha, para mim é uma honra ser seu travesseiro — diz ele, piscando para mim.
Os meus olhos se arregalam e as minhas bochechas coram. Eu me encolho, escondendo o rosto no seu peito largo. Ouço a risada de Fenrir encher o quarto enquanto o seu peito sacudia.
"Ele é muito fofo, Zara", diz Nala, animada.
— Que tal um banho? — pergunta ele, olhando-me com aqueles olhos verdes encantadores. Dou um pulo da cama com as suas palavras; não queria uma repetição da noite anterior.
— Eu posso fazer isso — digo com a cabeça baixa. Ouço quando ele desce da cama e caminha até onde estou. A suas mãos envolvem o meu rosto e o erguem.
— Não quero que abaixe a cabeça para falar comigo. Sou seu companheiro e respeito as suas decisões, mas, mesmo assim, vou preparar o seu banho para ter certeza de que terá tudo o que precisa — diz ele, olhando fixamente nos meus olhos. Então se inclina e deposita um beijo na minha testa. Eu arfo audivelmente, mas ele apenas ignora a minha reação e segue para o banheiro.
Assim que Fenrir se afasta, respiro aliviada, o medo cedendo dentro do meu peito. Caminho até a cama e me sento, sentindo as minhas pernas fraquejarem. Nunca havia pensado que um contato tão simples como aquele pudesse me dar tanto pavor. Saio dos meus pensamentos com uma batida na porta. Um tanto hesitante, levanto-me e caminho até a porta, abrindo-a.
Assim que abro a porta e encaro a pessoa do outro lado, o meu corpo gela.
— Eu preciso que dê uma olhada em alguns... — começa ele distraído, caminhando na minha direção. Eu paraliso, o pânico me dominando, e, quando ele esbarra em mim, um grito audível irrompe do meu peito. Caio no chão, tremendo, tentando me afastar dele.
— Perdão, Luna, não tinha te visto — diz ele, tentando me ajudar a levantar, mas aquilo apenas fazia com que eu sentisse ainda mais medo dele. James fez aquilo comigo durante muitos anos: me agredia e depois oferecia ajuda. Sempre que eu aceitava, ele apenas me erguia do chão para me bater ainda mais. As lembranças eram vívidas demais na minha memória, e eu não conseguia diferenciar a pessoa à minha frente da figura do alfa James.
— Afaste-se dela! — ouço Fenrir rosnar e apenas me encolho mais no chão.
— Me desculpe, alfa, não prestei atenção e acabei esbarrando nela — ouço o outro homem dizer.
— Desça, Ethan, depois conversamos — diz Fenrir, abaixando-se à minha frente.
— Sim, alfa — responde ele, e ouço a porta do quarto se fechar.
— Estou aqui, Zara, ninguém pode te fazer m*l. Vou cuidar de você — diz ele com a voz calma, mas eu podia sentir que ele não estava.
"Confie nele, Zara, ele é nosso companheiro", diz Nala, choramingando. Ela podia sentir de forma mais forte o quanto ele estava preocupado. Lentamente, ergo a minha cabeça e vejo os seus olhos se aliviarem um pouco.
— Ele não fez por m*l, querida, apenas não está acostumado a ter mais alguém no meu quarto — diz ele, enquanto me pega como uma criança nos braços e se levanta comigo. — Vou pedir que ele seja mais atento no futuro.
Fenrir se senta na cama e acaricia as minhas costas com carinho, aconchegando-me nos seus braços. Eu me sentia patética e fraca, a vergonha consumindo o meu peito por passar por aquilo. Sabia que precisava de tempo para me recuperar de tudo o que passei, mas não queria que o meu companheiro me visse daquele jeito.
— Me... me desculpe — digo num fio de voz.
— Não peça desculpas, querida. Isso não é sua culpa, e vou fazer de tudo para te mostrar isso — diz ele, dando um beijo nos meus cabelos. Desta vez, eu não me encolho, o cheiro dele me fazia sentir segura nos seus braços. — Vou te levar até o banheiro.
Em silêncio, ele me leva até o banheiro e me senta num banquinho debaixo do chuveiro.
— Aqui tem tudo o que precisa, e deixei umas roupas minhas na bancada para que possa vestir — diz ele, um pouco sem graça, e aquilo me confunde.
"Pergunte, Zara. Quando tiver dúvidas, pergunte, ele não vai te tratar m*l", me incentiva Nala.
— Por... por que está sem graça? — pergunto com dificuldades e vejo a sua cabeça se erguer rapidamente e um sorriso satisfeito se formar nos seus lábios.
— É que você é minha companheira, e, para os homens, é uma questão de honra poder prover para nossas parceiras. Mas, ao que parece, falhei miseravelmente nisso — diz ele com um bico. Acho aquilo tão fofo que acabo rindo da sua cara decepcionada. Vejo Fenrir se virar para mim rapidamente, surpreso com a minha risada, e para na mesma hora, com medo de tê-lo irritado.
— Fico feliz em saber que a minha infelicidade te alegra — diz ele, fazendo bico novamente. Me assusto com aquilo, não queria que ele pensasse que eu gostava de vê-lo triste.
— Não é isso, eu...
— Ei! Eu estava apenas brincando com você — diz ele, rindo. — Não me importo que ria de mim, desde que isso a faça feliz.
Fenrir não percebia, mas, a cada palavra que saía dos seus lábios, o meu coração despedaçado começava a se colar. Ele era a esperança que girava em torno de dias melhores na minha vida.