Suas palavras doeram mais do que eu imaginava. Mordi o lábio, lutando para não demonstrar meu medo.
— Por que eu? — Consegui perguntar, abafando as lágrimas. Eu precisava saber. Precisava de algo que me ajudasse a entender como suportar isso.
Delmon inclinou-se para frente, encurtando a distância. Seus dedos roçaram meu queixo, me forçando a olhá-lo nos olhos.
— Porque você foi minha escolha como pagamento de uma dívida — disse ele baixinho, firme como frase.
— Não é justo... — Eu sussurrei, sentindo lágrimas prestes a fluir.
Ele inclinou a cabeça pensativamente, e a luz me permitiu ver melhor a tatuagem que marcava sua bochecha.
— Talvez — finalmente disse — Mas a vida nunca prometeu ser justa.
Ela se deitou novamente, mas sua presença ainda parecia muito próxima. O carro deu partida e a escuridão além das janelas tornou-se ainda mais densa.
— Acostume-se, Natália neste mundo, somente aqueles que sabem jogar de acordo com as regras vencem... ou aqueles que as escrevem.
Frio e definitivo, como ele.
Chegamos a uma casa grande, localizada além dos limites da cidade. A estrada vazia e a floresta densa eram seus únicos vizinhos.
Delmon foi o primeiro a sair do carro. Ele cercou o veículo e abriu minha porta sem oferecer a mão, simplesmente esperando que eu saísse. A posição deles deixou claro que, se eu não fizesse isso por vontade própria, eles fariam isso por mim. Eu não queria que ele me tocasse, então desci lentamente, estremecendo ao ouvir a porta bater atrás de mim.
— A partir de hoje, você vai morar aqui — disse ele friamente, apontando para a casa.
Sem dizer nada, segui-o. Ocorreu-me que ele me deixou andar atrás, como se nem me considerasse uma ameaça.
Ele sabia que se cruzasse aquele limiar, provavelmente nunca mais sairia.
Olhei para a floresta. Foi uma decisão impulsiva e irracional, mas uma centelha de esperança me levou a tentar. Mordi o lábio e corri. Ouvi uma maldição atrás de mim, mas m*l avancei alguns metros quando braços fortes me levantaram do chão.
Gritei, chutando, enquanto Delmon me carregava para dentro. Resisti em vão enquanto subia as escadas comigo nos braços. Eu sabia que não tinha saída, mas desistir sem lutar não era uma opção. Eu não ia ser muito tempo uma boneca obediente. Não mais.
Entramos numa sala grande. Delmon bateu a porta e me jogou na cama como se eu fosse um saco. O colchão saltou sob meu corpo. Apertando os punhos e respirando pesadamente, olhei para ele.
— Uma tentativa estúpida, mas vou te dar cinco pelo esforço — ele disse com desprezo, sem se aproximar, embora seu peito subisse e caísse fortemente e uma veia latejasse em seu pescoço tatuado: ele estava claramente chateado com minha fuga.
— Eu não vou morar aqui. Eu tenho uma casa — protestei, com voz firme apesar do medo que me consumia.
— Você também tem família? Não é o mesmo que ele te vendeu? — ele lançou cruelmente.
— Se isso for verdade, eles não são mais minha família — respondi, lutando para esconder o tremor em minha voz.
Ela não foi ingênua o suficiente para pensar que tudo era um m*l-entendido. Sempre me senti um estranho em minha própria casa, mas nunca imaginei algo assim.
Sempre me esforcei para ser correta, obediente... tanto que, naquela noite, nem me questionei quando meu pai me pediu para acompanhá-lo, vestida com as roupas que minha mãe me dera.
A lembrança do olhar seco de sua mãe a assombrava. Ela sabia disso. Ele sempre soube disso. E essa certeza atingiu como um martelo: ela nunca foi amada. Ela nunca foi digna de amor.
Delmon continuou pressionando-a. Eu sabia que estava sozinho, sem família, sem dinheiro, sem teto sobre minha cabeça.
— Eu tenho amigos... — Ele tentou justificar, mesmo sabendo que não era verdade.
— Amigos que só queriam seu status — ele respondeu com desdém.
Ela insistiu que ele não moraria lá, mas Ernest não pareceu intimidado.
— Eu não sou estuprador. Se você puder escapar, faça isso.
Um desafio. Um jogo perigoso.
— Você está falando sério?
— Eu sempre digo o que penso.
Ele olhou para a sala. Espaçoso, com prateleiras e carpete luxuoso. Mas ele não sentiu conforto. Apenas uma armadilha.
— Este é um quarto de hóspedes?
— É meu quarto — ele respondeu, sem se mover.
— Isso? Não vou dormir aqui com você...
— Você vai. Depois do que você tentou, você vai dividir minha cama todas as noites — ele ditou friamente. Seu coração parou.
— Você disse que não era estuprador — ela murmurou, em pânico.
Delmon inclinou-se perigosamente para perto.
— E eu não sou. Não vou te tocar... a menos que você queira. Essa resposta ajuda você?
Ele então se sentou e saiu da sala, batendo a porta. O parafuso girou duas vezes. Ela correu em direção à porta. Fechado. Novamente, prisioneiro.
Ele não veio. Passei a noite abraçando meus joelhos nus, enrolado em um cobertor, exausto e derrotado depois de gritar e bater na porta sem resposta. Quando um homem grande e desagradável entrou sem dizer uma palavra, seu olhar extinguiu em mim qualquer centelha de resistência. Ele me deixou uma bandeja com comida que eu nem conseguia tocar; a fome não existia. Eu só queria chorar e desaparecer, embora nem isso me fosse permitido.
Ao amanhecer, caí em um sono profundo, tão intenso que nem percebi quando outra pessoa entrou na sala. Acordei assustado ao encontrar um homem ao meu lado: o corpo tatuado de Ernest nu sob o cobertor. Senti frio no peito quando descobri que também estava completamente nu. Gritei novamente e me cobri com o cobertor, expondo-o ainda mais.
Meus gritos se transformaram em um guincho agudo, fechando meus olhos com força enquanto eu encarava aquela presença. Na minha frente, Ernest em sua forma mais selvagem, com um m****o enorme e firme que eu não conseguia ignorar.
— Você é sempre tão barulhento? — Ele perguntou com uma voz profunda e rouca, movendo-se ligeiramente, o que aumentou meu medo.
— O que eles fizeram comigo? — Perguntei com uma voz trêmula.
— Se eu tivesse penetrado você, você saberia — ele respondeu frio.
Senti um rubor ardente enquanto suas palavras me perfuravam. Suspirei, confessando baixinho que poderia ter sido pior: pelo menos ele não tinha me tirado a virgindade.
De repente, o ar se agitou e estremeci ao cair de costas na cama. Abri os olhos de repente, diante do olhar de Delmon, que se aproveitou da minha vulnerabilidade para segurar minhas mãos firmemente acima da cabeça.
Ele se inclinou sobre mim, controlando cada movimento para não me esmagar. Seu hálito quente, o aroma de cigarros misturado à sua fragrância, queimavam minha pele. Seus olhos me perfuraram intensamente, enquanto um sorriso ousado e desafiador brincava em seus lábios. Mesmo depois de dormir, ele ainda era a personificação do perigo.
— E o que eu poderia ter feito pior do que não penetrar sua v****a virginal? — ele pergunta, com um tom que envia choques por todo o meu corpo, fazendo minha pele rastejar.
— Você me despiu sem meu consentimento — Eu respondo com dificuldade, incapaz de desviar o olhar dos olhos dele. Aquela rara cor azul escura, profunda como o oceano, e tão perigosa, escondendo monstros marinhos capazes de me devorar num instante.
— Se isso lhe parece terrível, o que será quando eu penetrar em você? — Sua voz fica mais profunda à medida que ele abaixa os quadris sobre minha barriga, tornando sua dureza palpável. — Quão inocente és, Delmon?
Sua mão desliza para baixo do cobertor e sinto seus dedos escorrendo pelas minhas costelas. Eu prendo a respiração.
— Diga-me, Delmon — desça ainda mais, tocando meu abdômen e depois abaixe. Eu engulo e arregalo os olhos. — Você já sentiu o desejo de um homem? Você sente isso agora? — A voz dele para quando eu exalo sem conseguir me conter.
Seus dedos alcançam minha i********e, penetrando pelos cabelos, sem parar. Gemidos, gritos e soluços saem dos meus lábios enquanto ele pressiona suavemente, fazendo-me arquear contra a minha vontade. Um calor úmido e vibrante me invade.
— Pare... — ele implorou com dificuldade, incapaz de controlar o corpo inclinado em direção à mão.
É algo mais forte do que eu, um desejo desconhecido e brutal que obscureceu minha mente, roubou meu fôlego, acelerou meu coração e secou meus lábios.
— Você realmente não quer isso? Seu corpo diz outra coisa, grita para não parar — sua voz ficou profunda e rouca, à beira do controle.
— Não, eu não quero — Eu suspiro e fico parada quando o dedo dele pressiona bem no centro. Meu corpo fica tenso, eu esqueço como respirar.
— Merda — ele murmura, tenso. — Você realmente é virgem...
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