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Pandora colocou o queixo sobre o peito musculoso de Adrien, que suspirou pesado e frustrado pelo que tinha acabado de acontecer, o que causou estranheza na mulher. Aquilo nunca havia acontecido, mas ela queria uma explicação para aquilo, o homem estava diferente desde que conversou com o seu superior, o poderoso Eliel Scarpelli. Algo tinha deixado o seu homem incomodado o suficiente para fazê-lo "falhar" naquele momento íntimo do casal.
— Me desculpe, isso nunca aconteceu comigo. — Passou a mão entre os seus cabelos.
— Eu sei, sou testemunha disso. — Disse, fazendo círculos invisíveis com a ponta dos dedos sobre o peito dele. — Mas você está estranho desde que conversou com o velho, o que ele te disse para te deixar assim? — Ele a encarou.
— Eu não sei se devo te falar sobre o que ele conversou comigo, na verdade o que ele me pediu. — Disse olhando nos olhos de sua assistente e amante.
— Você nunca teve segredos comigo, o que aconteceu? — Ficou apreensiva.
— É que o assunto envolve a sua irmã. — Revelou.
— O que aquela i****a aprontou dessa vez? Todos no jornal estão falando tão bem dela, que até me dá ânsia de vômito. — Ele se ajeitou, ficando sentado na cama, fazendo ela o acompanhar.
— É exatamente por isso. O velho caiu nas graças da sua irmã e quer casá-la com o deformado do filho dele e pediu a minha ajuda. — No jornal, apenas Adrien sabia que Pandora e Coraline eram irmãs.
Pandora começou a rir descontroladamente.
— Isso é uma piada, não é? — Ele negou. — Adrien, o velho Eliel está ficando louco, só pode. De onde ele tirou essa ideia bizarra de casar a tosca da minha irmã com o inútil do Baruc Scarpelli? — Perguntou incrédula.
— Ele simplesmente quer torná-la em sua sucessora. — Respondeu.
— Mas e você? Se ele conseguir fazer isso, o seu plano vai todo por água abaixo. Você deve ser o sucessor dele. — Disse.
— Eu sei. Velho maldito! Vários anos dando o melhor de mim e ele vem com essa de tornar uma estagiária, que nem se formou ainda em sua sucessora. — Xingou.
— E o que ele pediu para você fazer? — Indagou. — Nós não podemos deixar isso acontecer, Adrien. — Ele colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha dela.
— Infelizmente eu terei que acatar a ordem dele. Porém, eu acho que esse casamento vai ser muito bom e tudo será bem mais fácil do que ter o Eliel no comando do jornal. — Disse com uma expressão mais calma.
— Como? — Perguntou.
— A sua irmã é uma presa fácil, Pan. Ela é sentimental, vou fazer esse casamento acontecer usando as pessoas que ela mais ama e depois vou fazê-la deixar o jornal sob o meu comando da mesma forma. Quando o velho não estiver mais no caminho, a sua querida irmã irá me dar tudo que eu sempre desejei. — Pandora ficou séria.
— Adrien, quando você fala sobre quem ela mais ama, você está se referindo aos meus pais? — Perguntou.
— Sim, mas não precisa se preocupar, não fiz nada que os prejudique fisicamente não. Eu jamais machucaria os seus pais. No entanto, amanhã, eles vão ter que encarar uma carga de peixes estragada. — Ela ficou surpresa.
— Adrien, isso é o sustento deles, meu pai vai ficar arrasado. — Reclamou.
— Eu sei, paixão. Porém, eles não vão ter que enfrentar isso por muito tempo, a bondosa Coraline vai os tirar dessa. Pelo que o velho me mostrou, a sua irmã pode proporcionar aos seus pais uma vida de nobres. — Respondeu.
— Você tem certeza que meus pais não vão ser prejudicados mais do que já foram e que fez a escolha certa dando um motivo para a Coraline mudar de ideia e aceitar o tal casamento? — Pandora ficou preocupada.
— Eu precisava fazer isso, caso contrário, eu estaria fora daqui, aí sim todas as minhas chances de me tornar dono de todo o império Callegari seriam nulas completamente. — Pandora respirou fundo.
— Eu espero que tenha feito uma boa escolha, não quero ficar sem emprego. — Disse.
— É claro que eu fiz, e quando chegar a hora certa, você será muito essencial para alcançarmos nosso objetivo. — Respondeu.
— Desde que você me assuma, eu prometo ajudá-lo. — Falou.
— Você sabe que já somos basicamente assumidos, não precisaremos disso. Há seis anos a minha cama só vê uma única mulher. — Respondeu, em seguida a beijou com desejo.
Adrien e Pandora, apesar de serem duas pessoas ambiciosas e de personalidade bastante duvidosa, eram fiéis um ao outro, mantendo um relacionamento de seis anos, onde a fidelidade de ambos era o ponto forte da relação.
[...]
Enquanto Pandora e Adrien discutiam o seu futuro no Jornal Callegari, Coraline e seus amigos desfrutavam de um jantar, que julgavam ser o mais delicioso de suas vidas, apesar dela não está feliz, aquela deliciosa refeição ela não iria recusar.
— Corinha, apesar de ter sorrido esse tempo todo, desde que chegamos aqui, os seus olhos não tem o mesmo brilho de antes e nem parece estar mais nervosa como estava pela manhã. Aconteceu alguma coisa? — Felicity perguntou.
— É apenas impressão sua, Lici. Acho que bebeu um pouquinho demais. — Sorriu.
— Eu nem estou bebendo. Esqueceu que estou com o carro da minha mãe e responsável por vocês? Você e o James que já secaram quatro garrafas de vinho e duas de champagne. — James e Coraline não demonstravam estar embriagados.
— Eu posso ter bebido, no entanto eu concordo com a Felicity. Seu brilho e seu nervosismo foram embora. — Ela não iria aguentar esconder aquilo pra muito tempo.
— Eu não estou mais na disputa pelo cargo no jornal, agora é entre vocês dois. — Disse de uma vez.
— Como assim? Você era a favorita entre nós três. — Felicity perguntou incrédula.
— Isso aconteceu porque eu não aceitei a proposta do senhor Eliel. — Revelou.
— Proposta? Que proposta? Não me diga que ele quer… Você foi vítima de abuso? Assédio? — James perguntou, segurando as mãos da amiga.
— Não, se isso tivesse acontecido, não estaríamos aqui e sim na delegacia, eu não sairia de lá calada. — Respondeu.
— Ele só quer que eu case com o filho dele. Casando com o tal Baruc, nós três seríamos contratados, mas como eu não aceitei eu não estou mais concorrendo a vaga. — Disse.
— Mas isso é um absurdo! — James falou.
— Ninguém casa assim, sem ter sentimentos, e principalmente sem conhecer. Isso é loucura e eu não quero ter um emprego ao custo de você ter que se casar assim. Em qual século o senhor Eliel pensa que está? — Felicity disse brava.
— Vocês não podem falar isso para ninguém, mas eu desejo boa sorte a vocês dois. — Coraline estava triste, mas estava tranquila que os amigos continuavam na disputa pelo cargo e que pelo menos no seu currículo ainda teria o estágio no Jornal, o que poderia facilitar a sua vida profissional futuramente.
— Tudo bem, nem o James, nem eu, iremos falar nada para ninguém, não se preocupe. — Coraline sorriu e o rapaz assentiu.
Apesar de não terem sido próximos durante o curso, no decorrer do estágio eles se aproximaram e acabaram tornando-se amigos.
— Eu acho melhor nós irmos está ficando tarde, e eu ainda vou deixá-los em casa. — Felicity disse.
Os três jovens saíram do restaurante dez minutos depois. Coraline e James não tinham condições de pegar um ônibus ou táxi, então ficou nas mãos de Felicity a responsabilidade de levar os dois amigos em casa, e mesmo sendo longe as suas casas, ela faria aquilo por eles.
Coraline tinha recusado uma proposta que mudaria a vida dela e a de seus pais para sempre, mas mesmo a proposta sendo bastante tentadora, ela não aceitaria se casar por interesse financeiro. Sua família já tinha trabalhado e conseguido até ali, então ela não via motivos para aceitar um acordo de casamento daquela forma, no entanto, m*l sabia ela que em breve ficaria tudo bastante difícil para a sua família e que ela seria forçada a repensar na sua resposta para a proposta de casamento de Eliel Scarpelli.