Narrado por Lorena Mello O jantar foi silencioso. De um jeito estranho, íntimo. Eu e Gustavo comemos devagar, como se não quiséssemos encarar a tensão invisível que vibrava entre nós. ** Quando terminamos, ele se recostou na cama, os olhos fechados, o braço jogado por cima do rosto. ** Peguei meu notebook. Conectei na plataforma da clínica. ** O plantão noturno estava apenas começando. ** Paciente após paciente. Dor de cabeça, insônia, ansiedade. Casos que exigiam atenção, cuidado, mas que já se tornavam rotina nas madrugadas de trabalho. ** Gustavo adormeceu. Respiração pesada ao meu lado. ** Continuei. Firme. Presente. ** Quase cinco da manhã, quando pensei em encerrar, o sistema apitou: "Novo atendimento — Sr. Azevedo." ** Suspirei. Aceitei a chamada. ** A t

