Narrado por Gustavo Henrique Oliveira Andrade A luz da manhã atravessava a janela, recortando o quarto em pedaços. Abri os olhos. O corpo pesado. A cabeça latejando. E ela. Lorena. Sentada na poltrona encostada à janela. Notebook no colo. Pé descalço apoiado na beira da cadeira. Os cabelos ainda bagunçados pela noite. Vestida com a minha camisa branca, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Trabalhando. Focada. Sem perceber que me destruía só de existir. ** Fechei os olhos por um segundo. Deixei o peso bater. Deixei a culpa cavar o peito. Ela tinha arriscado tudo. A carreira. O nome. A p***a da vida inteira dela. Por mim. Sem garantia de nada. Sem promessa de retorno. Sem a menor segurança de que eu ia abrir os olhos de novo. Mas ela ficou. Ela apostou. E

