É mais uma noite fria nessa droga de cidade. Na verdade a maioria das vezes a minha vida é uma droga.
Todas as noites eu faço a mesma coisa, chego em casa depois de um dia exaustivo pego minha carteira de cigarros e sento na varanda para fumar. No parapeito pra ser mais exato, mas eu nunca caí e nem acho que vou.
Mas apesar da minha rotina comum e cansativa eu não sou... Comum.
Vivemos em um “mundo” bem divido hoje em dia. Um experimento genético feito há mais de trezentos anos fez com que uma raça mais forte nascesse. Eles diziam que isso ajudaria nas guerras, mas não houve guerras.
E aqui estamos hoje, uma sociedade dividida entre Alfas, Betas e Ômegas.
Como se tivéssemos um relóginho programado, aos dezoito anos entramos no primeiro cio e descobrimos o que somos. Bom os betas não tem cio, mas eles são quase como alfas.
Os alfas são os mais fortes que podem mandar em todo mundo, os betas seus braços direitos e os ômegas tem que baixar a cabeça.
E assim a cidade é dividida, têm bairros que tem apenas alfas, outros betas, outros ômegas e aqueles para famílias já construídas. Famílias que são formadas a partir de uma ligação muito forte que vem pelo cheiro ou algo assim, não acredito nisso, para mim é mais um alfa tentando se impor. Eles sempre são assim, arrogantes, orgulhosos e idiotas.
Aí vem a parte em que sou diferente de outros ômegas, eu não baixo minha cabeça pra ninguém, eu fumo porque gosto, eu bebo porque gosto e tenho o corpo todo tatuado sim. Ninguém tem o direito de mandar na minha vida, eu não deixo nenhum Alfa usar meu corpo quando quer para se satisfazer do seu cio.
É, eu tenho vinte e dois anos e nunca fiquei com ninguém. Nos dias de cio eu me tranco no quarto e me alívio sozinho. E não ligo se me julgam por isso.
Eu sou contra esse padrão de sociedade, eu não quero ser imposto a fazer trabalhos leves, ter filhos e cuidar da casa.
Eu posso ser um Ômega, mas isso não dá o direito de governo algum dizer como devo seguir minha vida.
...
Já estava terminando meu quarto cigarro quando alguém bateu na minha porta, eu já imaginava quem era.
— Boa noite, senhora Kim! – disse assim que abri a porta, eu sabia que seria ela, a síndica do prédio, pelo menos duas vezes por semana ela vem reclamar de alguma coisa.
— Boa noite, senhor Byun. Eu recebi reclamações de alguns moradores sobre a fumaça do seu cigarro, não teria como fumar menos? Logo uma família de ômegas vai se mudar para casa ao lado, não quero perder mais um inquilino por causa disso.
— Quem reclamou, senhora Kim? – suspirei.
— Não importa, só quero que pare!
— Para mim importa sabe?! Estou realmente cansado de toda a semana ouvir alguma reclamação que vem somente da senhora, como o tempo que eu demoro no banho ou a quantidade de amigos que eu trago em casa. Não é porque eu sou um ômega que eu fico transando com cada cara que trago aqui, mas isso não lhe interessa. Eu pago o maldito aluguel e não tenho que ouvir isso, boa noite! – fechei a porta sem dar a chance de ouvi-la retrucar, só de birra acendi mais um cigarro e fui pra varanda, eu moro no décimo quinto andar, quase nunca estou em casa, quem reclama de mim? Me considero um bom vizinho.
Além disso, existem mais pessoas nessa droga de prédio, porque só eu tenho ouvir essa coisa? Eu sei que a minha aparência faz as pessoas acharem que eu preciso de algum tipo de regeneração, mas eu não preciso