Proposta irrecusável recusada...

1792 Palavras
[...] Estagiar no Jornal Callegari estava sendo um sonho para Coraline, que mostrava o porquê de seu professor dizer que ela era a melhor de sua turma. Aprender com uma pessoa como Eliel Scarpelli, era como ganhar na loteria, tê-lo como mentor deixava a jovem mais convicta de que era exatamente aquilo que ela queria. Nos últimos dias de estágio os três colegas estavam mais ansiosos do que o normal, apenas um seria o grande escolhido para se juntar a grande equipe de profissionais do jornal. O que eles não sabiam era que a disputa estava acirrada e seria bastante difícil escolher entre os três, já que demonstraram ser ótimos no que faziam. Faltando pouco mais de uma semana para descobrirem quem realmente seria o grande escolhido. James, Felicity e Coraline já tinham cumprido o grande desafio de fazer uma matéria bastante importante para o jornal, onde teriam que conseguir entrevista com pessoas que estavam envolvidas com grandes notícias ou escândalos. Felicity, conseguiu uma entrevista não apenas com uma, mas sim com duas pessoas bastante importantes no esporte. As ciclistas, Emily e Abigail, a primeira que venceu a obesidade e se tornou a maior campeã do seu país na modalidade e a segunda que após uma agressão doméstica, perdeu os movimentos das pernas, entrando em depressão, a qual venceu quando a mulher começou a praticar o esporte, sendo medalha de ouro logo na sua estréia em uma competição profissional. Enquanto James conseguiu fazer uma matéria perfeita sobre assédio e abuso de todos os tipos com mulheres dentro e fora de casa e o descaso com as que eram vítimas de abuso s****l, destacando principalmente o preconceito com essas mulheres que além m de serem vítimas eram acusadas de serem culpadas pelas agressões, especialmente entre as próprias mulheres. Já Coraline, que teve o seu desafio feito pelo seu mentor também, que já sabia do talento da jovem a designou para a entrevista com a esposa de um deputado, que foi preso por corrupção e lavagem de dinheiro. Coraline não só conseguiu falar com a esposa como também conseguiu com ela uma lista de mais políticos envolvidos, o que foi mantido em sigilo para investigação. Eliel estava satisfeito e impressionado com o talento dos três jovens, principalmente por terem feito tudo com a agilidade e profissionalismo de pessoas que trabalhavam naquele ramo há anos. Ele sabia que escolher a pessoa que iria trabalhar no seu jornal estava em suas mãos e nunca se viu em dúvida maior que aquela. Ele também estava à procura de um substituto, a idade já tinha chegado e ele precisava reduzir a velocidade, melhor, ele precisava reduzir a sua carga horária de trabalho. Então ele lembrou-se de seu filho Logan e do acidente que tirou a vida de seu sucessor, a pessoa que seria tão boa quanto ele, instantaneamente ele também lembrou-se daquele que ele julgava ser o culpado do maldito acidente, o qual também era o seu filho, mas que ele já não o considerava assim desde o dia que ele decidiu fazer direito ao invés de jornalismo, decepcionado-o, que desejava que seus filhos seguissem os seus passos e os de sua esposa. Eliel sentia a falta de seu caçula, queria fazer o seu filho mais velho pagar pela dor que ele amargava durante aqueles sete longos anos, então ele decidiu que só havia uma maneira de fazer o seu primogênito pagar por aquilo. — O senhor queria me ver? — Coraline perguntou, entrando na sala de seu mentor, a maior daquele andar. — Sim, por favor sente-se. — Indicou a cadeira à sua frente para que ela pudesse sentar-se. — Eu queria parabenizar você pela matéria, se eu não a conhecesse, eu diria que tinha sido feita por um veterano acostumado a fazer esse tipo de entrevista e reportagem. — Ela sorriu, não esperava ouvir elogios do homem tão cedo. — Obrigada, mas eu divido esse mérito com o senhor. Foi graças a sua mentoria e conselhos que tive sucesso na entrevista. — Respondeu. — Vejo que não é uma pessoa egoísta, fato que já faz você ganhar um ponto comigo. Mas eu sei que é bastante ambiciosa, de uma forma boa, é claro. — Sorriu. — Eu também fui um jovem como você, cheio de ambições e sonhos que as pessoas julgavam serem impossíveis de acontecer e veja, o impossível aconteceu. — Disse se referindo ao jornal e tudo que conquistou a partir daquele lugar e da sua profissão. — O senhor sempre foi uma inspiração, acho que um sonho impossível também aconteceu em minha vida. — O homem sorriu. Ela com certeza era perfeita para o que ele queria. — E mais sonhos impossíveis podem acontecer, senhorita Morton, isso só depende de você. — Coraline ficou confusa. — Bom, eu vou direto ao assunto. O que você seria capaz de fazer para conseguir realizar todos os seus sonhos? — Perguntou, deixando Coraline ainda mais surpresa. — Eu não sei onde o senhor quer chegar com essa pergunta, mas eu ainda não pensei sobre o assunto, por isso, eu não tenho uma resposta para essa pergunta. — Respondeu. — Eu tenho uma proposta para você, uma proposta irrecusável. — Disse apoiando os cotovelos sobre sua mesa. Coraline estranhou. Se aquela conversa não estava relacionada ao estágio, qual era o tipo de conversa com ela? — Desculpa, senhor Eliel, mas qual é o tipo de assunto que o senhor deseja conversar comigo? — Perguntou. — Casamento! — Coraline arregalou os olhos assustada. Ela jamais aceitaria qualquer tipo de relacionamento com o seu chefe. — Casamento? Eu não entendi, senhor. — Tentou não demonstrar o quanto tinha ficado assustada com a resposta do homem. Ele sorriu, percebendo que ela tinha ficado nervosa. — Calma senhorita Morton, deixe-me explicar. — Disse. — Mas serei breve e não irei prolongar o assunto. — Ela assentiu. — Você está com o seu futuro e o dos seus colegas em suas mãos. — Naquela altura os dois colegas de sala já tinham se tornado amigos de Coraline. E ela já tinha um carinho enorme pelos amigos. — Tanto você como os seu dois amigos, podem se tornar membros da minha equipe principal de jornalismo caso você aceite a minha proposta. — Aquilo fez ela ficar ainda mais tensa, aquela proposta não seria algo tão simples, se envolvia ela e os amigos, não seria nada simples. — Qual é a proposta? — Indagou curiosa. — Você terá que se casar com o meu filho. — Disse de uma vez, fazendo ela segurar firme na cadeira onde estava. — Casar? De onde o senhor tirou isso? — Respondeu. — Meu filho se tornou solitário e precisa se casar, o que aconteceu com ele há sete anos o fez se afastar de tudo. — Mentiu. Eliel só queria tornar a vida do filho, a qual ele julgava ser calma, um verdadeiro inferno, e casá-lo com uma desconhecida era a melhor saída, além de ter uma pessoa digna de substituí-lo no futuro, além de lhe dar um herdeiro legítimo. Coraline apesar de sua origem humilde, era a pessoa certa para se tornar a sua nora e a pessoa que Baruc iria odiar ter por perto: uma jornalista falante e cheia de vida. — E porque eu? — Perguntou. — Você é a pessoa que até o momento tem o maior potencial para me substituir futuramente. — Por aquilo ela não estava esperando. — Substituir? — Perguntou. — Sim, eu só tive dois filhos que poderiam me substituir no futuro e continuar o meu legado. No entanto, o único que se interessou pelo jornalismo não está mais entre nós. — respondeu. Por isso, casando com o meu primogênito, consequentemente você será a minha sucessora futuramente, o que seria o mais breve possível. — Disse. — E o seu filho? Ele sabe dessa sua decisão? Ele concorda com o casamento? — Perguntou. — O Baruc irá aceitar qualquer decisão que eu tomar, isso não é algo com que deva se preocupar. — Respondeu. Aquela com certeza era a proposta da sua vida, a resolução de todos os seus problemas até o final de sua vida. — Deixa eu ver se eu entendi, se eu aceitar, tanto eu como meus amigos, seremos todos contratos e eu irei ser a sucessora do senhor e vou comandar tudo isso? — Eliel afirmou. — E se eu não aceitar, o que acontece comigo e com os meus amigos? — Perguntou. — Você instantaneamente sai da disputa e o cargo será disputado entre os outros dois. — Coraline levantou-se. — Foi um prazer passar esse tempo tendo o senhor como mentor, mas eu não posso casar com o seu filho, não vai ser assim que eu vou conseguir o que eu tanto desejo, eu não posso aceitar a sua proposta senhor. — Eliel encarou a jovem com uma expressão nada boa, ele não esperava que aquela fosse a sua reação, ele estava lhe dando tudo que ela queria. — Eu não vou considerar essa sua resposta agora. O seu estágio ainda não chegou ao fim, você tem 48 horas para tomar a sua decisão e me dar uma resposta concreta. — Pegou um papel com algumas anotações e entregou a ela. — Isso é tudo que você terá direito quando casar-se com meu filho. Leia com calma e repense a sua resposta. Hoje é sexta, pode sair mais cedo, você e seus amigos, passe um tempo com eles, talvez isso lhe ajudará a pensar melhor. Isso aqui é um cartão vip de um restaurante que eu gosto muito, leve-os para jantar. — Entregou-lhe um cartão onde tinha o nome do restaurante e o nome dele. — Eu não posso aceitar isso também. — Disse. — Não se preocupe, isso não está relacionado a minha proposta. Isso é uma forma de parabenizar vocês pelas matérias que fizeram. Isso não é um suborno, senhorita Morton, é uma bonificação pelo ótimo trabalho que fizeram, vocês merecem. — Respondeu. — A minha resposta para a sua proposta ainda será a mesma de hoje, mesmo após as 48 horas. Eu não irei me casar com um desconhecido sem ter nenhum sentimento por ele e muito menos para ter um emprego e ocupar um cargo no seu jornal. — Respondeu. — Obrigada pelo jantar, vou falar com meus colegas. — Era nítido a tristeza nos olhos de Coraline, para ela aquele sonho tinha chegado ao fim. Coraline saiu da sala de Eliel em seguida. Ela até poderia ter dito que não ia aceitar a sua proposta, porém ele não acreditava naquilo e sabia que teria a sua resposta positiva em breve. Coraline era a chave para o jornalista fazer o seu filho sofrer, assim como era o seu desejo.
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