Pré-visualização gratuita CAPÍTULO 1
— Pai, por que viemos ao clube? — ele perguntou, apertando bem a bolsa quando entramos no lugar barulhento, um daqueles que eu só tinha visto em filmes. A música e o baixo são tão intensos que sinto que minha cabeça vai explodir.
— Se viemos, é porque é assim que deve ser — ele responde, lançando um olhar por cima do ombro para ter certeza de que o sigo, antes de continuar, passando pelo bar e subindo as escadas.
Suspiro, m*l o seguindo. Estou usando um vestido preto curto que me faz sentir terrivelmente desconfortável. Qualquer movimento errado e a parte mais íntima de mim deixarão de sê-lo.
Finalmente chegamos ao segundo andar. Um corredor escuro leva a salas que, suponho, são chamadas de VIPs. Paramos em frente à primeira porta à esquerda. Dois homens enormes bloqueiam nosso caminho. Eles lançaram um olhar atento sobre meu pai e um olhar muito mais cuidadoso e avaliativo sobre mim.
Algo dentro de mim começa a gritar que isso não está certo. Eu engulo. Sinto que seus olhos me despem ainda mais. Procuro o meu pai. Ele esteve rígido o tempo todo, mas agora parece completamente imóvel.
— Eles estão nos esperando — ele diz com voz seca.
Olho para os lados. Talvez eu devesse ir, desobedecê-lo. Há algo assustador nisso. Mas não consigo dar um passo quando ele agarra meu cotovelo e um dos homens abre a porta.
Há mais luz lá dentro, e o barulho apaga-se. Pelo menos a cabeça vai parar de bater... mas não o coração, que fica cada vez mais agitado, à beira de romper com o medo.
— Boa noite — diz meu pai, enquanto olho em volta e então o vejo. Ao fundo, atrás de um sofá de couro, está ele.
Meu coração para. Seu olhar me cativa: olhos entre azul escuro e preto, como tinta. Na bochecha direita, uma tatuagem desce pelo pescoço. Ele se levanta e se aproxima lentamente, sem dizer uma palavra. Alto, com ombros largos, seu andar parece feroz, seu olhar assassino... dirigido ao meu pai.
Instintivamente fico menor. Quando está a dois passos de distância, recuo um pouco. Ele percebe. Seus olhos se fixam em mim. Meu pai aperta meu cotovelo com mais força, me fazendo fazer uma careta de dor. Ele vê isso. Olhe duramente para a mão do meu pai. Sua expressão se torna metálica, letal.
— Ninguém toca no que é meu — ele rosna com uma voz áspera e cavernosa, que faz meus joelhos tremerem e causa um calor desconhecido que queima entre minhas pernas.
Meu pai engole e solta meu braço. Cubro a área com a mão; bate forte e certamente permanecerá um hematoma.
— Desculpe — meu pai disse — Eu trouxe. Minha dívida está quitada.
franzo a testa e lanço um olhar rápido para seu rosto tenso. Ele não olha para mim.
— Apenas parte da dívida — corrige o homem à sua frente — Só porque você trouxe isso não garante que eu fique satisfeito.
— Você ficará. Minha filha é virgem e tão pura quanto pode ser — meu pai responde com firmeza.
Meus olhos se arregalam. Um frio gelado percorre meu corpo depois de suas palavras.
— Pai... — sussurre com uma voz rígida.
— Vou verificar pessoalmente — diz o homem, sem me dar atenção, assim como meu pai. — A partir de hoje é minha. E você não terá mais nada a ver com ela.
— Minha dívida está quitada? — meu pai insiste, como se não tivesse ouvido nada do que aquele homem acabou de dizer.
Minha cabeça está girando. O coração bate fortemente. Que dívida? O que diabos está acontecendo?
— Eles vão te avisar — ele responde secamente. Naquele momento a porta se abre, e só agora percebo que há outro homem lá dentro, que foi quem a abriu.
Meu pai fica tenso e olha para mim.
— Pai...
— É melhor você não decepcioná-lo, filha — ele diz em um tom ameaçador que eu nunca tinha ouvido falar dele antes. Continuo paralisado. Não consigo me mover.
Ele sai da sala, seguido pelo outro homem. Quando a porta se fecha e ouço o ferrolho girar, tudo em mim congela. Então corro até a porta e puxo a maçaneta. Fechado.
— Pai! — Eu grito, puxando a alça.
— Você não quer desperdiçar sua força com isso — uma voz profunda soa bem acima de mim. Eu permaneço imóvel.
Viro lentamente a cabeça para trás, levantando-a, e encontro seu olhar sombrio. Ele me observa em silêncio.
Tremo como uma folha de outono.
— O que você quer de mim? — perguntou.
Ele inclina a cabeça para o lado, seu olhar percorrendo meu corpo, me dando arrepios.
— Eu quero muitas coisas. Mas você será suficiente — Ele responde com um tom baixo que desencadeia uma tempestade dentro de mim.
— Deixe-me ir, eu não sou uma coisa...
— Você está certo. Nada vale tanto quanto você.
Prendo a respiração enquanto seus dedos roçam uma mecha escura do meu cabelo.
— Será melhor para você se você for obediente e silencioso...
— Não — Eu balanço a cabeça —. Eu não vou ser...
Em uma fração de segundo, sua mão agarra minha nuca e joga minha cabeça para trás. Eu gemo, mais por medo do que por dor, e fico em silêncio quando o rosto dele fica perigosamente perto do meu.
— A partir de hoje você não tem o direito de dar sua opinião. Você fará tudo o que eu lhe disser. Você será quem eu disser que é. Entendido?
— Sim-sim... — sussurre com uma voz trêmula.