2- Chanyeol: Mudanças

875 Palavras
Minha família administrava um café, mas o governo decidiu que o bairro onde morávamos tinha Alfas demais então deveria ser território deles, meio ridículo isso, mas tudo bem. Eu ainda não sei o que sou. Meu pai é um beta, apesar de dizerem que betas deveriam casar com outros da sua espécie, acho que meu pai faz a minha mãe feliz e é isso que importa. Minha mãe e minha irmã são ômegas, é provável que eu seja um ômega ou um beta, mas mais certo é um ômega. E isso me dá medo, eu não sou um tipo de ômega... Interessante... Minha voz é grossa e sou muito alto e desajeitado pra minha idade. Tenho medo de nunca achar aquela pessoa que me ame, apesar de dizerem que o cheiro é o primeiro passo para essa ligação. Mas e se falhar? E se ele tiver problema olfativo? Ou sei lá... Muitas coisas podem acontecer. Eu faço dezoito anos mês que vem, sei que não vou encontrar meu par já no primeiro cio, mas espero achar logo... Talvez, mas só talvez, eu seja um pouco carente. — Chanyeol, vamos, termine de arrumar as suas coisas, o caminhão da mudança chega amanhã cedo. Não vá dormir tarde. – minha mãe gritou do outro lado da porta. Passei tanto tempo pensando que até esqueci que amanhã seria nossa mudança. — Já vou dormir, mãe. – ela ainda me trata como se eu fosse bebê. Tentei dormir, mas não consegui, muitos pensamentos invadiam a minha mente. Amanhã eu começaria praticamente uma nova vida. Eu não sei como vai ser viver sem meus amigos, mas eu acho que não vou mais poder andar com eles, Sehun e Kris são Alfas, agora esse bairro é de pessoas como eles e eu... Eu nem sei o que eu sou, mas esse não é o meu lugar.  **** Saímos de casa cedo naquela manhã, o caminhão da mudança chegou por volta das 7h00, eu m*l tinha tomado café da manhã e já tinha que começar a ajudar a carregar caixas para cima e para baixo. Yoora, minha irmã, usa o fato de ser frágil para não fazer quase nada, ela tem vinte e quatro anos, fala sério, ela deveria ser muito mais responsável. Nós somos uma raça diferente, mas a maior parte das características culturais permaneceram, mesmo após tantos anos. — Mãe, estou cansado, não quero mais carregar caixas. – disse fazendo bico. — Já está quase acabando. Mais algumas e já pode descansar. Pode ir dormindo, a nossa nova casa fica a mais de uma hora de distancia daqui. — TUDO ISSO? E minha escola? — Vai estudar na escola de lá. — Mas mamãe, meus amigos... – já podia sentir as lágrimas em meus olhos. — Sinto muito querido, vai ter que fazer novos. – ela pegou mais uma caixa e foi em direção ao caminhão. **** Eu estava tão cansado que dormi a viajem toda até o novo apartamento. Era um lugar bonito, um prédio grande de dezesseis andares e dois apartamentos por andar, o nosso era o 150B, ficava no décimo quinto andar. Depois de colocar todas as caixas dentro do apartamento me tranquei no quarto, não era um apartamento muito grande, eram três quarto bem pequenos, uma coisa meio sala, cozinha e varanda. O meu quarto era o que ficava mais próximo à sala, então eu ficava bem ao lado da varanda, gostei muito disso. Eu gosto de olhar a lua, era uma coisa que sempre fiz na casa que morávamos, meus pais nem falam mais nada, eles sabem, que durante alguns minutos eu gosto de ficar sozinho olhando o céu e sentindo a brisa noturna. E era o que eu estava fazendo quando senti aquele cheiro horrível de cigarro barato, me fazendo tossir levemente. Olhei para o lado, o meu vizinho fumante estava sentado no parapeito, sua cabeça estava encostada nos joelhos, afastando apenas para dar uma tragada ou outra. — Oi... – ele disse, disse tão baixo como se estivesse com receio. Ele era diferente, meio estranho, seu cheiro me dizia que ele era um ômega, mas não agia como tal. Ele tinha enormes tatuagens negras e estava fumando daquele jeito tão... Sexy? — Oi... Ahn... As tatuagens... Você... Ele riu soprado. — Sim eu sou um ômega e mesmo assim eu tenho todas essas tatuagens e fumo. Eu sei que ômegas não deveriam agir assim, mas que se dane. Eu só me importo com o que eu gosto. – deu uma tragada longa – Quantos anos tem, garoto? — Dezessete. — Imaginei. Seu cheiro ainda não está bem claro. Mas está próximo do cio, né? – assenti – Boa sorte, quando não se tem um parceiro é meio r**m. – ele fez uma careta e jogou o cigarro fora. — E quantos anos você tem? — Vinte e dois. — Já é casado? — Isso é um interrogatório? — Não, me desculpe. “Chanyeol vem jantar.” – minha mãe gritou da cozinha barra sala. — Eu tenho que ir, amanhã falo com você. Ele deu um sorrisinho e eu fui de encontro a minha família. Será que esse era o cara chato que a síndica tinha comentado? Ele me parece legal... E bonito.
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