Narrado por Caio Vasconcelos Os dias seguintes foram um borrão. Um inferno cinza onde as paredes pareciam se fechar centímetro por centímetro em volta da minha garganta. ** Tentei me mover. Tentei ligar pra aliados. Tentei ameaçar. Prometer. Comprar. ** Mas cada porta que eu batia... Fechava na minha cara. ** Um por um. Os sócios que antes me apoiavam. Os advogados que antes juravam lealdade. Os diretores que sorriam nas minhas reuniões. ** Todos. Todos começaram a escorregar pelos dedos como areia molhada. ** Telefone na orelha. Voz cortada pela desculpa ensaiada: "É uma questão estratégica, Caio." "Preciso pensar no que é melhor para o futuro da empresa." "Não é pessoal." ** Pessoal? ** A p***a do mundo era pessoal. ** Cada ligação desligada era uma facada

