capítulo 43

857 Palavras

Narrado por Caio Vasconcelos As mãos suavam. O colarinho apertava. O terno sob medida começava a sufocar como uma armadilha de veludo. Mas eu mantinha a pose. Era isso que diferenciava um rei de um plebeu: a capacidade de sorrir enquanto cravavam a adaga. ** Cleiton não olhou pra mim. Filho da p**a. Lia os votos um a um, como se estivesse anunciando uma lista de compras. — "Favorável à reavaliação da presidência: Marcelo Gouveia." — "Favorável: Cláudia Rezende." — "Favorável: Hélio Montanha." ** Cada "favorável" era um prego no caixão. E os nomes não paravam. ** Segurei o braço da cadeira com força, sentindo o couro ranger sob meus dedos. As veias latejando no pescoço. A respiração controlada na marra. ** Alguns tentavam desviar o olhar. Outros me encaravam de frente

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