**Dante**
Vejo os olhos dos meus avós se arregalarem. A forma como eles me olhavam me deixava um pouco constrangido; na verdade, muito constrangido. Aquela notícia não deveria ser algo tão surpreendente quanto eles faziam parecer. Passo a mão pelos meus cabelos, desviando o olhar dos deles.
— Como assim? — pergunta a minha avó.
— Nos explique isso direito, Dante — pede o meu avô, com a voz preocupada.
— Eu ainda não sei ao certo, avô. Quando estávamos na alcateia, senti uma conexão com ela. O cheiro dela era fraco para mim, mas meu lobo me garantiu que ela era minha companheira — digo a eles.
— Mas como isso é possível? Sempre reconhecemos os nossos companheiros na mesma hora — diz a minha avó, pensativa.
— Ela ainda não tem lobo, avó, então acho que ela não me reconheceria — explico a eles e vejo os seus olhos se iluminarem.
— Verdade! Lembro-me de que tive uma prima em quem isso aconteceu, ela só reconheceu o seu companheiro após a transformação — diz ela, animada.
— É possível, e se o seu lobo confirmou, então é verdade. Eles nunca erram — diz o meu avô, mais tranquilo.
— Então acha que é verdade? — pergunto, um pouco em dúvida.
— Mas é claro, querido! Os nossos lobos jamais cometeriam um erro desses — diz ela.
— Ela está certa, eles não erram jamais.
— Mas isso é maravilhoso! Quando a conheceremos? Vou fazer um jantar bem gostoso para ela. A deusa está sendo boa conosco e ouviu finalmente as minhas preces: o meu menino encontrou a sua companheira! — diz a minha avó, animada.
— Não vão conhecê-la, avó — digo, cortando a sua animação, e ela me encara com um bico no rosto.
— Por que não? — pergunta, chateada.
— Ela não sabe disso, avó, apenas o Alfa sabe dessa suspeita — digo, frustrado.
— E por que não contou a ela? — pergunta a minha avó.
— Ela e a Luna eram agredidas na antiga alcateia, avó. A vida delas não era fácil. Toda vez que tento me aproximar dela, ela foge desesperada quando me vê — admitir aquilo doía. Não era fácil ver que a sua companheira destinada o temia. Tudo o que eu desejava era poder pegá-la nos meus braços e inalar aquele cheiro gostoso, que a cada dia ficava mais forte para mim.
— Ele está certo, querida. Dante precisa ser cuidadoso quando estiver perto dela, ou vai assustá-la ainda mais — diz o meu avô, mais tranquilo.
— Queria tanto conhecê-la — diz ela, decepcionada.
— E você pode, avó. Apenas não diga nada sobre sermos companheiros — digo, e vejo o rosto dela se iluminar.
— Posso mesmo? — pergunta ela.
— Claro, mas tenha cuidado com o que vai dizer — peço.
— Claro, querido. Já sei o que vou fazer — diz ela, entrando rapidamente em casa novamente.
— Mas…
— Apenas deixe, Dante. Ela esperou muito por isso e nada do que disser vai fazê-la mudar de ideia — diz o meu avô com um sorriso de canto.
— Eu sei, mas tenho medo dessa empolgação dela — digo, com um sorriso de canto.
— Eu também teria, se fosse você — diz ele, rindo.
O futuro parecia brilhante à minha frente. O pensamento de que eu poderia construir uma família e finalmente ter algo que sempre invejei nos meus amigos me deixava extremamente animado. Mas havia algo no meu peito que ainda me deixava com dúvidas, consumindo-me. Tinha medo de que ela me rejeitasse, e se isso acontecesse, não saberia como reagir.
Ao longo daqueles anos, Fenrir tinha sido uma inspiração para mim. Ele já tivera as suas escapadas, é claro, mas quando decidiu esperar por sua companheira, manteve-se firme. Isso me inspirou a fazer o mesmo. Por mais que, às vezes, o desejo parecesse que iria me consumir, eu me mantinha firme no meu propósito. Queria que a minha companheira se sentisse orgulhosa por eu tê-la esperado.
Assim como Fenrir, eu também havia passado pela minha fase de sair com algumas mulheres. Mas, quando a minha avó me explicou o quão decepcionante aquilo seria para minha companheira, eu parei. Naquela época, Fenrir já não saía com outras lobas, e aquilo apenas me inspirou a fazer o mesmo.
Termino o meu chocolate quente, despeço-me do meu avô e subo para o meu quarto. Ao que parecia, o meu dia seria longo amanhã, e com a animação da minha avó, tudo poderia acontecer. Adormeço pensando em Diana e nos seus olhos castanhos assustados.
Desperto com o som do meu despertador. Sempre acordava antes de todos na casa. Arrumo-me rapidamente e desço para tomar o meu café. Paro ao ver o meu avô e a minha avó sentados à mesa.
— Por que já estão acordados? — pergunto, sentando-me.
— Sua avó não me deixou dormir de tão animada que estava para hoje — diz o meu avô, sorrindo.
— Avó! — digo, advertindo-a.
— Não se preocupe, querido, vou me comportar — diz ela, tomando o seu café tranquilamente.
O meu avô apenas ria, vendo a animação da minha avó. Quando termino, olho assustado para a cesta de coisas que o meu avô pega das mãos dela.
— O que é tudo isso, vovó? — pergunto.
— Apenas algumas coisas que achei que a Luna e a sua companheira gostariam. Não há nada melhor que comida caseira para que elas se recuperem mais rápido — diz ela, dando de ombros e saindo pela porta.
— Avô! — imploro com os olhos.
— Não discuta, Dante. Você sabe que é uma batalha perdida, tanto para mim quanto para você. E é só comida, elas vão gostar — diz ele, dando um tapinha no meu ombro.
Impotente, sigo os dois em direção à casa da matilha. A minha avó ia conversando animadamente com o meu avô, planejando tudo o que faria no futuro com a minha companheira. Eu não sabia se ria ou me desesperava com aquilo.